jan
05
Postado em 05-01-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 05-01-2021 00:08

Por Sandra Cohen

Especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo em ‘O Globo’


Donald Trump, presidente dos EUA, em foto de 12 de dezembro na Casa Branca — Foto: Cheriss May/Reuters

Donald Trump, presidente dos EUA, em foto de 12 de dezembro na Casa Branca — Foto: Cheriss May/Reuters

 

“Eu só quero encontrar 11.780 votos porque nós ganhamos o estado.” Na expressão do desespero do presidente Donald Trump estava implícita também a ameaça ao secretário de estado da Geórgia, o republicano Brad Raffensperger, para reverter o resultado das urnas em seu favor. Por telefone, durante uma hora, mais uma vez o presidente americano tentou intimidar uma autoridade de seu próprio partido, para atender aos seus próprios interesses.

Em outra frente, uma tropa de conspiradores articulada por Trump tentará, na quarta-feira (6), tumultuar no Congresso o processo de certificação do presidente eleito, Joe Biden, e perpetuar entre a base leal ao presidente a tese de que a eleição foi roubada.

Numa sessão conjunta que tradicionalmente se traduz como mera formalidade, uma dúzia de senadores e 140 deputados republicanos pretendem encenar um espetáculo político deprimente que, desde já, se anuncia como fracassado: atrasar a ratificação de Biden como presidente dos EUA para uma auditoria das alegações infundadas de fraude maciça.

A maioria democrata na Câmara e um grupo de republicanos, que não lê a mesma cartilha do presidente, certamente impedirão o desfecho almejado pela ala dos fiéis de Trump. Biden será declarado o 46º presidente dos EUA, mas o efeito devastador desta eleição ainda pairará, por um bom tempo, sobre o país.

 

Os 50 estados já certificaram o resultado eleitoral, e cerca de 60 contestações à vitória de Biden foram rejeitadas por tribunais americanos. Ainda assim, Trump se mostra irascível com a derrota, como é comprovado no áudio vazado pelo jornal “Washington Post” do diálogo com Raffensperger.

“O povo da Geórgia está com raiva, o povo do país está com raiva”, vociferou. “E não há nada de errado em dizer, você sabe, hum, que você recalculou.”

Trump pressiona pra que "encontrem mais votos na Geórgia"
 

Trump pressiona pra que “encontrem mais votos na Geórgia”

O tom intimidatório do presidente remete a outro diálogo, mantido com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a quem ameaçou com cortes na ajuda militar ao país caso não iniciasse uma investigação de Joe Biden e de seu filho, Hunter.

Como sintetizou num tuíte o deputado democrata Adam Schiff, ex-promotor do julgamento do impeachment e um dos principais desafetos de Trump no Congresso, o seu desprezo pela democracia foi novamente exposto e gravado.

Principal autoridade eleitoral da Geórgia, o secretário Raffensperger resistiu friamente às investidas de Trump, que anteriormente pressionou o governador Brian Kemp, outro correligionário republicano, chegando até a defender a sua renúncia.

Em nove semanas, Trump reduziu o status do Partido Republicano ao de terra arrasada. A erosão põe de um lado a legião de bajuladores do presidente e de outro os detratores que rejeitam desde já a trama do golpe político e do abuso de poder que emana da Casa Branca.

Be Sociable, Share!

Comentários

Maria Aparecida Torneros on 5 Janeiro, 2021 at 14:51 #

A gente pode xingar ex presidente dos EU,A?
F D P milhões de vezes…


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Janeiro 2021
    S T Q Q S S D
    « dez    
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    25262728293031