Rêgo Barros: “A soberba lhe cai como veste. Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói!”
(Foto: José Dias/PR)

Em artigo publicado no Correio Braziliense, o general Otávio do Rêgo Barros, que foi porta-voz de Jair Bolsonaro até o início do mês, faz duras críticas à mudança de comportamento do presidente da República, que optou por cercar-se de “seguidores subservientes” a ter de enfrentar a “discordância leal”.

Sem citar o nome de Bolsonaro uma única vez (como se fosse necessário), o general lembra que os generais romanos sempre traziam junto de si escravos cuja missão era “sussurrar incessantemente aos ouvidos vitoriosos: ‘Memento Mori!’ — lembra-te que és mortal!”.

Não é o caso de Bolsonaro, cuja “audição seletiva acolhe apenas as palmas”. “A soberba lhe cai como veste”, escreve o militar. Segundo ele, é “doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais são meras peças publicitárias”. “Valem tanto quanto uma nota de sete reais.”

No artigo, Rêgo Barros critica indiretamente também os colegas de farda que se calam diante dos abusos que são cometidos, apenas para manter seus cargos.

“Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal.”PUBLICIDADE

Além do diagnóstico, o general faz um alerta. Segundo ele, “as demais instituições dessa república — parte da tríade do poder — precisarão blindar-se contra os atos indecorosos, desalinhados dos interesses da sociedade, que advirão como decisões do ‘imperador imortal’”.

“Deverão ser firmes, não recuar diante de pressões. A imprensa, sempre ela, deverá fortalecer-se na ética para o cumprimento de seu papel de informar, esclarecendo à população os pontos de fragilidade e os de potencialidade nos atos do César.”

Leiam alguns trechos:

“Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião. É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrônicas, são meras peças publicitárias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais.

Tão logo o mandato se inicia, aqueles planos são paulatinamente esquecidos diante das dificuldades políticas por implementá-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses. Os assessores leais — escravos modernos — que sussurram os conselhos de humildade e bom senso aos eleitos chegam a ficar roucos. Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal.

Sem críticos por perto, ressalta o general, “a autoridade muito rapidamente incorpora a crença de ter sido alçada ao olimpo por decisão divina, razão pela qual não precisa e não quer escutar as vaias. Não aceita ser contradita. Basta-se a si mesmo. Sua audição seletiva acolhe apenas as palmas. A soberba lhe cai como veste. Vê-se sempre como o vencedor na batalha de Zama, nunca como o derrotado na batalha de Canas. Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói!

(…)

As demais instituições dessa república — parte da tríade do poder — precisarão, então, blindar-se contra os atos indecorosos, desalinhados dos interesses da sociedade, que advirão como decisões do “imperador imortal”. Deverão ser firmes, não recuar diante de pressões. A imprensa, sempre ela, deverá fortalecer-se na ética para o cumprimento de seu papel de informar, esclarecendo à população os pontos de fragilidade e os de potencialidade nos atos do César.

A população, como árbitro supremo da atividade política, será obrigada a demarcar um rio Rubicão cuja ilegal transposição por um governante piromaníaco será rigorosamente punida pela sociedade. Por fim, assumindo o papel de escravo romano, ela deverá sussurrar aos ouvidos dos políticos que lhes mereceram seu voto: — “Lembra-te da próxima eleição!”

“La vie est une aventure”, Charles Trenet: chansinieur máximo da música francesa, voz e carisma insuperável. Tudo de bom para embalar leitores e ouvintes do Bahia em Pauta na última quarta-feira de outubro.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 28-10-2020
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DO CORREIO BRAZILIENSE

Em debate sobre a PEC que determina a prisão para réus que acumulam duas condenações, ex-ministro considerou “hipocrisia” reprovar a proposta porque ela poderia ser aplicada a processos antigos. E disse que “não vê ninguém do governo” na discussão

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Wesley Oliveira
 

 (crédito: Evaristo Sá/AFP)

(crédito: Evaristo Sá/AFP)

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro participou do debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição 199 — conhecida como a PEC da segunda instância –, realizado nesta terça-feira (27) pela Secretaria de Relações Internacionais da Câmara. Moro defendeu a aprovação da PEC e acusou o governo Bolsonaro de ter abandonado a matéria.

Moro disse também ser favorável à aplicação da prisão em segunda instância mesmo para processos anteriores à aprovação da lei. O relator da PEC na Câmara, deputado Fábio Trad (PSD-MS), comentou no mesmo debate a pressão para limitar o alcance da proposta.  

“Eu preferia que a PEC fosse mais abrangente, mas se esse é o custo para aprovar, eu acho razoável. É hipocrisia reprovar a proposta por causa da questão temporal”, defendeu o ex-ministro.

Sobre a articulação do governo pela aprovação da matéria, Sergio Moro afirmou que “não vê ninguém participando desse debate. “Dentro do governo, eu era a única pessoa que falava da PEC. Desde que deixei o ministério, nunca mais se falou sobre. É lamentável que o governo tenha abandonado a execução em segunda instância”, atacou o ex-ministro.

A visão do ex-ministro foi rechaçada pelo deputado Alex Manete, que cobrou um posicionamento por parte do presidente Jair Bolsonaro. “É importante ressaltar que já cobramos do vice-presidente Hamilton Mourão, do presidente Jair Bolsonaro, que de fato eles se posicionem e colaborem. Essa pauta inclusive os conduziu para o processo vitorioso de 2018”, completou o deputado.

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Posted on 28-10-2020
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Covid-19: França tem maior número de óbitos diários desde abril
Foto: Joel Saget/AFP/ Getty Images

Em plena “segunda onda” do novo coronavírus, a França registrou 523 mortes pela Covid-19 nesta terça (27). É o número mais alto de óbitos em um dia desde 22 de abril, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Também hoje, segundo a agência Reuters, Jean Castex, o primeiro-ministro francês, afirmou a deputados em uma reunião a portas fechadas que o sistema de UTIs do país pode sofrer colapso no mês que vem, caso medidas mais rígidas contra a doença não sejam adotadas.

“[Castex] nos disse que no dia 11 de novembro nossos hospitais estarão em um nível de saturação como o da primeira onda, ou seja, extremo”, disse o deputado André Chassaigne a jornalistas após a reunião.

“Portanto, a situação é bem grave. Se não conseguirmos achatar a curva nos próximos 15 dias, nossos hospitais não serão capazes de tratar os pacientes”, acrescentou o deputado.

Emmanuel Macron deve fazer um pronunciamento sobre o surto na noite desta quarta (28). Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o presidente da França deverá anunciar novas medidas restritivas.

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DO CORREIO BRAZILIENSE

Presidente tomou a decisão após Roberto Ferreira Dias ser acusado de assinar um contrato irregular enquanto era diretor de logística da agência

JV
Jorge Vasconcellos
 

 (crédito: Divulgação/Roche)

(crédito: Divulgação/Roche)

Depois de indicar Roberto Ferreira Dias para o cargo de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o presidente Jair Bolsonaro solicitou ao Senado que desconsidere a indicação. O pedido, publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (27/10), foi feito após Roberto Dias ser acusado de assinar um contrato irregular enquanto era diretor de logística da Anvisa.

O contrato sob suspeita previa a compra de 10 milhões de kits com insumos para testes da covid-19, e o Ministério da Saúde alertou o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre possíveis irregularidades.

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado ainda não havia realizado a sabatina de Ferreira Dias, tendo aprovado os nomes de quatro novos diretores para a Anvisa: o médico e contra-almirante Antônio Barra Torres foi confirmado como diretor-presidente da agência, cargo que já vinha ocupando interinamente; como diretores, foram aprovados Cristiane Rose Jourdan Gomes, médica; Alex Machado Campos, advogado; e Meiruze Sousa Freitas, farmacêutica.

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Posted on 28-10-2020
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Duke, NO JORNAL

 

 

Outro Lado da Moeda

Margem de crédito no país é a maior da organização

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Credit…

Por GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O tempo passa, o tempo voa, mas o lucro do Santander Brasil continua numa boa. A frase era da poupança Bamerindus, conglomerado que foi comprado pelo HSBC em 1995 e vendido ao Bradesco em 2017, mas se aplica à filial brasileira do banco espanhol controlado por Ana Botin, que divulgou hoje os seus números consolidados. Enquanto o lucro global do Santander caía 33% nos primeiros nove meses de 2020 para 3,658 bilhões de euros (5,453 bilhões de euros no mesmo período de 2019, a valores constantes), o lucro em nove meses do Santander Brasil, embora tenha caído 31,3% no mesmo período para 1,545 bilhão de euros (2.249 bilhões de euros em 2019), sustentou a maior parte – 30% – do lucro global da organização espanhola.

A título de comparação, o lucro de toda a operação espanhola (497 milhões de euros) só representou 9% do lucro. E a participação da Santander Corporate Finance, o braço financeiro do grupo que opera em toda a Europa e lucrou 761 milhões de euros, só representou 15% dos lucros acumulados este ano. A Europa como um todo (inclui filiais do Reino Unido, Portugal e Polônia) respondeu por 39% dos ganhos globais – pouco mais que a fatia do Brasil). Mas somando os ganhos do Brasil com os resultados de Chile, Argentina, Peru, Uruguai e Colômbia, a América do Sul sustentou 41% do ganho global. As operações da América do Norte responderam por outros 20%, sendo 11% do México e 9% dos Estados Unidos.

Macaque in the trees
… (Foto: Balanço Global Santander)

Decompondo os ganhos

No balanço em reais, o Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões no 3º trimestre de 2020, aumento de 82,7% frente ao 2º trimestre. O resultado surpreendeu o mercado, com aumento de 3,8% na carteira de crédito no trimestre para R$ 397,38 bilhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio médio (ROE) subiu a 21,2% no 3º trimestre, contra 12% no 2º trimestre. Um dos fatores para o aumento do lucro foi a redução de 12,5% nas provisões para devedores duvidosos (PDD) para R$ 2,916 bilhões, frente ao 2º trimestre, mas com aumento de 3,4% em relação ao terceiro trimestre de 2019. Na comparação com o 3º trimestre de 2o19 o lucro só aumentou 5,3%.

No acumulado dos primeiros nove meses do ano, contudo, o lucro líquido societário do banco atingiu R$ 9,61 bilhões, queda de 7,9% na comparação anualizada. O lucro líquido gerencial entre janeiro e setembro foi de R$ 9,89 bilhões, queda de 8,6% na comparação com o mesmo período de 2019.

A carteira de crédito teve expansão de 3,8% na mesma base de comparação, para R$ 397,38 bilhões, enquanto o retorno (ROE) subiu para 21,2% no 3º trimestre, contra 12% nos três meses anteriores.

Bomba relógio da inadimplência

Aproveitando as facilidades do Banco Central para enfrentamento dos impactos econômicos da covid-19, com a dilatação dos prazos dos empréstimos sem necessidade de provisões (o que dá a falsa impressão de queda na inadimplência, o índice de inadimplência dos empréstimos de 90 dias caiu 0,3 ponto percentual, para 2,1%. Para as pessoas físicas as operações com atraso acima de 90 dias caíram de 4% em junho para 3% em 30 de setembro. Como as operações com pessoas jurídicas baixaram de 1,6% para 0,9% no mesmo período, a inadimplência total caiu de 3% para 2,1%.

Entretanto, quando se observa o aumento nas operações em atraso superior a 15 dias e abaixo de 90 dias, há um salto nos atrasos. Nas pessoas físicas, aumenta de 4,2% em junho para 4,6¨em setembro. Para as pessoas jurídicas foi de apenas 1,1% para 1,2%. Com isso, a média da carteira foi de 1,7% para 3,1% de atrasos.

Nota-se que a dinâmica da retomada do emprego e do faturamento para as pessoas físicas pode representar uma bomba relógio na inadimplência das operações bancárias. O Santander tem uma forte exposição no crédito ao consumidor (e é ainda o líder do mercado de financiamento a veículos).

O mercado de ações brasileiro reagiu mal ao balanço e as ações do Santander caíram 3,92% por volta das 15 horas e afetou outros papéis do setor financeiro. No mesmo período a queda do Ibovespa era de apenas 0,81. O Bradesco, que revela os seus números amanhã, tinha queda de 2,18% nas ações PN. O Itaú Unibanco, que divulga os números do 3º trimestre dia 3 de novembro, desvalorizava 2,50%.

Um número que desagradou aos analistas foi o total de crédito de liquidação duvidosa de R$ 15.858 milhões no acumulado do ano, alta de 1,9% em 12 meses, mas com crescimento menor que as receitas totais no mesmo período.

As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias de R$ 13.331 milhões nos nove primeiros meses do ano, tiveram queda de 4,0% em 12 meses, mas cresceram 15,7% no último trimestre.

Margens de ganho no Brasil são as maiores do mundo

Analisando o balanço consolidado do Santander dá para entender porque a unidade brasileira – que tem a maior clientela isolada entre todas as unidades – dá uma pista da enorme margem financeira com que opera o banco no Brasil. O Santander discriminou a evolução do Custo dos Depósitos e a Rentabilidade do Crédito desde o 3º trimestre de 2019.

No Brasil, o custo dos depósitos era de 4,55% no 3º trimestre de 2019 e a rentabilidade do crédito, de 15,32%, com spread de 10,75%. Em setembro de 2020, com as mudanças drásticas causadas pela covid-19, o custo dos depósitos baixou para 1,64%, mas a rentabilidade do crédito ainda era de 11,47%, com spread de 9,83%. Na Europa a diferença era de 2,24%. Nos Estados Unidos era de 6,84%, no México era de 8,21%. Até na Argentina a margem era menos que no Brasil: 9,67%.

Rentabilidade do Crédito X Custo dos Depósitos (%)

Fonte: Balanço global do Santander

Macaque in the trees
… (Foto: Balanço Global Santander)

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