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Postado em 30-10-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 30-10-2020 00:26
Trbn.com.br - Tribuna da Bahia
ARTIGO/Ponto de vista
Renúncia à Presidência da Academia de Letras da Bahia
Joaci Góes
Ao casal amigo Ana Cláudia e Almirante Silva Lima!
?A Academia de Letras da Bahia – considerada sua primeira versão de 1724, com o nome de Academia dos Esquecidos, passando pela de 1759, sob o batismo de Academia dos Renascidos-, é a mais antiga, do gênero, em todo o Continente Americano. Em dezembro de 2018, mereci a honra de ser eleito por aclamação para presidi-la, seguindo prática antiga, para evitar divisionismos gerados por questões religiosas ou político-ideológicas, conquanto livres os seus dirigentes para defender seus valores e crenças. Essa sábia postura chegou ao fim na Bahia, sede, como destacou Otávio Mangabeira, de precedentes excepcionais: um pequeno grupo de acadêmicos decidiu pugnar pela linha de pensamento único, a exemplo do que já ocorre na Universidade Federal da Bahia, cuja qualidade de ensino, por isso, perdeu muito, desde quando a cursei nos áureos tempos do reitorado Edgard Santos.
?Em, apenas, nove meses efetivos de gestão, entre março e dezembro de 2019, pude realizar um trabalho do qual extraio algumas ações, começando pelo corte de gastos, de modo a obter recursos para investir em cultura. Graças a essa medida, deixamos em caixa o suficiente para realizar obras imprescindíveis à preservação do histórico Palacete Góes Calmon, evitando o trágico destino do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
1- No programa Trajetória de uma vida: depuseram o escritor espanhol Javier Moro; o Presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcus Lucchesi; os empresários Cícero Sena e Luís Mendonça; José de Freitas Mascarenhas, ex-secretário de Estado e ex-presidente da FIEB; o ginecologista-obstetra Antônio Carlos Vieira Lopes, Presidente da Academia Baiana de Medicina; o saudoso cientista Elsimar Coutinho; o ex-ministro e banqueiro Ângelo Calmon de Sá; o economista Fernando Alcoforado. Tudo isso gravado e disponível para os coevos e para a posteridade. No ano corrente, falariam o festejado helenista espanhol Marcos Chicot Álvarez; os ex-presidentes José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer; os senadores Espiridião Amin e Cristovam Buarque, bem como a escritora Ana Maria Gonçalves, autora do notável romance Um defeito de cor.
2- Além da Caravana à casa onde nasceu Castro Alves, no dia 14 de março, com a participação de profissionais liberais, magistrados e comandantes de nossas Forças Armadas, teríamos, no corrente ano, a excursão ao Parque de Canudos, guiados por Oleone Coelho Fontes, e a Porto Seguro, em parceria com a Academia de Letras local, presidida por Cícero Sena, para um encontro com estudantes secundários.
3- Lançamos o Prêmio nacional de Literatura, vencido pelo escritor baiano Franklin Carvalho, com o livro de contos A ordem interior do mundo, prefaciado por Gerana Damulakis que presidiu a comissão julgadora.
4- O programa Leitura sem fronteiras contou com a receptividade do Governo do Estado, através das secretarias de Cultura, Educação e da Fazenda. Com o Secretário da educação do Estado, Jerônimo Rodrigues, fechamos acordo para abrir 1.000 bibliotecas em escolas do segundo grau, com acervo doado pela população que na Bahia mantém em casa cerca de trinta milhões de livros que mofam nas prateleiras. O propósito é o de fazer circular esse acervo, mediante trocas informais, vigiadas, apenas, pela consciência coletiva. Nos municípios da Região Metropolitana, a ALB contribuiria com cem mil volumes, coletados sob o nosso comando, junto à sociedade. Com a Prefeitura do Salvador, acertamos convênio para abrir dez grandes bibliotecas com uma média de cinco mil volumes, cada, metade dos quais coletados pela Academia. O Programa com o Governo estadual e a prefeitura de Salvador foram previstos para ocorrer em 2020. O dono do Atakarejo, Teobaldo, aceitou instalar bibliotecas na face externa de suas lojas. Acompanhei o projeto arquitetônico da biblioteca do Atakarejo de Lauro de Freitas, para cinco mil livros. Com o empresário de shoppings João Carlos Paes Mendonça iria conversar quando eclodiu a pandemia. Essas prateleiras serão uma grande atração em seus empreendimentos, Brasil afora. Os convênios são extensivos aos condomínios, escritórios, restaurantes, clínicas, academias de ginástica e igrejas.
5- Enviamos cartas nominais a todos os prefeitos dos 3.083 municípios dos estados que iniciam os seus nomes com as letras de A a P, indo do Acre a Pernambuco, inclusive os 417 municípios baianos. As cartas aos demais municípios foram interrompidas pela pandemia.
6- Dos vários encontros realizados na Academia, destacamos o sobre educação, com a participação das mais influentes entidades culturais do Estado. Desse encontro nasceu o requerimento, firmado por todas aquelas instituições, ao Governador do Estado, pedindo a criação do Museu da Libertação na chácara Boa Vista, onde morou Castro Alves. Fiz do requerimento um artigo publicado nesta Tribuna.
Até hoje, o Governador Ruy Costa não deu qualquer resposta.
7- Realizamos, também, um mega encontro em favor de Kirimurê, Baía de Todos os Santos, sediar a capital da Amazônia Azul. Na oportunidade, falaram dez oradores. A maioria de nossos políticos não se interessa, por ignorar a importância desse movimento ou por falta de espírito público.
8- A reinstalação dos sinos na Igreja da Graça, a mais antiga do Brasil, foi patrocinada pela Academia de Letras da Bahia, a pedido do Governo do Estado, através do secretário Fausto Franco.
9- Três dos nove negros que ingressaram na Academia, ao longo de sua história, tomaram posse em nossa gestão. Para aumentar esse pequeno número, crescem os adeptos da escritora Aline França para ocupar uma das duas vagas existentes.
10- Lídice, minha mulher, aguardou a conclusão do Café, já praticamente, pronto, para fazer o jardim. O Café da Academia será importante fator na disseminação da cultura.
11- O projeto do Panteon para imortalizar os grandes beneméritos foi desenhado pelo acadêmico Juarez Paraíso e sua mulher Márcia Magno.
12- Conversamos com alguns dos mais influentes membros da Academia Brasileira de Letras para apoiar o ingresso de mais um baiano naquela prestigiosa instituição, desde que haja consenso sobre um nome, com minha decidida exclusão.
Voltaremos na próxima semana.
Joaci Góes, escritor, ex-presidente da Academia de Letras da Bahia.Texto publicado nesta quinta-feira, 29, na Tribuna da Bahia.
 

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