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Postado em 16-10-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 16-10-2020 00:21
Livro: Um Jagunco Em Paris - Oleone Coelho Fontes | Estante Virtual
Bahia em Pauta » Blog Archive » Joaci Góes: Especulação sobre o futuro que nos aguarda após esta inquietante epidemia
ARTIGO/Ponto de vista
Oleone Coelho Fontes
Joaci Góes
Para o casal amigo Mary Oliva e Eduardo Nelson, in memória!
Muitas pessoas me perguntam por que Oleone Coelho Fontes não integra a Academia de Letras da Bahia. Minha resposta de que o ingresso depende da maioria de votos não as satisfaz, por excessivamente óbvia.
A esse rol de inquiridores vieram se somar dois intelectuais baianos, um homem e uma mulher. Ele, o desembargador aposentado Raymundo Pinto, festejado pela inteligência, cultura e integridade. Ela, ex-namorada e musa de Glauber Rocha, Milze Soares, pós-graduada em Filosofia e psicologia, na França, onde morou e constituiu família.
Encantado com a leitura, Raymundo publicou um artigo na Tribuna e presenteou sua amiga Milze, que, atualmente reside em Brasília, com Um jagunço em Paris, livro de Oleone. Milze, que nunca viu Oleone, escreveu a Raymundo:
“Recebi o livro anteontem e já foi lido. Fabricando tempo, pude dar prioridade a essa leitura. É realmente grande a intimidade que o autor tem com Paris, sobretudo considerando que por lá ele só viveu 16 dias, mas não foi isso o que mais me impressionou no livro. Fica claro que ele estudou a cidade, antes, durante e depois que a conheceu, assim como, antes e durante o tempo em que escreveu sobre ela. A oferta de atrações era, é descomunal, mas o trabalho que ele teve para estudar cada ponto e relacioná-lo com outro, outros!? Para ir mostrando, como num rosto, os traços da cidade. Seu trabalho não foi apenas descritivo e o resultado é muitíssimo louvável. Não lhe faltaram fontes, mas ele fez uma imensa e trabalhosa pesquisa, no passado e no presente. A França e, em especial, Paris são metáforas de vida, de civilização e de cultura. Em Paris, a gente tropeça em história, em ciência, em filosofia, em todas as sortes de arte; Paris é protagonista em todas as grandezas do espírito e em todos os prazeres humanos, a exemplo dos de cama e dos de mesa. Não pode existir uma cidade com mais traços de humanidade.”
“Oleone estudou muito o caracol dos arrondissements, acompanhou o Sena, encantou-se com a arquitetura, a cor, as luzes, os cheiros da cidade, fez um levantamento de igrejas, de restaurantes, de cafés, de cemitérios, analisou tudo. Um estudo copioso onde, além das vivências locais, diretas, além das vivências de outros, das fotografias, do cinema, das artes em geral e da farta e diferenciada literatura a respeito do assunto, o autor ainda se valeu, certamente, de informações turísticas que escapam aos livros de história, conservadas, apenas, na oralidade. Ele se valeu de tudo! Impulsionado por uma louca paixão pela cidade. Por também amar Paris, vou confessar, houve momentos em que muito me emocionei. O que mais me impressionou foi o estilo e a imaginação dele. Escreve muito bem, muito solto, vai flanando, em Paris e no texto, vai fluindo, natural, com simplicidade, expressando muito bem o que quer dizer ou não dizer. Procura tratar o que julga essencial e sabe muito bem fazer isso. Em alguns trechos imaginativos me lembrou Michel Houellebecq, porém eu gosto mais de Oleone. Gostei muito de ele ter escrito um pouco em francês. Tinha que haver lugar para a língua francesa no texto.”
São muitos os que pensam que são poucos os inquilinos da Casa de Machado de Assis que se podem nivelar ao padrão literário alcançado por Oleone, em sua grande obra, tendo como tema dominante a Guerra de Canudos e o Cangaço!
Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia,  ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado nesta quinta-feira, 15, na TB.

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