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Postado em 23-10-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 23-10-2020 00:17
Bahia em Pauta » Blog Archive » Joaci Góes: Especulação sobre o futuro que nos aguarda após esta inquietante epidemia
ARTIGO/Ponto de vista
Uma boa má notícia ou uma má notícia boa?
Joaci Góes
Ao jovem casal amigo Érica e José Aras Neto!
Em face das previsões catastróficas que passaram a ser feitas para o desempenho da economia brasileira neste ano de 2020, a recente declaração do Ministro Paulo Guedes assegurando que a queda do PIB brasileiro ficará abaixo de -5% soou como música aos ouvidos do mercado que vem, há muito, com a musculatura retesada diante dos cenários apocalípticos, desenhados por especialistas e entidades dedicados à matéria, Brasil e Mundo afora, em razão da quarentena e do distanciamento social, provocados pelo Corona vírus. Os mais otimistas falam em -4%, uma maravilha diante das projeções alarmistas que apontavam cenários de queda de -10% para cima. Bola branca para o Governo Bolsonaro que, mesmo diante das ingentes dificuldades financeiras que enfrenta, faz pé firme em manter as despesas dentro do teto de gastos, apesar de fortes pressões em contrário.
Ainda que as várias previsões de queda apresentem sensíveis diferenças, a expectativa geral é a de baixa do pessimismo, como é o caso do Banco Mundial que reduziu sua previsão de encolhimento da economia brasileira de -8% para -5,4%, correspondendo a uma diminuição de 32,5%, o que não é pouca coisa. Melhor ainda: projeta uma recuperação de nossa economia, para 2021, da ordem de 3%! Por semelhante diapasão também se regem o FMI – Fundo Monetário Internacional e a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O mercado financeiro, por seu turno, reage favoravelmente em sintonia com essa saudável reversão de expectativas traumáticas. São confiáveis, portanto, os animadores sinais de recuperação econômica que contribuem para o nascente clima de euforia tão necessário à restauração da autoestima nacional. Afinal de contas, gradativamente, o comércio avança para retornar do status quo ante crise, com estabilidade nos preços de bens e serviços. Melhor ainda: essa mudança favorável de expectativas verifica-se em escala planetária, com as exceções que não infirmam a regra geral.
Apesar da continuidade crescente de contágio da Covid 19, em razão do aumento progressivo do número de infectados, a população aprendeu muito a conviver com esse risco, de modo seguro, ensejando a retomada do trabalho em todas as categorias econômicas, ao longo desse recolhimento que ainda deve permanecer por um tempo estimado de mais seis meses. Recorde-se que já ultrapassamos sete meses de convivência com essa pestilência que tem deixado de joelhos a melhor medicina do Globo.
Diferentemente das previsões otimistas que fez para o Brasil, o Banco Mundial piorou as previsões para a América Latina e Caribe, de -7,2 para -7,9, em razão das quedas previstas para a Argentina, Chile e Bolívia, de, respectivamente, -12,3; -6,3 e -7,3%.
Do ponto de vista social, o grande desafio que teremos a vencer, a partir de janeiro de 2021, é o problema dos que deixarão de receber o auxílio emergencial, patrocinado pelo governo, em razão dos limites impostos pelo teto de gastos. Mais do que nunca, ficará evidenciado o papel da educação para a empregabilidade, na sociedade do conhecimento em que estamos imersos. Os que tiverem boa escolaridade, como já acontece, mesmo na crise, melhorarão de vida pela crescente liberdade de poderem trabalhar no conforto da própria casa, incorporando ao seu bem estar – estudo, lazer e convivência com a família e amigos -, o tempo que tradicionalmente tem sido despendido no deslocamento entre o lar e o local de trabalho.
Para parcela ponderável dos treze milhões de desempregados, a construção civil é a melhor solução, governamental ou privada. Um intenso financiamento da casa própria, com juros baixos do BNDES, e obras de saneamento básico, para melhorar a saúde das massas, é o caminho das pedras que o bom senso aponta.
 
Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado nesta quinta-feira,23, na TB.

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