“Isto é Brasil… e Itália”, João Gilberto: João, ao vivo, no Umbria Jazz Festival no YouTube. Inimitável! Até hoje!

Boa Semana! Com Ele!

(Gilson Nogueira)

DO EL PAÍS

Ela é a grande favorita para as próximas eleições do país por sua gestão eficaz da pandemia de covid-19 e por seu carisma nas redes sociais, onde é capaz de rir de si mesma

Jacinda Ardern em uma conferência em Wellington, Nova Zelândia, em janeiro.
Jacinda Ardern em uma conferência em Wellington, Nova Zelândia, em janeiro.Nick Perry / AP
 Anna Jover

Quando sua filha Neve fez dois anos, em junho, Jacinda Ardern assou um bolo em forma de piano que foi muito mais difícil de preparar do que ela esperava. A primeira-ministra da Nova Zelândia publicou uma selfie ao lado de sua criação em sua conta no Instagram, com o seguinte comentário: “Tem uma lata de lentilhas escorando esta coisa por trás. Feliz aniversário, Neve! Obrigada por ignorar todas as imperfeições da vida e ser uma alegria”. Desde que assumiu o cargo, em 2017, Ardern tem compartilhado com os neozelandeses os momentos marcantes e as dificuldades de combinar o poder com a maternidade, e já agradeceu várias vezes em público o trabalho feito por seu companheiro, o jornalista Clarke Gayford, que é o principal cuidador de Neve. Em uma entrevista à imprensa local, Gayford confessou que a chegada da covid-19 foi um desafio para a família, com dias em que Ardern chegava em casa após a meia-noite para depois se levantar às cinco da manhã.

A capacidade de mostrar seu lado mais humano é um dos atributos por trás da alta popularidade da primeira-ministra, com a qual o Partido Trabalhista espera ganhar as eleições de 17 de outubro. A deputada Priyanca Radhakrishnan explica ao EL PAÍS por que acredita que sua chefa desperta tanta admiração: “Já tivemos três primeiras-ministras na Nova Zelândia, mas Jacinda faz política de forma diferente. Ela não ataca o adversário, ela joga limpo e combina empatia com força. As pessoas se concentram em sua bondade porque é o aspecto novo, mas ela também é uma líder que toma decisões com garra”.

  • Jacinda Stardust, una ilustración de Todd Atticus.

Jacinda Ardern não tem problemas em mostrar suas fraquezas tanto no âmbito pessoal como no político. Quando o coronavírus voltou à Nova Zelândia em meados de agosto, a primeira-ministra confessou ter ficado “abatida”, depois de celebrar mais de 100 dias sem nenhum caso de covid-19. Ela disse à imprensa que se sentiu melhor depois de falar por telefone com a chanceler (chefa de Governo) alemã, Angela Merkel. Apesar de terem ideologias políticas distintas, as duas líderes têm uma relação calorosa —tanto que, quando um jornalista perguntou “que líder mundial visitaria primeiro”, Ardern respondeu: “Acho que não vou surpreendê-lo, é Merkel”.

O governo neozelandês foi reconhecido internacionalmente por sua estratégia de contenção da pandemia, que causou apenas 25 mortes em um país de quase cinco milhões de habitantes. A deputada Radhakrishnan explica como a primeira-ministra coloca a vida dos neozelandeses acima de qualquer outra consideração. “Não é fácil confinar uma cidade, uma região ou um país porque o impacto econômico é significativo, todos nós sabemos disso. Mas para nós, escolher entre as pessoas e a economia é uma dicotomia falsa, porque se você perde as pessoas, perde a economia”, afirma a deputada.

A região de Auckland, a mais populosa do país, continua em nível de alerta elevado pela covid-19, com os eventos públicos da campanha eleitoral cancelados até novo aviso. É por isso que as redes sociais se transformaram em campo de batalha para os líderes políticos. Jacinda Ardern aparece quase diariamente em suas contas no Facebook e no Instagram, e combina postagens formais, nas quais promove suas promessas eleitorais, com conexões muito mais informais, a partir de sua casa e vestida com um moletom, com introduções como esta: “Saudações a todos. Estou diante de uma parede vazia porque é o único lugar da minha casa que não está desarrumado”.

A conta de Ardern no Facebook tem 1,7 milhão de seguidores, enquanto a de sua rival, a líder da oposição Judith Collins, tem 58.000. Ardern e seu companheiro não publicam fotos de sua filha, mas compartilham muitos detalhes de sua vida privada, como quando ele teve de pintar o cabelo dela (durante o confinamento), ou seu fracasso quando tentaram desfraldar a menina muito cedo. A líder trabalhista virou sensação na Internet graças à sua naturalidade diante da câmera, sua simpatia e sua capacidade de rir de si mesma, a tal ponto que os veículos de comunicação a chamam de “maior influencer política do país” e “primeira-ministra do Facebook”.

Embora sirva de inspiração para mulheres na Nova Zelândia e no resto do mundo, a primeira-ministra admitiu em uma entrevista que seu desejo é “normalizar” a figura da mãe trabalhadora. Quando uma menina se aproximou dela durante um evento de campanha, agarrando com as duas mãos um conto ilustrado sobre sua vida, Ardern parou por alguns minutos para conversar com ela e escreveu esta dedicatória no livro: “As garotas podem fazer qualquer coisa”.

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Macaque in the trees
A juíza Ruth Bader Ginsburg, a RBG, em foto oficial (Foto: Arquivo)

Uma feroz batalha política pelo futuro da Suprema Corte dos Estados Unidos tomou forma neste sábado, com o presidente Donald Trump dizendo que indicará logo um sucessor para a juíza Ruth Bader Ginsburg, o que colocaria a Corte ainda mais à direita.

“Fomos colocados nesta posição de poder e importância para tomar decisões para as pessoas que nos orgulharam com seu voto, e a escolha dos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos é considerada como uma das mais importantes”, disse Trump, pelo Twitter. “Temos esta obrigação, sem demora!”.

Ginsburg, a mais importante juíza progressista da Corte, morreu na noite de sexta-feira, aos 87 anos, de complicações de um câncer pancreático, após 27 anos no cargo. Sua morte dá a Trump, em busca da reeleição em 3 de novembro, a chance de expandir a maioria conservadora na corte para 6 x 3, em um momento de grande divisão política nos EUA.

Os democratas ainda estão furiosos com a recusa do Senado republicano de se mexer para aprovar o indicado de Barack Obama à Suprema Corte, Merrick Garland, em 2016, depois da morte do conservador Antonin Scalia, 10 meses antes daquela eleição. O líder da maioria do Senado, Mitch McConnell disse na ocasião que o Senado não deveria agir para aprovar um indicado durante um ano eleitoral, posição que ele reverteu depois.

Apesar da raiva, os democratas têm pouca chance de bloquear a escolha de Trump. Os republicanos controlam 53 assentos dos 100 do Senado, e o líder da maioria, que tem tratado as escolhas de juízes federais de Trump como prioridade, disse que o congresso votaria pela aprovação de qualquer indicado de Trump.

O próprio Obama pediu neste sábado que os republicanos do Senado honrem o que ele chamou de princípio inventado de 2016.

“Um princípio básico da lei – e da justiça cotidiana – é aplicarmos as regras com consistência, e não com base no que é conveniente ou vantajoso no momento”, disse Obama em comunicado.

Mesmo antes da morte de Ginsburg, Trump havia tornado público uma lista de potenciais indicados.

Há anos, ativistas conservadores têm buscado votos suficientes na Suprema Corte para reverter a decisão Roe v. Wade, de 1973, que legalizou o aborto nacionalmente. Na campanha de 2016, Trump prometeu indicar juízes que reverteriam aquela decisão. Mas a corte, em julho, mesmo com maioria conservadora, derrubou uma restritiva lei de aborto de Louisiana, por 5 x 4.

Os dois juízes já indicados por Trump foram Neil Gorsuch, em 2017, e Brett Kavanaugh, em 2018. O processo de confirmação de Kavanaugh foi especialmente acalorado. Ele recebeu acusações de agressão sexual de uma professora de uma universidade da Califórnia, Christine Blasey Ford, em 1982, quando ambos estavam no colegial, em Maryland. Kavanaugh negou essas acusações e foi confirmado por uma pequena margem.

Os republicanos correm o risco de os progressistas abraçarem propostas mais radicais, caso Trump consiga substituir Ginsburg e os democratas vençam em novembro, com alguns ativistas na esquerda sugerindo, mesmo antes da morte de Ginsburg, que o número de juízes deve ser elevado para contra-atacar os indicados de Trump.

A votação para confirmar o indicado também coloca mais pressão em senadoras republicanas em disputas altamente competitivas, incluindo Susan Collins, em Maine, e Martha McSally, no Arizona, em um momento em que os democratas buscam uma chance de recuperar o controle da câmara. A senadora Lisa Murkowski, do Alaska, pode ter um papel fundamental.

Muitos que acompanham a corte esperam que Trump tente substituir Ginsburg com uma mulher. Uma possibilidade da lista de Trump seria Amy Coney Barrett, juíza conservadora baseada na 7ª Corte de Apelações de Chicago, que foi considerada em 2018 antes de Trump escolher Kavanaugh.(com agência Reuters)

set
21
DO SITE O ANTAGONISTA

Um bom índice para Trump

Um bom índice para Trump
 

Nas últimas três décadas, todos os presidentes americanos que conseguiram se reeleger tinham uma aprovação popular superior a 48% no mês anterior à eleição, diz a Crusoé.

Em outubro de 1996, por exemplo, Bill Clinton tinha 54% de aprovação. Em 2004, George W.Bush tinha 48%. Em 2012, Barack Obama tinha 52%.

Atualmente, Donald Trump está com uma aprovação de 44% na média do site Real Clear Politics.

Para o cientista político Adriano Cerqueira, do Ibmec em Belo Horizonte, o índice é “bom para o presidente”. “Se ele estivesse com a popularidade de 2017, com menos de 40%, suas chances de vitória seriam muito pequenas”.

set
21
Posted on 21-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-09-2020

DO CORREIO BRAZILIENSE

No início da gestão na Presidência do STF, Fux quer debater prisão em segunda instância, defendida pelos procuradores da Lava-Jato. Depoimento de Bolsonaro na PF está na pauta

RS
Renato Souza
postado em 20/09/2020 06:02
 

 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Com apenas duas semanas no comando da mais alta Corte do país, o ministro Luiz Fux deixa claro que haverá uma mudança profunda na maneira de gerir o Supremo Tribunal Federal (STF). Seu primeiro ato foi restringir uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que orientava magistrados de todo o país a afrouxar as penas de detentos em razão da pandemia de coronavírus, que se espalha pelo mundo, inclusive entre o sistema penitenciário brasileiro. A restrição foi aplicada a autores de crimes hediondos, ou seja, contra a vida, e para envolvidos em corrupção, que praticaram atos previstos na Lei das Organizações Criminosas, como lavagem de dinheiro. A conduta do presidente do Supremo mostra semelhanças com ideais e perfis de integrantes da Operação Lava-Jato.

Ainda em seu discurso de posse, Fux afirmou que não aceitaria retrocessos no combate à corrupção, e citou a Lava-Jato. A decisão de restringir a liberação de presos não deve ser a primeira alinhada com os interesses de integrantes da operação. O magistrado demonstrou que a prisão em segunda instância, que atualmente está proibida por decisão do plenário, pode ser revista. Na época do julgamento do tema pelo Supremo, procuradores pró-Lava-Jato em diversos estados criticaram a derrubada do dispositivo, alegando que poderia representar o fim das ações contra crimes de colarinho-branco.

A possibilidade de retorno ao debate sobre a prisão antes do fim do processo levantou reações entre os integrantes do plenário. O ministro Marco Aurélio Mello, que, na época, era relator das ações que questionavam a prisão em segundo grau de Justiça, enviou ofício a Fux, destacando que houve ampla base jurídica para a decisão do plenário, que, na ocasião, seguiu, por maioria, o voto proferido por ele. “Faço-o por dever de ofício, porquanto autor do voto condutor”, escreveu Mello no documento encaminhado ao colega. Fux não respondeu formalmente sobre o tema.

O cientista político Leonardo Queiroz Leite, doutor em Administração Pública e Governo pela Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que, embora tenha começado a gestão com assuntos controversos, a posição de Fux não representa uma surpresa. “A postura do ministro Fux é claríssima. Ele é muito alinhado a essa corrente, chamada de lavajatista. A prisão em segunda instância foi um dos pilares que viabilizou o sucesso da Lava-Jato. A posição dele, como presidente do STF, pode influenciar, especialmente, pelo poder de controlar a pauta dos julgamentos. Se o presidente entender que se criou um movimento favorável para derrubar a decisão atual, ele pode colocar na agenda e fazer valer esse poder de controlar o julgamento. Vai haver mais embate e discussão sobre esse tema, que não é simples”, destaca.

O mandato de Fux começou em meio a um capítulo marcante da história. Ele ascende ao cargo em meio à maior pandemia da história, que também cria desafios jurídicos e sociais. A cerimônia de posse, no dia 10 deste mês, tornou-se um foco de disseminação do coronavírus no Poder Judiciário. Além dele, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e outros três magistrados testaram positivo após participar do evento. Partiu dele a decisão de realizar um ato presencial.

Interferência

Antes de completar o primeiro mês no cargo, Fux tem uma grande saia justa para resolver. Na semana passada, o ministro Marco Aurélio Mello atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e suspendeu a tramitação de um inquérito que corre na Corte contra o presidente Jair Bolsonaro. Ele é suspeito de tentar interferir na Polícia Federal para beneficiar parentes e amigos. Ao decidir sobre o caso, Marco Aurélio também revisou a decisão anterior do decano, Celso de Mello, que determinou que a oitiva do chefe do Executivo fosse realizada presencialmente.

Bolsonaro alega que tem direito, em razão do cargo, a prestar esclarecimentos por escrito, como ocorreu no caso do ex-presidente Michel Temer. Marco Aurélio mandou o assunto para ser decidido em plenário, sobre a forma de coleta do depoimento. No entanto, Celso de Mello deve retornar dia 26 e, caso a ação seja pautada antes do retorno dele, será criado um clima de acirramento no tribunal. Interlocutores do presidente do Supremo afirmam que ele deve ouvir o colega informalmente, antes que a licença médica termine.

set
21
Posted on 21-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-09-2020


 

 

Sinovaldo, NO

 

DO EL PAÍS

Somente 24 horas após a morte da magistrada progressista Ruth Bader Ginsburg, o presidente anuncia nomeação, transformada em uma batalha de cálculo eleitoral, para a próxima semana

Centenas de pessoas se concentram em frente ao Supremo Tribunal em homenagem a Ruth Bader Ginsburg, no sábado.
Centenas de pessoas se concentram em frente ao Supremo Tribunal em homenagem a Ruth Bader Ginsburg, no sábado.José Luis Magana / AFP
 Pablo Ximénez de Sandoval

|Pablo Guimón

 Los Angeles / Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou somente 24 horas depois da morte da magistrada Ruth Bader Ginsburg que na semana que vem irá propor um novo nome à Suprema Corte do país e que apostará por “uma mulher”. O fez durante um comício diante de seus seguidores na Carolina do Norte, apoiado por bases eleitorais que veem a possibilidade de escorar o último dique judicial do país à direita durante décadas. O anúncio de Trump é o primeiro movimento das peças em uma batalha fenomenal que será disputada nos 45 dias que restam para eleições que, já antes dessa situação, os dois partido viam como existenciais.

A postura de Trump no dia anterior, quando elogiou a juíza Ginsburg, com semblante tristonho e em termos respeitosos, durou exatamente um dia. Na manhã de sábado, afastou qualquer dúvida sobre suas intenções ao pedir pelo Twitter aos republicanos do Senado que iniciem “sem demora” o processo de substituição da magistrada progressista por um magistrado conservador. Ele precisa dar o primeiro passo. E de tarde, em um comício de campanha, anunciou que esse nome será divulgado na próxima semana. Seus seguidores o receberam aos gritos de: “Fill that seat!” (preencha essa vaga!). A campanha de Trump começou a vender camisas com esse bordão.

Trump já vinha jogando com o trunfo de uma nova nomeação ao Supremo para animar o eleitor republicano nessas eleições. Em 9 de novembro, apresentou uma lista com 20 candidatos entre os quais estaria sua escolha no caso de conseguir a reeleição. Ao anunciar que será uma mulher, essa lista fica significativamente reduzida. As especulações se centravam em Amy Coney Barrett, uma juíza conservadora de 48 anos que atualmente trabalha em um tribunal de apelações, cargo para o qual foi nomeada por Trump. Barrett escreveu contra o aborto tal como está legalizado atualmente no país.

A política dos Estados Unidos vive submersa em um turbilhão de hipóteses, especulações e interpretações desde a tarde de sexta-feira. O nome da candidata é somente uma delas. De repente, uma eleição que era sobre o repúdio a Trump passa a ser também sobre o futuro da Suprema Corte. Tudo faz parte do cálculo eleitoral. Na prática, o processo está nas mãos de poucas pessoas. O primeiro é Trump, e já deixou claro que irá cumprir sua parte.

O segundo, mas mais importante do que o primeiro, é Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, o órgão que deve confirmar a indicação. Dele depende que se vote ou não a candidata de Trump antes das eleições, ou depois, ou nunca. Em sua primeira reação à morte de Ginsburg, McConnell já dissipou as dúvidas nesse sentido e disse que o Senado “votará o indicado do presidente Trump”. Mas não disse quando.

McConnell tem em suas mãos as decisões que podem permitir aos republicanos tirar o maior proveito eleitoral possível da indicação ao Supremo. Ele foi o autor da inaudita manobra parlamentar pela qual os republicanos se negaram a votar o homem proposto por Barack Obama em 2016. Deixou a vaga aberta durante 10 meses com o argumento de que era ano eleitoral e os eleitores deveriam se pronunciar. Essa estratégia foi fundamental para unificar o voto conservador ao redor de um candidato como Trump, somente pela esperança de poder nomear um magistrado conservador no Supremo. Já conseguiram dois e tentarão o terceiro. O novo cálculo eleitoral de McConnell e dos republicanos será conhecido nos próximos dias. Uma confirmação apressada pode aumentar a sensação de atropelo e aumentar ainda mais a mobilização democrata.

Depois de McConnell e Trump, estão os senadores republicanos que devem votar a confirmação da nomeação. Os republicanos têm maioria de 53 senadores contra 47. A nomeação deve vir por maioria simples. A oposição de quatro senadores republicanos faria a votação fracassar. Por isso, da mesma forma que todos os EUA seguem o Twitter de McConnell, também o fazem com alguns senadores fundamentais, especialmente os que disputarão a reeleição em 3 de novembro.

Entre eles, a senadora Susan Collins, do Maine, anunciou no sábado sua posição: se deve votar o candidato proposto pelo candidato que sair das urnas em 3 de novembro. Ou seja, não votaria pela candidata de Trump. Collins é considerada moderada e seu cargo está em perigo. Lisa Murkowski, republicana pelo Alasca e também moderada, disse em uma entrevista horas antes da notícia da morte de Ginsburg que se oporia a uma confirmação tão próxima das eleições. O senador Chuck Grassley, de Iowa, também disse recentemente que se oporia. Mas esses dois não se pronunciam desde sexta-feira.

Há 23 senadores republicanos com a cadeira em jogo nas eleições, entre eles McConnell e o presidente do Comitê de Justiça, Lindsey Graham, que seria o encarregado de organizar a sabatina da candidata. Desde sexta-feira, todas as suas disputas eleitorais dependem de sua posição sobre votar ou não a proposta de Trump, do efeito que isso terá em seus eleitores e o efeito que terá nos democratas.

O último ator nesse furacão político é o partido democrata. Na prática, pouco podem fazer se o procedimento seguir adiante. Se Trump, McConnell e os republicanos decidirem cobrir a vaga, só podem protestar. Mesmo vencendo as eleições para presidente e recuperando a maioria no Senado, até janeiro não tomariam posse, de modo que também não poderiam se opor. O que de fato podem fazer, como os republicanos, é utilizar ao máximo a situação criada para mobilizar o voto. “O que está no voto é o Supremo Tribunal”, tuitou Biden no sábado. “O resultado impactará tudo, da saúde aos direitos civis, e afetará as gerações futuras”. A morte de Ginsburg foi uma crua lembrança do que está em jogo.

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