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Postado em 19-09-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 19-09-2020 00:47

DO CORREIO BRAZILIENSE

Defensores acusam juiz da Lava-Jato no Rio de perseguição com fins políticos, além de supostamente violar a Lei Orgânica da Magistratura

RS
Renato Souza
 

 (crédito: José Cruz/Agência Brasil - 24/8/17)

(crédito: José Cruz/Agência Brasil – 24/8/17)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu o prazo de cinco dias para o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, explicar a autorização concedida para que fosse deflagrada a operação E$quema S, que mirou os advogados Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Ana Tereza Basilio, que atua para Wilson Witzel e Frederick Wassef — que prestou serviços para a família do presidente Jair Bolsonaro.

No dia 9 de setembro, mesmo dia em que a operação foi deflagrada, Bretas aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público e tornou Zanin e Tereza réus no âmbito das investigações. Os defensores são acusados de criar uma organização criminosa para desviar recursos de empresas do Sistema S, que abrangem o Sesi, Senac e Senai.

As irregularidades, de acordo com o Ministério Público, teriam gerado prejuízos de R$ 151 milhões. Os investigadores afirmam que escritórios de advocacia eram contratados pela Fecomércio, de maneira que se evitava a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) e do conselho fiscal do grupo empresarial.

Sistema S

O Sistema S recebe recursos pagos por entidades sindicais patronais, embora não seja entidade do setor público. Os advogados foram delatados por Orlando Diniz, ex-presidente do Sistema S no Rio. A denúncia diz que apesar de ter caixa menor, a Fecomércio, que integra as entidades do grupo, era utilizada para firmar os contratos, para dificultar a fiscalização. Entre 2012 e 2013, três contratos firmados com a Fecomércio por Roberto Teixeira e Cristiano Zanin geraram o recebimento de R$ 9,5 milhões pelos advogados, de acordo com as investigações.

Os advogados acusam Bretas de perseguição política. Zanin afirma que revelou falhas e ilegalidade da Lava-Jato, conduzida por Bretas no Rio e, por isso, estaria sendo alvo de retaliação. O defensor do ex-presidente Lula afirma ter comprovação de todos os serviços prestados.

O esquema criminoso seria liderado por Orlando Santos Diniz e integrado por Marcelo Almeida, Roberto Teixeira, Cristiano Zanin, Fernando Hargreaves, Vladimir Spíndola, Ana Tereza Basílio, José Roberto Sampaio, Eduardo Martins, Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo.

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