Mourão quer ser vice de Bolsonaro novamente em 2022
 ARTIGO DA SEMANA

Mourão: O vice e a mosca de Raul

Vitor Hugo Soares

 Para quase mais ninguém é segredo que o atual ocupante do Palácio do Planalto, praticamente, não pensa em outra coisa, além dos novos acordos e arranjos políticos, para permanecer mais quatro anos por lá, depois de 2022, num segundo mandato. Mas há um problema, além do sonho e do propósito que já custam caros e estão repletos de puxadinhos, “gatos” e incertezas para o país:  obstáculos mais concretos, um deles de carne e osso (duro de roer),  Hamilton Mourão.
Isso fica mais evidente a cada dia e a cada mês, deste ano do corona vírus, sinalizando que a tarefa não será maneira para o presidente Jair Bolsonaro e seus novos aliados e estrategistas do Centrão. E não só pela frágil e rachada resistência das “forças de oposição,” mas, principalmente, pelos ruídos internos que já se escutam dentro do seu governo em rearrumação, em especial nas hostes da aliança com os militares, prenunciando tempos difíceis, para logo ou um pouco mais adiante.

Esta semana, por exemplo, começou com o alvoroço causado pela reportagem da Folha de São Paulo – que leio em Salvador, reproduzida com destaque  na Tribuna da Bahia – cujo personagem principal é o ocupante do Palácio Jaburu, vice-presidente da República. General do Exército, no centro do poder político e administrativo atual, ele começa a assemelhar-se cada vez mais com a “mosca da sopa” de que fala Raul Seixas em uma de suas músicas geniais e de maior sucesso.
“Eu sou  a mosca que pousou na sua sopa, eu sou a mosca que chegou pra lhe abusar”, canta o saudoso baiano, roqueiro do Brasil. De passagem pela Catedral de Brasília ou do Congresso Nacional, o irônico viajante francês que costuma aterrissar por estas plagas, certamente diria aos seus botões: “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”.

Sustentada em informações de bastidores, de três aliados do mandatário (sem partido), o ponto crucial e relevante da reportagem é a revelação de que Bolsonaro já se organiza para disputar a reeleição, daqui a dois anos, sem o seu vice, que cresce em influência política e militar nos círculos de mando em Brasília, ao mesmo tempo que amplia espaços na área da comunicação em geral e da imprensa em particular. E aí se concentra uma das razões maiores das reservas do presidente em relação ao seu vice.

As aparições diárias de Mourão na imprensa, “não raramente amenizando ou desmentindo o que foi dito pelo presidente, além de uma leitura clara de políticos do Congresso de que Mourão é mais hábil que o atual chefe para governar o país”, segundo a exclusiva do jornal paulista. E aí se instala, no coração do poder, o foco da Inveja, um dos pecados capitais mais devastadores nas relações pessoais e políticas, na visão exposta pelo genial cineasta espanhol Luiz Buñuel em seu livro de memórias “Meu último suspiro”.

Na presidência do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL) – por onde passam alguns dos temas de maior visibilidade e ressonância estratégica nos jogos do poder – nacional e internacionalmente falando – é fácil, até para o mais ingênuo dos observadores, perceber o quanto pode ainda se ampliar os espaços de Hamilton Mourão. Diante das expectativas do choque interno que isso pode causar no Governo Bolsonaro, a reportagem destaca que “a saída encontrada pelos militares foi a de alocar Mourão na disputa pelo Senado ou pelo governo do Rio Grande do Sul”. Tem mais, mas não digo, até porque o espaço acabou.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Tudo é Magnífico”, Elizeth Cardoso:Divina Elizeth. Magnifico, o rei que festejou 80 anos nesta sexta-feira, mas merece ser louvado o ano inteiro por seus fiéis súditos do futebo que ele engrandeceu como ningué. E porque hoje é sábado, Viva Pelé!

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

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24
Posted on 24-10-2020
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DO JORNAL DO BRASIL

Foto: Ricardo Stuckert/CBF
Credit…Foto: Ricardo Stuckert/CBF
Credit…Foto: Ricardo Stuckert/CBF

Por FÁBIO LISBOA

O futebol brasileiro tem vários personagens. Mas nenhum deles tem o protagonismo de Edson Arantes do Nascimento. A importância de Pelé é tamanha que é possível falar que, a partir dele, o mundo mudou a forma de ver os jogadores e a seleção do Brasil.

A trajetória daquele que viria a ser conhecido como o rei do futebol começa de forma muito comum. Nascido em 23 de outubro de 1940, na cidade mineira de Três Corações, Pelé vem de “uma família das classes populares, que trabalhava duro para educar os filhos”, diz o pesquisador do MEMOFUT (Grupo Literatura e Memória do Futebol) Rodrigo Saturnino.

Ainda na infância, um fato parece definir sua relação com o futebol. Ao ver o pai, o ex-jogador José Ramos do Nascimento, o Dondinho, chorar após a derrota da seleção brasileira na final da Copa do Mundo de 1950, o pequeno Edson promete que conquistaria o primeiro Mundial do país.

Mas antes de cumprir esta promessa, Pelé daria os primeiros passos no esporte na cidade paulista de Bauru, para onde a família dele se mudou durante sua infância. Lá defendeu várias equipes amadoras de futebol de campo e salão, até que, ao completar 15 anos, foi levado para fazer um teste no Santos. Aprovado, foi contratado em junho de 1956 e começou a defender a equipe da Vila Belmiro.

No Santos, desandou a marcar gols, o que lhe garantiu a primeira convocação para a seleção brasileira em 1957 para participar da Copa Roca, competição na qual fez seu primeiro tento e iniciou uma caminhada de conquistas.

Rei desde jovem
A qualidade de Pelé era tamanha, que a ideia de que ele era o rei do futebol surgiu antes mesmo da conquista de um título de expressão pela seleção. Jovem ainda, com 17 anos, meses antes da disputa da Copa de 1958, o dramaturgo Nelson Rodrigues se referiu ao jogador da seguinte forma em uma crônica sobre o jogo entre America e Santos: “O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: – a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento”.

A coroação definitiva vem com a conquista dos títulos das Copas do Mundo. “Em 1957, o futebol brasileiro estava por baixo, com a derrota para a seleção uruguaia em 1950, a apenas regular participação na Copa de 1954, os resultados fracos durante uma excursão à Europa em 1956 e o fraco desempenho no Campeonato Sul-Americano de 1957 (…). E surge Pelé, com 17 anos. O futebol brasileiro então passou de 5ª a 6ª força para ser, indiscutivelmente, o melhor do mundo. Com Pelé e Garrincha, a seleção nunca perdeu. Foram três títulos mundiais em quatro Copas. Pelé foi o principal responsável por esse desempenho. A identificação da seleção com o povo brasileiro atingiu seu ponto máximo. Pelé se transformou na face do Brasil bem sucedido, o brasileiro mais reconhecido da história, em todo o mundo”, diz Saturnino.

O sociólogo e professor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Rio de Janeiro (Uerj) Ronaldo Helal concorda e afirma que Pelé foi fundamental para a seleção acabar com a história de que teria um complexo de vira-latas (expressão de Nelson Rodrigues) que a impediria de conquistar títulos: “Em 1958 o Brasil ganha a Copa do Mundo, e Pelé foi marcante, se tornando o rei do futebol com 17 anos de idade”.

Auge no México
Entre estas conquistas uma ocupa um lugar especial na história do futebol, a da Copa do Mundo de 1970, no México. Foi nesta competição que Pelé mostrou todo o seu potencial como jogador. “Em 1970 ele foi fundamental, fez uma Copa ímpar, brilhante do início ao fim, e colocou o Brasil no topo do futebol mundial”, diz Helal.

Clodoaldo, um dos companheiros de Pelé naquela campanha, compartilha desta opinião: “Foi o melhor momento do Pelé na seleção brasileira. O vi em 1970 como nunca, preparado nos aspectos físico, técnico e psicológico. Ele estava voando. Foi o momento no qual atingiu o máximo de sua carreira”. Nesta competição o futebol brasileiro alcançou um novo patamar, passando a ser admirado em todo o mundo, como mostra este filme produzido pela Fifa:

Quantos gols Pelé fez
O sucesso de Pelé não se deve apenas à seleção. Foi pelo Santos que ele marcou a maior parte dos seus 1281 gols (em 1363 jogos), que o transformaram no maior goleador da história do futebol mundial. O tipo de feito que fez com que o público o tratasse de uma forma especial. “O Pelé foi o único jogador, pelo menos que eu saiba, que fazia uma boa jogada contra um time, ou um gol de placa, e a torcida adversária aplaudia, às vezes de pé”, diz Helal, que é torcedor do Flamengo, citando as oportunidades nas quais, em sua infância, ia ao estádio simplesmente para ver o camisa 10 do Santos entrar em campo.

Um destes gols mobilizou a atenção do público de forma especial, o de número mil, alcançado no dia 19 de novembro de 1969 em vitória de 2 a 1 do Santos sobre o Vasco no estádio do Maracanã. O detalhe é que Pelé tinha apenas 29 anos ao alcançar esta marca.

Fórmula secreta
Tantos feitos levam à pergunta: como um menino comum, nascido em Minas, se transformou no rei do futebol? “O destaque na história do futebol vem de seu talento e sua técnica, por ter sido o único a fazer excepcionalmente bem, dentro de campo, tudo o que um jogador de futebol pode fazer. Selecione um atributo, e Pelé foi um dos melhores”, afirma Saturnino.

O ex-jogador Pepe, companheiro de Santos e seleção do eterno camisa 10, defende que um jogador com estas características surge apenas uma vez na história: “No futebol atual têm aparecido grandes jogadores. Porém, igual a Pelé não aparece. Completo, perna direita, perna esquerda, impulsão, chute, cabeceio, corrida, gols, maior artilheiro do futebol mundial de todos os tempos. Penso que seu Dondinho e dona Celeste rasgaram a fórmula e não aparece mais um jogador igual a Pelé”.

Vida longa ao rei
Desta forma é mais do que justa a celebração da vida de um jogador que foi o melhor em todos os fundamentos de seu esporte, superando inúmeros recordes coletivos e individuais e levando o futebol brasileiro a um novo patamar.

Ao completar 80 anos, é a hora, como diz Clodoaldo, de agradecer e de desejar que “tenha muita saúde, paz e felicidade. E claro, vida longa ao rei”.(com Agência Brasil)

A Anvisa negou nesta sexta-feira (23) qualquer atraso ou morosidade na importação de matéria-prima para fabricação de vacinas do Instituto Butantan.

“[C]om o intuito de contribuir para a prontificação mais rápida de toda e qualquer vacina passível de registro, a Anvisa está colocando o pedido de importação de vacinas já envasadas do Instituto Butantan sob análise da ferramenta eletrônica formal, chamada circuito deliberativo, na qual os diretores podem analisar o processo e efetuar a votação sem a necessidade das formalidades de uma reunião presencial e pública da Diretoria Colegiada”.

“Para não haver perda de tempo”, acrescenta a nota, “o processo foi desmembrado e as vacinas envasadas terão sua análise feita no prazo máximo de até cinco dias úteis, separadamente da análise do pedido de insumos”.

“Cabe ressaltar que esse processo se encontrava pautado para o dia 4 de novembro, justamente para que houvesse tempo hábil para o atendimento das discrepâncias apontadas no processo referente à matéria-prima vacinal”.

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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXIII – 6ª- feira 23/10/2020

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Pelicano, NO JORNAL Bom Dia (SP)

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Por Márcio Falcão e Fernanda Vivas, TV Globo — Brasília

Após queixas do Butantan, Anvisa libera importação de 6 milhões de doses da Coronavac

Após queixas do Butantan, Anvisa libera importação de 6 milhões de doses da Coronavac

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski decidiu, nesta sexta-feira (23), que vai levar diretamente ao plenário três ações que discutem a realização compulsória de vacinação e outras medidas profiláticas no combate à pandemia de Covid-19.

O ministro aplicou o chamado rito abreviado, que permite o exame do caso diretamente pelo colegiado da Corte. Com isso, ele abriu mão de emitir uma decisão individual a respeito do tema.

Presidente Jair Bolsonaro tem dito, em discursos, que vacinação contra a Covid-19 não será obrigatória
 Presidente Jair Bolsonaro tem dito, em discursos, que vacinação contra a Covid-19 não será obrigatória

Lewandowski afirmou que o debate em plenário é necessário diante da “importa?ncia da mate?ria e [da] emerge?ncia de sau?de pu?blica decorrente do surto do coronavi?rus”.

O relator pediu informações à Presidência da República, à Advocacia-Geral da Unia?o e à Procuradoria-Geral da Repu?blica. O julgamento não tem data ainda para ocorrer – a marcação deve ser feita após as manifestações requeridas pelo ministro.

As ações no STF

O STF reúne atualmente quatro ações que tratam do tema – três favoráveis à vacinação mais ampla e/ou obrigatória, e uma que pede a proibição da vacinação compulsória. A decisão de Lewandowski, nesta sexta, só faz referência às três primeiras.

Em uma dessas ações, o PDT busca garantir que a determinação de vacinação obrigatória e de outras medidas relacionadas fique a cargo de estados e municípios.

Fux prevê judicialização sobre critérios para vacinação
 Fux prevê judicialização sobre critérios para vacinação

O partido ressalta que essa atribuição deve ser reconhecida a governadores e prefeitos, desde que as medidas sejam amparadas em evidências científicas e acarretem maior proteção.

A ação do PDT foi motivada pela declaração do presidente Jair Bolsonaro afirmando que o Ministério da Saúde não vai obrigar a população a tomar uma possível vacina contra a Covid-19. Na quarta, Bolsonaro publicou que o Brasil não compraria “a vacina da China”, provocando um recuo do ministério – que já havia se reunido com governadores para tratar da questão.

Segundo o PDT, uma eventual omissão do governo federal não deve servir de obstáculo à adoção, pelos entes menores [estados e municípios], de medidas que sirvam à concretização dos direitos fundamentais, como, na hipótese dos autos, a saúde pública”.

“Omitindo-se a União em seu dever constitucional de proteção e prevenção pela imunização em massa, não pode ser vedado aos estados a empreitada em sentido oposto, isto é, da maior proteção, desde que amparado em evidências científicas seguras”, afirma a ação.

A Rede Sustentabilidade questionou no STF, em outra ação, a conduta de Jair Bolsonaro ao desautorizar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e suspender a compra do produto desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac com o Instituto Butantan, de São Paulo.

Segundo o partido, ao vetar a compra da vacina, Bolsonaro “pretende privar a população brasileira de uma possibilidade de prevenção da Covid-19 por puro preconceito ideológico ou, até pior, por motivações estritamente políticas”.

Na terça-feira (20), o ministro Eduardo Pazuello tinha anunciado a compra de 46 milhões de doses da Coronavac – uma medida elogiada pelos governadores.

Em outra ação, partidos de oposição (PSOL, Cidadania, PT, PSB e PCdoB) pedem que o Supremo mande o Executivo apresentar em até 30 dias quais os planos e o programa do governo relativos à vacina e medicamentos contra a Covid-19, além de ações previstas de pesquisa, tratativas, protocolos de intenção ou de entendimentos.

A oposição requer ainda que o governo seja proibido de tomar atos que dificultem medidas de pesquisa ou protocolos de intenção.

Mas, na quarta-feira, em uma rede social, o presidente afirmou: “A vacina chinesa de João Doria, qualquer vacina antes de ser disponibilizada à população, deve ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa. O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. Minha decisão é a de não adquirir a referida vacina”.

Em seguida, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, explicou que o ministério tem uma intenção e não quer comprar a vacina da China. “Não há intenção de compra de vacinas chinesas”, afirmou.

O PTB foi ao STF contra a obrigatoriedade de vacinação contra o coronavírus. O partido requer que os ministros da Corte suspendam um trecho de uma lei aprovada no começo deste ano, que dá poder a autoridades públicas de determinar a vacinação compulsória da população.

Aliado de Bolsonaro, o PTB diz que a possibilidade de vacinação compulsória fere direitos previstos na Constituição – entre eles, a liberdade individual e a saúde da coletividade.

Essa última ação, do PTB, não foi incluída por Lewandowski no despacho que levou o tema ao plenário do STF. Isso não impede que, até o dia do julgamento, o processo seja incluído também na pauta.

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