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ARTIGO/ Ponto de vista
A mensagem das urnas
Joaci Góes
Ao querido amigo Bruno Reis, campeão de votos nas últimas eleições!
O processo eleitoral é o mais poderoso instrumento de aferição do humor popular relativamente aos que desejam representá-lo no serviço público. No caso brasileiro, seria imperioso que as duas maiores questões nacionais, a educação e o saneamento básico, fossem objeto de uma inquirição, à parte, como meio de acelerar a superação desses dois grandes males que impedem nosso avanço como povo e nação. De todo modo, descontados os equívocos decorrentes de nossa população majoritariamente iletrada, a mensagem transmitida pelas urnas foi muito clara: 95% da vontade nacional se expressou votando em partidos afinados com a democracia, a diversidade e a economia de mercado.
Embutida nessa mensagem, veio o crescente desapreço ao PT que continua barranco abaixo. A perda de 75 prefeituras, caindo de 254 para 179, deixou-o em 11° lugar, abaixo do MDB, com 774; o PP, com 682; o PSD, com 650; o PSDB, com 512; o DEM, com 459; o PL, com 345; o PDT, com 311; o PSB, com 250; o PTB, com 212 e o Republicanos, com 208. Registre-se que nas capitais das 27 unidades da Federação, onde reside o eleitorado mais esclarecido, o PT não conquistou uma, sequer, das prefeituras!
Em Salvador venceu a receita infalível: um candidato de inegável experiência, Bruno Reis, apoiado por um excelente gestor, ACM Neto, obteve a mais expressiva votação entre todas as capitais do País!
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Trata-se, portanto, o PT, de um já nem tão grande iceberg derretendo sob o sol, até sua inapelável extinção, visível na linha do horizonte, na medida em que deixou de representar interesses de segmentos carentes da sociedade brasileira para servir de reles instrumento da luta do seu fundador e maior líder para não retornar à prisão pelos crimes de lesa-pátria que cometeu, para estarrecimento planetário. Lula sofreu condenações reiteradas pelos tribunais superiores cuja maioria dos seus integrantes é composta por nomes indicados ao longo dos 14 anos de seguidos governos petistas.
De quebra, pelo seu desempenho em São Paulo, Guilherme Boulos, do PSOL, mesmo com derrota certa no segundo turno, emerge como a nova estrela da esquerda totalitária.
Não creio que haja quem quer que seja, minimamente esclarecido, que negue a evidência palmar de serem a educação e o precário saneamento básico as magnas questões brasileiras, a emperrar o seu desenvolvimento.
Paradoxalmente, submetem-se esses assuntos, em nível nacional, à uma espécie de omertà, de intensidade comparável à imposta pela máfia siciliana, o silêncio absoluto, como se fora pecado mortal discuti-los. Não há tema de interesse comparável a esses como fator de libertação dos segmentos oprimidos da sociedade, sobretudo, pobres e negros, uma vez que as mulheres, muito mais inteligentes do que a estultície imagina, de há muito compreenderam o papel redentor da educação, e hoje já superam os homens, em domínios cada vez mais importantes, como revelam as estatísticas do seu irrefreável protagonismo numa sociedade em que o machismo, ainda existente, dá sinais de haver entrado em franca agonia.
Desgraçadamente, como qualquer eleitor pode atestar, desses assuntos fundamentais, só ouvimos falar, ao longo do processo eleitoral, como honrosas e raras exceções.
Em homenagem a João Gilberto, reitero o meu compromisso de continuar sendo um sambinha de uma nota só. Por isso, mais uma vez, verbalizo o que venho há décadas dizendo e fazendo: concitar todas as pessoas lúcidas e dotadas de espírito público a pressionar os nossos representantes nas três esferas de poder a fazer da educação e do saneamento básico os temas de maior relevo e interesse para a prosperidade e paz coletiva e individual. Como só uma população deseducada aceita, sem protestar, a ominosa e reiterada omissão do setor público em dotar as populações carentes do acesso a saneamento básico, repitamos como um mantra: A educação é o caminho mais curto entre a pobreza e a prosperidade; o atraso e o desenvolvimento; de onde nos encontramos e o estágio civilizatório que almejamos alcançar!
Joaci Góes é escritor, ex-presidente da Academia de Letras da Bahia. Texto publicado nesta quinta-feira, 19, na Tribuna da Bahia.

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