Por G1 BA/ e BP


Morre aos 72 anos prefeito de João Dourado, Celso Loula, na Bahia — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Morre aos 72 anos prefeito de João Dourado, Celso Loula, na Bahia — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O prefeito da cidade de João Dourado – antiga região maior produtora de grãos do Nordeste  e ainda importante produtora de alimentos -, no norte da Bahia, morreu na madrugada desta quarta-feira (23), em um hospital de  Salvador, após sofrer um infarto em decorrência de uma pancreatite. Celso Loula Dourado tinha 72 anos e era pré-candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Por meio de nota, a prefeitura informou que ele sofreu um descompasso cardíaco e foi internado no Hospital Regional de Irecê e no início deste mês. Depois disso, o prefeito foi transferido para Salvador para fazer exames especializados. Ele deixa a esposa e cinco filhos.

Celso Loula Dourado era médico desde 1977 e foi empossado como prefeito em 2017. Quem assume a prefeitura é a presidente da Câmara de Vereadores, Rita de Cássia, esposa de Celso. O município de João Dourado perdeu o vice-prefeito em março de 2017.

O corpo do líder políticole será sepultado em João Dourado, no final da tarde desta quarta. O funeral será no Ginásio de Esportes Josebias Cardoso Dourado. Celso Loula Dourado era descendente do pioneiro neto do Coronel João José da Silva Dourado, fundador da cidade de João Dourado – que dá nome à cidade.

“Aeromoça”, Dick Farney: na voz e no coração do saudoso Dick, para viajar na saudade! No BP! Boa Quarta-Feira Primaveril!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

DO EL PAÍS

O país acaba de superar uma das previsões mais pessimistas feitas pelos sanitaristas da Casa Branca, sem ter ainda conseguido controlar a curva

 Antonia Laborde

Washington
Por trás de um vidro, Donald Mansfield acompanhou sua filha Julie Kjorsvik no dia do seu casamento.
Por trás de um vidro, Donald Mansfield acompanhou sua filha Julie Kjorsvik no dia do seu casamento.Julie Kjorsvik

Na última vez em que Julie Kjorsvik viu seu pai com vida, um biombo de vidro os separava. Donald Mansfield, de 77 anos, repousava numa cadeira de rodas quando o levaram até a porta do prédio. Do outro lado, sem que o avisassem, o esperavam seus três filhos e seus netos. A mais velha, filha de Julie, estava vestida de noiva. Acabava de se casar junto a um rio, na zona rural de Ellensburg, no Estado de Washington. A jovem escolheu o lugar em homenagem ao seu avô, um ex-marine que tinha passado mais tempo dentro d’água do que fora. Donald apoiava suas mãos no vidro, e seus familiares faziam o mesmo do outro lado, tentando enganar a mente e sentir que se tocavam. “Sorria, mas dava para ver que por dentro seu coração estava destroçado”, recorda Julie. Seu pai tinha sido internado em uma clínica geriátrica depois de sofrer uma parada cardíaca seguida de uma fratura de quadril. Meses depois, em julho, uma enfermeira da clínica deu positivo por coronavírus, o que resultou em um surto. Os Estados Unidos superaram nesta terça-feira as 200.000 mortes por covid-19.

Quando Donald Mansfield passou para o outro lado do vidro, estava dentro de um caixão coberto com a bandeira dos Estados Unidos. A política da clínica Prestige Post-Acute permite que duas pessoas próximas ao doente o visitem em seus últimos momentos. Mas Julie nunca recebeu esse convite, apesar de falar diariamente por telefone com o pessoal médico. Em 13 de julho lhe informaram que tinham feito o exame em Mansfield, e dois dias depois que havia dado positivo. Donald era um dos 52 casos no Prestige Post-Acute mencionados nos noticiários. No dia 21, Julie ligou quando seu pai estava descansando após lhe darem banho. “Disse-lhes que o deixassem desfrutar desse momento de paz. Que eu ligaria no dia seguinte”. Mas, de madrugada, o telefone que tocou foi o dela. “A enfermeira estava chorando. Tinha morrido”. Perguntaram se queria vê-lo. “’Como é que é?’, respondi. ‘Por que vou agora que está morto? Eu queria vê-lo vivo”.

Desde 6 de fevereiro, quando foi registrada a primeira vítima mortal oficial nos EUA, mais de 200.000 pessoas perderam a vida devido à covid-19. A cifra recém-alcançada supera o prognóstico mais pessimista feito pelo epidemiologista Anthony Fauci, principal sanitarista da Administração federal, no último dia de março. Depois a barreira subiu para 240.000. No mesmo dia em que Donald morreu, ocorreu um ponto de inflexão no país, e desde então, com algumas exceções, os EUA voltaram a somar 1.000 mortes diárias, uma cifra da qual o país havia se despedido nos primeiros dias de junho. Os novos casos se aproximam velozmente dos sete milhões, encabeçando o ranking mundial. Ambos os indicadores estão em alta em comparação à semana passada. Embora apenas 7% dos contágios tenham ocorrido em asilos para idosos, as mortes nesses estabelecimentos representam quase 40% do total. No Estado de Washington, na costa oeste, onde as clínicas geriátricas foram testemunhas de incessantes surtos, o percentual alcança 56%.

Memorial para homenagear as 200.000 vítimas mortas pela Covid-19 em Washington.
Memorial para homenagear as 200.000 vítimas mortas pela Covid-19 em Washington. MICHAEL REYNOLDS / EFE

Jessica Bliven é uma enfermeira intensivista em Las Vegas (Nevada). Filha única, mãe de três filhos, viveu durante 14 anos com sua mãe, Charlene Struck, que neste domingo faria 75 anos. “Nunca esquecerei em 2 de julho, quando acordei com o som da minha mãe tossindo na nossa sala de estar”. Jessica vivia com o temor de levar a doença a casa. Esclarece que foi extremamente cuidadosa quando trabalhava e que usava meticulosamente o equipamento de proteção pessoal. Primeiro se contagiou seu marido, que também saía de casa para trabalhar. “Estava muito preocupada com meu marido, mas proteger minha mãe era minha prioridade”. Isolou o cônjuge num quarto, mas dias depois sua mãe, que tivera problemas respiratórios em sua juventude e sofria de lúpus, começou a tossir.

Charlene não queria ir para o hospital porque temia não voltar mais. Jessica a manteve em casa por quase duas semanas; os sintomas não foram além da tosse. “Fiz tudo o que pude para mantê-la em casa, mas não importava o que eu fizesse, seu oxigênio continuou baixando”, recorda. Quando colocaram a sua mãe na ambulância, não se despediu. Estava certa de que deixariam que a visitasse, mas não foi assim. Naquela mesma noite, Charlene Struck sofreu uma parada cardíaca e teve que ser submetida a reanimação. Depois, a conectaram a um respirador. Jessica não conseguia dormir e teve ataques de pânico. Como enfermeira, sabia que era improvável que sua mãe sobrevivesse. Esperaram alguns dias para ver, sem sucesso, se seus sinais vitais melhoravam. “Então enfrentei a difícil decisão de desconectá-la do respirador”. Por sua profissão, permitiram-lhe estar no quarto no momento da morte.

“Não consigo parar de ficar repetindo os fatos na minha cabeça. Poderia ter feito algo para impedir? Poderia tê-la salvado? Simplesmente não sei”, reflete. Sua família ainda não conseguiu realizar uma cerimônia fúnebre que a ajude a processar a perda. As restrições aos funerais são uma das consequências mais dolorosas —talvez a mais— desta pandemia. Quase dois anos antes da morte de Donald Mansfield, Julie perdeu a mãe por um câncer fulminante. “A experiência das duas mortes é completamente diferente”, observa. Sua família pôde acompanhá-la a todo momento e sabiam qual era a situação. “Quando minha mãe morreu, foi um momento de paz. Mas a partida do meu pai, distante dos seus… Não houve nada de pacífico em sua morte”, lamenta. Seus restos foram cremados e pretendem, assim que se possível, jogá-los no rio.

set
23
Posted on 23-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-09-2020
Força, Fux, enfrente a tormenta
 

Como acabamos de publicar, o ministro Luiz Fux, novo presidente do Supremo Tribunal Federal, disse o seguinte no seu primeiro discurso à frente do Conselho Nacional de Justiça:

“O momento não é fácil. Mas o tempo é sábio e ele sabe que não pode separar o inseparável. Então, quem sabe os nossos destinos se cruzaram para que, juntos, possamos enfrentar este momento tormentoso, momento muito tormentoso, diria mesmo um mar de tormenta. Muito embora naveguemos hoje pela internet, estamos navegando também num mar tormentoso. Tenho a certeza que com o apoio de todos, sem qualquer demagogia, com a minha maneira simples de trabalhar, nós vamos fazer essa travessia, mas tenho certeza que nós estamos muito mais perto do porto do que do naufrágio. Que Deus nos ajude.”

 Fux não foi específico. Não se exclui que tenha feito referência a uma série de problemas, como a pandemia, o contexto político-econômico, a tentativa de desmonte da Lava Jato e a herança de Dias Toffoli, como mostrou a Crusoé nas últimas duas semanas, em reportagens que não repercutiram na imprensa, mas provavelmente calaram fundo nos tribunais superiores. Uma delas revelou o que Marcelo Odebrecht disse à Procuradoria-Geral da República sobre Toffoli; a outra mostrou que o inquérito do fim do mundo teve evidente desvio de finalidade, ao intimar investigados pela Lava Jato para averiguar se eles citaram ministros do STF em depoimentos à Operação. Para completar, a delação de Orlando Diniz. ex-presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, trouxe à tona nomes de ministros do STJ supostamente envolvidos em negociatas. É outro abacaxi para Fux

set
23
Posted on 23-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-09-2020

 

Credito: Ed Alves/CB/D.A. Press.
DO CORREIO BRAZILIENSE

A ala militar do governo aprovou com louvor o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22/09). Estão todos em êxtase, como diz um integrante do governo. “Foi tudo o que esperávamos. O presidente marcou posição, atacou críticos, sem ser agressivo”, acrescenta.

 

Todo o discurso do presidente passou pelo crivo dos ministros militares, que, bem antes da participação dele na Assembleia-Geral da ONU, já vinham expressando a posição que seria apresentada pelo chefe de governo. “Creiam, atingimos nosso objetivo. O que estão fazendo com a imagem do Brasil é um crime”, ressalta um militar.

Na avaliação dos ministros militares, quem apoia o governo entendeu perfeitamente os recados. “E temos certeza de que aqueles que têm dúvidas ante a campanha internacional contra o Brasil passaram, agora, a comungar das posições do presidente”, acrescenta o mesmo militar.

Os militares acreditam que o governo conseguirá, com a postura mais firme de Bolsonaro, “mostrando a verdade”, reverter a imagem horrível que o Brasil está no exterior. “Não temos dúvidas de que demos visibilidade à nossa posição. O discurso do presidente foi um contraponto importante”, diz um assessor do Planalto.

“Vai virar verdade”

 

O próprio presidente, em conversa com militares, disse acreditar que seu discurso na ONU teve o efeito esperado e abriu espaço para o governo se posicionar de forma mais enfática no exterior. A determinação é repetir o discurso sempre que possível, até “virar verdade”.

Dentro dessa estratégia, o Planalto escalou as representações do país no exterior para mapear toda a repercussão do discurso de Bolsonaro lá fora. Com base nas análises desses dados, serão definidas estratégias de comunicação para reverter o pessimismo com o Brasil.

“Estamos numa guerra de desinformação, e entramos nela certo de que podemos sair vencedores. A fala do presidente do presidente na ONU foi só o começo dessa batalha”, frisa o mesmo assessor.

set
23

DO CORREIO BRAZILIENSE

Em novo boletim médico, o Complexo Hospitalar dos Estivadores, onde Vanusa está internada, informou que a cantora encontra-se intubada e em ventilação mecânica

CB
Correio Braziliense
 

A cantora deu entrada no hospital em 7 de setembro em decorrência de problemas respiratórios - (crédito: Gal Oppido/Divulgação)

A cantora deu entrada no hospital em 7 de setembro em decorrência de problemas respiratórios – (crédito: Gal Oppido/Divulgação)

A cantora Vanusa, de 72 anos, precisou ser entubada na tarde desta terça-feira (22/9). Internada em uma UTI do Complexo Hospitalar dos Estivadores, em Santos, desde 12 de setembro, a artista apresentou, nas últimas seis horas, uma piora do quadro clínico. 

Em novo boletim médico, divulgado à imprensa pouco depois das 17h, o médico Luiz Otávio Lopes Abrantes, coordenador interino da UTI da unidade de saúde, informou que a paciente “apresentou, nas últimas seis horas, piora do quadro respiratório, encontrando-se intubada e em ventilação mecânica”. 

Até a última atualização médica, Vanusa não necessitava de suporte de oxigênio e permanecia na UTI em observação

Nas redes sociais, o filho da artista, Rafael Vannucci, publicou o informe médico desta terça e agradeceu aos profissionais da saúde e aos fãs o cuidado e o carinho com a mãe. “Nem sempre temos boas noticias, mas sempre temos fé em Deus e gratidão aos fãs e médicos que estão cuidando de minha mãe com tanto carinho”. 

set
23
Posted on 23-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-09-2020



 

Zé Dassilva, NO

 

DO EL PAÍS

Em seu discurso na 75ª Assembleia Geral da ONU, o presidente afirmou que seu governo é vítima de uma campanha de desinformação

Jair Bolsonaro discursa nesta terça na Assembleia Geral da ONU.
Jair Bolsonaro discursa nesta terça na Assembleia Geral da ONU.

Felipe Betim

São Paulo

Diante de uma Assembleia Geral que celebrava o 75º aniversário da ONU, com o lema “O futuro que queremos”, o presidente Jair Bolsonaro inaugurou nesta terça-feira a reunião de líderes —tradição reservada ao Brasil desde 1955— atacando com o mesmo estilo de sempre. Primeiro aos meios de comunicação, por supostamente “espalhar o pânico entre a população” ao longo da pandemia de coronavírus. Depois, sobre os incêndios na Amazônia e no Pantanal, Bolsonaro tentou mais uma vez livrar seu Governo das críticas por sua gestão no combate às queimadas ilegais, afirmando, assim como fizera em seu discurso do ano passado, que o Brasil é “vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação”. Sem mencionar as investigações sobre a ação criminosa de fazendeiros, tanto na Amazônia como no Pantanal, o presidente afirmou que “índios e caboclos” causam as queimadas para sua sobrevivência —novamente, sem citar fatores como a ação de garimpeiros e grileiros. Também fez referência às altas temperaturas no centro-oeste brasileiro como culpadas pelo desastre ambiental.

No discurso gravado para a abertura da reunião —adaptação imposta devido à crise sanitária—, Bolsonaro se valeu de uma leitura simplista sobre as responsabilidades do Brasil na preservação do meio ambiente para defender o avanço do agronegócio. Empresas do setor se juntaram recentemente a ONGs para apresentar propostas para coibir o desmatamento na Amazônia e evitar a fuga de investidores. O presidente, no entanto, destacou o agronegócio brasileiro como possuidor de uma das melhores licenças ambientais do mundo. As críticas fariam parte de uma suposta campanha de desinformação ambiental —uma retórica, aliás, que vários ministros estão adotando.

Essa retórica também vale para a Amazônia. Nela, Bolsonaro, defende que a riqueza local seria alvo da cobiça de instituições internacionais, aliada a grupos brasileiros “aproveitadores e impatrióticos”, que teriam como interesse prejudicar o Governo.

Sobre o Pantantal, a linha do discurso presidencial foi parecida. Ele não mencionou as investigações da Polícia Federal que identificaram o início de alguns focos em quatro fazendas, o que reforça as suspeitas de que os incêndios foram propositais. “Mantenho minha política de tolerância zero com o crime ambiental. (…) Lembro que a região Amazônica é maior que toda a Europa Ocidental. Daí a dificuldade em combater não só os focos de incêndio, mas também a extração ilegal de madeira e a biopirataria”, justificou.

Ainda na área ambiental, Bolsonaro também insinuou que a Venezuela foi a responsável pelo derramamento de óleo que atingiu a costa do Nordeste no ano passado, apesar de as investigações ainda não terem chegado a uma conclusão.

O presidente afirmou ainda que o Brasil utiliza uma parcela pequena de seu território para a agricultura, destacando que o país é líder em conservação de florestas tropicais, possui uma matriz energética mais limpa e diversificada do mundo e é responsável por apenas 3% da emissão de carbono no mundo, apesar de ser umas das dez maiores economias. “Garantimos segurança alimentar a um sexto da população mundial, mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para a pecuária e a agricultura —números que nenhum outro país possui”.

Reações

A fala de Bolsonaro gerou reação de organizações ligadas à defesa do meio ambiente e dos direitos humanos. “Ao arrasar a imagem internacional do Brasil como está arrasando nossos biomas, Bolsonaro prova que seu patriotismo sempre foi de fachada”, afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Acusou um conluio inexistente entre ONGs e potências estrangeiras contra o país, mas, ao negar a realidade e não apresentar nenhum plano para os problemas que enfrentamos, é Bolsonaro quem ameaça nossa economia. O Brasil pagará durante muito tempo a conta dessa irresponsabilidade. Temos um presidente que sabota o próprio país.”

Já Camila Asano, diretora de programas da Conectas Direitos Humanos, classificou o discurso do presidente de “desrespeitoso aos líderes mundiais”, uma vez “subestima a inteligência e nível de conhecimento e informação de seus pares sobre a crise no Brasil”. Para ela, o mandatário “negou a gravidade da destruição ambiental, culpou ‘caboclos e índios’ e atacou o trabalho de organizações ambientais”.

Gestão da pandemia de coronavírus

O presidente também buscou defender seu Governo das críticas pela gestão da pandemia do coronavírus, que no Brasil já matou mais de 137.000 pessoas. Para isso, terceirizou a responsabilidade aos 27 governadores pela gestão das medidas de isolamento e de “restrições de liberdade”, distorcendo a decisão do Supremo Tribunal Federal determinando que as medidas mais duras de distanciamento social deveriam ser respeitadas, fossem elas decretadas por governantes locais ou não. Ao longo da pandemia, Bolsonaro se posicionou de modo contrário às medidas de isolamento decretadas por Prefeituras e Governos estaduais com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da comunidade científica. “Ao presidente coube o envio de recursos e meios a todo o país”, destacou o presidente, que também promoveu ao longo da crise sanitária o uso da hidroxicloroquina, cujos efeitos contra a covid-19 não foram comprovados cientificamente.

E partiu para o ataque contra a imprensa: “Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema ‘fique em casa e a economia a gente vê depois’, quase trouxeram o caos social para o país”, discursou.

Em seguida, destacou as medidas econômicas de seu Governo. Ele citou o programa de renda básica emergencial, iniciativa do Congresso Nacional, para 65 milhões de pessoas, afirmando erroneamente que suas parcelas “somam aproximadamente 1.000 dólares” —o valor das parcelas individuais é de 600 reais, equivalente a cerca de 120 dólares pelo cambio atual. Também destacou o apoio para ações de saúde e socorro a pequenas e microempresas, assim como a compensação pela perda de arrecadação dos Estados e Municípios.

Política exterior e aceno à base religiosa

Bolsonaro também afirmou que o Brasil não é apenas “líder em preservação ambiental”, como também se destaca no campo humanitário e dos direitos humanos. E atacou mais uma vez o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, ao lembrar que o Brasil acolheu refugiados do país. “A Operação Acolhida, encabeçada pelo Ministério da Defesa, recebeu quase 400 mil venezuelanos, deslocados devido à grave crise político-econômica gerada pela ditadura bolivariana”.

O presidente terminou seu discurso “reafirmando” sua “solidariedade e apoio ao povo do Líbano pelas recentes adversidades sofridas”, assim como confirmando o apoio brasileiro aos acordos de paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein. “O Brasil saúda também o plano de paz e prosperidade lançado pelo presidente Donald Trump, com uma visão promissora para retomar o caminho da tão desejada solução do conflito israelense-palestino”.

Também acenou para sua base religiosa, ao fazer “um apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia”, destacando que “o Brasil é um país cristão e conservador, e tem na família sua base”.

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