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Postado em 17-01-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-01-2021 00:12

 

Polêmica em torno de escultura de 33 metros em formato de vulva surpreende artista: 'Medo vem da potência da mulher' | Pernambuco | G1
“Diva”: escultura polêmica de Juliana Nogari, em Recife.
Bahia em Pauta » Blog Archive » Janio Ferreira Soares: No domingo de julho, a recordação de Totó do Cinema Paradiso no tributo a Moriconni e um salve ao bico da ema

CRÔNICA

                                                           A vulva Suassuna pra desnascer o capitão

 

 Janio Ferreira Soares

 

Pois é, amigo (a), como na canção de Lulu, a vida, apesar do presidente, segue em ondas a lamber meus espantados cambitos saltitando que nem pés de bode ao ouvir a buzina de um desgovernado caminhão. Diante disso, ativei o Chicó e o João Grilo que moram em mim e apelei ao meu santo Suassuna que me mandasse uma de suas fantásticas soluções – tipo aquela do gato que descome dinheiro no Auto da Compadecida -, pra que este descrente pudesse, enfim, livrar-se dessa alma sebenta que ora me governa e me atormenta.

E aí, quando eu achava que nada mais poderia deter o instinto assassino de um sujeito que só pode ter vindo ao mundo expelido por um flato de um capeta peidão, eis que o santo dos doidos e desvalidos atendeu minha súplica e obrou um milagre tão óbvio, mas tão óbvio, que me penitenciarei até o fim por não ter pensado nisso antes. Trata-se da gigantesca vulva rubro-negra (com certeza em homenagem ao seu Sport) que surgiu por esses dias encravada em terras pernambucanas, mais precisamente num morro da Usina de Arte no município de Água Preta, a 150 km de Recife.

Batizada de “Diva” por sua criadora Juliana Notari, ninguém tira da minha cabeça que essa polêmica escultura medindo 33 metros de altura, por 16 de largura e 6 de profundidade não foi soprada no ouvido da artista plástica por São Ariano, que a essa altura deve tá bolando com João Ubaldo, Jorge Amado e demais santinhos do pau oco que protegem meu roçado, um plano subsequente para atraí-lo até as beiradas de seus grandes lábios, que aí terão a rara chance de desnascê-lo de volta às tripas do cão que o bufou. Antes, porém, um parêntese.

O que mais me impressiona nisso tudo é a conivência dos bons e o ar blasé da turma do STF, que poderiam, sim, fazer algo, mas deixam rolar. Aliás, quando falo dos bons me incluo fora dessa, pois aqui do meu canto sigo atirando dardos imaginários com leite de aveloz bem nos olhos daqueles que cospem perdigotos com o PH abaixo do nível necessário pra decantar a sujeira contida no barro que flutua em meio à podridão.

Mas voltando à tão sonhada sucção, deixo como sugestão para o grand finale, algo mais ou menos assim: pelas redes do ódio o capitão convoca seus soldados pra destruir “essa xota comunista que ameaça engolir meu governo”. Em seguida, a turba segue numa retroescavadeira pilotada pelo 01, levando em sua pá o glorioso capitão usando um vistoso chapéu viking com autênticos chifres herdados de seus ancestrais.

Ao se aproximarem, pentelhos de caruá brotam da Diva e laçam Jair pelos quibas levando-o finalmente de volta as garras do tinhoso, que depois de degustá-lo lentamente ao molho de Ivermectina o descome em forma de uma imensa língua de gato da Kopenhagen, que se desmilinguirá ao som de um estridente “miauuuuu!”.

 

Janio Ferreira Soares, cronista é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Franciaco

 

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