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Postado em 22-02-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 22-02-2021 00:27

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

Decisão da Câmara de manter preso o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), com uma votação expressiva, é um sinal de que os parlamentares querem uma mudança no tom dos colegas, avaliam analistas e congressistas

Luiz Calcagno
postado em 21/02/2021 06:00 / atualizado em 21/02/2021 15:42
 

 (crédito: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

(crédito: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

O caso do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), preso por incitar o espancamento de um ministro do Supremo Tribunal Federal e por fazer apologia ao AI-5, e que teve a prisão confirmada por 364 votos na Câmara, poderá impor um refinamento do bolsonarismo. Entre os aliados mais próximos do presidente, o discurso já apresenta uma mudança no tom. Há o entendimento por parte de alguns parlamentares de que o abandono de Daniel Silveira e a expressiva votação favorável à Comunicação de Medida Cautelar 1/2021 no plenário serviram de aviso aos radicais: não haverá espaço para a verborragia combativa de extrema-direita.

A depuração acontecerá, porém, nos ciclos mais próximos do presidente, que, ao menos por ora, não tem condições de abandonar o grupo de eleitores mais radicais. Grupo que, inclusive, reclamou do silêncio de Bolsonaro nas redes. Portanto, isso não significa que o presidente vá abandonar as falas polêmicas, embora seja pouco provável que assuma tom parecido com o de Daniel Silveira. A estratégia de maneirar o discurso já separa, inclusive, os parlamentares. Enquanto Julian Medeiros (PSL-PB) andou se queixando do silêncio do presidente, o colega de bancada Bibo Nunes afirma que o presidente “se colocou como representante máximo do Poder Executivo, e ficou fora dessa discussão”.

“O presidente está resguardando a liturgia do cargo, ficando isento na disputa. Não tem nada a ver com Centrão. O presidente está se moldando ao cargo”, disse. Carla Zambelli (PSL-SP) vai na mesma linha. “Nos últimos dois anos, a imprensa e parte do público têm cobrado do presidente para não se manifestar em todos os assuntos. É muito difícil agradar a todos. Quando ele fala, é criticado pelo que fala. Quando ele não fala, criticam. A minha opinião é que ele está agindo corretamente, pois já temos uma situação entre Judiciário e Legislativo. Não seria saudável para o país que o presidente entrasse na disputa”, avaliou.

Desdobramentos

Junto com Bia Kicis, que faz campanha para a presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e promete isenção e diálogo com todos os partidos, esses parlamentares fazem parte do grupo que se elegeu agarrado ao discurso de Bolsonaro, mas que detém certo pragmatismo, diferentemente, segundo o analista político da Consultoria Dharma, Creomar de Souza, dos que têm retórica agressiva, que serve para agitar as bases. “Esse pessoal é mais torcida que líder”, explica. Creomar destaca, ainda, que Silveira não valia o preço do desgaste. “É precoce dizer que ele vai ser cassado. Mas, para esse momento, tem uma confusão armada, uma unanimidade do STF. Ele cruzou a linha”, avaliou.

Doutor em ciência política, professor e pesquisador do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Ricardo Ismael também vê pragmatismo em Bolsonaro quando o presidente se cala a respeito de Daniel Silveira. Ainda assim, ele alerta que o presidente não abandonará a base eleitoral, pois sabe que o Centrão não o apoiará se não conseguir chegar em 2022 viável para as eleições. Além disso, lembra, o caso de Daniel Silveira ainda não está encerrado. “O bolsonarismo está defendendo Daniel Silveira nas redes. E se ele sobreviver, não for cassado, pode até aumentar a votação em 2022. São contradições que ocorrem”, apontou.

“Tratava-se de um conflito entre Câmara e STF, e sair em defesa de Silveira iria colocar o Bolsonaro no fogo. Bolsonaro, hoje, está criticando a Petrobras. Ele precisa defender os caminhoneiros. Não vai abandonar apoiadores. Nem os militares nem os evangélicos. O Centrão é importante nas reformas, mas se Bolsonaro não mantiver a popularidade, o Centrão vai apoiar outro candidato em 2022. Lira deve ter dito a Bolsonaro que se ele entrasse (na briga) seria prejudicial. A distância de Bolsonaro pode contrariar seguimentos bolsonaristas que gostariam de uma manifestação. Mas, quem pensa um pouco sabe que Bolsonaro não teria nada a ganhar. Ele iria criar uma briga com Lira, e ia voltar ao cenário de 2020, quando estava em conflito com o Supremo, o que ele não quer mais”, lembrou Ricardo Ismael.

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