“The Shadow Of Your Smile”, Leny Andrade: com a bossa que encanta o mundo!

BOM  DOMINGO!!!

(Gilson Nogueira)

 

nov
22
Posted on 22-11-2020
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DO CORREIO BRAZILIENSE

Depois de exaltar Marta Suplicy no programa no horário eleitoral na TV, o candidato a reeleição Bruno Covas (PSDB) foi às ruas da zona sul de São Paulo, neste sábado

AE
Agência Estado
 

 (crédito: AFP / Nelson ALMEIDA)

(crédito: AFP / Nelson ALMEIDA)
Depois de exaltar Marta Suplicy no primeiro programa no horário eleitoral na TV do segundo turno, o prefeito e candidato a reeleição Bruno Covas (PSDB) foi às ruas neste sábado, 21, pela primeira vez ao lado da ex-prefeita. Covas aposta no apoio de Marta para conquistar votos na periferia, que também é disputada pelo candidato do PSOL, Guilherme Boulos.
Por medida de segurança em virtude da pandemia do novo coronavírus, Marta, 75 anos, circulou pelas ruas dentro de uma caminhonete com paredes de acrílico, nos moldes do ‘papamóvel’. Ao lado do marido, Márcio Toledo, a ex-prefeita dançou, acenou para eleitores e fez um discurso, sempre dentro do veículo.
Quem também lança mão da estratégia de usar um veículo protegido para ir às ruas na campanha é a ex-prefeita Luiza Erundina (PSOL), vice na chapa de Boulos, que, aos 85, faz parte do grupo de risco para a covid-19.
 
Já Bruno Covas, na agenda com Marta, foi caminhando pelas ruas de bairros na zona sul da capital. A decisão de colocar Marta Suplicy em evidência no 2° turno faz parte de uma estratégia do PSDB de consolidar o eleitorado de Covas nas regiões da periferia, onde a ex-prefeita ainda é popular.
Em 2016, o então candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, João Doria, só perdeu em duas das 58 zonas eleitorais da cidade: Grajaú e Parelheiros. Em ambas a derrota foi para Marta Suplicy, que disputou a eleição municipal daquele ano.
Esses foram os dois bairros escolhidos para as agendas de hoje com o atual prefeito e a ex- prefeita, que aderiu à campanha de Covas no 1° turno e coordena um movimento suprapartidário de apoio ao tucano. A presença dos dois causou aglomeração nas ruas do comércio dos dois bairros.
Em uma breve entrevista coletiva em Parelheiros, o prefeito evitou se comprometer a integrar o movimento, liderado por Marta, de criação de uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro.
“Cada momento sua aflição, 2022 vamos discutir no ano que vem”, afirmou. O tucano também desconversou quando questionado se Marta terá espaço em um eventual 2° mandato. “Nenhum apoio no 1° ou 2° turno foi negociado em troca de espaço na administração”

 

Bahia em Pauta » Blog Archive » Janio Ferreira Soares: “Angelo, percebendo  que não voltaria mais pra casa, pediu pra fazer o que mais gostava na vida:  soltar uma pipa”
 ARTIGO

                                             Mais uma eleição nas quebradas do sertão

                                            Janio Ferreira Soares

Comecinho da manhã de domingo, 15 de novembro e bombas explodem nas imediações da minha aldeia, não para anunciar as novenas que sobejam por aqui. O motivo do foguetório é uma espécie de “se ligue que a eleição começa já”, fato que, pensando bem, também tem algo de religioso, pois a maioria dos eleitores digita o número de seu candidato como se pagasse antecipadamente uma graça que só será alcançada se seu “santo” vencer e tiver caráter suficiente para cumprir a promessa.

A primeira eleição que tenho na memória ocorreu em outubro de 1962, em Glória (BA), quando seu Zé Casimiro (PSD) e meu querido tio Lindemar (UDN), disputaram voto a voto a honra de ocupar a cadeira situada sobre o piso de um casarão próximo a uma das muitas curvas que o São Francisco fazia antes de se jogar nas cachoeiras de Paulo Afonso. Naquele tempo a eleição era um acontecimento, onde as pessoas vestiam as melhores roupas e se dirigiam às seções como se estivessem indo ao baile do clube municipal na noite de Santo Reis.

Pois bem, encerrado o primeiro dia de apuração (devido ao atraso do Juiz Eleitoral houve a necessidade de interromper a contagem) e faltando apenas abrir a urna do povoado Brejo do Burgo, a comemoração em frente à casa de seu Zé Casimiro, então com sete votos de frente, varou a madrugada, contrastando com o ambiente fúnebre na casa de minha avó Aristéia, onde rostos abatidos e velas acesas pra Santo Antônio reforçavam o clima de velório.

Com apenas quatro anos de idade e ainda sem entender quase nada dessas coisas, conta minha tia Aldinha que eu estava meio desolado num canto do quarto, quando ela me pegou no colo e disse: “Não se importe não, meu filho, mas parece que o seu Dadá vai perder”, no que eu, entre o sono chegando e o beicinho antecipando o pranto, respondi, no pronome característico da infância: “Eu se importo, sim!”.

Manhã seguinte, por ser outubro, o dia amanheceu como só o décimo mês tem a capacidade de deixá-lo, com as cores das folhas novas dos tamarineiros e umbuzeiros verdejando de uma forma tal, que a rua mais parecia um final feliz de um conto dos Irmãos Grimm.

E foi assim, com apenas 24 votos válidos na última urna – e com poucos e desanimados udenistas acompanhando a quase impossível virada -, que o nome “Lindemar” foi gritado pelo escrutinador por 18 vezes, enquanto “Zé Casimiro” repetiu-se por apenas 6, o que levou o “meu” Dadá a vencer por 5 votos, provocando em Valdemarzinho o grito de: “Ô negro de sorte!”, que se atualmente soa inconcebível, à época refletia unicamente uma expressão de carinho entre amigos de uma terra que hoje jaz.

Em tempo: tia Aldinha fez 94 anos este mês. Em dezembro será a vez de Dadá soprar o mesmo número de velinhas. A eles, o meu mais terno amor.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na magem baiana do Rio São Francisco

nov
22
Posted on 22-11-2020
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Brum, no jornal

 

Reuters/Ricardo Moraes
Credit…Reuters/Ricardo Moraes

Por Lisandra Paraguassu

No dia 24 de setembro, pouco depois do fim das convenções partidárias que definiram as chapas das eleições municipais, o candidato a vereador Cássio Remis (PSDB) foi morto em Patrocínio (MG) com cinco tiros, à luz do dia, filmado por câmeras de segurança.

O assassinato marcou a abertura da campanha eleitoral municipal de 2020 e intensificou a temporada de mortes, agressões e atentados.

No mesmo dia, com menos repercussão, morreu em São José da Coroa Grande (PE), Valter Rafael da Silva (DEM), o Valter do Conselho, também candidato a vereador.

Foram duas vítimas no mesmo dia de um período, entre julho e setembro de 2020, em que 123 políticos e associados foram alvo de homicídios, atentados, agressões, de acordo com levantamento feito pelo Grupo de Investigação Eleitoral (Giel) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

Dados ainda não publicados pelo Giel mostram que a violência continuou crescendo à medida que a eleição se aproximava. Números repassados à Reuters com levantamento de outubro e até 9 de novembro, 6 dias antes da eleição, mostram, em cerca de 40 dias, 14 homicídios e 58 tentativas.

No próprio dia da eleição, o Ministério da Justiça registrou sete ameaças e sete tentativas de homicídio. Em Sumaré (SP), no início da noite de domingo, com as urnas fechadas, Edmar Santana (Patriotas), que acabara de ser eleito suplente para a Câmara de Vereadores, foi assassinado a tiros por um homem que passou por ele de moto, de acordo com a emissora EPTV, do interior de São Paulo.

A violência política no Brasil, que existe ao longo do ano –em um reflexo da própria violência que domina o país–, se acentua em anos eleitorais e cresce à medida que a eleição se aproxima.

No primeiro trimestre deste ano foram 88 casos de violência, no segundo, 86 e no terceiro, 123. Em 2019, ano sem eleições municipais ou estaduais, o total ficou em 148. Ou seja, só nos primeiros 9 meses de 2020 os casos de violência foram o dobro de todo ano passado.

Os assassinatos e atentados não escolhem partido. O levantamento do Giel mostra que foram mortos, agredidos e ameaçados políticos de praticamente todas as legendas, do PSOL ao PSL. São vereadores, prefeitos, candidatos a prefeito, lideranças locais. Em alguns casos, deputados estaduais e federais, mas em um número muito menor –nesses casos, ameaças é o mais comum.

Os casos estão espalhados por praticamente todos os Estados, mas raramente acontecem em capitais. É nos municípios menores onde a rivalidade eleitoral é mais violenta.

“O conflito político brasileiro não é nacional, é local”, diz Felipe Borba, coordenador do Giel. “Nos pequenos municípios é uma lógica de rivalidade local. Nesses pequenos é quase um jogo de soma zero: quem tem acesso ao cargo político tem acesso a muita coisa; perder o controle do poder público tem um custo político muito alto, é patronagem mesmo. Estar na oposição é não ter nada.”

Os dados de homicídios com motivações políticas levantados pelo Giel mostram, ainda, que a eleição municipal é muito mais violenta que os pleitos nacionais. Em 2018, ano de eleição presidencial –e apesar do atentado ao então candidato Jair Bolsonaro– aconteceram 26 mortes. Em 2019, com o final do ano já dando sinais das primeiras disputas locais, esse número chegou a 47. Em 2020, nos primeiros 9 meses do ano, foram 91 mortes.

A motivação, enraizada nas disputas locais, varia de acordo com os interesses, a criminalidade e o submundo local.

Em início de outubro, Adriano Sousa Magalhães, candidato a prefeito em Dom Eliseu (PA), foi assassinado com um tiro na cabeça enquanto jantava em uma lanchonete na cidade. O atirador estava em um carro e fugiu em seguida. Até agora ninguém foi preso.

Dom Eliseu, no nordeste do Pará, está no centro da extração de madeira ilegal na Amazônia, de acordo com a ONG Imazon, que acompanha o desmatamento na região.

O Estado do Rio de Janeiro registrou, nas últimas semanas antes da eleição, números crescentes de assassinatos e atentados. Em Nova Iguaçu, quatro dias antes da eleição, Domingos Cabral (DEM) foi morto por homens encapuzados enquanto estava em um bar. Um mês antes, na mesma cidade, Mauro da Rocha, também foi assassinato.

No início de novembro, um dos vereadores da capital, o ex-policial militar Zico Bacana (Podemos), foi baleado quando vazia campanha na zona norte. O vereador, que foi investigado por envolvimento com milícias, não foi reeleito.

Apesar da falta de resultados das investigações, Borba afirma que se pode ver alguns padrões nas motivações a partir das regiões.

“Tem alguns padrões. Aqui no Rio de Janeiro o principal é envolvimento com crime organizado, tráfico, milícia. No Pará há muitos crimes ligados à disputa por terra”, explica.

VISIBILIDADE
A morte de Cássio Remis foi filmada por câmeras de segurança em Patrocínio; Adriano Magalhães morreu na lanchonete mais movimentada de Dom Eliseu; há 10 dias, Ricardo Moura (PL), candidato a vereador em Guarulhos, fazia uma live em redes sociais quando foi baleado na perna e no ombro.

Ainda assim, em nenhum desses casos alguém foi preso. Em Patrocínio, o secretário de obras Jorge Marra –irmão do prefeito Deiró Marra (DEM), candidato à reeleição–, aparece atirando em Remis, mas está foragido há quase dois meses. Nos outros casos, a polícia ainda não conseguiu identificar autores ou mandantes.

A sensação de faroeste não é nova no país. Em 1963, os senadores rivais Arnon de Mello –pai do ex-presidente Fernando Collor– e Silvestre Péricles sacaram armas no plenário do Senado e Mello, ao tentar atingir Péricles, matou o senador pelo Acre José Kairalla.

Em 1993, Ronaldo Cunha Lima, então governador da Paraíba, deu dois tiros no ex-governador Tarcísio Burity, que acusara seu filho, Cássio Cunha Lima (PSDB) –ex-senador e ex-governador do Estado– de corrupção. Em 1998, Ceci Cunha (PSDB), primeira mulher eleita deputada federal por Alagoas, foi assassinada com outras três pessoas. Um deputado foi apontado como mandante, mas nunca julgado.

No interior do país, disputas políticas eram comumente resolvidas à bala sem chegar às manchetes dos jornais.

No século 21, capitais raramente são alvo de cenas de violência nesse nível, mas em 2018 a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) foi assassinada, junto com o motorista Anderson Gomes. Apesar da pressão no país e no exterior, a polícia conseguiu chegar ao ex-PM Ronie Lessa como executor do crime, mas até hoje não alcançou o mandante.

“São poucos políticos locais que têm visibilidade e geram comoção, como o caso da Marielle, que era uma liderança em ascensão e na capital. A maior parte dos casos acontece nos municípios pequenos, sem visibilidade, não gera essa comoção para investigar”, diz Borba.

Por mais chocante que seja um político sofrendo um atentado ao vivo, como aconteceu mais de uma vez neste ano, nada foi feito em relação a uma política para investigar ou prevenir isso. E essa violência, alerta Borba, não é apenas contra políticos, mas eleitores, que são coagidos, ameaçados e, muitas vezes –como nas áreas de milícias no Rio de Janeiro– vivem sob domínio de grupos violentos.

A cada eleição, a pedido do TSE, o governo federal envia a Força Nacional de Segurança ou tropas das Forças Armadas para locais considerados de maior risco –este ano cerca de 600. Esse reforço, no entanto, normalmente chega na véspera e vai embora no dia seguinte à eleição.

“É até lugar comum falar da impunidade, mas não tem uma política organizada de combate ao crime político. Deveria ter um núcleo especializado para investigar esse tipo de crime, não basta essas operações de mandar Força Nacional, Exército. Isso pode inibir naquele momento, mas o ciclo eleitoral é muito longo. Tem político morrendo desde o ano passado”, disse Borba. (com agência Reuters)

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