NO EL PAÍS/ARTIGO

Reeleição e crises

Cabe aqui um ’mea culpa’. Permiti, e por fim aceitei, o instituto da reeleição. Visto de hoje, entretanto, imaginar que os presidentes não farão o impossível para ganhar a reeleição é ingenuidade

Jornais do dia 16 de junho de 2019 que mostravam a reeleição da ex-presidenta Dilma Rousseff.
Jornais do dia 16 de junho de 2019 que mostravam a reeleição da ex-presidenta Dilma Rousseff.VANDERLEI ALMEIDA / AFP
 Fernando Henrique Cardoso

Recordo-me da visita que André Malraux, na ocasião ministro da Cultura de De Gaulle, fez ao Brasil. Esteve na USP, na rua Maria Antônia, onde funcionava a FFCL, e expôs no “grande auditório” (que comportava não mais de umas cem pessoas) sua visão de Brasília, obra de Juscelino Kubitschek. Malraux estava extasiado, comparava o plano diretor da cidade não a um pássaro (coisa habitual na época), mas a uma cruz. Com sua verve inigualável, dizia em francês o que não estávamos acostumados a ouvir em português: fazia o elogia da obra. Este não era o sentimento predominante, pois a víamos mais como desperdício, que induzia a inflação do que como um “sonho”, um símbolo.A visão dominante era negativa, principalmente no Rio (que perderia a condição de capital da República), em São Paulo, e daqui para o Sul. O gasto era grande e os recursos minguados. Eu compartilhava deste sentimento negativo, e olha que um de meus bisavôs fizera parte, no Império, da “missão Cruls”, que demarcara o território da futura capital do Brasil… Brasília foi construída onde desde aquela época se previa fazer a capital do país.

Não é que Malraux tinha razão? Não que a obra deixasse de ser custosa ou mesmo impulsionadora da inflação. Mas um país também se constrói com projetos, sonhos e, quem sabe, alguns devaneios… Juscelino fez muitas coisas, algumas más, mas não é por elas que é lembrado. Brasília sim, ficou como sua marca. Não o conheci. Vi-o pessoalmente uma vez, sentado solitário em um banco no aeroporto de “sua” cidade. Aproximei-me e o saudei; pouca conversa, mas muita admiração. Ele já fora “cassado”. Passa o tempo e fica na memória das pessoas sua “obra”, Brasília.

Não estou recomendando que Bolsonaro faça algo semelhante. Não sou ingênuo para pretender que minhas palavras cheguem ao presidente e que, se chegarem, serão ouvidas…. Como estive no Planalto, as vezes me ponho no lugar de quem ocupa aquela cadeira espinhosa: é normal a obsessão por fazer algo, para o povo e para o país. Como o presidente será julgado são outros quinhentos. Maquiavel já notava que os chefes-de-estado (os grandes homens… na linguagem dele) dependem não só de astúcia, mas da fortuna (da sorte).

O governo atual não teve sorte. São de desanimar os fatores contrários: a pandemia, logo depois de uma crise econômica que vem de antes, com o PIB crescendo pouco (se é que…) e com uma “base política” que depende, como sempre, mais do “dá-lá-toma-cá” do que da adesão popular a algo grandioso. Ganhou, e levou; mas mais pelo negativo (não ao PT e aos desatinos financeiros praticados) do que pelo sim a uma agenda positiva.

Agora se tem a sensação (pelo menos, eu tenho) de que o Presidente não está bem acomodado na cadeira que ganhou. É difícil mesmo. De economia sabe pouco; fez o devido: transferiu as decisões para um posto Ipiranga. Este trombou com a crise, pela qual não é responsável. Não importa, vai pagar o preço: tudo que era seu sonho, cortar gastos, por exemplo, vira pesadelo, terá de autorizá-los. E pior, como é economista sabe que a dívida interna cresce depressa e, sem existir mais a alternativa da inflação, que tornava aparentemente possível fazer o que os presidentes querem (atender a todos ou à maioria e ganhar a reeleição), só resta o falatório vazio. Este cansa e é ineficaz em um Congresso que, no geral, também quer gastar e pensa nas eleições.

Cabe aqui um mea culpa. Permiti, e por fim aceitei, o instituto da reeleição. Verdade que, ainda no primeiro mandato fiz um discurso no Itamaraty anunciando que “as trevas” se aproximavam: pediríamos socorro ao FMI. Não é desculpa. Sabia, e continuo pensando assim, que um mandato de quatro anos é pouco para “fazer algo”. Tinha em mente o que ocorre nos EUA. Visto de hoje, entretanto, imaginar que os presidentes não farão o impossível para ganhar a reeleição é ingenuidade. Eu procurei me conter. Apesar disso fui acusado de “haver comprado” votos favoráveis à tese da reeleição no Congresso. De pouco vale desmentir e dizer, que a maioria da população e do Congresso era favorável à minha reeleição: temiam a vitória… do Lula. Devo reconhecer que historicamente foi um erro: se quatro anos são insuficientes e seis parecem ser muito tempo, ao invés de pedir que no quarto ano o eleitorado dê um voto de tipo “plebiscitário”, seria preferível termos um mandato de cinco anos e ponto final.

Caso contrário, volto ao tema, o ministro da Economia, por mais que queira ser racional, terá de fazer a vontade do Presidente. Não há o que a faça parar, muito menos um ajuste fiscal, por mais necessário que seja. E tudo que o Presidente fizer será visto pelas mídias, como é natural, como atos preparatórios da reeleição. Sejam o não.

Acabar com o instituto da reeleição e, quem sabe, propor uma forma mais distritalizada de voto são mudanças a serem feitas. Esperemos…

“Corpitcho”, Maria Rita: “Meu Deus, que encanto!”, como proclamou a inesquecível dama da TV, Hebe Camargo,  depois de uma apresentação ao vivo da filha de Elis Regina em seu fabuloso e inimitável programa de auditório na TVS. Confira no registro espetacular do álbum “Meu Samba”.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO CORREIO BRAZILIENSE

Em entrevista exclusiva ao Correio, ex-ministro declara que intercorrências relacionadas à operação têm “o intuito de dificultar a investigação e a punição dos crimes de corrupção”

AD
Ana Dubeux
AM
Ana Maria Campos
CA
Carlos Alexandre
postado em 06/09/2020 11:21 / atualizado em 06/09/2020 11:46
 

 (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)

(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)

A Operação Lava-Jato voltou aos holofotes nas últimas semanas, não pelas prisões que a tornaram célebre, mas por uma série de rumores de que é chegado o seu fim. Em um dos desgastes mais recentes, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, trocaram críticas por meio de declarações públicas. Em entrevista exclusiva ao Correio, o ex-ministro Sergio Moro cravou que a deterioração da Lava-Jato é um indício de que o “sistema está reagindo”.

Segundo Moro, a intenção é “dificultar a investigação e a punição dos crimes de corrupção para tentar que tudo volte a ser como antes, tendo a impunidade como regra”. O ex-juiz acredita que o processo é semelhante ao que ocorreu no final da Operação Mãos Limpas, na Itália, e chegou a comparar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao bilionário político e ex-ministro italiano Silvio Berlusconi.

Apesar disso, Moro declarou crer que o desfecho no Brasil pode ser diferente daquele alcançado no país europeu: “Acredito que a Lava-Jato mostrou aos brasileiros que as coisas podem ser diferentes, a depender da pressão social”. O ex-ministro enfatizou, inclusive, que tem esperança em alguns campos da sociedade: “setor privado brasileiro, aliás, já mudou bastante”.

Em outro ponto da conversa, o ex-ministro desclassificou os boatos sobre uma possível candidatura à Presidência nas próximas eleições. “Estou focado em 2020, principalmente no meu reposicionamento profissional”, declarou. Segundo Moro, os boatos de que ele aspira ocupar o mais alto cargo do Executivo no país são apenas “mera especulação”. Um dos focos do momento, é a atuação como professor: “aprendizado de mão dupla”.

set
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Macaque in the trees
A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional se apresenta no Hospital da Criança de Brasília como parte do projeto Concertos da Saúde. Arquivo (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No dia em que o Hino Nacional, como conhecemos hoje, completa 98 anos, desde que foi oficializado, em 6 de setembro de 1922, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS) entrega, de presente, um vídeo com a execução instrumental da marcha triunfal, gravada durante o isolamento social.

“A ideia é celebrar a Semana da Pátria e, ao mesmo tempo, ter esse material que vai servir constantemente em solenidades, ou celebrações, onde poderá ser usado como uma gravação oficial do Hino Nacional, independentemente de ter um grupo ao vivo, tocando presencialmente”, disse Claudio Cohen, regente da OSTNCS.

Foram mais de 20 dias e um esforço grande dos 72 músicos para que os vídeos, gravados em celulares, saíssem dentro do que era necessário para reunir todos os instrumentos, gravados de forma isolada e em ambientes diferentes, a partir de uma guia para orientação.

O maestro disse que desde o início da pandemia e do isolamento social, os músicos têm realizado esse tipo de gravação, como uma forma de manter viva a conexão com o público “Nós percebemos que durante esse período precisaríamos aguçar a criatividade e buscar um público por meio dessas ferramentas, que nos permitem avançar nesse sentido.”

Desde o mês de março, as redes sociais da OSTNCS são atualizadas semanalmente com vídeos novos, ou resgatados de gravações realizadas em apresentações anteriores à pandemia. “São vídeos inéditos nesse ambiente virtual, já que só que estava nos teatros pôde ver essas apresentações”, afirma.

A versão do Hino Nacional gravada pela orquestra de Brasília tem 2 minutos e 19 segundos de duração e é sem a letra, apenas a melodia executada sem a repetição usual da versão cantada. Acesse aqui o vídeo do Hino Nacional executado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS), sob a batuta do maestro Claudio Cohen.

História do Hino Nacional do Brasil

A marcha triunfal do Hino Nacional é muito anterior a letra que cantamos atualmente em cerimônias e honrarias a nossa bandeira. Ela foi concebida ainda no Império, em 1831, pelo maestro Francisco Manoel da Silva.

Já os versos, foram compostos pelo poeta Joaquim Osório Duque-Estrada, em 1909, e são a terceira versão de letra que acompanha a marcha triunfal. A primeira letra contava a história da abdicação de dom Pedro I e a segunda exaltava dom Pedro II.

Entre a segunda e a terceira versão, o hino passou quase cem anos sendo executado sem letra, após manifestações populares contrárias à adoção do novo hino escolhido para representar a, então, nova República, por meio de um concurso.

O presidente da República, à época, Deodoro da Fonseca, estabeleceu que seria mantida a música do hino anterior sem uma letra e que a composição com poema de Medeiros e Albuquerque e arranjo de Leopoldo Miguez, vencedora da disputa, passaria a ser o Hino da Proclamação República e não substituiria o Nacional.

A letra que permanece até hoje foi oficializada às vésperas do centenário da Independência, em 6 de setembro de 1922, por meio de uma lei criada pelo então presidente Epitácio Pessoa.

Para o professor de História da Música e História da Música Brasileira da Universidade Federal de Brasília (UnB), Adeilton Bairral, o passo mais importante para que a composição fosse preservada foi dado por uma comissão dirigida pelo maestro Heitor Villa-Lobos, na Era Vargas. O grupo de caráter técnico, determinou a adoção da versão para piano do maestro cearense Alberto Nepomuceno, como referência melódica para a unificação da versão oficial.

Na época, Villa-Lobos viu a necessidade da criação de um Conservatório Nacional de Canto Orfeônico para capacitar professores de música a ensinarem os hinos pátrios nas escolas de todo do país. Segundo Adeilton, também foram estabelecidas duas versões possíveis de serem tocadas: uma com canto em Fá e composta por duas estrofes, além de uma versão instrumental, em Si Bemol, apenas com uma estrofe.

“Com o tempo, a didática musical mudou muito e, hoje, o Hino Nacional já não é mais ensinado nas escolas, então, percebe-se adaptações sutis na melodia para facilitar o canto”, conclui o professor.

Ações

Fundada em março de 1979, pelo maestro e compositor Claudio Santoro, a OSTNCS desempenha papel fundamental na educação musical e difusão da música clássica e erudita. Em mais de 40 anos de atuação, o corpo de músicos manteve apresentações regulares e gratuitas à disposição que quem vive ou visita Brasília.

Dentre as ações recentes destacadas pelo maestro Claudio Cohen, estão os Concertos Didáticos, para crianças; Concertos para Saúde, em hospitais, os Concertos Sociais, que já aconteceram em todas as Regiões Administrativas do Distrito Federal, além dos concertos internacionais, nas embaixadas.

Para saber mais, siga as redes sociais da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro: Instagram, Facebook e Youtube

Tags: Sinfônica de Brasília celebra aniversário do Hino Nacional com víde

 

 

Flávio Bolsonaro sai em defesa de Crivella no caso dos ‘guardiões’
Brasilia 13/11/2019 – Foto: Adriano Machado/CRUSOE Presidente Jair Bolsonaro recebe o presidente Chines Xi Jinping durante reuniao Bi Leteral no BRICS, Palacio do Itamaraty Senador Flavio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro publicou neste domingo em seu Instagram um vídeo que critica a TV Globo pela reportagem sobre os “Guardiões do Crivella”.

Em sua publicação, o filho do presidente da República escreveu:

 

“Você pode até não concordar com 100% do que o presidente Jair Bolsonaro e o Prefeito do Rio Marcelo Crivella fazem, mas não se deixe manipular pela #globolixo. Esse título ela mesma conquistou com muita manipulação, mentira e ódio contra quem ameaça seus interesses.”

 

O vídeo compartilhado por Flávio é praticamente uma campanha publicitária de Crivella e diz, entre outras coisas, que a Globo tem o objetivo de “alarmar a população” e que não há crise no sistema de saúde da capital fluminense, como mostra a emissora.

“A prefeitura tenta tranquilizar a população dando a garantia de que os hospitais estão funcionando normalmente”, diz um narrador na gravação.

set
07
Posted on 07-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-09-2020


 

Duke, no jornal

 

set
07

DO CORREIO BRAZILIENSE

Com mais de 80 mil casos de covid-19 a cada 24 horas, o país de 1,3 bilhão de habitantes registra aumento em infecções e na média de mortes diárias e pode ultrapassar o Brasil nas próximas horas

CB
Correio Braziliense
 

Profissional de saúde usa cotonete para colher amostra de mulher suspeita de ter covid-19, em Hyderabad - (foto: Noah Seelam/AFP)

Profissional de saúde usa cotonete para colher amostra de mulher suspeita de ter covid-19, em Hyderabad – (foto: Noah Seelam/AFP)

Nos últimos três dias consecutivos, a Índia registrou mais de 80 mil casos de infecção pela covid-19 a cada 24 horas — um número jamais alcançado por nenhum outro país desde o começo da pandemia. Entre sexta-feira e ontem, o país de 1,3 bilhão de habitantes contabilizou pelo menos 86 mil testes positivos para o coronavírus. Também ontem, a Índia tornou-se a terceira nação a ultrapassar 4 milhões, atrás dos Estados Unidos (6,2 milhões) e do Brasil (4,09 milhões). De acordo com o Centro de Pesquisas do Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, a Índia acumula 4.023.179 casos de covid-19 e 69.561 mortes. Além de ser o país com maior número diário de contágios, detém a maior média de mortes diárias (mais de mil).

Sob condição de anonimato, um jornalista da cidade de Guwahati, no estado de Assam, disse ao Correio que os números altos refletem a testagem em massa para detecção do Sars-CoV-2, o vírus causador da covid-19. “A facilitação das medidas de restrição social, depois de meses, também levou as pessoas a saírem de suas casas em grandes quantidades, o que seria outra razão para esse aumento”, observou. Ele contou que alguns amigos desenvolveram sintomas da doença, mas conseguiram se recuperar. “É difícil para um país de 1,3 bilhão de pessoas se recuperar de uma pandemia. Creio que o governo do premiê Narendra Modi tem se saído bem no combate à covid-19. “Existe um aumento exponencial de casos a cada dia, mas, também, mantemos nossas taxas de mortalidade sob controle”, lembrou.

Em 24 de março passado, Modi decretou o confinamento total da população indiana por um período inicial de 21 dias, que acabou ampliado. “Fiquem em casa! Façam apenas uma coisa: fiquem em casa!”, recomendou o primeiro-ministro, na ocasião. Em todo o mundo, a pandemia da covid-19 infectou 26,7 milhões de pessoas e levou 876.563 à morte.

Na sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que não espera uma vacinação em massa contra o coronavírus antes de meados de 2021. “Um número considerável de vacinas candidatas já entrou na fase 3 de testes. Sabemos de pelo menos seis a nove que percorreram um longo caminho em termos de pesquisa”, declarou a porta-voz, Margaret Harris. “Mas, em termos de um cronograma realista, realmente não esperamos uma vacinação generalizada até meados do próximo ano”, acrescentou ela, à medida que os preparativos para a distribuição de uma vacina se aceleram, especialmente nos Estados Unidos.

O custo da futura vacina em desenvolvimento pelo laboratório francês Sanofi e o britânico GSK contra a covid-19 será de menos de 10 euros (ou R$ 62,5), embora não esteja totalmente definido, afirmou o presidente da Sanofi. Em declarações à rádio France Inter, Olivier Bogillot disse que, apesar de “todos os custos de produção estarem sendo medidos”, o custo da dose da vacina “será inferior a 10 euros”. Ele comemorou a “divisão dos riscos com os Estados”, o que permite os preços “mais baixos possíveis”.

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