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Postado em 07-11-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 07-11-2020 00:42

 

Morte de Tom Veiga, intérprete de Louro José, por rompimento de aneurisma chama atenção para a doença - Tribuna Feirense
 ARTIGO DA SEMANA

Tom Veiga: graça do Louro se vai no País (Biden vem nos EUA)

Vitor Hugo Soares

Bem poderia ser a pergunta do antológico poema de Carlos Drummond de Andrade – “E agora, José?”– feita há décadas, (e ainda hoje), quando de ingentes dificuldades, mas tempo menos encrespado e de maior delicadeza que nestes dias ferozes, que ficam mais bicudos com a morte repentina do ator Tom Veiga. A voz do Louro José, papagaio que enchia de graça e de bons sentimentos as manhãs de muitos brasileiros ligados na TV.

Na linha oposta destas sensações nebulosas, na grande e poderosa nação do norte da América, eis que aparece uma luz acesa,  com a vitória do democrata Joe Biden, contra o republicano Donald Trump, nas presidenciais da grande e poderosa nação do norte da América., neste quase final de 2020, ano da pandemia da Covid-19. “Os Estados Unidos são mais que o show de um homem só”, resume o ministro das Relações Exteriores  da Alemanha, Heico Maas. Na mosca!

Feito este interlúdio ( obrigado a Henri Miller), volto ao ponto da partida daquele que há mais de 20 anos divertia o começo do dia por aqui. Eo que assalta a memória do rodado jornalista é o milenar ditado popular da sabedoria chinesa – “há mortes que pesam menos que uma pena de passarinho. Há outras, porém, que pesam mais que toneladas”,– já citado neste espaço. Talvez nunca com a propriedade de agora, quando escrevo sobre o artista que vivia o divertido e original papagaio, criado pela apresentadora Ana Maria Braga (sabe-se agora), para o programa Mais Você. O “Louro” espalhava graça, fina ironia e espírito de humanidade por todas as regiões, em tempos temerários: incluindo o atual, quando a Nação se vê duplamente deprimida: pela pandemia cruel que se prolonga no campo da saúde pública (mais de 165 mil mortos) e pelas divisões odientas da política, das ideologias e do mando, sem falar no humor mambembe e deploravelmente ofensivo que vem do centro do poder, a exemplo do que se viu e ouviu, semana passada, na viagem do presidente Jair Bolsonaro ao Maranhão.

Na primeira hora, a morte de Tom lembrou a recente partida do notável músico, compositor e cantor Moraes Moreira, apanhado por um enfarto fulminante, sozinho em casa, no bairro da Urca, onde cumpria o isolamento da covid-19, e seguia ativo em sua fabulosa usina de criações melódicas e poéticas aos 76 anos. “Um baque, um choque”, como na canção de Gilberto Gil. No caso de Tom, um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, também o pegou sozinho em a casa, na Barra da Tijuca (RIO), aos 47 anos, no vigor do seu talento na representação de seu alter ego, Louro José.

 Personagem original, observador atento das coisas e das pessoas ao seu redor, sempre antenado. E que o próprio artista definiu como ninguém, em depoimento ao site Memória, da Globo: “O Louro José é encrenqueiro, rabugento, chavequeiro, galanteador, mas é muito divertido, inteligente. Às vezes, quando eu revejo um programa, eu me pego dando risada com o Louro. O legal nele é que cresceu, mas continua uma grande criança”. Na mosca! Ana Maria, alma e coração despedaçados, falou entre lágrimas: “Perdi meu parceiro de todo dia, meu amigo, meu filho”. “Namaria, Namaria!”, pontuaria o Louro, com emoção e bom humor.
Muitos perderam o chão com o vôo definitivo de Tom Veiga, sepultado na quarta-feira, 4, em São Paulo. Afinal, genialidades não brotam todos os dias, nas esquinas ou nos estúdios de um País que fica  mais triste. Saudades!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br
 

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Comentários

Lucia Jacobina on 7 novembro, 2020 at 22:50 #

Vitor,
tal como você previu, acabou o pesadelo americano, ou pelo menos está previsto para acabar dia 20 de janeiro de 2021.
Fiquei sensibilizada com seu artigo sobre o falecimento de Tom Veiga, mais um que parte neste fatídico ano de 2020.


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