Do Jornal do Brasil (e Tha Guardian)

 

   LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Macaque in the trees
Lula e Julian Assange em montagem fotográfica (Foto: Brasil 247)

Em breve, os tribunais britânicos decidirão o destino do jornalista australiano Julian Assange, um homem que foi injustamente acusado de criminoso. Assange não cometeu nenhum crime. Ele é um campeão da causa da liberdade.

O Reino Unido dirá se aceita ou nega o pedido de extradição de Assange para os Estados Unidos, onde enfrentará 18 acusações movidas contra ele pelo governo daquele país. Se for extraditado, Assange, 49, pode ser julgado e condenado a até 175 anos de prisão, o equivalente a uma prisão perpétua.

Devemos evitar que esse ultraje aconteça. Apelo a todos aqueles comprometidos com a causa da liberdade de expressão, em todos os cantos do mundo, a se juntarem a mim em um esforço internacional para defender a inocência de Assange e exigir sua libertação imediata.

Esta é a primeira vez na história dos Estados Unidos que um jornalista é indiciado sob a Lei de Espionagem por publicar informações verdadeiras. O mundo sabe, porém, que Assange nunca espionou os EUA. O que ele fez foi publicar documentos que recebeu de Chelsea Manning, analista de inteligência do Exército dos EUA, que serviu no Iraque e no Afeganistão. Manning foi julgada, condenada e sentenciada a sete anos de prisão. Ela agora já cumpriu sua pena.

Todos nós sabemos por que o governo dos Estados Unidos quer se vingar de Assange. Em parceria com o New York Times, El País, Le Monde, The Guardian e Der Spiegel, Assange revelou as atrocidades e crimes de guerra cometidos pelos EUA durante as invasões do Iraque e Afeganistão e as torturas a que foram submetidos os prisioneiros de Guantánamo.

O mundo também se lembra do aterrorizante vídeo publicado por Assange, gravado de um helicóptero militar, mostrando soldados norte-americanos metralhando as ruas de Bagdá – aparentemente por puro prazer – e matando 12 civis desarmados, entre eles dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

Além de todos esses motivos, os brasileiros têm uma dívida adicional com Assange. Arquivos publicados em sua página do WikiLeaks revelaram conversas ocorridas em 2009 entre aqueles que estariam posteriormente no governo Temer – que em 2016 depôs o governo Dilma – e altos funcionários do Departamento de Estado sobre questões relacionadas à privatização do petróleo em águas profundas do Brasil depósitos.

Foi pela leitura dos documentos revelados por Assange que os brasileiros souberam da relação entre o homem que mais tarde seria ministro das Relações Exteriores no governo Temer, José Serra, e executivos das gigantes petrolíferas norte-americanas ExxonMobile e Chevron.

A acusação adotada pela administração Trump para justificar as alegações contra Assange – que ele tentou ajudar Manning a hackear computadores do governo – é perigosa e falsa.

É falsa porque o único esforço que Assange fez foi tentar proteger a identidade de sua fonte, o que é um direito e uma obrigação de todos os jornalistas. É perigoso porque aconselhar fontes sobre como evitar a prisão é algo que todo jornalista investigativo ético faz. Criminalizar isso é colocar em perigo jornalistas de todos os lugares.

Quando Jair Bolsonaro tentou acusar o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, por exemplo, no início deste ano, de denunciar a corrupção que levou à minha detenção e prisão ilegal, o governo brasileiro estava copiando essa nova e perigosa teoria usada pelos EUA contra Assange.

Todas as pessoas e instituições comprometidas com a liberdade de expressão, e não apenas a grande mídia com a qual o WikiLeaks compartilhou os segredos de Washington, agora têm uma tarefa essencial: exigir a libertação imediata de Assange.

Sabemos que as acusações contra Assange representam um atentado direto aos direitos garantidos pela primeira emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de imprensa e expressão. Sabemos que os tratados entre os EUA e o Reino Unido proíbem a extradição de pessoas acusadas de crimes políticos.

Os riscos de que Assange seja extraditado, no entanto, são reais. Ninguém que acredita na democracia pode permitir que alguém que deu uma contribuição tão importante à causa da liberdade seja punido por isso. Assange, repito, é um campeão da democracia e deve ser libertado imediatamente.

Publicado originalmente em ‘The Guardian’ | Tradução de César Locatelli para o Brasil 247

“Hoy se más”, Bienvenido Granda: este bolero fabuloso  vai dedicado a a Carlos Volney, amigo do peito deste  site blog e fã número um del “Bigote que canta”, aqui em plena forma e memorável interpretação em registro para a história do bolero. Viva!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Amanda Mars

Washington
O presidente dos EUA, Donald Trump, em um comício na Virgínia na sexta-feira passada.
O presidente dos EUA, Donald Trump, em um comício na Virgínia na sexta-feira passada.TOM BRENNER / Reuters

Donald Trump não pagou impostos federais em 10 dos últimos 15 anos. Além disso, só teve que desembolsar 750 dólares (o equivalente cerca de 4.170 reais) em 2016, ano em que foi eleito à presidência dos Estados Unidos, e o mesmo valor durante seu primeiro ano de mandato, segundo informações exclusivas publicadas neste domingo pelo The New York Times. O republicano, único presidente norte-americano da história recente que não tornou públicas suas informações fiscais, atravessa uma situação financeira complicada e enfrenta o vencimento de milhões de dólares em dívidas, segundo o Times, que afirma ter tido acesso a duas décadas de declarações tanto de Trump quanto de suas centenas de empresas. O jornal não dispõe das informações pessoais de 2018 e 2019.

Alan Garten, advogado da Trump Organization, o conglomerado empresarial do nova-iorquino, disse ao jornal que “a maioria, senão todos os fatos parecem imprecisos” e afirmou em um comunicado: “Durante a década passada, o presidente Trump pagou dezenas de milhões de dólares em impostos pessoais desde que anunciou sua candidatura em 2015”. Mesmo assim, o Times lembra que o assessor mistura impostos de renda com outros impostos federais e faz uso indevido do conceito de crédito fiscal.

A Informação é um material explosivo a poucas semanas das eleições presidenciais e a apenas dois dias do primeiro debate cara a cara com seu adversário democrata, Joe Biden. Além disso, a notícia foi publicada um dia depois de Trump ter iniciado uma batalha crucial pela Suprema Corte, com a nomeação da juíza conservadora Amy Coney Barrett para substituir a magistrada recém-falecida Ruth Bider Ginsburg.

As declarações de impostos de Trump, zelosamente protegidas pelo presidente, eram um dos documentos mais cobiçados pelo jornalismo norte-americano, assim como por procuradores e políticos democratas, ao menos desde que o empresário chegou à Casa Branca há quase quatro anos. Em uma entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente desdenhou a exclusiva, chamando-a de “notícia falsa”, e disse que paga seus impostos, sem dar mais detalhes.

Trump, um empresário imobiliário de Manhattan, sempre se gabou de ser, por um lado, muito bom nos negócios e, por outro, de ser suficientemente hábil para pagar poucos impostos, mas ao mesmo tempo tentou esconder todas essas informações, que tradicionalmente os candidatos presidenciais tonam públicas. O Ministério Público do Distrito de Manhattan vinha solicitando essas informações há algum tempo, assim como os democratas no Congresso, e o assunto acabou na Suprema Corte, que em julho tomou uma decisão e deu uma pá de cal e outra de areia.

A mais alta instância judicial estabeleceu que Trump não pode bloquear as informações financeiras e fiscais que o Ministério Público reclama, embora tenha devolvido a demanda do Congresso aos tribunais inferiores.

Um dos trunfos que Trump usou em sua corrida para a presidência foi se apresentar ao mundo como um empresário de sucesso, um empreendedor que se fez por conta própria, que se tinha conseguido construir um império também seria capaz de tirar o melhor de um país como os Estados Unidos. Algumas análises feitas na época já desmistificaram esse retrato, pois entrou no negócio pelas mãos do pai, já um construtor milionário, e seu patrimônio tampouco se multiplicou acima do que o próprio mercado fez ao longo dos anos.

O negócio da televisão

Agora, no arsenal de dados tornados públicos recentemente, aparece um Trump com uma maré ruim nos negócios, mas com muito melhor fortuna como showman de televisão, a julgar pelos emolumentos que obteve como apresentador de The Apprentice (O Aprendiz), o famoso reality show em que o hoje presidente, no papel de guru dos negócios, examinava os projetos de aspirantes a empresários. Tanto esse programa quanto os contratos e licenças relacionados renderam-lhe 427 milhões de dólares, que investiu em campos de golfe.

Por outro lado, nos próximos quatro anos vencerão mais de 300 milhões de dólares em empréstimos, pelos quais o próprio Trump é pessoalmente responsável.

O jornal detalha que toda a informação publicada neste domingo foi obtida por meio de fontes com acesso legal à mesma e que pôde comprovar a veracidade de partes dela ao compará-la com alguns documentos avulsos que vieram à luz nos últimos anos. Por exemplo, em outubro de 2016, pouco antes da eleição, o Times publicou que em 1995 Trump declarou prejuízos de 916 milhões de dólares com a ruína de seus cassinos em Atlantic City e outros negócios falidos, resultando em uma dedução de impostos de até 50 milhões de dólares de receita por ano “o que poderia ter permitido que ele evitasse legalmente o pagamento de qualquer imposto de renda federal durante os 18 anos seguintes”.

Conflito de interesses

Tendo como pano de fundo seus problemas financeiros, os documentos revelam, sempre segundo o Times, os conflitos de interesses gerados pela recusa de Trump em se desligar de seus negócios enquanto estiver na Casa Branca. Os documentos colocam pela primeira vez números concretos do fluxo de dinheiro de lobistas, empresários e autoridades estrangeiras para algumas de suas propriedades, transformando-se em bazares de influência. Este é o caso de seu hotel em Washington, que recebeu um pagamento de 397.602 dólares da Associação Evangélica Billy Graham por um evento em 2017.

Seu clube de golfe Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida, um dos negócios mais lucrativos de Trump, conhecido como Casa Branca do Sul, é uma fonte comum de reclamações de conflito de interesses. A renda de Mar-a-Lago cresceu consideravelmente desde que Trump anunciou sua corrida presidencial. O clube viu uma enxurrada de novos sócios desde 2015, o que lhe permitiu embolsar mais cinco milhões por ano, de acordo com o Times. Os novos cortesãos quase multiplicaram por 10 o que o clube entra pelas joias de entrada dos sócios, segundo o jornal, de 664 mil dólares em 2014 para seis milhões em 2016. Em 2017, Trump dobrou o valor que os novos sócios devem pagar pertencem ao clube.

Os documentos mostram também, segundo o Times, como ocorreram os maiores desembolsos feitos por diferentes empresas para a realização de eventos e congressos em Mar-a-Lago desde a presidência de Trump. O mesmo vale para outras propriedades Trump, como seu clube de golfe em Doral (Miami), que arrecadou pelo menos 7 milhões do Bank of America entre 2015 e 2016, ou 406.599 dólares da Câmara de Comércio dos Estados Unidos em 2018.

set
28
Posted on 28-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-09-2020
Damares sai em defesa de Milton Ribeiro
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, participa do I Seminário Nacional sobre Corrupção e Direitos Humanos, em Brasília.

Damares Alves usou o Twitter neste domingo para defender o ministro da Educação, Milton Ribeiro. Na semana passada, a PGR pediu ao STF a abertura de inquérito sobre o ministro por suposta prática de homofobia em razão de uma declaração em que ele atribui a homossexualidade de jovens a “famílias desajustadas”.

“Todos os ministros envolvidos com a pauta de valores são  absurdamente perseguidos e  atacados. Conheço o Ministro Milton. É uma pessoa do bem, da paz e do diálogo, além de ser um grande gestor  que tem como meta fazer grandes mudanças na educação brasileira. Força Ministro!”, afirmou Damares.

 “O Ministro Milton Ribeiro vem sendo atacado de forma vil. Ele tem explicado que suas palavras não foram compreendidas e ainda foram, de forma indevida,  retiradas do contexto e divulgadas  para confundir a sociedade. Alguém tinha dúvida que iriam fazer isto com ele?”
 

Ontem, o ministro da Educação afirmou em nota que sua fala foi retirada de contexto e que “jamais” incentivou “qualquer forma de discriminação em razão de orientação sexual”.

set
28
Posted on 28-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-09-2020
CB
Correio Braziliense
 

 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro quer a música “Micheque”, de autoria da banda de rock Detonautas, fora do ar. A canção faz alusão satírica aos depósitos de cheques no valor de R$ 89 mil que teriam sido feitos por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), investigado por um esquema de “rachadinha” e sua mulher. 

Na última quinta-feira (24/9), Michelle prestou queixa na Delegacia de Crimes Eletrônicos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) em São Paulo alegando ser vítima de ofensa, injúria, calúnia e difamação. O requerimento é para que a obra seja retirada das plataformas digitais e seja proibida de ser executada em lugares públicos ou privados.

A composição é do vocalista dos Detonautas, Tico Santa Cruz, e tem participação especial de Marcelo Adnet. No começo da canção, o humorista imita a voz do presidente em referência à frase dita por ele a um jornalista ao ser questionado sobre Michelle e os cheques. “Minha vontade é encher tua boca na porrada, tá?”. A letra gira em torno da questão e pergunta à primeira-dama a procedência do dinheiro.

Confira a íntegra da música:

“Hey, Michelle, conta aqui para nós
A grana que entrou na sua conta é do Queiroz?
Hey, capitão, como isso aconteceu?
Levante a mão pro alto e agradeça muito a Deus
Zero um é o Willy Wonka
Zero dois é o Bananinha
Zero três, o Tonho da Lua que comanda a turminha.
Passa o dia conspirando, arrumando confusão
Mas é tudo gente boa, gente de bom coração
Hey, Michelle, conta aqui para nós
A grana que entrou na sua conta é do Queiroz?
Hey, capitão, como isso aconteceu?
Levante a mão pro alto e agradeça muito a Deus
Se liga rapá, quem tu tá pensando que enganou?
Agora vem cá e mostra tudo que você pregou
Porque eu, sei lá, quando a gente passa alguém pra trás
E fica impunemente sempre se arriscando mais!
O risco é maior e a ganância toma tudo então
E quanto mais tem mais se sente o dono da situação
Só que comigo não. Nunca me enganou
Então responde logo como essa grana aí entrou”

Liberdade de expressão

O músico Tico Santa Cruz comentou a situação por meio das redes sociais neste sábado. Segundo ele, a música representa o “desejo legítimo de manifestação da liberdade de expressão”. O artista conclui justificando que a letra da música não constitui calúnia ou difamação.

set
28
Posted on 28-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-09-2020



 

Amarildo, NA

 

set
28

CORREIO BRAZILIENSE

Domingo foi de movimentação intensa nas principais praias do Rio de Janeiro, onde as medidas de restrição impostas em prol do combate à covid-19 foram mais uma vez ignoradas

AB
Agência Brasil
 

 (crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil)

(crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil)

As praias do Rio de Janeiro voltaram a registrar, neste domingo (27/9), grande movimentação de banhistas. Medidas de restrição impostas pela prefeitura e pelo governo estadual em decorrência da pandemia de covid-19 foram mais uma vez desrespeitadas.

Por volta de 14h30, quando os termômetros registravam 33 graus, aglomerações eram registradas nas praias de Copacabana e de Ipanema, na zona sul da cidade. Além disso, muitas pessoas passeavam, sem máscara de proteção, no calçadão de Copacabana.

O município do Rio de Janeiro vem implementando um Plano de Retomada das Atividades Econômicas. Atualmente, está em curso a fase. Nesse estágio, o banho de mar está permitido, mas os banhistas não podem ficar na areia.

Na calçada da orla, as pessoas estão autorizadas a circular, mas devem utilizar máscara. Um decreto do governo estadual também mantém, ao menos até 6 de outubro, a proibição de permanência nas praias e lagoas.

Apesar das restrições, tem sido comum nos dias de calor a instalação de barracas, o uso de cadeiras, a venda de bebida alcoólica pelos ambulantes, a falta de uso de máscaras e a prática de altinha. Tudo isso está proibido.

Também não está permitido estacionar na orla aos sábados, domingos e feriados. Há exceção apenas para moradores, usuários de vagas especiais e turistas hospedados em hotéis da região. A prefeitura informou ter removido 186 veículos ontem (26).

“A Guarda Municipal mantém as ações de patrulhamento e de fiscalização das infrações sanitárias em  toda a cidade, incluindo as praias que contam nos finais de semana com reforço de 81 agentes atuando na orla, além do efetivo regular de 190 guardas nas zonas sul e oeste da cidade. Os agentes fiscalizam as posturas municipais nas praias, o estacionamento irregular e orientam a população sobre a atual fase de flexibilização”, informa o município.

  • Arquivos

  • setembro 2020
    S T Q Q S S D
    « ago   out »
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    282930