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Ruy Espinheira Filho lança romance e livro de poemas
AOS LEITORES, OUVINTES E AMIGOS DO BAHIA EM PAUTA:
Compartilho do precioso espaço poético e litero cultural do jornalista Florisvaldo Mattos na rede social Facebook o texto do poeta Ruy Espinheira Filho, publicado originalmente no jornal A Tarde.
“Bem mais que uma resenha, em artigo de jornal, o poeta e ficcionista Ruy Espinheira Filho noticia e comenta a publicação de novo livro do escritor Paulo Martins, atualmente residindo em Lisboa. Segue abaixo o texto. (Florisvaldo Mattos.)
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DIABRURAS DE ORFEU
RUY ESPINHEIRA FILHO
O livro, da editora Lacre, se intitula “As diabruras de Orfeu – cantorias sem fim”. O autor é o baiano Paulo Martins, poeta, ficcionista, ensaísta, compositor, boêmio e amigo meu desde a adolescência em Jequié. A primeira parte do livro toca as memórias, sobretudo musicais, da infância, prosseguindo no desenvolvimento de uma natureza intensamente musical e também marcada pela literatura, especialmente pela poesia. Música e poesia, que certamente surgiram ao mesmo tempo, milhares de anos atrás. Poesia e música, artes que impregnam a vida de todos nós. Não há ser humano que não traga em si música e poesia. A grande referência no livro é Orfeu, aquele da mitologia grega que todos conhecemos, e que é a um só tempo música e poesia. Como foi – e é – a vida de Paulo Martins, que, falando das “diabruras” de Orfeu, falou de si mesmo, de sua própria vida.
Falando também de amor, claro, que sem ele não há música nem poesia – e vice-versa: sem alma densa de música e poesia não há lugar para o amor. E segue o autor pelos seus caminhos de música e poesia – e encontrando muitas pedras pela frente, como a ditadura militar. Desta, Paulo conta as perseguições, prisões e, em particular, torturas brutais que sofreu num quartel de Pernambuco. Torturas de todo tipo, inclusive uma que prejudicou definitivamente seus ouvidos, até parecendo que os torturadores adivinharam que ele era um homem musical, necessitando dos ouvidos mais do que uma pessoa comum. E, mesmo com tratamentos médicos posteriores, inclusive cirurgia, ele nunca mais conseguiu ouvir normalmente. Mais um artista vitimado pelo golpe de 1964, como outros de países como a Argentina e o Chile, para ficarmos nestes três.
O livro prossegue com vida do autor e sempre música e poesia. E mostrando uma intimidade impressionante dele com elas em nosso país e em outros, assim como suas manifestações ao longo de séculos. Depoimento corajoso e apaixonado, compreendendo importantes ensaios sobre poetas e compositores como, por exemplo, Jacques Brel (por quem cultiva uma admiração especial), Vinícius de Moraes, Chico Buarque, com referências constantes a muitos outros. Tudo feito com grande penetração intelectual e a emoção que sempre se apossa do ser humano quando se envolve com a música, com a poesia e o amor.
Nosso espaço vai terminando. Encerro dizendo que fiz minha leitura de “As diabruras de Orfeu” tanto com admiração quanto emocionado. Obra muito rica e bela. Indispensável a quem não tenha medo de penetrar no mundo da música, da poesia e do amor. Num dos trechos do final do livro, diz Paulo: “Por pior que o mundo esteja, ainda há esperança”. Sim, que haja esperança e possamos seguir em frente. Sob as bênçãos de Orfeu.
A Tarde – 08/10/2020.

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