DO CORREIO 24HORAS

Texto reproduzido do espaço “A Bahia do Já Teve”, do jornalista Albenísio  Fonseca,

no Facebook.

Produtor musical lembra história de quando o famoso o cantor britânico não aguentou o tranco e saiu carregado da festa

ANDRÉ UZEDA

 

Famoso pelo talento monumental e desregramento no uso de álcool e drogas, o britânico Eric Clapton pediu arrego na Lavagem do Bonfim, no verão de 1975.

De tanto provar as misturas batizadas da Cidade Baixa, o exímio guitarrista subiu carregado as escadas até um pequeno apartamento transversal à Colina Sagrada. Lá, arriou por completo.  

Esta história, pouquíssimo conhecida, é contada pelo produtor musical aposentado Maurício Almeida, 70 anos. Com uma longa carreira na gravadora Warner, durante anos uma das mais importantes do país, Almeida ficou amigo de grandes artistas, produziu shows e discos célebres e, em meados da década mais doidona do século, recebeu a insólita missão de ciceronear a grande estrela internacional do rock no verão de Salvador.

“Foram dez dias de Eric Clapton por aqui. Ele não veio para fazer show ou gravar músicas. Estava de férias e veio conhecer a cidade. Ficou hospedado na Pousada do Carmo, no Santo Antônio. Por isso, montei uma programação para que conhecesse Salvador, tanto de dia quanto de noite”, relembra.

Eric chegou acompanhado daquela que seria sua futura esposa, Patty Boyd-Harrison (ex-mulher do beatle George Harrison), e de um staff que incluía assessores, músicos e seu poderoso empresário, o magnata australiano Robert Stigwood, também produtor dos Bee Gees.

Patty Harrison e Eric Clapton foram casados até 1989 e teriam visitado a Bahia em 1975
(Foto: Divulgação)

“Em uma dessas noites, eu combinei com o DJ pra tocar uma música dele, sem que percebesse. Eric ficou todo contente porque percebeu que gostavam do som dele aqui no Brasil”, diz Almeida, orgulhoso da traquinagem.

Àquela altura, o nome de Clapton já figurava no hall dos grandes artistas mundiais, após a polêmica dissolução, em 1969, do conjunto Cream, que o havia catapultado para o sucesso.

Impulsionado pelo hit “Let It Rain”, um ano depois, escalou o estrelato em carreira solo e recebeu a aceitação do público e da crítica. Quando desembarcou na Bahia, em 1975, trazia a tiracolo o sucesso “I Shot the Sheriff”, gravada e composta originalmente por Bob Marley.

“Como estávamos em janeiro, eu tive a ideia de levá-los na Lavagem do Bonfim. Era uma experiência que eu sabia que ele gostaria, afinal era um cara muito curioso e tinha ficado muito interessado nas cores, sons e ritmos da Bahia. Fomos em dois carros Ford Galaxie até bem perto da igreja, porque nessa época a lavagem não fechava as ruas da cidade”, revive Almeida.

O produtor Maurício Almeida circulava ao lado de grandes nomes da música nacional e internacional, como Roberto Carlos e Jimmy Cliff
(Fotos: Acervo pessoal)

“Chegamos na basílica por volta das 11h da manhã. Vimos um pouco do cortejo e depois Eric e Patty quiseram parar em um bar onde tava rolando música ao vivo, com os meninos tocando pandeiro e percussão. Eles ficaram lá, bebendo e adorando aquela música toda”, recorda.

“Corri para um orelhão e liguei. Quando atendeu, disse: ‘Cara, preciso que me empreste seu apartamento. Tô com Eric Clapton aqui e ele tá passando mal’. Ele só acreditou quando viu a gente subindo as escadas com o cantor sendo puxado pelos assessores”, diz, rindo.

Capa do disco No Reason To Cry, que Maurício garante ter emprestado a jardineira para o famoso guitarrista
(Foto: Divulgação)

Clapton ficou dormindo na cama emprestada e só acordou por volta das onze da noite. Disse que estava bem e queria voltar para o hotel. Maurício lamenta não ter fotos daquele dia, mas assegura a veracidade da história. 

Garante ainda que, no álbum No Reason To Cry, de 1976 – um ano depois da visita à Bahia -, Clapton prestou sua homenagem ao estado com a música “Carnival”, onde ele canta: “Venha comigo para o Carnaval”. Clique aqui para ouvir.

E ainda vai além. “Aquela camisa na capa do disco de 1976, eu que dei a ele. Era uma jardineira da Lubrax que comprei pra brincar o Carnaval. Mas ele gostou tanto que dei de presente. A música Carnival e a capa do disco foram formas que ele encontrou para agradecer a hospitalidade dos baianos naqueles dias”, pontua Maurício.

“Carnival”, Eric Clapton: a mistura de rock e carnaval na rara composição do notável roqueiro britânico, criado provavelmente em momento de recordação das poucas e boas que aprontou em uma farra histórica na lavagem do Bonfim, quando ela passeava na Bahia. Viva!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

DO EL PAÍS

O médico José Cássio de Moraes participa do planejamento das principais campanhas de vacinação no país desde a epidemia de meningite. Ele lamenta os atrasos na imunização contra a covid-19: “O Brasil pode vacinar no mínimo 2 milhões de pessoas por dia”

O médico epidemiologista José Cássio de Moraes em sua casa, em Santos, litoral de São Paulo.
O médico epidemiologista José Cássio de Moraes em sua casa, em Santos, litoral de São Paulo.Alex Almeida
São Paulo 

“O Brasil possui mais de 37.000 postos de vacinação já prontos. Se você aplica 10 vacinas por hora, 60 por dia, e multiplica pelo número de postos, temos mais de duas milhões de doses por dia.” Essa conta rápida foi feita pelo médico seus José Cássio de Moraes, de 75 anos, e é motivo tanto de sua apreensão quanto de sua esperança. Apreensão porque o Brasil, apesar de ter “uma estrutura de saúde que poucos países possuem”, iniciou uma campanha de imunização contra a covid-19 “meio à cegas” e que promete ser “tumultuada” por causa da “falta de planejamento e de transparência”. E esperança porque essa “experiência de aplicar 300 milhões de doses de vacinas todos os anos” é o que pode garantir que a campanha tenha êxito, apesar de todos os obstáculos. Seu cálculo não leva em conta que o país pode ampliar sua estrutura, convocar mais profissionais, vacinar em horário ampliado e fazer “os dias D da vacina” aos sábados. “Dá para aplicar 10 milhões de vacinas por semana, 40 milhões por mês, sem correria, sem acúmulo”, explica em entrevista por telefone ao EL PAÍS.

O médico fala com a propriedade de quem participa há 46 anos do planejamento de campanhas de vacinação no Brasil. Professor da faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do Observatório Covid-19, Moraes ajuda a planejar campanhas de imunização desde 1975, quando o Brasil vacinou sua população contra a meningite. “Na região da Grande São Paulo vacinamos nove milhões de pessoas em cinco dias”, recorda. Eram os primeiros passos do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Ao longo dessas quase cinco décadas, ele vem assessorando o Governo paulista e o Ministério da Saúde —ainda hoje participa de um grupo de trabalho vinculado à pasta— e já foi diretor do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo. “Temos estrutura que pode atingir 100% da população e know how, mas por pressões e disputas políticas estamos nesta situação, com muita dificuldade de executar”, argumenta. “É triste. Países com menos estrutura, como os EUA, começaram antes a vacinar.”

O epidemiologista guarda na memória momentos marcantes dessas décadas imunizando a população brasileira. Como quando foram injetadas três milhões de doses em um só dia somente no Estado de São Paulo. Era o final dos anos de 1980 e o Brasil se mobilizava contra o sarampo. ”Havia apoio dos outros ministérios e secretarias, fábricas de automóveis que colocavam veículos à disposição dos vacinadores, artistas fazendo propaganda, o Zé Gotinha…”. Esses são alguns dos elementos que precisam ser recuperados para a atual campanha contra a covid-19, opina o médico. “Podemos mobilizar a sociedade civil, e inclusive utilizar os militares, para registrar as doses de vacina injetadas, organizar as filas, e liberar os profissionais da saúde”, sugere. “Isso aumenta muito a capacidade das equipes técnicas em vacinar, elas ficariam centradas em preparar a aplicar as doses.”

A vacinação contra o novo coronavírus começou no Brasil em 17 de janeiro, em meio a uma guerra política entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O tucano fez a primeira fotografia da campanha de imunização minutos depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial da Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, e da vacina da AstraZeneca/Oxford, que será produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O médico lamenta que a briga entre as esferas federal e estadual prejudique a saúde da população. “As coisas estão sendo feitas de forma atropelada, com falta de transparência nas informações, com briga entre entes federal e estadual”, lamenta.

O médico epidemiologista José Cássio de Moraes.
O médico epidemiologista José Cássio de Moraes.Alex Almeida

Naquele momento o Brasil contava apenas com 6 milhões de doses do imunizante testado pelo Butantan —insuficientes para imunizar os profissionais de saúde— e passou por dificuldades para importar da Índia 2 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca e trazer os insumos da China. Resultado da falta de um planejamento que deveria —e poderia— ter começado com meses de antecedência, avalia o epidemiologista ?para quem a “negação” por parte do Ministério da Saúde em relação à doença contribuiu com o atraso.

 O médico explica que, ao planejar uma campanha vacinação, já se sabe com quantas doses o país poderá contar e “qual vai ser o escalonamento”. Dessa vez existe um problema de oferta de vacinas contra o coronavírus no mundo inteiro. Contudo, as autoridades brasileiras ainda falavam sobre normas técnicas e sistema informação apenas uma semana antes do início da vacinação, recorda Moraes.

“Precisa sair uma norma técnica com toda uma normatização meses antes da campanha para que todos os municípios falem a mesma linguagem e evitar o que chamamos de erro de aplicação”, argumenta. Até mesmo questões que parecem ser banais, como o espaço que os postos de saúde deverão reservar na geladeira antes da chegada das vacinas, precisa entrar no plano. “Tudo isso faz parte de um planejamento. Todo ano sai uma norma para a vacinação da Influenza dizendo qual é a composição da vacina, como ela precisa ser aguardada, como vai ser feita a vigilância de efeitos adversos…”.

Perda da cobertura vacinal

Moraes parece estar falando algo que deveria ser óbvio em um país que, lembra ele, erradicou a poliomielite em 1989?três décadas antes da África?, faz campanhas anuais contra a Influenza, introduziu a vacina tríplice viral em 2002 contra a caxumba, rubéola e o sarampo, proporcionadas pelo PNI e o Sistema Único de Saúde (SUS). Ao longo da conversa com o EL PAÍS, ele faz questão listar esses avanços em vários momentos para alertar sobre o potencial que o Brasil já vinha perdendo mesmo antes da campanha contra a covid-19. De acordo com o médico, as mobilizações em torno de campanhas de vacinação vem perdendo fôlego ano a ano. “Antigamente era divulgado intensamente na TV. Ano passado fizemos varias campanhas de vacinação que ninguém ficou sabendo, incluindo os profissionais da saúde. Eu chamo de campanhas secretas, porque não havia nenhuma iniciativa do Governo federal ou estadual para fazer essas campanhas.”

O resultado desse processo é que a cobertura vacinal vem diminuindo há pelo menos cinco anos e doenças como o sarampo voltaram a assombrar os brasileiros. Há vários fatores que explicam essa queda. Um deles é o que Moraes chama de “síndrome da terra plana” e as mentiras sobre a imunização que fazem a cabeça de muitas pessoas. Mas o movimento antivacina brasileiro ainda é recente se comparado com os EUA e países da Europa.

O problema maior é a “redução de recursos para o SUS”. Isso resulta em “uma redução de funcionários nos postos de saúde, nos horários em que estão abertos para dar a vacina”, entre outros fatores. “Se o posto só funciona em horário comercial, então as pessoas que trabalham terão mais dificuldades de serem vacinadas”, explica o médico. “As pessoas têm dificuldade de chegar ao centro de saúde, seja por causa de acesso, locomoção, horário… E quando chega, tem horário limitado, fila… As dificuldades vão aumentando.”

Ele também acredita que a erradicação de doenças como a poliomielite e o sarampo fizeram com que muitos “perdessem o medo de doenças” e achassem que não precisam mais ser imunizadas. “Aí começam a selecionar quais vacinas vão tomar. Por que eu vou me vacinar contra a polio se não tem caso desde 1989? Bom, mas se não vacinar, ela pode ser reintroduzida, como foi o caso do sarampo”, argumenta.

Por outro lado, o epidemiologista diz acreditar que a pandemia de covid-19 mostrou para a população que o SUS “possibilitou a sobrevivência de milhões de pessoas”. E, por isso, esse sistema, que é universal e gratuito, “passou a ser valorizado, até mesmo pela própria imprensa.” “Não significa que os nossos dirigentes vão acompanhar esse aumento de popularidade [do SUS]. Não temos um aumento aumento de investimento previsto para este ano. O que se tem é medida provisória [garantindo recursos] para utilizar na pandemia”, complementa. Apesar das críticas, Moraes avalia que aqueles que estão engajados na vacinação, incluindo os municípios, estão fazendo o melhor que podem. “Mas não é fácil nessa situação e com uma vacina com duas doses em intervalos curtos”, explica. E lamenta mais uma vez: “O motivo de minha ansiedade, de minha tristeza, é que não estamos utilizado toda essa expertise de quase 50 anos.”

as e análises no e-mail.

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08
Posted on 08-02-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-02-2021



 

 Sid, 

 

fev
08
Posted on 08-02-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-02-2021
Foto: Reuters/Mohammed Dabbous
Credit…Foto: Reuters/Mohammed Dabbous

Por Jornal do Brasil

 

O Palmeiras viu o sonho de conquistar o Mundial de Clubes da Fifa chegar ao final neste domingo (7) ao ser derrotado por 1 a 0 pelo Tigres (México) pelas semifinais da competição em partida realizada no estádio Cidade da Educação, em Doha (Catar).

Agora, o Tigres encara na grande decisão quem levar a melhor na outra semifinal, que será disputada entre o campeão da Liga dos Campeões da Europa, o Bayern de Munique (Alemanha), e o campeão da Liga dos Campeões Africana, Al-Ahly (Egito). Alemães e egípcios se enfrentam na próxima segunda (8), a partir das 15h (horário de Brasília).

Palmeiras e Tigres fizeram um jogo muito equilibrado, em busca de uma vaga para a decisão da competição. Muito organizada, a equipe do México consegue a primeira oportunidade clara logo aos 3 minutos, quando Luis Rodríguez cruza para cabeçada perigosa de González. Mas o goleiro Weverton faz grande defesa.

Nos primeiros minutos do confronto, os campeões da Libertadores encontram muitas dificuldades de criar pelo meio, sofrendo demais com a forte marcação do Tigres. Assim, a melhor chance do Palmeiras só vem aos 17 minutos, quando Rony bate de muito longe, mas o goleiro Guzmán defende parcialmente, permitindo que Gabriel Menino chegue livre para chutar para fora. Mas o lance não valeu, pois o palmeirense estava impedido.

O confronto era equilibrado, e o time do México consegue outra boa oportunidade aos 33 minutos. O francês Gignac recebe na ponta esquerda e chuta forte, e cruzado. Mas Weverton volta a defender com segurança.

O Tigres se anima de vez na partida e, três minutos depois, chega novamente com perigo, com Gignac cabeceando com perigo para nova defesa do camisa 1 do Palmeiras.

Gignac decide
Logo no início da etapa final, o Tigres consegue abrir o placar. Aos 6 minutos, o zagueiro Luan derruba González dentro da área do Palmeiras. O juiz marca pênalti e Gignac vai para a cobrança. O artilheiro francês bate forte e rasteiro no canto direito de Weverton, que pula certo, mas não consegue defender.

Aos 11 minutos, Rony chega a balançar a rede do gol defendido pelo goleiro Guzmán, mas ele estava impedido. E o lance foi anulado.

O time paulista sofre demais com a estratégia dos mexicanos de usar a linha de impedimento, perdendo boas oportunidades aos 21 e 23 minutos, quando Luiz Adriano e Rony ficam, respectivamente, em posição irregular.

Aos 31 minutos o Palmeiras quase consegue o empate. Mayke lança Willian na direita, o atacante avança em velocidade e cruza para Luiz Adriano, que, dentro da área, fura o chute.

Sete minutos depois, o camisa 10 tem outra chance de marcar, quando recebe nova bola de Willian e bate forte por cima do gol do Tigres.

De forma desorganizada, a equipe brasileira continua pressionando, e chega com perigo aos 43 minutos, quando Gustavo Scarpa lança Rony na área, mas o goleiro Guzmán se antecipa e fica com a bola.

O último suspiro do time brasileiro vem já nos acréscimos, quando Viña aproveita sobra de bola da entrada da área para chutar com perigo.

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