Deputados estaduais afirmam que, além de questões judiciais, o governador Rui Costa (PT) poderá encontrar problemas políticos para colocar em prática o plano de vender terrenos do estado em Salvador, como o antigo Centro de Convenções, o Parque de Exposições e uma área que compreende o Detran e a Rodoviária. O caso que até então causou maior repercussão entre parlamentares foi a eventual venda do Parque de Exposições.

A ideia de venda dos terrenos foi apresentada inicialmente há duas semanas pelo próprio chefe do Palácio de Ondina, como forma de custear a contrapartida estadual, orçada em R$ 1,5 bilhão, na construção da ponte Salvador-Itaparica.

“A gente tem que saber qual é a finalidade da venda de qualquer ativo. O Parque de Exposições sou contra [vender]. A agricultura e pecuária nunca foram prioridades no governo do PT, e essa é uma demonstração real. Sabemos da força do agronegócio, que tem sustentado o PIB da Bahia e do Brasil”, afirma o deputado Sandro Régis (DEM), líder da oposição. “Para isso, precisa ter voto na Assembleia. A oposição com certeza vai votar contra”, acrescenta.

Ex-secretário estadual de Agricultura e aliado do governador, o deputado Eduardo Salles (PP) acredita que haverá um “embate” entre a agropecuária baiana e o governo. “Ninguém pode vender um bem público sem passar pela Assembleia. Eu sou da base do governo, mas não concordo e estarei na primeira fila de qualquer ato contrário”, afirma.

O ex-titular da Seagri diz que, quando ocupava a pasta, no governo Wagner, chegou a ser debatida a possibilidade de implantar na área do parque um espaço multiuso, contra o qual associações do segmento não criariam nenhum empecilho. “Ninguém quer exclusividade. Agora, vender por si só…ninguém quer ser despejado para outro bairro”, afirma.

Centro de Convenções

O plano em relação aos terrenos foi reforçado nesta segunda-feira, 5, pelo governador. “Para valorizar os nossos imóveis, estamos fazendo uma primeira etapa, que é de convidar, publicizar nacionalmente, a venda dessas áreas. A PGE já deu o parecer final. Vamos publicar nos grandes jornais, convidando fundos de investimento, empreendedores, a conhecer a área e, eventualmente, daqui a alguns meses, fazer a venda”, declarou Rui, ao ser questionado especificamente sobre a operação envolvendo o Centro de Convenções, que desabou parcialmente há quatro anos.

“São áreas muito grandes. É diferente de vender um lote de pequeno terreno, onde o cara só vai construir um prédio e não precisa fazer grandes estudos para isso. Agora, se é uma área muito grande, onde vai ser montado um complexo, com prédio residencial, área comercial, enfim, numa área grande e cara, ele vai precisar de estudos, ter financiamento, articular fundos de investimento. Para alguém pagar R$ 200 milhões, R$ 400 milhões, numa área, precisa ter um estudo profundo do que vai fazer”, disse o chefe do Executivo baiano.

Segundo o governador, seria “fácil” a resolução de uma dívida trabalhista milionária da Bahiatursa com mais de 160 ex-funcionários. Em função disso, o Centro de Convenções foi penhorado pela Justiça. “Todo problema trabalhista o estado assume e resolve. Aquela área hoje já está transferida para o estado e será, sim, alienada”, reforçou Rui.

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