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Postado em 12-02-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 12-02-2021 01:31
 
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ARTIGO/Ponto de Vista
Roberto Santos, Varão de Plutarco
Joaci Góes
Aos queridos amigos Márcia e Fernando Moura Neto!
O Brasil culto e honrado pranteia a perda do poliédrico professor Roberto Santos que nos deixa aos 94 anos, no status do mais ilustre baiano do seu tempo, na expressão cunhada pelo saudoso polímata Edivaldo Machado Boaventura. No plano individual, perdi um grande e querido amigo. Refletindo sobre sua gloriosa trajetória existencial, concluo ser ela o produto da integração sinérgica do conjunto dos atributos que compunham sua rica personalidade: inteligência, determinação, disciplina, simplicidade, espírito público, honradez, convivialidade e operosidade, tudo isso conduzindo à invariável e impressionante utilidade de suas ações.
Por isso, foi o aluno laureado que alcançou a cátedra de Clínica Médica aos trinta anos de idade, depois de haver cursado, summa cum laude, as universidades de Cornell, Michigan e Harvard, nos Estados Unidos, e Cambridge, na Inglaterra. Já catedrático, seguiu para a Alemanha, onde aprofundou seus conhecimentos em Medicina Tropical, de tão grande importância para o tratamento médico no hinterland brasileiro. Esse passo na direção da diversidade temática das clínicas médicas resultou no seu reconhecimento, nos meios acadêmicos, como uma das maiores sumidades do País, antes mesmo de completar quarenta anos.
Em 1961 e 62, Roberto Santos volta a Harvard, onde, como estudante, tive o prazer de conhecê-lo, pessoalmente, durante conferência proferida por Henry Kissinger, para brasileiros em visita a Tio Sam, em viagem patrocinada pela AUI. Em Harvard, ele absorveu as técnicas relativas à “dosagem do hormônio antidiurético” que evoluiria para a “cromatografia da coluna”, e daí para o “imunoensaio radioativo do metabolismo hidromineral”. De volta a Salvador, Roberto Santos abdicou da sedução do consultório particular que lhe oferecia as maiores possibilidades materiais, em troca da dedicação, em regime de tempo integral, à criação das residências médicas no Hospital das Clínicas, o melhor, na época, em todo o Nordeste.
Deixou a Secretaria da Saúde da Bahia, no Governo Luis Viana Filho, para ocupar, entre 1971 e 74, a Reitoria da UFBA, fundada em 1946 pelo seu pai, Edgar Santos. Paralelamente, presidiu o Conselho Federal de Educação, de 1971 a 74, de onde saiu para governar a Bahia de 1975 a 79. Mais tarde viria a ser Ministro de Estado, parlamentar e presidente do CNPQ, todas essas atividades comandadas pelo seu estofo de cidadão estadista, sob cuja inspiração viria a fundar a Academia de Ciências da Bahia de que foi o primeiro Presidente. 
Penso que a palavra síntese da rica biografia de Roberto Santos seja “integridade”, tomada em sua acepção plena de obediência ao que não é exigido. Nestes tempos temerários em que vivemos, o conhecimento da biografia de Roberto Santos, pelo seu excepcional valor pedagógico, pode contribuir muito com a recuperação de nossa combalida moralidade pública e com a exaltação dos valores da cidadania honrada. Nesse sentido, a leitura do seu livro de memória acadêmica, Vidas Paralelas, é de preceito.
No estrito plano da convivialidade, como chefe de família exemplar, motivo de alegria e orgulho para filhos e netos, que contou, invariavelmente, com o concurso inestimável de sua grande companheira e conselheira da vida inteira, a saudosa Maria Amélia, de marcante presença ao seu lado, em todos os momentos de sua gloriosa existência, Roberto Santos foi, igualmente, um modelo edificante.
Sem dúvida, Roberto Santos afirmou-se como uma estrela de primeira grandeza na constelação dos grandes vultos de nossa terra. Sua inspiradora saga existencial é a resultante da associação feliz entre os ricos atributos que ornam sua exuberante personalidade.
Sobre sua portentosa história, e diante de seu lúcido testemunho, debruçou-se encantada a consciência dos brasileiros honrados, livres e cultos.
E é por tudo isso que a síntese biográfica de Roberto Santos se adéqua, como a mão à luva, ao resumo autobiográfico de Orlando Gomes, que repeti, falando em nome da larga comunhão dos seus amigos, ao ensejo dos seus noventa anos: Infatigável no trabalho; Severo nos estudos; Grande nos afetos e Sereno nas preterições!
Joaci Góes, escritor, é ex-presidente da Academia de Letras da Bahia e ex-diretor da Tribuna da Bahia. Artigo publicado nesta quinta-feira, 11, na TB.
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