Juliette Greco, durante um show em janeiro de 2013, em Paris
Juliette Greco, durante um show em janeiro de 2013, em Paris

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Thomas Samson/AFP

Morreu hoje aos 93 anos a grande estrela da música francesa Juliette Gréco, A morte da célebre intérprete de obras de Léo Ferré e Jacques Prévert foi confirmada pelos familiares à AFP.

“Juliette Gréco morreu perto dos seus familiares em sua amada casa em Ramatuelle (sudeste de França). Sua vida foi extraordinária.”

Ícone francês, amiga de poetas e músicos, encarnou como poucos artistas o espírito do bairro artístico parisiense de Saint-Germain-des-Prés.”Ela personificava a elegância e a liberdade (…) Seu rosto e sua voz continuarão a acompanhar nossas vidas”, escreveu o presidente francês, Emmnauel Macron.

Juliette Gréco nasceu em 7 de fevereiro de 1927 em Montpellier, no sul da França. Após a separação dos seus pais, cresceu com sua irmã Charlotte próximo a Burdeos (sudoeste do país) na casa dos seus avós.

Sua infância foi melancólica e ela encontrou na dança o seu refúgio. A guerra obrigou a família a fugir para uma propriedade no Périgord, que serviu de lugar passagem para a resistência aos invasores alemães.

Em 1943, sua mãe e sua irmã foram deportadas e ela própria foi presa na França por uma dezena de dias. Gréco contou essa parte da sua vida na autobiografia publicada em 1983, “Jujuba”.

“Escrever ‘Jujuba’ foi muito cruel para mim, muito violento. Eu gostava de escrever, mas não gostava de voltar o filme. Não queria que outra pessoa fizesse isso, eu escrevi, não tinha dúvidas.”

– Juliette Gréco

No final da guerra, com menos de 20 anos, seu ar rebelde, sua beleza e seus looks seduziram intelectuais e artistas de Saint-Germain-des-Prés em Paris, frequentado com Marguerite Duras, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e com noites animadas no mítico “Le Tabou”.

Raymond Queneau e Sartre assinam seus primeiros sucessos como cantora, “Si tu t’imagines …” e “La Rue des Blancs-Manteaux”. Com o tempo, ampliou seu repertório com Jacques Prévert, Boris Vian e Charles Aznavour.

A “menina bonita” se apresentou no Olympia, templo da música francesa, pela primeira vez em 1954, e se consagrou. Na década de 1960 a francesa interpreta os maiores nomes da época como Serge Gainsbourg, Léo Ferré, Jacques Brel e Georges Brassens.

Também atuou em “Bonjour tristesse” (1958), dirigido por Otto Preminger. Atuou na novela “Belphégor”, que a fez ter sucesso na telinha, em 1965.

Juliette Gréco sobreviveu ao tempo e à moda. Em 2015 fez uma grande turnê de despedida, na qual comemorou seus 89 anos no palco do Théâtre de la Ville, onde teve grande sucesso em 1968, com “Deshabillez-moi”.

*Com informações da AFP

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Comentários

Lucia Jacobina on 24 setembro, 2020 at 11:10 #

Outro lamentável desaparecimento de um ícone da canção francesa que encantou o mundo inteiro.
Quero lembrar aqui que Juliette trabalhou como atriz também com Jean Cocteau em dois de seus legendários filmes, Orfeu e Testamento de Orfeu, em 1949 e 1959, respectivamente.
O Orfeu de Cocteau tornou-se tão importante que Philip Glass nele se inspirou para escrever uma nova ópera, sobre o mesmo mito grego, já consagrado na poesia e na música. Essa versão de Glass foi montada no Brasil, ano passado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, dirigida por Filipe Hirsch.


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