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Postado em 06-12-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 06-12-2020 00:34

 Ministério da Cultura rompe diálogo com grupo de artistas independentes que exigiam livre expressão e os acusa de serem financiados pelos Estados Unidos. Fundador e integrantes do Movimento San Isidro falam ao Correio e denunciam aumento da repressão na ilha

RC
Rodrigo Craveiro
 

 (crédito: AFP / YAMIL LAGE)

(crédito: AFP / YAMIL LAGE)

O sonho da liberdade de expressão — uma das principais demandas de um grupo de artistas cubanos independentes — foi frustrado às portas do Ministério da Cultura, em Havana. Criado em 12 de setembro de 2018 por 12 pessoas, o Movimento San Isidro (MSI) esperava dialogar com o regime do presidente Miguel Díaz-Canel e apresentar suas exigências. Parte do coletivo chegou a manter vigília diante do prédio governamental, na expectativa de ser recebida pelo ministro da pasta, Alpidio Alonso. Em nota oficial, o Ministério da Cultura da República de Cuba afirmou que “não se reunirá com pessoas que tenham contato direto e recebam financiamento, apoio logístico e respaldo propagandístico do governo dos Estados Unidos e de seus funcionários”.

O Correio entrou em contato com Luis Manuel Otero Alcantara, fundador do Movimento San Isidro, e com membros e apoiadores do grupo. De acordo com eles, além de romper o diálogo com os artistas, o governo cubano reforçou a repressão e sitiou alguns dos integrantes em suas casas. “O regime considerou um perigo o MSI, pelo fato de conectarmos artistas e cidadania. Já fui sequestrado no meio da rua e fiquei preso durante quatro dias. Também ameaçaram a mim e à minha família”, disse Luis Manuel. “Estou em prisão domiciliar e colocaram uma câmera apontada para a porta de minha casa”, acrescentou o artista contemporâneo de 33 anos, que chegou a se apresentar em Curitiba.

Moradora de Havana, a escritora Maria Matienzo Puerto, 41, afirmou que prefere não usar a palavra “ruptura” para definir a posição do Ministério da Cultura. “Na verdade, nunca existiu um diálogo. O que está acontecendo por aqui é uma tentativa de estabelecer um espaço de negociação entre um governo totalitário e grupos independentes de artistas, jornalistas e ativistas. O governo acaba de mostrar que não está disposto nem mesmo a reconhecer a existência de grupos independentes”, comentou. “Isso ficou tácito com a negativa pública, com campanhas de difamação e com a criminalização daqueles artistas que se pronunciaram. Exigimos liberdade de associação, de expressão e de podermos criar sem que haja censura.”

Filosofia

O fundador explicou que o MSI tem, por filosofia, velar e proteger a liberdade de expressão e, em especial, as liberdades artísticas. “Nossa função principal é educar a cidadania sobre como se defender e lutar pela cultura e pela criação livres. Articular o pensamento em prol de uma nação livre”, disse Luis Manuel. De acordo com ele, o Movimento San Isidro surgiu em 12 de setembro de 2018, à raiz do decreto nº 349. “O documento bania a criação artística dentro da ilha. Tudo o que fosse criação independente precisaria da permissão do Ministério da Cultura”, comentou

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