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Postado em 18-10-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-10-2020 00:20
Compartilho (feliz e agradecido) um texto muito grato para mim e que julgava perdido, pois nunca mais o havia revisto desde que o escrevi e foi lido em histórica sessão especial no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia, promovida pela então deputada estadual e sempre educadora de mão cheia, Maria José Rocha, a sempre querida e admirada Zezé.O texto me chegou às mãos via e-mail do amado amigo e brilhante colega de jornalismo, Miguel Lucena, depois de publicado no site Brasília em Pauta, do DF, em 13/10, data comemorativa do Dia do Professor. Reproduzo sem mais palavras, pois tudo que pensava então, e penso agora, está no texto. Sou agradecido a Zezé e Miguel por esta redescoberto. Forte abraço. (Vitor Hugo Soares)
(Vitor Hugo Soares/Reprodução redes sociais)

Vitor Hugo Soares*

Jornalista.

Ensinar é revelar. Essa compreensão é que torna mais fácil responder a uma pergunta tão delicada e de tantas implicações. Qual o professor mais importante em sua vida?
Florisvaldo Moreira de Mattos, sem dúvida. Jornalista e poeta, foi ele o mestre inigualável da descoberta da revelação. Quer na Faculdade de Jornalismo da UFBA, quer no decorrer das décadas seguintes até aqui, tive nele o professor mais marcante  e a figura que mais decisivamente influenciou a minha trajetória tanto de estudante quanto de jornalista profissional. Flori, como me permito chamá-lo agora que o tenho como um dos amigos mais queridos e fraternos, foi referência como pessoa e como intelectual em um tempo de buscas e de descobertas.
O Professor Florisvaldo Mattos descerrou o primeiro véu de quem ainda buscava caminhos. Ensinou, com seu jeito de poeta, o artesanato da palavra ao aprendiz
Desvendou os primeiros segredos da técnica do texto jornalístico. Fez o estudante descobrir rotas insuspeitáveis para um jovem que, até então, só pensava em ser bacharel em Direito e um dia chegar a Juiz ou Promotor em uma comarca qualquer do interior. Ampliou o leque dos sonhos limitados e deu o impulso que faltava para fazer o aluno partir em busca de outras aspirações humanas, intelectuais e profissionais. A começar por coisas singelas, como saborear o prazer de um lead bem realizado, ou de uma pauta que orienta e abre caminhos ao repórter. A alegria de uma reportagem que quebra a rotina e compensa as agruras e desapontamentos sempre à espreita no dia a dia do pensar e do fazer jornalismo.
E fez muito mais, pois Flori parece inesgotável em sua capacidade de ensinar revelando, e extrema é a sua generosidade na partilha. Com este aprendiz o mestre partilhou não só do amor pelo jornalismo, mas também a paixão pela poesia, pela música, pela América Latina. Veio dele a confiança e o convite decisivos na caminhada profissional , quando o repórter recém saído da faculdade, quase foca, ensaiava os primeiros passos nas redações. E depois é dizer da amizade enraizada no longo caminho que leva à comunhão ética, a tantos motivos de contentamentos, tantas horas de tensões partilhadas e outros tantos desencantos. Leva também a alegres vinhanças e a perigos quase mortais.
E, no final das contas, conduz a esta oportunidade do aluno reconhecido poder dizer: muito obrigado, professor.

*Texto escrito para Sessão Solene da Assembleia Legislativa da Bahia, realizada em 11/11/1998 e intitulada Obrigado, Professor; Obrigada, Professora, de iniciativa da Deputada Maria José Rocha Lima, na qual personalidades baianas homenagearam seus professores.

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