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CRÔNICA

 

A bizarra saia da senadora e a prisão de Catatau

Janio Ferreira Soares

 

Quando o fato se deu não percebi, talvez por estar lendo a beleza de carta que o querido Dom Samuel Dantas me escreveu a respeito do que penso sobre a eternidade. Só depois foi que vi o grave delito estético cometido pela senadora Kátia Abreu (PP-TO), que na eleição do presidente do Senado usou uma saia confeccionada a partir de 30 gravatas doadas pelos colegas senadores, todas, diga-se, com o nome das excelências nas pontas, o que ao menos facilitará à identificação dos coautores numa provável investigação sobre o frio assassinato do bom senso.

Com tiras verticais a lhe envolver as ancas tal um fole de uma sanfona gemendo num forró, de início até pensei que poderia ser algum protesto, sei lá, tipo uma lona remendada de um circo chamado Brasil, onde a senadora seria o mastro e nós os velhos palhaços, como àqueles que saíam às ruas perguntando à garotada com as mãos carimbadas pra entrar de graça e trepar no poleiro: “E o palhaço o que é?”, no que eles respondiam: “É ladrão de mulé!”.

Depois, analisando bem, acho que a faceira senadora estava apenas se antecipando ao Carnaval e aí resolveu usar uma fantasia que não faria feio naqueles concursos onde Clóvis Bornay e Evandro de Castro e Lima arrasavam como Rei Salomão ou Tutancâmon, no seu caso com o pomposo título de: “Invisíveis Perdigotos das Múmias do Senado Bamboleiam no Quadril da Cleópatra de Tocantins”.

Falando nisso, desde o meu primeiro texto neste A TARDE, e lá se vão quase 15 anos, jamais pensei que num sábado de “Viva Zé Pereira!” eu estaria aqui escrevendo sobre um não Carnaval, provocado, veja que absurdo, por um vírus que ninguém, absolutamente ninguém, por mais poderoso ou inteligente conseguiu prever, o que só atesta a nossa total, absoluta, completa (e haja sinônimos!) insignificância no mundo.

Pra terminar, contarei novamente um caso ocorrido num Carnaval do Copa (Clube Operário de Paulo Afonso), quando Catatau, figura folclórica que perdera uma das mãos num acidente (e por isso ganhou o apelido de Braço de Radiola), pulou o muro e se misturou aos foliões. Depois de muita procura, um guarda se posicionou no palco e teve a grande sacada de pedir ao maestro Turpim que tocasse o Hino do Bahia. Estranhando o pedido, já que o havia tocado minutos antes, ele obedeceu e assim que a orquestra deu o breque para o grito de guerra da turma tricolor, Catatau se empolgou e se autodedurou com seu cotoco vibrando no ar aos berros de “Baêêêa! Baêêêa! Baêêêa!”.

Que esse episódio sirva, quando nada, de motivação ao péssimo time tricolor, para que nos futuros carnavais neguinho possa socar o ar e gritar com orgulho “Baêêêa! Baêêêa! Baêêêa!”, mesmo correndo o risco de ser flagrado no meio da multidão por um guarda morrendo de rir. Bons tempos.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco

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