DO CORREIO BRAZILIENSE

A Serpente Marinha, com 22 metros de comprimento e feita com bronze, o Pelicano e alguns Atobás sumiram do espaço, ponto turístico da capital, durante essa semana

Emmanuel Bento/ Diário de Pernambuco
 (crédito: Roderick Jordão/Cortesia e Reprodução da Internet))
(crédito: Roderick Jordão/Cortesia e Reprodução da Internet))

Nas vésperas do aniversário de um ano da morte de Francisco Brennand, falecido em 19 de dezembro de 2019, obras do célebre ceramista, escultor e artista plástico foram furtadas do Parque de Esculturas, localizado em frente ao Marco Zero, no Bairro do Recife, e com acesso pelo bairro de Brasília Teimosa. A Serpente Marinha, com 22 metros de comprimento e feita com bronze, o Pelicano e alguns Atobás sumiram do espaço, ponto turístico da capital, durante essa semana. A Serpente Marinha contava com placas de metal que sustentavam o monstro marinho no chão e dava a impressão de um movimento ondulatório criado pelo rabo, cinco arcos formando o corpo e cabeça.

A Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer (Seturel) informa que já fez o levantamento das obras que foram furtadas do Parque das Esculturas e acionou a Secretaria de Defesa Social para que os fatos sejam apurados e a segurança do Parque reforçada. Com relação às denúncias, eles afirmam que uma equipe irá ao local para analisar os reparos imediatos necessários. “A iluminação do parque foi alvo de investimento recente da Prefeitura do Recife, sendo concluída a instalação de luminárias LED no último dia 9 de novembro e de ações para evitar o furto das fiações. A limpeza do local é feita diariamente”, diz a nota.

A Secretaria ainda ressaltou que “a Guarda Civil Municipal do Recife monitora o Parque das Esculturas via câmera instalada no Marco Zero e da Ronda do Turismo, que pode ser acionada em caso de necessidade, bem como trabalha em parceria com a Polícia Militar”. A Polícia Civil informou que “abordagens são feitas com frequência, especialmente à noite”. “Nas últimas semanas, pessoas suspeitas de furtos e vandalismo do patrimônio foram detidas. Outras pessoas foram abordadas pela PMPE logo após o ocorrido, mas a escultura ainda não foi localizada. A Delegacia de Boa Viagem já iniciou as investigações, para, no menor tempo possível, identificar possíveis responsáveis”, completa a nota.

Relato

Roderick Jordão, 40, é responsável pelo projeto de cicloturismo urbano La Ursa. Foi ele quem publicou as primeiras imagens que repercutiram nas redes sociais sobre o ocorrido. “Foi exatamente fazendo as atividades de ciclismo, que tinham ponto de encontro no Parque, que vimos as esculturas se deteriorando e depois sendo furtadas”, diz o recifense. “Em relação à Serpente, primeiro sumiram os moldes do corpo. Na última segunda-feira (30) levaram o resto. Eu acreditava, na verdade, que fazia parte de uma manutenção. Mas na segunda-feira pela noite, durante um passeio de barco na lua cheia, desembarcamos no Marco Zero e eu comecei a escutar um barulho metálico e vi uma luz, que parecia ser uma lanterna. Perguntei aos barqueiros o que era. Eles disseram que provavelmente estavam roubando as esculturas”, continua.

O Parque das Esculturas foi inaugurado em 2000 como parte do projeto “Eu vi o mundo… ele começava no Recife”, em comemoração aos 500 anos do descobrimento do Brasil. Antes dos roubos e da depredação, o espaço reunia 90 obras de Brennand, com destaque para a Coluna de Cristal, que tem 32m de altura e foi confeccionada em argila e bronze. O local pode ser acessado pela água, usando embarcações que saem do Marco Zero, e por terra, pela Avenida Brasília Formosa.

Vandalismo constante

A última revitalização completa do Parque foi realizada em 2013. Na época, a obra foi viabilizada pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) e contemplou a recuperação das peças, além de serviços de iluminação. Francisco Brennand, ainda vivo, participou do processo de requalificação. Nesses seis anos sem uma grande ação de manutenção, o parque foi depredado pelo tempo e pelo vandalismo, com várias lâmpadas, fios e materiais diversos furtados e destruídos. Como já mencionado, uma nova instalação de luminárias LED foi realizada em novembro.

“Este importante atrativo é constantemente alvo de vandalismo. Somente para recuperar monumentos, pontes e edificações públicas que sofreram ações de pichação e vandalismo a Prefeitura chega a gastar aproximadamente R$ 2 milhões por ano “, diz a nota da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer, divulgada nesta sexta-feira (4).

“É com profunda indignação, mais uma vez, que o Instituto Oficina Cerâmica Francisco Brennand tomou conhecimento de novo ato de vandalismo ao Parque das Esculturas Francisco Brennand, dessa vez o inconcebível furto de conjunto único de esculturas doadas pelo artista Francisco Brennand.

Projetado pelo artista a pedido da Prefeitura do Recife no marco dos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, o Parque das Esculturas Francisco Brennand foi inaugurado em 2000 – com mais de 90 obras – tornando-se um dos mais visitados pontos turísticos da cidade.

Desde sua inauguração, o espaço sofre recorrentemente com ações de vandalismo e depredações pela falta de zelo e manutenção do poder público, transformando o que seria um cartão postal da cidade em um lugar de abandono e insegurança.

O descaso com um patrimônio dessa dimensão, símbolo de uma cidade e situado no seu marco zero, é uma ofensa à população de Recife e um sintoma da incapacidade do poder público de zelar pelo bem comum.

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