set
22
Os dois modelos | Opinião | EL PAÍS Brasil

DO EL PAÍS

ARTIGO

Mario Vargas Llosa

Uma das teses mais controversas do liberalismo hoje é que, pela primeira vez na história da humanidade, os países podem escolher ser pobres ou prósperos. Nunca antes isso foi possível, porque a prosperidade dependia sempre da quantidade de recursos com que uma nação contava, de sua situação geográfica e de sua força militar. Mas no mundo globalizado de nosso tempo, se sabe perfeitamente quais são as políticas que criam emprego e fortalecem economicamente um país, e as que o empobrecem e afundam. Os casos antinômicos da Venezuela e da Alemanha podem nos servir de exemplo.
 
O caso da Venezuela é conhecido por todo mundo. Era um dos países mais ricos do planeta, porque, resumindo, se trata de um imenso lago de petróleo e outros minerais, que não faz muitos anos atraía uma imigração gigantesca, para a que sobrava trabalho, e o país progredia a passos de gigante, apesar da corrupção e das transgressões de seus Governos, o que permitiu ao comandante Chávez e seu “socialismo do século XXI” conquistar o poder em eleições que provavelmente foram livres. Nunca mais o seriam, evidentemente. Atualmente, a Venezuela morre de fome, se afoga na corrupção, e pelo menos cinco milhões de venezuelanos fugiram do país, a pé, com suas malas e filhos, para sobreviver. É óbvio que o socialismo, do passado e do presente, não garante a prosperidade, e sim a miséria, a curto e longo prazo. Por isso a Rússia e a China deixaram de ser socialistas e praticam, na verdade, um capitalismo de compadrio, com ampla margem na vida econômica à empresa privada e à concorrência, mas uma estrita rigidez na esfera política, onde o velho sistema autoritário persiste quase intacto.
A Alemanha, por outro lado, é um país que prospera a cada dia, e em todos os sentidos. Acabo de ir para lá, após sete meses, e voltei a ficar surpreso com o espetáculo de uma antiga Alemanha Oriental em plena efervescência, onde ressuscitam os velhos palácios e se constroem arranha-céus por todos os lados, onde ninguém parece morrer de fome, onde a democracia funciona em todos os níveis e onde a maioria da população parece contente com seu destino. O Governo de coalização, que Angela Merkel ainda preside, ainda que possua discrepâncias e conflitos em seu interior, parece firme e as próximas eleições não devem mudar, em seu conjunto e apesar do coronavírus, que ali parece perfeitamente controlado, esse período de estabilidade e progresso vivido pelo país.
 
O que fez a Alemanha para estar como está? Escolheu ser próspera, ou seja, estimulou a empresa privada, a concorrência e a poupança, integrou sua economia aos mercados mundiais, e o desenvolvimento econômico que vem experimentando por longos anos lhe permitiu ser muito independente ?o país mais rico da União Europeia, de fato? ainda que, em matéria de energia, ainda dependa da Rússia, com quem a une um tratado preocupante. Mas, no que concerne ao seu europeísmo, às suas políticas de imigração e ao seu respeito pela legalidade, não há nada a que criticar e sim muito o que imitar.
 
É fácil seguir o modelo alemão? Não é e, por isso, muitos países que quiseram ser prósperos não podem seguir seus passos. Qual é o problema? Basicamente, a corrupção. É o caso da América Latina, sem dúvida. A corrupção está tão profundamente arraigada em seus Governos, seus ministros e funcionários roubam tanto e o roubar é uma prática tão estendida em quase todos os Estados, que é de todo impossível estabelecer uma economia de mercado que funcione de verdade e exista uma concorrência séria e genuína em seu seio. Para que o modelo do progresso funcione é preciso acabar com a corrupção, ou reduzi-la a sua mínima expressão, e isso, para muitos Estados, é simplesmente impossível. Os que conseguiram, como Hong Kong, antes de voltar a ser parte da China, e Singapura, Coreia do Sul e Taiwan, progrediram sem travas e acabaram com a fome e o desemprego. E a democracia começou a funcionar neles (no caso de Singapura, de maneira mais limitada).
 
Por outro lado, a transição de uma economia sequestrada pela corrupção, onde os ministros, os chefes militares e os meros funcionários enchem os bolsos de maneira ilegal, não é nada fácil. É preciso apoio popular e jornalístico incessante, um poder judicial que aja de acordo com as leis, e governantes convencidos e corajosos que acreditem no modelo e o coloquem em prática sem vacilos e temores. E, principalmente, uma opinião pública que acredite nele e o respalde. Nem tudo se desenvolve no campo econômico. Pelo contrário; uma economia próspera não basta para criar magicamente uma sociedade onde a maioria da população se sinta confortável. É preciso ao mesmo tempo uma verdadeira igualdade de oportunidades que só uma educação pública de altíssimo nível pode oferecer, que garanta, em cada geração, um ponto de partida uniforme. Isso foi uma realidade na França antes do que em qualquer outra parte e o foi também ?surpreendam-se? na Argentina, desde o século passado, quando o modelo educativo criado às margens do rio da Prata pelos herdeiros de Sarmiento causava a admiração de todo o mundo.
 
O curioso é que, apesar do evidente, os ataques ao que o modelo bem-sucedido representa são a cada dia mais intensos e vêm sobretudo de países que tentaram aplicá-lo e não conseguiram por múltiplas razões, especialmente, por um setor público populista e demagógico que questiona o sistema por motivos supostamente morais. Lá, a maior dificuldade para que os países sigam o modelo que traz progresso é semântica: um problema de palavras. Assumir o “capitalismo”, requisito essencial, é simplesmente impossível para a maior parte dos países, pois a esquerda em geral, e a esquerda comunista em particular, hoje minúscula, conseguiu criar em torno a essa palavra ?capitalismo? uma sensação de injustiça e desigualdade, de patifaria e egoísmo, que a faz impronunciável, ou, melhor dizendo, a associa a um complexo de inferioridade que impede os que, secretamente, acreditam nela, de pronunciá-la e ainda menos promovê-la. Frequentemente, é o caso dos próprios empresários, que se envergonham do que são e representam.
 
Aí está um dos grandes paradoxos de nosso tempo: o sistema que trouxe modernidade, prosperidade e, principalmente, liberdade aos países mais adiantados do mundo, costuma ser impronunciável e nenhum líder político respeitado se atreveria no terceiro mundo a promover uma fórmula “capitalista” ?palavra maldita? a seus eleitores, pois o mais provável é que teria bem poucos. A esquerda conseguiu essa confusão mental que hoje impede, sobretudo nos países subdesenvolvidos, de aproveitar essa extraordinária possibilidade de arrancar a pobreza e o subdesenvolvimento de dezenas, ou centenas, de países da terra, que, paralisados pelo suposto socialismo que por fim traria a igualdade, a solidariedade e os bons rendimentos a sua população, se afundam cada vez mais, como a Venezuela, na corrupção e na miséria.
 
A possibilidade de escolher entre a pobreza e a riqueza está sempre ali, como possibilidade teórica. Mas, na prática, o socialismo continua triunfando sobre o capitalismo, pelo menos no papel e nos discursos. A este não lhe importa, porque tem a sensação ?a segurança? de que o futuro lhe pertence. Os outros se contentam, enquanto continuam empobrecendo, não com adquirir o progresso, e sim com o triunfo de uma só palavra.

“No me platiques más”, Lucho Gatica: Cinematográfica versão de um dos mais  belos e famosos boleros de sempre, em registro históricos dos anos 50. Maravilhoso em qualquer tempo. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Do Jornal do Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse em audiência no STF nesta segunda-feira que as queimadas, invasões e desmatamento prejudicam o agronegócio, enquanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criticou “narrativas” que tentam culpar Executivo por desmontes ou retrocessos na área ambiental.

A audiência pública virtual do Supremo Tribunal Federal visa debater a captação de recursos para Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo do Clima) e a forma de usá-los em políticas públicas voltadas à preservação ambiental no Brasil.

Para Salles, a ação que discute a captação de recursos perdeu o objeto porque o governo, segundo ele, já demonstrou o uso adequado dos recursos.

Maia, por sua vez, insistiu no que chamou de efeitos “deletérios” ao agronegócio por conta do atual quadro ambiental no Brasil

“Num país que pode expandir as fronteiras agropecuárias sem derrubar nenhuma árvore sequer, os efeitos sobre o agronegócio estão sendo e serão deletérios, afetando nossa credibilidade, competitividade e capacidade de coordenação no plano internacional”, disse Maia, ao comentar que uma política “negligente” tem impactos sistêmicos consideráveis.

Ao citar o aumento do desmatamento, das queimadas –o Pantanal acumulava na semana passada, mais de 15 mil focos de incêndio, o maior número para o período na série histórica do Inpe, iniciada em 1998– e das invasões de terras indígenas e áreas de proteção, Maia afirmou que o “Congresso vem lutando para assegurar dentro de suas atribuições condições orçamentárias e políticas para o pleno desenvolvimento de políticas ambientais”.

O deputado acrescentou ainda que não se pode “confiar nas chuvas ou na umidade da floresta”, e que a solução passa pela política.

Já o ministro do Meia Ambiente usou sua exposição para dizer que os recursos para o Fundo do Clima ficaram parados de 2019 e até há pouco, quando o governo definiu que serão usado em saneamento, uma carência que afeta 100 milhões de brasileiros.

Em meados de julho, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei do Novo Marco do Saneamento Básico, proposta que deve abrir caminho para maior presença da iniciativa privada no setor.

“Como reconhecido pelo presidente da Câmara dos Deputados (Rodrigo Maia), o plano de ação já foi feito, o comitê gestor já foi empossado e os recursos já foram encaminhados ao BNDES da ordem de 581 milhões de reais, maior encaminhamento de recursos bienal de todos os anos”, disse Salles.

O ministro contestou as críticas à atuação do governo e listou uma série de ações para o meio ambiente, argumentando que o desmonte de órgãos de fiscalização da área foi herdado de governos anteriores.

“O que mostra que os fatos nem sempre correspondem às versões que são trazidas. Quando a gente verifica fato a fato o que se vê é que aquela narrativa do desmonte, do retrocesso, da não preservação, do não cuidado não se sustenta. O que pode haver são visões diferentes de como fazê-lo”, destacou.

Argumentos semelhantes foram usado pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que negou omissão do governo e afirmou que os que alardeiam “falsos argumentos” trabalham para derrubar o presidente Jair Bolsonaro.

Para Heleno, há uma defasagem histórica de recursos para diversos setores, inclusive o ambiental, onde também há deficiências de pessoal e de infraestrutura. O chefe do GSI lembrou, ainda, que este governo tem apenas um ano e nove meses e sabe “perfeitamente o que deve ser feito”, listando como estratégia a busca dos que financiam o crime organizado florestal.

“O que entristece os que trabalham para solucionarem os problemas enfrentados é o fato de brasileiros natos se aliarem a estrangeiros que jamais puseram os pés na Amazônia, conhecem a Amazônia de fotografia, e as ONGs que têm por trás de potências estrangeiras para nos apresentarem ao mundo como vilões do desmatamento e aquecimento do planeta”, disse o ministro, alegando que nesse contexto são utilizados “argumentos falsos, números fabricados e manipulados, e acusações infundadas para prejudicar o Brasil”.

“Alardeiam publicamente que nada foi feito pelo governo federal, esse é um dos pontos focais desse problema. Não podemos admitir e incentivar que nações, entidades e personalidades estrangeiras, sem passado que lhes dê autoridade moral para nos criticar, tenham sucesso em seu objetivo principal, obviamente oculto, mas evidente, para os não inocentes, que é prejudicar o Brasil e derrubar o governo Bolsonaro.”(com agência Reuters)

set
22

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

Estátua de Ariano Suassuna é derrubada em ato de vandalismo no Recife

A Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) informou que enviará equipes ao local para verificar a extensão dos danos e analisar a maneira de reparar o equipamento

Dd
Diário de Pernambuco
 

 (crédito: Reprodução/TV Globo)

(crédito: Reprodução/TV Globo)

A estátua do escritor Ariano Suassuna, localizada na Rua da Aurora, área central do Recife, amanheceu depredada e caída, nesta segunda-feira (21/9), após ato de vandalismo. A escultura faz parte do Circuito da Poesia. A Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) informou que enviará equipes ao local para verificar a extensão dos danos e analisar a maneira de reparar o equipamento.

O Circuito conta com 16 esculturas nas ruas centrais da capital pernambucana. A estátua de Ariano tem 1,8 metros e foi incorporada ao Circuito em 2017. Atualmente, a escultura do escritor fica em frente ao Teatro Arraial Ariano Suassuna.

Segundo a Emlurb, a recuperação de monumentos, pontes e edificações públicas que sofreram ações de pichações e vandalismo tem um custo de R$ 2 milhões por ano. A autarquia informou que, com este valor, seria possível construir duas Upinhas, um escola padrão ou a implantação de 1.700 novos pontos de iluminação em LED.

set
22
Posted on 22-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-09-2020
Bolsonaro faz “limpa” de radicais no governo
 

Assessores de Jair Bolsonaro mandaram fazer uma “limpa” nos ministérios, afastando os apoiadores mais “radicais”.

A decisão de Damares Alves de demitir a mulher do blogueiro Oswaldo Eustáquio foi motivada por esse fato, segundo o Estadão.

 Em depoimento à PF, o blogueiro – que é investigado e já foi até preso – disse que “fez parte do governo executivo federal de transição do atual presidente da República até 31 de janeiro de 2019”.

O Palácio do Planalto não confirmou nem desmentiu sua versão.

set
22
Posted on 22-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-09-2020


 

Duke, no jornal mineiro

 

set
22
Posted on 22-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-09-2020

DO CORREIO BRAZILIENSE

Governo pede investigação e suspensão de filme da Netflix

O filme francês é uma produção original da Netflix e tem classificação indicativa de 16 anos

AB
Agência Brasil
 

 (crédito: Divulgação/Ecodados)

(crédito: Divulgação/Ecodados)

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos pediu a suspensão da veiculação do filme Cuties pela Netflix e investigação sobre sua distribuição no Brasil, por possuir “conteúdo pornográfico envolvendo crianças”.

O pedido foi encaminhado à coordenação da Comissão Permanente da Infância e Juventude (Copeij), colegiado integrado por procuradores e promotores de Justiça de todos os estados e distrito Federal que atuam diretamente na área da infância e juventude.

O filme francês é uma produção original da Netflix e tem classificação indicativa de 16 anos.

De acordo com o ministério, no ofício assinado pela Secretaria Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, o secretário Maurício Cunha destacou que a produção, protagonizada por uma menina de 11 anos, possui, como pano de fundo, o fascínio pela dança, a busca pela liberdade, o desenvolvimento da identidade sexual e o conflito em relação à tradição religiosa de sua família.

“No entanto, de acordo com Cunha, o filme apresenta pornografia infantil e múltiplas cenas com foco nas partes íntimas das meninas enquanto reproduzem movimentos eróticos durante a dança, se contorcem e simulam práticas sexuais. O roteiro, segundo ele, pode levar à normalização da hipersexualidade das crianças em produções artísticas”, informou, em comunicado.

Além da suspensão do filme no país, o governo pede a apuração da responsabilidade pela oferta e distribuição do conteúdo, destacando que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê como crime o ato de “vender ou expor à venda, vídeo ou outro registro que contenha cena pornográfica envolvendo criança e adolescente, punível com reclusão de 4 a 8 anos e multa”.

A Agência Brasil entrou em contato com a Netflix e aguarda retorno.

  • Arquivos

  • setembro 2020
    S T Q Q S S D
    « ago   out »
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    282930