Bahia em Pauta » Blog Archive » Joaci Góes: “Bolsonaro tem razão. Uma pena que se movimente com a leveza de um elefante numa loja de cristais”
 ARTIGO/ Ponto de vista
O problema n° 1 do Brasil
Joaci Góes
Ao eminente amigo e grande Reitor Roberto Figueira Santos!
Neste domingo, as populações dos 5.570 municípios brasileiros escolhem os seus prefeitos e 57.000 vereadores. A nota desalentadora dessa magnífica experiência democrática é que as duas mais importantes questões do País só têm sido abordadas como exceção: a educação, de cujo papel redentor nem precisamos falar, e o saneamento básico, a que não tem acesso mais da metade da população brasileira que continuará padecendo os males de uma vida de doenças, baixa produtividade e reduzida longevidade.
O Instituto Trata Brasil concluiu um estudo que aponta o acesso a saneamento básico como o mais produtivo e humano entre todos os elementos infraestruturais. Num caso extremo, entre os municípios de Ananindeua e Taubaté, os custos per capita em saúde pública chegaram à incrível diferença de 436 vezes! É preciso dizer mais?
O desleixo com a educação básica segue pelo mesmo caminho. Em questões como leitura, compreensão, escrita, ciências e matemática, continuamos muito abaixo da média dos países da OCDE. Pesquisa Ibope/Fundação Montenegro revelou que 75% dos brasileiros, economicamente ativos, não compreendem o que leem. As provas do SAEB do 5° ano primário evidenciam que 54% dos alunos ainda não foram alfabetizados, meta a ser alcançada, normalmente, entre o 1° e o 2° ano. Daí nosso maior grau de repetência da América Latina. Nosso problema, além do gramscismo que valoriza mais a postura ideológica do que o rendimento acadêmico, consiste na adoção do sistema de alfabetização ideovisual em lugar do velho e bom sistema fônico, adotado pelas nações mais avançadas.
Precisamos acabar com a picaretagem ideológica que sufoca o ensino brasileiro.
?Falta quem tenha a coragem de estabelecer como objetivo, no Brasil, um padrão de qualidade na educação equiparável ao primário do Japão, o médio da Alemanha e o universitário dos Estados Unidos, consoante o preceito bíblico que diz que alcançamos pontos cada vez mais altos quando nos empenhamos em atingir as estrelas. As conquistas de medalhas olímpicas são do mesmo jaez.
?Os vanguardeiros do atraso comportam-se como se quisessem mudanças radicais, desde que as coisas permaneçam como estão, conforme o diagnóstico da professora Noêmia Leroy, em seu conhecido livro O gatopardismo na educação.
Dois terços dos professores reconhecem que a baixa qualidade dos cursos universitários que fizeram resultou da precedência da postura ideológica sobre o desempenho acadêmico, como parâmetro de aferição do seu aprendizado, contextos onde personalidades como Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales, etc… ganham relevo emblemático. Nesse meio, a ação sindical funciona como elemento detonador do princípio aristotélico que manda tratar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. A aferição do desempenho do professor é desvinculada do mérito. Para os pais, ignorantes em sua grande maioria, boa é toda escola que for limpa, bonita e tiver merenda e uniforme de qualidade.
?
Qualquer divergência da visão estrábica desses adeptos de uma esquerda ultrapassada, obscurantista e anti-iluminista é desqualificada pelo seu “conteúdo burguês,” com o propósito de preservação do status quo dos que dominam a cena social, vociferam. Intelectuais e educadores, ideologicamente condicionados, vêm sustentando que o mal da educação reside na reprodução da estratificação desigual da sociedade imposta por capitalistas e imperialistas. A perda de competitividade dos manufaturados brasileiros no comércio internacional é o trágico desfecho da má formação de nossos tecnólogos. Alheia a essa visão retrógada, a Coréia do Sul saiu da miséria para nos ultrapassar, em apenas quarenta anos. Lá, ensina-se do modo que se revele mais eficaz, a partir da experiência comprovada. Picasso ensinou que “o bom artista copia, e o grande artista rouba ideias”.
Nos próximos artigos, analisaremos os graves erros que vêm sendo praticados na gestão de nossa alma-mater, a UFBA, comprometendo o nosso futuro.
Joaci Góes é escritor, ex-presidente da Academia de Letras da Bahia. Texto publicado na edição desta quinta-feira, 12, da Tribuna da Bahia

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