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Postado em 09-10-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-10-2020 00:23
Trbn.com.br - Tribuna da Bahia
 ARTIGO/PONTO DE VISTA
 
Esquerdas e direitas 5 e final
Aos queridos amigos Ivan e Afonso Saraiva!
 
Apesar de todos os atributos humanos serem susceptíveis de despertar inveja – como Clarice Lispector evidenciou no conto Legião Estrangeira, em que uma menina rica sofre intensa inveja da alegria que uma menina pobre demonstrava usufruir da posse de um frágil pinto, ainda depenado -, a experiência revela que a riqueza material é o mais invejado, pelo poder que tem de se converter em quase tudo, acima mesmo da beleza, juventude, poder, inteligência, saber, prestígio.
 
?Os que defendem regimes que atropelam critérios meritocráticos, para impor a igualdade, a qualquer preço, preferem uma média geral de riqueza abaixo de medíocre a uma sociedade desigual em que os níveis de menor renda são ainda mais prósperos do que a mediania socialista, como aconteceu em todas as experiências comunistas, relativamente aos países ricos praticantes da economia de mercado.
?
No mundo das ciências naturais e sociais tem-se como conceito epítome que não há duas coisas iguais no Universo, inclusive entre os seres inanimados. Em face do atributo transformador da inteligência, os humanos são o que há de mais diverso e desigual no Planeta. As tentativas de superar essa condição natural resultaram nos maiores genocídios de que se tem memória. Aos que desejarem uma leitura a um tempo divertida e instrutiva dessa tragicomédia de erros, recomendo o romance Justiça Facial (Facial Justice), do prolífico e brilhante escritor britânico Leslie Poles Hartley (1895-1972), em que o Estado Comunista instala clínicas de cirurgia plástica para nivelar o padrão facial de toda a população, como meio de evitar a inveja nascida da beleza!
?
A fábula de Esopo, distinguindo entre a inveja e a cobiça, exposta no artigo anterior, expressa com gritante propriedade as motivações inconscientes provocadas pela inveja dos que preferem uniformizar, por baixo, a posição das pessoas na sociedade, em lugar do saudável desequilíbrio dinâmico da diversidade que gera riqueza e premia os melhores.
?Depois de haver flertado, na juventude, com o socialismo-marxista, evolui, na maturidade, para a esquerda democrática, consistente na observância dos seguintes postulados:
1- o setor privado deve produzir todos os bens e serviços em que tiver interesse;
2- o Estado opera como uma grande agência reguladora, implantando a infraestrutura e assegurando a igualdade dialética entre os desiguais, mediante políticas inteligentes de compensação social, garantindo aos mais pobres um piso mínimo consistente em casa e alimentação;
3- acesso de todos, sem exceção, sobretudo dos segmentos mais pobres, a saneamento básico e educação de qualidade; nada como o saneamento básico para elevar o padrão de saúde, produtividade e longevidade da maioria do povo brasileiro, hoje, à margem desse benefício, porque o dinheiro do BNDES, nos governos do PT, foi destinado a países bolivarianos; nada como o acesso a educação de qualidade para elevar o nível social e de renda das populações carentes do Brasil, na sociedade do conhecimento em que estamos imersos. A educação pública brasileira é a pior entre as 100 maiores economias. ??
 
Afinal de contas, a educação é o caminho mais curto entre a pobreza e a prosperidade; o atraso e o desenvolvimento! Já não é sem tempo que devemos deixar de investir tanta energia em experiências que, sabidamente, levam ao fracasso.
 
Joaci Goes, escritor, é presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia.
 
 

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