LEITORES E OUVINTES DO BP, AMIGOS DESTA REDE SOCIAL E A QUEM MAIS INTERESSAR POSSA:

Partilho com leitores e ouvintes do site blog Bahia em Pauta

 o e-mail que este editor recebeu  do jornalista Ricardo Noblat (editor do Blog do Noblat), por volta das 23h deste domingo, 13/9:  “Olhe aí seu artigo entre as 10 coisas mais lidas no site da VEJA”. Uma agradável referência, na hora quase de dormir, ao fato do texto “Moro se move:Bolsonaro e Berlusconi no mesmo saco” ter alcançado o ranking das 10 matérias mais lidas da edição digital da revista semanal. A informação veio acompanhada do gráfico do Ranking da VEJA das “Mais Lidas” até aquela hora no fim de semana, que incluía o artigo publicado no sábado no BN, na VELA, além da edição impressa da Tribuna da Bahia e no BP. Agradeci o comunicado ao velho colega e leal amigo, antes de ir dormir motivado a ter bons sonhos, como disse a Noblat. Haverá, talvez, quem diga: “já esteve mais no alto!”. É isso o que temos para hoje e fico muito agradecido e honrado.. Forte abraço  e votos de boa semana a todos (Vitor Hugo Soares) 

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Coluna - J. R. Guzzo - Estadão
ARTIGO
AOS LEITORES, OUVINTES E AMIGOS DO BAHIA EM PAUTA: Texto originalmente publicado no Estadão e reproduzido pelo BP do antenado e inteligente espaço da autora teatral e cronista presidente da República do Pelô. Aninha Franco. Vale uma leitura atente e crítica. Fica a sugestão. (Vitor Hugo Soares, editor do BP)>
 
 
Zerando tudo
J. R. Guzzo
Inventar realidades rende barulho na mídia, mas não substitui o essencial,
O ex-presidente Lula apareceu de novo no noticiário oferecendo-se ao público, pelo que foi possível entender, para restaurar a democracia no Brasil, colocar comida na mesa do povo, em vez de bala de revólver, e devolver ao País a prosperidade, bem estar e ascensão social que, segundo ele, existiam durante os 13 anos e meio dos governos do PT. Falou como quem tem certeza de que vai ser candidato a presidente da República nas próximas eleições. Lula deve saber o que está dizendo.
O Supremo Tribunal Federal, que substituiu o PT e seus amigos como o mais agressivo partido de oposição no Brasil, dá a impressão de estar querendo, acima de qualquer outra coisa, que Jair Bolsonaro caia fora da Presidência – já, se for possível, ou pelo menos em 2022, quando ele vai tentar a reeleição.
Caso não deem certo a anulação das eleições de 2018, o processo por ter demitido um diretor da Polícia Federal, a acusação de genocídio e outras propostas como essas, os ministros do Supremo parecem achar que Lula é o meio mais eficaz para chegar lá. Ou, vai ver, acham mesmo que a melhor coisa para o Brasil é voltar aos tempos de Lula & Dilma.
De um jeito ou de outro, Lula está se mostrando seguro que as suas duas condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, a primeira já confirmada em três instâncias e por nove juízes diferentes, a segunda confirmada em duas, vão ser anuladas e a sua ficha ficará limpa para concorrer em 2022. É um fenômeno. Empreiteiros imensos, diretores de estatais e outros titãs da ladroagem nacional, incluindo nada menos que um ex-ministro de Estado, hoje em prisão domiciliar, confessaram crimes de corrupção num volume sem precedentes na história nacional. Mais: devolveram milhões em dinheiro roubado. Por acaso alguém devolve por livre e espontânea vontade dinheiro que não roubou?
Toda essa gente não praticou seus crimes no Polo Sul; durante mais de dez anos seguidos operaram nos salões íntimos dos governos de Lula e Dilma. Mas, pelo jeito com que o STF parece estar vendo as coisas, o culpado é o juiz Sergio Moro. Ele foi “parcial”, dizem – então tem de zerar tudo, mesmo o que não foi ele, Moro, quem decidiu, para salvar as nossas “instituições”. Ou seja: roubaram como nunca no governo Lula, mas Lula não tem culpa de nada. Será muita sorte, na verdade, se a coisa ficar por aí. O STF ainda pode acabar dando ordens para que o contribuinte pague alguma indenização milionária ao ex-presidente e sabe Deus a quanta gente além dele. Por que não? Já não existe o “Bolsa-Ditadura”? Então: é só criar o “Bolsa Moro”.
Uma história, porém, é contar com o mais eficiente escritório de advocacia criminal que existe hoje no Brasil – o STF. Outra, já bem mais complicada, é ganhar uma eleição para presidente da República. Uma das bandeiras que Lula mostrou nessa sua primeira salva de artilharia, por exemplo, foi a tese de que Bolsonaro matou 130.000 pessoas na Covid. Essas ideias são um perigo. Se ficar até 2022 repetindo isso, corre o risco de reviver sua campanha presidencial de 1994, quando passou o ano inteiro dizendo que o Plano Real era uma farsa e que a inflação estava cada vez pior; perdeu já no primeiro turno, algo que nem Geraldo Alckmin conseguiu.
Inventar realidades que não existem rende barulho na mídia, mas não substitui o essencial: Lula terá de explicar com clareza para os eleitores o que, exatamente, ele vai fazer de diferente do que Bolsonaro está fazendo – e convencer umas 70 milhões de pessoas de que essas mudanças, na prática, vão melhorar a vida de cada um. Ninguém está pedindo a “volta da democracia”, nem da “ascensão social”. Não é por aí.

 

“Pedras que cantam” Alegre, elétrica e resistente composição do grande artista nordestino amigo do antigo guitarrista Luiz Fux – agora na presidência do Supremo Tribunal Federal – para começar bem no estilo e pedido da letra, mais esta prometedora semana de Setembro. Viva!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

set
14
Posted on 14-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-09-2020

DO SITE O ANTAGONISTA

Solidariedade avalia expulsão de Marta Suplicy por apoio a Covas
 

A convenção do Solidariedade oficializou neste domingo a coligação com o ex-governador Márcio França, candidato do PSB à Prefeitura de São Paulo. No evento, líderes discutiram a possibilidade de expulsão de Marta Suplicy do partido em razão de seu apoio à reeleição de Bruno Covas, do PSDB.

“Logo após o pronunciamento dela na convenção tucana , o Conselho de Ética (do Solidariedade) recebeu de alguns filiados um pedido de expulsão dela”, afirmou ao Estadão Pedro Nepomuceno, presidente do diretório paulistano da sigla.

“Acho que ainda está no calor, mas vamos reunir a direção nacional ao longo da semana para discutir uma possível expulsão dela.”

DO CORREIO BRAZILIENSE

Os médicos descartaram um infarto e também constataram que o ministro não está com covid-19

CB
Correio Braziliense

 (crédito: Evaristo Sa/AFP - 29/4/20 )

(crédito: Evaristo Sa/AFP – 29/4/20 )

O problema que levou o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, a uma unidade de tratamento intensivo (UTI), neste domingo (13/9), é uma miocardite aguda, informa um comunicado divulgado pela pasta que ele comanda. Trata-se de uma inflamação do músculo do coração causada, geralmente, por algum vírus.

Ainda segundo a nota (leia íntegra abaixo), exames descartaram a presença do novo coronavírus e a ocorrência de um infarto. Mendonça permanecerá internado por pelo menos 48 horas no Hospital Brasília, no Lago Sul, onde deu entrada, durante a madrugada, com dor torácica.

Visita de Bolsonaro

Mais cedo, o ministro recebeu a visita do presidente Jair Bolsonaro por aproximadamente 20 minutos. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, e assessores do Ministério da Justiça e Segurança Pública também estiveram no hospital. De acordo com nota da assessoria, Mendonça foi medicado e passa bem.

André Mendonça tem 47 anos é assumiu o Ministério da Justiça em abril deste ano, após a conturbada saída de seu antecessor, o ex-juiz federal Sergio Moro.

Leia a íntegra da nota divulgada pelo Ministério da Justiça:

“O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, realizou exames na manhã deste domingo (13) após sentir mal-estar durante a madrugada.

Segundo a equipe de cardiologia do Hospital Brasília foi descartado infarto do coração e diagnosticada miocardite aguda, inflamação do músculo do coração desencadeada, na maioria das vezes, por um processo viral. O ministro realizou novo rastreio para coronavírus e teve PCR e Tomografia com resultados negativos.

O ministro André Mendonça foi medicado e está bem. Por orientação médica, continuará internado para observação, pelo menos, pelas próximas 48h.

Assessoria de Comunicação do Ministério da Justiça e Segurança Pública”

Do Jornal do Brasil

 

Macaque in the treesGovernador de São Paulo, João Doria (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a cobrar o governo do presidente Jair Bolsonaro, na última sexta (11), por recursos federais para a potencial vacina contra a Covid-19 que está sendo testada pelo Instituto Butantan, ligado ao governo estadual.

“Não é hora de vacilação, é hora de vacinação. Num momento como esse, urgência, emergência, capacidade de superar burocracias fazem parte de um governo responsável que quer salvar vidas e proteger pessoas. É isso que nós esperamos do Ministério da Saúde do Brasil”, disse Doria em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

O secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, disse, na mesma coletiva, que o governo de São Paulo ainda não obteve uma resposta do Ministério da Saúde sobre os recursos para os testes com a vacina, batizada de Coronavac, e para o aumento da importação e aceleração do processo para que ela seja produzida localmente pelo Butantan.

“Estamos aguardando realmente, ainda, um posicionamento do Ministério da Saúde para que promova o primeiro aporte no apoio à ampliação da fábrica do Instituto Butantan”, disse o secretário.

“Nós estamos no meio de uma pandemia. Nós não voltamos e nós não voltaremos ao nosso normal se não tivermos a vacina. E a verdade é que nós precisamos de muitas doses, para que a gente possa, de uma forma rápida, promover a proteção, a imunização da nossa população”, acrescentou.

No final de agosto, Gorinchteyn e o presidente do Butantan, Dimas Covas, foram a Brasília e se reuniram com o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello.

Na ocasião, fizeram o pleito de 85 milhões de reais para acelerar os testes com a vacina e de 60 milhões de reais para apoiar o processo de reestruturação de uma fábrica do Butantan para produzir o imunizante. Covas disse, à época, que esses dois pedidos foram “inicialmente acatados” pelo ministério, mas que ainda era necessário acertar detalhes.

Recentemente, Bolsonaro, adversário político de Doria, ironizou a candidata a vacina chinesa que está sendo testada pelo Butantan, referindo-se a ela como “a vacina daquele outro país”.

Na ocasião, o presidente afirmou confiar na eficácia da potencial vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, com a farmacêutica britânica AstraZeneca, cujos testes foram pausados nesta semana temporariamente devido ao surgimento de efeitos adversos em um paciente. O governo federal, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem parceria com a AstraZeneca para usar esta candidata a vacina no país caso ela se mostre eficaz.

AGLOMERAÇÕES

O governo de São Paulo anunciou também nesta sexta que todas as regiões do Estado estão na fase amarela do plano de reabertura da economia e que, a partir de agora, as atualizações para avançar na flexibilização serão feitas mensalmente, não mais quinzenalmente. Já um retrocesso, caso a pandemia no Estado se agrave, poderá ser feito a qualquer momento.

O coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em Sâo Paulo, João Gabbardo, disse que o órgão monitora possíveis efeitos das aglomerações em praias e outros locais vistos no último fim de semana de feriado prolongado.

Ele voltou a afirmar que aglomerações não devem ser feitas.

“Todas as ações da vigilância sanitária, das secretarias de Saúde dos municípios devem ser no sentido de impedir que isso (aglomeração) aconteça. Vamos monitorar, vamos acompanhar e, se for necessário, as medidas de restrição serão tomadas pelo Centro de Contingência, ou recomendadas pelo Centro de Contingência”, disse.

set
14
Posted on 14-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-09-2020


 

Cau Gomez, NO PORTAL DE HUMOR GRÁFICO  A CHARGE ONLINE

 

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14
Posted on 14-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-09-2020

DO EL PAÍS

As imagens da Costa Oeste ardendo em chamas devolvem ao primeiro plano um dos grandes temas sepultados pela pandemia. Oregon e Califórnia buscam vítimas fatais sob as cinzas

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, num dos incêndios ao norte de Sacramento, na sexta-feira.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, num dos incêndios ao norte de Sacramento, na sexta-feira.Zuma / SplashNews.com / GTRES

 Pablo Ximénez de Sandoval

Fresno

Quando Chris Bruno começou a trabalhar como bombeiro em Fresno (Califórnia), há 20 anos, seus instrutores lhe contavam sobre os incêndios brutais que ocorriam no sul e no norte do Estado devido aos raios e às rajadas de vento por volta de outubro. Eram exemplos de coisas que aconteciam em outros lugares, não em Fresno. “Aqui a preocupação eram os incêndios nos campos, não nas florestas.” Mas o incêndio que há uma semana consome a serra a noroeste da cidade californiana é “esse incêndio”. Está queimando zonas que nunca haviam ardido. “Este é um fogo do qual os bombeiros da região falam há anos. E agora aconteceu”, disse o capitão Bruno na última sexta-feira, no centro de comando do chamado creek fire, que já destruiu 80.000 hectares de floresta e continua descontrolado.

Esse é somente um dos cerca de 100 incêndios que assolam a Costa Oeste dos Estados Unidos, de Seattle a Los Angeles. Mas não é o único que deixou estupefatos os bombeiros locais. Não apenas há muitos incêndios, mas muitos deles são fenômenos nunca vistos ? por seu tamanho, velocidade, tipo de terreno e quantidade de focos simultâneos. Em apenas uma semana, houve um recorde de hectares queimados no Oregon e na Califórnia ao mesmo tempo. E em ambos a diferença em relação à marca anterior é enorme. As imagens de satélite mostram os 2.000 quilômetros de costa cobertos de fumaça.

No caso do Oregon, os incêndios podem ter provocado a maior tragédia de vidas perdidas na história do Estado, segundo as autoridades. As equipes de resgate começaram as buscas entre os escombros de cinco povoados inteiros (mais de 600 casas) arrasados por um desses incêndios repentinos. Na Califórnia foram confirmados 19 mortos e pelo menos 20 desaparecidos até sábado, num incêndio que, em questão de horas, arrasou a mesma floresta onde 85 pessoas morreram em 2018.

“A espessura da vegetação, a baixa umidade, a alta temperatura, as árvores secas e doentes – todos esses elementos convergiram para transformar este incêndio num acontecimento único em minha geração”, disse ao EL PAÍS o capitão Bruno, de 46 anos. “Cada ano debatemos se esses são os piores incêndios que já vimos, e na temporada seguinte eles se superam.” Bruno afirma que viu com seus próprios olhos o endurecimento das condições climáticas na região. “É inevitável que isso piore”, afirma.

Casas arrasadas pelo fogo nos arredores de Medford, Oregon, na sexta-feira.
Casas arrasadas pelo fogo nos arredores de Medford, Oregon, na sexta-feira.ADREES LATIF / Reuters

Os bombeiros observam no terreno as consequências de uma mudança nas condições climáticas que até há pouco tempo era teórica. A catástrofe ocupou as manchetes dos jornais dos EUA e trouxe de volta ao debate nacional um dos grandes temas políticos que fariam parte desta campanha nacional mas foram sepultados pela covid-19 e a crise econômica resultante. A mudança climática e suas consequências são muito difíceis de definir como argumento político, porque as pessoas não as percebem no dia a dia. Até agora.

“Não tenho nenhuma paciência com os negacionistas da mudança climática”, disse esta semana o governador da Califórnia, Gavin Newsom, visivelmente irritado ao se referir à crise dos incêndios no Estado. Na sexta-feira ele visitou uma das regiões atingidas, ao norte de Sacramento, e voltou a dizer: “O debate sobre a mudança climática terminou. Simplesmente venham à Califórnia. Vejam com seus próprios olhos. Não é um debate intelectual. Nem sequer é um debate. É uma maldita emergência climática. Isso é real.”

No Oregon, foi queimado na semana passada o dobro de hectares em comparação com a média anual da última década. A governadora, Kate Brown, afirmou que “isso não será um evento isolado, infelizmente é um aviso sobre o futuro”. “Estamos vendo o impacto da mudança climática”, disse Brown. No Estado de Washington, o governador Jay Inslee, que se apresentou nas primárias com um programa focado na luta contra a mudança climática, começou a chamar os incêndios florestais de “incêndios climáticos”. “Isso não é um ato de Deus. Só está acontecendo porque mudamos o clima do Estado de Washington de forma dramática”, afirmou Inslee.

Declarações desse tipo começam a povoar o debate nacional. “A mãe natureza está com raiva e mostra isso através de incêndios e furacões”, disse Nancy Pelosi, californiana de San Francisco e líder dos democratas na Câmara de Representantes (deputados). “A crise climática é real.” A situação pode se transformar, portanto, em outro fator de mobilização ante um presidente que abraça o negacionismo sobre a mudança climática, retirou os EUA do Acordo de Paris para redução de emissões poluentes e brigou na Justiça para anular os limites de poluição da indústria automobilística.

A essa altura, porém, o currículo de Trump nesse assunto é irrelevante. O do candidato democrata, Joe Biden, é insuficiente para a ala esquerda de seu partido, mas ele ao menos prometeu ações contundentes na luta contra a mudança climática. “A ciência é clara, e os sinais mortais são inequívocos”, disse Biden em nota neste sábado, o que transforma definitivamente o assunto em tema de campanha. A Casa Branca anunciou no mesmo dia que Trump visitará a Califórnia nesta segunda feira para conhecer de perto a situação. Será a primeira vez que o presidente se expõe nesse debate durante este período eleitoral.

Algumas causas dos incêndios desta semana foram espontâneas, como uma tempestade elétrica que descarregou raios sobre a Califórnia. Outras são de longo prazo, como uma gestão florestal que não permite os incêndios naturais e que tem sido objeto de tentativas de mudanças. Um terceiro fator que explica a perda de vidas é o empenho em construir casinhas de madeira no meio das florestas. Mas no cerne de tudo isso está a mudança climática, que faz com que todos os fatores juntos representem um perigo extremo.

“O aquecimento global faz com que lugares como Califórnia tenham problemas de fortes secas, que tiraram a umidade do solo e da vegetação”, explica Ricardo Álvarez, consultor sobre adaptação à mudança climática e pesquisador da Universidade Atlântica da Flórida (EUA). “Somem-se a isso temperaturas mais altas e raios secos.” Paulatinamente, diz ele, há mais meses de incêndios, que são também mais numerosos – o que, por sua vez, agrava o problema da seca e da poluição. Dos 20 maiores incêndios da história da Califórnia, 17 ocorreram neste século, 10 na última década. Dos 10 maiores da história, quatro são deste ano. E continuará havendo recordes. “Levaremos centenas de anos” para reverter essa tendência, diz o pesquisador.

Tudo isso é besteira”, opinava na sexta-feira Jim Kimble, de 79 anos, veterano do Vietnã e defensor de Trump. Kimble teve que abandonar sua casa na segunda passada e, desde então, vive num trailer com sua mulher num estacionamento de uma igreja em Fresno. Diz que tudo é culpa de uma má gestão das florestas e da atitude ambiental dos democratas. Os arredores de Fresno são um bastião republicano dentro da muralha azul do Oeste, que não está em jogo nestas eleições e não mudará politicamente até novembro. Os Kimble dos EUA tampouco mudarão de opinião, nem com suas casas ardendo. Mas as imagens dos céus vermelhos e amarelos, as evidências de que a situação se agrava e o histórico de Trump nesse assunto abrem de repente um novo flanco para perguntar aos norte-americanos moderados, nos Estados-chave, se é possível permitir outros quatro anos de negação.

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