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Arthur Lira faz contas e vê vitória sobre grupo de Maia como “muito possível”
Foto: Najara Araujo e Luís Macedo/Câmara dos Deputados

Deputados disseram a O Antagonista nos últimos dias que “ainda é muito cedo” para tratar de eleição na Câmara. Mas não é verdade.

A despeito dos nomes que correm por fora, há dois grupos colocados na disputa, para a surpresa de ninguém: o de Rodrigo Maia (DEM), atual presidente, e o de Arthur Lira, o líder do Progressistas que sempre sonhou em comandar a Câmara.

 

Os dois estão trabalhando para garantir apoios silenciosos antes mesmo da virada do ano — a eleição será em fevereiro do ano que vem. A pandemia, como já dissemos neste site, facilitou e muito as conversas de bastidores, longe dos holofotes da imprensa e mesmo do Congresso.

Foi durante a pandemia, aliás, que Lira, levado ao Palácio do Planalto pelo senador piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do seu partido, e vendendo-se como alguém que conseguiria ser o “anti-Maia”, conseguiu concretizar o apoio de Jair Bolsonaro.

Lira, como todo o Centrão que ajuda a liderar, aprendeu rapidinho a vestir a camisa de bolsonarista. Hoje, fazendo contas com aliados, ele acredita que teria os votos do Progressistas, do PL, do PSD e do Solidariedade, todos partidos da base do governo Bolsonaro. O alagoano também espera contar com Avante, PSC, PTB, Patriota e Pros. Em se confirmando todas essas legendas, Lira largaria com 211 votos — o voto é secreto e sempre há dissidências. Para alcançar aos 257 necessários para ser eleito, ele tem conversado com lideranças da esquerda.

Entre os bolsonaristas, Lira não se incomoda, claro, de ser visto como “o candidato de Bolsonaro”. Aos esquerdistas, porém, ele promete ser “o candidato da Câmara”. Não à toa, ontem, o líder da oposição, deputado André Figueiredo (PDT), em entrevista a O Antagonista, não descartou a possibilidade de apoiar Lira.

“Não nos furtamos a conversar com ninguém. É preciso ver se os outros não representam também um caminho muito próximo ao bolsonarismo. O que queremos é um Parlamento independente, a prioridade é a independência do Poder Legislativo”, disse o deputado do partido de Ciro Gomes.

No PT, Lira tem conseguido se aproximar de deputados que rejeitam apoio a Baleia Rossi (MDB) e Luciano Bivar (PSL), dois possíveis candidatos que poderiam ser lançados por Maia.

Aliados de Lira avaliam que Maia “perdeu” a eleição de fevereiro de 2021 quando cogitou tentar uma nova reeleição, o que hoje seria inconstitucional — a Constituição e o regimento do Congresso proíbem recondução ao cargo na mesma legislatura, mas há uma decisão do STF pendente que poderá favorecer Davi Alcolumbre e o próprio deputado do DEM.

“Rodrigo cometeu um erro muito grande ao flertar com essa possibilidade. Nem no próprio DEM esse gesto foi aceito. Ele fez uma grande gestão, mas perdeu o respeito de muitos ali. Cogitar, ainda que indiretamente, se reeleger de novo abriu espaço para o Lira se consolidar e se tornar um candidato fortíssimo”, disse, pedindo reserva, um presidente de partido do Centrão.

A possibilidade de pré-candidatos inicialmente mais próximos a Maia — como Marcos Pereira (Republicanos) e Marcelo Ramos (PL) — acabarem pulando para o seu barco faz com que Lira saia dizendo por aí que sua vitória é “muito possível”.

Se algo em torno de 200 votos seria hoje o piso de Lira, esse parece ser, também no cenário atual, o teto de Maia, que, provavelmente, contaria somente com DEM, PSDB e MDB.

Para tentar fazer seu sucessor, o atual presidente tem investido em convescotes. Na semana passada, um jantar em sua residência reuniu até o senador Renan Calheiros (MDB) e os ministros Gilmar Mendes (STF) e Bruno Dantas (TCU). Hoje, em São Paulo, Maia marcou um novo encontro com atores políticos para tratar do assunto.

Do lado de Maia, há a esperança de se chegar um nome que possa ser palatável para a esquerda, o que balançaria as contagens feitas até aqui. Pelo presidente da Câmara, seu candidato seria o amigo Aguinaldo Ribeiro, mas o fato de ser do mesmo partido de Lira inviabiliza a candidatura do deputado paraibano. A segunda opção que virou a primeira é Baleia Rossi, líder e presidente nacional do MDB, um nome próximo a Michel Temer que não desce, por exemplo, no PT, partido com a maior bancada — são 54 deputados.

Ainda no entorno de Maia, o objetivo será conquistar a esquerda colando a imagem de Lira no bolsonarismo e lembrando que ele “é da escola de Eduardo Cunha” e “costuma vender força que não tem”. Para fora da Câmara, principalmente para o mercado e para a equipe econômica do governo, a mensagem que tentará ser transmitida é a de que somente um candidato ligado ao deputado do DEM poderá ser capaz de manter fidelidade à agenda reformista — ainda que não haja mais garantia alguma de que o governo Bolsonaro insistirá nessa toada a partir de 2021.

Uma coisa é certa: ganhe quem ganhar, a Câmara será presidida por investigados — ou réu por corrupção, no caso de Lira — adversários da Lava Jato e de tudo o que a operação representa.

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