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Postado em 18-10-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-10-2020 00:01

 

 

DA DW -ALEMANHA

 

Trabalhistas poderão agora governar sozinhos. Resultado confirma reeleição da popular primeira-ministra, cuja gestão da pandemia manteve em 25 as mortes por covid-19, no país de 5 milhões de habitantes.

Primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern Jacinda Ardern, de 40 anos, se encaminha para um segundo mandato à frente do governo neozelandês

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, sai como grande vencedora das eleições gerais realizadas neste sábado (17/10). “A Nova Zelândia demonstrou o mais forte apoio ao Partido Trabalhista em pelo menos 50 anos”, disse Ardern a seus correligionários eufóricos em Auckland, no discurso de vitória que ela abriu no idioma maori. Sua vitória já foi reconhecida pela líder da oposição conservadora, Judith Collins.

Com quase todos os votos já apurados, os trabalhistas obtiveram quase 50% das urnas, o que lhes confere 64 dos 120 assentos do Parlamento da Nova Zelândia, enquanto o conservador Partido Nacional ficou com 26%, o correspondente a 35 deputados.

Isso permitirá ao Partido Trabalhista assumir sozinho o governo que até então dividia com o centrista Nova Zelândia Primeiro (NZ First) e os Verdes. A premiê de 40 anos prometeu que sua legenda será para todos os cidadãos, pois “governar para cada neozelandês nunca foi tão importante como agora”.

O pleito deste sábado, originalmente planejado para setembro, foi adiado enquanto um surto de covid-19 em Auckland era posto sob controle. Para evitar contágios, a população foi aconselhada a evitar filas nos locais de votação. Estima-se que 60% entregou seu voto antes do dia da eleição.

Gestora de crises exemplar

Jacinda Ardern atraiu atenção internacional em 2017, quando assumiu a liderança da legenda de centro-esquerda, a poucas semanas das eleições, e rapidamente reativou suas chances de chegar ao governo.

Acima de tudo, seu primeiro mandato foi marcado pela habilidade de gerir crises: sua resposta ao atentado a tiros na mesquita de Christchurch, em 15 de março de 2019, recebeu elogios no país e no exterior, e a imagem da jovem política, de véu islâmico, abraçando uma neozelandesa muçulmana correu o mundo.

Na crise da covid-19, o governo de Ardern obteve ampla aprovação a suas medidas para debelar o vírus, que incluíram o fechamento das fronteiras nacionais e confinamento rigoroso. O país de 5 milhões de habitantes registrou menos de 2 mil casos, com apenas 25 mortes.

Ainda assim, uma vitória esmagadora como a atual não era dada como certa. As mensagens centrais da campanha eleitoral trabalhista foram “Nós temos Jacinda” e “Nos deem mais tempo”. Ao depositar seu voto em 3 outubro, na abertura antecipada das urnas, Ardern admitiu aos repórteres que não dava nada por garantido.

Alguns analistas registram o descontentamento dos neozelandeses de menor renda pela falha dos trabalhistas em cumprir suas promessas eleitorais. Além disso, o sucesso do governo no controle da covid-19 tornou-se, até certo ponto, problemático para sua campanha, com a atenção da população se voltando para os enormes custos da pandemia – uma desvantagem de que o Partido Nacional tentou se aproveitar, apresentando-se como melhor gestor econômico.

Contudo, a líder do Partido Nacional, Judith Collins, uma figura política controversa, se apressou em reconhecer a vitória da premiê: “Parabéns à primeira-ministra Jacinda Ardern, para quem telefonei, porque penso que estes são resultados extraordinários para o Partido Trabalhista”, disse na televisão após os primeiros resultados conclusivos.

Neste sábado, o eleitorado neozelandês votou também em dois referendos: o End of Life Choice Bill – um projeto sobre a eutanásia que, caso aprovado, se tornará lei em outubro de 2021 –; e a consulta  não vinculativa sobre a descriminalização da maconha, cuja implementação caberá ao futuro governo decidir.

AV/dpa,lusa,dw

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