ARTIGO/OPINIÃO
  
Jornalista José Raimundo. Foto: Reprodução/Google

 

Maria José Rocha Lima*

Hoje o estimado amigo jornalista José Raimundo se despede da TV Bahia, afiliada à Rede Globo. Ele não é  somente mais um jornalista baiano, mas uma personalidade da história do jornalismo brasileiro, que muito orgulha a nós, baianos, como eu já havia declarado e hoje vi com alegria na declaração da exemplar jornalista baiana Ana Vieira.

As suas reportagens foram serviços de utilidade pública, aulas de história, algumas são narrativas épicas, de heróis e também dos heróis do cotidiano do Nordeste, da Bahia e  do Brasil.

Foram históricas as suas coberturas de fatos relevantes no país, como a visita do papa João Paulo II à Bahia em 1980;  o centenário de morte de Antônio Conselheiro e a Guerra dos Canudos, exibidos no Jornal Nacional e no Fantástico, em 1997; e sobre os festejos dos 500 anos do descobrimento do Brasil, em 2000.
Outra contribuição histórica foi a cobertura do Centenário de Jorge Amado, em 2012.

Suas reportagens fizeram muito bem, nesses “tempos de fé morta e impiedade triunfante”. É tanta miséria espiritual, são tantos os homens que dão maus exemplos, que é fundamental mostrar pessoas que dedicaram as suas vidas ao bem do próximo; a construção de obras humanitárias, ou à construção da própria humanidade; pessoas que possam servir de modelo. Porque, se existem aqueles homens que roubam, corrompem, destroem o meio ambiente e aviltam o ser humano, há também aqueles homens e mulheres que realizam maravilhas na literatura, na música, na prática religiosa, nas artes, na política e na vida.

José Raimundo, as suas reportagens mexeram com a consciência nacional, como aquela sobre trabalho infantil, exibida no Globo Repórter, que resultou a você e Marcelo Rezende (1951-2017) o diploma de honra ao mérito do Festival de Filme e Televisão de Nova York, que acompanhei toda orgulhosa.

Quem esquecerá as reportagens emocionantes, vigorosas e cívicas, a exemplo daquelas que denunciavam prefeitos que desviavam dinheiro público da educação e da saúde, mutilando e ceifando vidas. E, ainda, aquela denúncia sobre fraudes na Previdência Social, apresentada no Jornal Nacional. Todas essas reportagens despertaram alguns brasileiros do torpor, que os faz de marionetes para acompanhar problemas alheios, esquecendo-se dos coletivos que precisam agir para saná-los.

Muitas das suas reportagens foram recomendadas, por mim,  aos professores, para projeções  em sala de aula, como atividade cultural, conteúdo de enriquecimento, especialmente nos projetos educacionais para jovens e adultos. Reportagens que se constituíam excelentes e dinâmicas aulas de história, geografia,  geografia física e humana e de meio ambiente, como as excelentes reportagens sobre o Rio São Francisco, exibidas no Jornal Nacional e no Globo Repórter, e  ainda aquela sobre a Chapada Diamantina.

As coberturas ecológicas que lhe renderam outros dois importantes prêmios: Embratel e Conservação Internacional, por uma série sobre a destruição da Mata Atlântica, que foi ao ar em 2004 no Jornal Nacional, mas o seu maior prêmio desses  31 anos de atuação dedicada  e competente  é o reconhecimento de tantos que te honram e o guardam  na memória e na história, que nunca serão apagadas.  Somos gratos e estamos certos de que você muito em breve estará retomando novas estradas e nos contando novas e preciosas histórias para o bem do Brasil.

*Maria José Rocha Lima é mestre e doutoranda em educação. Foi deputada de 1991 a 1999.  Preside a Casa da Educação Anísio Teixeira. É psicanalista, dirigente da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Psicanálise -ABEPP

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Comentários

Carlos Volney on 9 Janeiro, 2021 at 13:04 #

Brilhante, sob minha ótica, o artigo de Maria José, além de pertinente e oportuno, o Zé Raimundo é insubstituível e falta até adjetivos para qualificá-lo.
Sua competência, seriedade e postura na construção de suas inesquecíveis reportagens
honram o jornalismo, não só o baiano, mas também o brasileiro.
Felicidades, Zé, abrace seus novos desafios, você continuará brilhando onde quer que se estabeleça.


vitor on 9 Janeiro, 2021 at 18:08 #

Volney:
Na mosca, caro e brilhante amigo. Na mosca!!!


Carlos Volney on 10 Janeiro, 2021 at 12:12 #

Muito me honra seu comentário, Mestre Vítor, mas sei descontar a generosidade nele contida.
Grande abraço.


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