jan
04
Posted on 04-01-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-01-2021

 

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (LISBOA)

Cumpre-se na segunda-feira um dia de luto nacional por Carlos do Carmo, cujo desaparecimento

físico, no primeiro dia de 2021, consternou o país que há muito já o tinha tornado imortal.

Miguel Judas
“Morro de pé, mas morro devagar. A vida é afinal o meu lugar e só acaba quando eu quiser”, foi com este excerto da letra do fado Sonata de Outono que a Universal, a editora de Carlos do Carmo, comunicou ontem de manhã a morte do fadista, aos 81 anos, “vítima de um pós-operatório a um aneurisma da aorta abdominal”.

A frase resume na perfeição a vida e a carreira do artista que, a par de Amália Rodrigues, reinventou o fado – apesar de o próprio recusar sempre tal pretensão, preferindo dizer que antes o devolveu às origens – elevando-o com isso à condição de património mundial, muito antes de este realmente o ser. A Voz, assim era também chamado por muitos, numa clara referência a Frank Sinatra, o seu grande ídolo de sempre, Carlos do Carmo nunca deixou de cantar o que gostava, como tantas vezes referiu ao longo da vida. “Detesto que me limitem”, referiu algures em meados dos anos 1970, após ter interpretado todas as canções candidatas ao Festival da Canção de 1976, e de no ano seguinte ter editado disco Um Homem na Cidade, com letras de Ary dos Santos, dando início a um processo de renovação do fado, apenas comparável ao que Amália fez com Alain Oulman.

Sem ele, com certeza, o fado não seria o que é hoje. Pelo que cantou, quem cantou e como o cantou, pelo que fez na sua promoção, tanto nacional como internacionalmente, em especial aquando da candidatura a Património Imaterial da Humanidade, da qual foi um dos principais impulsionadores.

Mas também e especialmente pelo legado que deixou às gerações futuras, a quem nunca fechava portas e sempre apoiou, como recordou à RTP, sem conseguir conter as lágrimas, aquele que é hoje o seu mais que óbvio herdeiro natural, Camané: “Foi um choque muito grande. Conheço o Carlos do Carmo desde sempre, somos muito amigos. Vai ser sempre uma das pessoas mais importantes do fado. Foi a pessoa que acreditou em mim.” Uma passagem de testemunho materializada em 2013, no disco Fado É Amor, no qual reinterpreta alguns dos seus maiores clássicos em dueto com fadistas da nova geração (Camané, Mariza, Carminho, Ana Moura, Ricardo Ribeiro, Raquel Tavares, Cristina Branco, Marco Rodrigues, Aldina Duarte e Mafalda Arnauth).

 
 Um fadista cantor

Filho de Lucília do Carmo, uma das maiores fadistas de sempre, e de Alfredo de Almeida, um comerciante de livros mais tarde proprietário da famosa casa de fados O Faia, poder-se-ia dizer que Carlos do Carmo tinha o destino traçado à nascença, mas foi por pouco que o seu caminho não foi outro. Aos 15 anos foi estudar para a Suíça, para um colégio alemão onde permaneceu durante três anos, antes de se formar em Gestão Hoteleira em Genebra.

Verdadeiro cidadão do mundo e fluente em diversas línguas, trabalhava na Companhia Nacional de Navegação, quando a morte do pai, em 1962, o obrigou a assumir a gerência d’O Faia, onde começou a cantar, só por pura diversão, para os amigos. Em 1964, porém, surpreende e de certa forma escandaliza o mundo do fado, ao gravar uma versão de Loucura, um fado também cantado também pela mãe, Lucília do Carmo, que interpretou na companhia do quarteto de Mário Simões, acompanhado a piano, baixo, guitarra elétrica e um coro de vozes femininas.

À época, o fadista justificou a escolha por ser “a única letra que sabia de cor”. Apesar de ter crescido a ouvir gente como Alfredo Marceneiro, Maria Teresa de Noronha ou Carlos Ramos, as suas preferências musicais apontavam na altura para outras latitudes – do Brasil de Dorival Caymmi, ao eixo franco-belga de Jacques Brel, passando, claro está, pela América do inevitável Frank Sinatra, de quem Carlos do Carmo disse um dia ser “o maior fadista”, que alguma vez ouvira cantar.

Influências que desde cedo começou a incorporar no seu fado e que logo em 1967 lhe valeram o prémio de Melhor Intérprete, atribuído pela Casa da Imprensa. E em 1970, o primeiro álbum em nome próprio, O Fado de Carlos do Carmo, seria considerado pela crítica o Melhor do Ano. Estava de vez lançada uma carreira que, sete anos depois, teria um dos seus inúmeros pináculos com a edição de Um Homem na Cidade, hoje uma referência obrigatória na história do fado e da própria música portuguesa, álbum no qual interpreta apenas poemas de José Carlos Ary dos Santos, musicados por composições ainda hoje consideradas bastante inovadoras, de José Luís Tinoco, Paulo de Carvalho, António Victorino d’Almeida ou Fernando Tordo, entre outros.

Tal como aconteceu com Ary dos Santos, ao longo da sua carreira Carlos do Carmo nunca deixou de trazer para o fado novos e surpreendentes autores, como António Lobo Antunes, José Saramago, Manuela de Freitas, Vasco Graça Moura, Maria do Rosário Pedreira ou Júlio Pomar. E também musicalmente nunca deixou de arriscar, como tão bem ficou demonstrado nos aclamados álbuns conjuntos com os pianistas Bernardo Sassetti (2010) e Maria João Pires (2012).

Sempre grato à vida – “é tão bom estar vivo”, repetia amiúde nas entrevistas -, Carlos do Carmo teve o seu maior reconhecimento quando, em 2014, lhe foi atribuído um Grammy Latino de carreira – o primeiro atribuído a um artista português. Mesmo assim, o Presidente da República de então, Cavaco Silva, não lhe deu os parabéns, talvez devido às sempre assumidas simpatias políticas de Carlos do Carmo pelo Partido Comunista Português. Anos mais tarde, em entrevista à TVI, quando questionado se tinha ficado incomodado com essa falta de reconhecimento, apenas respondeu, com um largo sorriso, que “não”, pelo contrário, “até foi um elogio”.

A justiça seria entanto reposta por Marcelo Rebelo de Sousa, que mal tomou posso como Presidente da República condecorou Carlos do Carmo como Grande-Oficial da Ordem do Mérito – já anteriormente, aliás, outro presidente, Jorge Sampaio, o havia reconhecido, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Mas o maior reconhecimento era o do público, “o carinho das pessoas”, tanto das que lhe esgotavam os concertos -como aquele, último, no Coliseu dos Recreios, em 2019, onde recebeu as Chaves de Honra da Cidade de Lisboa, um galardão municipal geralmente apenas atribuído a chefes e a antigos chefes de Estado – como das mais anónimas que com ele se cruzavam na rua.

“Sempre fui muito bem tratado por todos, sou uma pessoa com muita sorte”, afirmou, comovido, no tal concerto de despedida, mas apenas dos palcos, pois preparava-se para editar um novo disco, chamado E Ainda? Segundo a Universal será lançado a título póstumo ainda neste ano, pois, como um dia escreveu Mia Couto e Carlos do Carmo gostava de citar, “cantar, dizem, é um afastamento da morte. A voz suspende o passo da morte e, em volta, tudo se torna pegada da vida”. E a voz de Carlos do Carmo é assim mesmo: imortal.

“Fado da Saudade”, Carlos do Carmo: Um maravilhoso canto de amor e saudade do grande artista português à sua velha Lisboa – que faz chorar da Alfama à Madragoa – na segunda-feira de luto nacional na despedida do fadista maior e mais amado de Portugal. Vai em homenagem póstuma ao saudoso e inesquecível jornalista Luis Augusto Gomes, que também tinha especial predileção pelas composições de Carlos do Carmo.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

jan
04
DO CORREIO BRAZILIENSE
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, e pediu que ele “encontrasse” votos suficientes para reverter sua derrota na eleição ocorrida em novembro e vencida por Joe Biden, diz reportagem do jornal The Washington Post.
De acordo com a reportagem, o telefonema extraordinário teria ocorrido no sábado e teve duração de uma hora. O jornal teve acesso a uma gravação da conversa, na qual Trump teria tentado persuadir Raffensperger.
Na ligação, Raffensperger e o conselheiro geral de seu escritório rejeitaram as afirmações de Trump, explicando que o presidente está contando com teorias da conspiração desmentidas e que a vitória do presidente eleito Joe Biden com 11.779 votos na Geórgia foi justa e precisa. Trump, por sua vez, teria rejeitado esses argumentos.
“O povo da Geórgia está com raiva, o povo do país está com raiva”, disse ele. “E não há nada de errado em dizer, você sabe, hum, que você recalculou”, disse o atual presidente dos Estados Unidos. Trechos da gravação foram publicados pelo jornal em seu site.
Por sua vez, Raffensperger respondeu a Trump que o presidente teria o desafio de que seus dados estariam errados. Em outro ponto da conversa, Trump disse: “Então olhe. Tudo que eu quero fazer é isso. Só quero encontrar 11.780 votos, um a mais do que nós. Porque ganhamos o Estado”. (Equipe AE)

jan
04
Posted on 04-01-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-01-2021
 


 

Sponholz, no

 

 

jan
04
Posted on 04-01-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-01-2021


Cristo Redentor 90 anos: projeto original teria cruz e globo nas mãos

Cristo Redentor 90 anos: projeto original teria cruz e globo nas mãos

O Cristo Redentor completa 90 anos em outubro e vai passar por uma renovação. A famosa estátua é revestida de pedra-sabão. São milhares de triângulos de 3 centímetros colados à mão em um tecido e depois aplicados na estátua pelos operários.

Essas pedras resistem à ação do tempo e garantem vida longa à obra, que começou em 1926 e só foi inaugurada em 1931. Veja na reportagem do Fantástico algumas curiosidades sobre o monumento e os fatos históricos mais emblemáticos nesses 90 anos.

  • Arquivos

  • Janeiro 2021
    S T Q Q S S D
    « dez    
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    25262728293031