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Postado em 15-10-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 15-10-2020 00:08

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

A jovem de 17 anos pediu a Macron para “assumir as suas responsabilidades” na luta contra as alterações climáticas

AF
Agência France-Presse
 

 (crédito: JONATHAN NACKSTRAND / AFP)

(crédito: JONATHAN NACKSTRAND / AFP)

Na véspera de uma cúpula em Bruxelas, a ativista ambiental sueca Greta Thunberg pediu nesta quarta-feira (14) aos líderes europeus, e ao presidente francês, Emmanuel Macron, em particular, que “façam tudo o que for possível” para melhorar a nova meta de redução das emissões de gases de efeito estufa até 2030.

Em entrevista à AFP, a jovem de 17 anos pediu a Macron para “assumir as suas responsabilidades” na luta contra as alterações climáticas e cumprir a sua “promessa” de estar na vanguarda da questão.

A União Europeia (UE) deve estabelecer até janeiro uma meta de redução de gases de efeito estufa para 2030 e superar os desafios para aplicá-la, tema que será tratado nesta quinta-feira na cúpula dos 27, que também tratará do Brexit.

“Nada do que foi proposto ou desenvolvido está de acordo com o que a ciência nos diz”, disse a jovem sueca, criadora do movimento “Fidays for Future” (Sextas-feiras para o Futuro), em uma entrevista remota, da qual também participou a jovem militante alemã Luisa Neubauer, de Berlim.

A Comissão Europeia propôs em meados de setembro buscar uma redução de 55% nas emissões de gases de efeito estufa da UE até 2030 em comparação com o nível de 1990, contra uma meta atualmente fixada em -40%, para alcançar “neutralidade de carbono “em 2050. O Parlamento Europeu exigiu uma redução de, pelo menos, 60%.

“Tudo o que for possível” 

“Pedimos que façam tudo o que for possível, o que puderem”, disse Greta Thunberg à AFP, enquanto se recusava a sugerir uma meta, porque “não há número mágico ou data mágica”.

A jovem sueca pediu “orçamentos de carbono anuais e obrigatórios que se apliquem agora, não apenas em 2030 e 2050”. Os chefes de Estado e de governo não terão que decidir antes de sua próxima reunião, em 10 e 11 de dezembro.

A Alemanha, que detém a presidência rotativa da UE, busca a unanimidade dos Estados-membros. No entanto, a relutância de vários países do leste – como a Polônia, que é fortemente dependente do carvão e se recusa a prometer neutralidade de carbono até 2050 – complica a situação.

“Provavelmente poderíamos passar o dia discutindo sobre quem bloqueia, mas no momento não há nenhum líder na Europa que pressione por essa questão”, lamentou Luisa Neubauer. “Ninguém age em um nível nem perto do necessário”, insistiu Greta Thunberg. As duas ativistas pediram a Emmanuel Macron para se envolver mais.

“Ele tem uma possibilidade incrível e uma responsabilidade a assumir. Se pessoas como ele não assumirem, se até países como a França não assumirem essa responsabilidade, como podem países como China e Índia cumprirem seus compromissos?”, argumentou Greta.

Objetivos muito ambiciosos não poderiam levar a dificuldades para muitos setores econômicos e à perda de empregos? A sueca, que fará 18 anos em janeiro, reconheceu que esses argumentos são “muito válidos”, mas pediu foco nas “terríveis consequências” das mudanças climáticas.

“É preciso olhar o todo, a visão geral nunca é levada em consideração”, disse. Greta Thunberg pediu aos americanos que votem no democrata Joe Biden na eleição presidencial de 3 de novembro.

“Quando se trata de Trump, acho que vai além da política, é uma questão de direitos fundamentais”, argumentou. “É claro que Joe Biden está longe de fazer o suficiente”, mas com Trump, “há limites”, disse.

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