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 ARTIGO/Ponto de vista
Momento de maior perigo
Joaci Góes
 
Aos queridos amigos Amanda e Manoel Lorenzo!
No plano das intenções, este é o artigo de maior interesse para a maioria dos poucos, porém, altamente qualificados leitores desta coluna que se encontram, graças a saudável longevidade, no grupo de risco de serem afetados pelo Corona vírus. Sem sombra de dúvidas, paira no ar um clima conducente à inefável crença subliminar de que o momento de maior perigo passou, fortalecido pela mídia que vem informando da queda diária do número dos novos infectados, paralelamente à redução das vítimas fatais.
Como reflexo desse surto de otimismo, as ruas, o comércio, os bares e os restaurantes regurgitam de frequentadores, muitos deles à beira da implosão emocional, em face da precariedade de suas instalações domésticas, destituídas do conforto requerido para longos confinamentos, sobretudo, aquelas abarrotadas de gente em espaços exíguos. O discutido reinício das aulas aumenta o risco.
Os mais idosos, por sua vez, alvo preferido do Corona, desejosos de retornar ao conforto proporcionado pelos auxiliares domésticos, começam a recontratá-los, contagiados pela onda de animação geral. É aí que reside o grande perigo! Atenta ao risco contido nessa natural aspiração de conforto, mesmo sem ter demitido qualquer dos colaboradores residenciais, tampouco, um sequer das diferentes empresas, Lídice, minha mulher, fez um leilão para saber quem toparia manter-se em retiro conosco, sem direito de ir às ruas, visitar ou receber a visita de parentes. Venceu Raimunda, a mais antiga do grupo que, de quebra, pela tranquila segurança de que desfruta, vem engordando sua poupança.
 
Como as estatísticas demonstram, nesse holocausto virótico, desgraçadamente, os mais pobres figuram numa proporção muito desigual à porcentagem que representam no universo populacional brasileiro, precisamente pelas condições desfavoráveis do seu isolamento, colocando-os ao fácil alcance da insidiosa peste. Alguns dos idosos mais previdentes, oferecem aos seus auxiliares, como transporte, as várias modalidades de serviços particulares, enquanto outros confiam na inteligente e responsável conduta dos seus mais previdentes auxiliares. Acontece que quem vê cara não vê Corona, e o diligente colaborador, na sua grande maioria egresso de áreas de risco, além de jovem e assintomático, vai contagiando, involuntariamente, os a quem tanto desejaria servir e proteger, levando-os aos hospitais, ao sofrimento e, não raro, à morte, hipótese de que o mais conspícuo exemplo no território nacional ocorreu em Salvador, com o eminente e saudoso cientista Elsimar Coutinho.
Não tenhamos ilusões: nós, os maiores de 60 anos, estamos na fase inicial do momento de mai?or risco de contração do mal chinês. Quem tiver juízo faz ouvidos de mercador para os repetidos anúncios de remédios e vacinas salvadoras, a caminho da redenção geral, e reforça as medidas de precaução, cozinhando e limpando o chão, se necessário for, até como ação profilática para ativação do sistema circulatório, esforço ou desconforto preferível a ir ao encontro precoce da sórdida vilã, na cidade dos pés juntos. Afinal de contas, apesar do assombroso desfile diuturno do féretro de multidões, a peste de agora, numericamente, é um quase nada diante das hecatombes que viveram nossos avoengos de todas as latitudes. Sem mencionar o aparato de conforto da vida moderna, com ar refrigerado, celulares, googles, livros virtuais e milhares de filmes à nossa disposição, a um simples toque de dedos! A ponto de ensejar a uma família com renda mensal modesta acesso a um padrão de conforto fora do alcance dos mais ricos ou poderosos, há, apenas, um século! Se não quiserem se exercitar, andando nas ruas ou dentro de casa, não deixem de fazer “pique no lugar”, como aconselhava o incomparável Chico Anísio!
 
Numa palavra: Cautela, queridos leitores, cautela!
 
 Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado nesta quinta-feira, 3, na TB.

“Silêncio”, Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise:  Belo registro musical de Edu, Lubambo e  Senise, em “Silêncio”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, no YouTube e no BP!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

set
04

DO CORREIO BRAZILIENSE!

O senador é é investigado pela Lava Jato por lavagem de propinas pagas pela Odebrecht nas obras do Rodoanel Sul

AE
Agência Estado

 (foto: Evaristo Sá/AFP - 25/4/16 )

(foto: Evaristo Sá/AFP – 25/4/16 )

Integrantes da força-tarefa da Lava-Jato em São Paulo informaram o Conselho Superior do Ministério Público Federal que a procuradora natural da operação, Viviane Martinez, teria solicitado o adiamento de uma operação que atingiria a cúpula do governo tucano em São Paulo, especificamente o senador José Serra (PSDB), que governou o Estado entre 2007 e 2010.

Serra é investigado pela Lava-Jato por lavagem de propinas pagas pela Odebrecht nas obras do Rodoanel Sul. O tucano e sua filha, Verônica, foram denunciados em julho pela força-tarefa, mas a ação penal foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal.

Os procuradores da Lava-Jato SP pediram o desligamento da operação nesta quarta (2/8), por divergências internas com Viviane Martinez, que lhes pareceu “muito aquém do que se esperaria de um procurador natural”. O ofício com a renúncia coletiva foi enviado ao procurador-geral da República Augusto Aras.

Em outra carta, endereçada ao Conselho Superior do MPF, os integrantes da força-tarefa expõem diversas divergências com a condução de Viviane Martinez, que assumiu em março o comando do 5º Ofício da Procuradoria da República em São Paulo.

Segundo a força-tarefa, as investigações que miravam Serra estavam sendo conduzidas ao longo do primeiro semestre de 2020, quando a Lava-Jato bandeirante se debruçou sobre “complexo esquema de lavagem de ativos” envolvendo o senador e “ilicitudes praticadas nas obras do Rodoanel Sul”.

“Cumprindo seu papel, esta força-tarefa organizou, nesse plano, numerosos pleitos investigatórios sujeitos a reserva de jurisdição (entre quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático e buscas e apreensões), e as minutas respectivas foram sendo trocadas, seguindo prática comum a casos sensíveis, em um grupo de troca de mensagens, para que todos pudesse ler o que fosse produzido e, querendo, pudessem opinar a respeito, sugerir modificações e etc”, relata a Lava-Jato SP.

Foi nesse contexto que, em 11 de junho, sete peças com pleitos investigatórios foram concluídas para assinatura dos integrantes da força-tarefa. Os documentos seriam remetidos à Justiça Federal para autorização de possível operação “fartamente embasada em provas”. As diligências, segundo os procuradores, atingia “agentes da cúpula do então governo do Estado de São Paulo, e apuraria crimes praticados entre 2006 e, ao menos, 2014”.

“Surpreendentemente, contudo, apesar de não ter feito qualquer objeção à época das trocas de minutas, a procuradora Viviane enviou um e-mail, em 12/06/2020, aos demais integrantes da força-tarefa, pedindo que as peças fossem recolhidas do (Sistema) Único, e que a operação planejada fosse adiada”, apontam os procuradores.

Segundo a força-tarefa bandeirante, a procuradora não apresentou “qualquer razão jurídica para fundamentar o que pedia”, argumentando somente que o Conselho Superior do Ministério Público Federal poderia aprovar, em agosto, a criação da Unidade Nacional Anticorrupção (UNAC), estrutura que centralizaria as forças-tarefa em Brasília. Se isso ocorresse, a procuradora afirmou que os autos poderiam ser remetidos para a capital federal.

“Em outras palavras, a procuradora Viviane considerou razoável postergar por quase dois meses o protocolo de pedidos investigatórios pertinentes a uma operação de relevo (a maior até então planejada pela força-tarefa Lava-Jato de São Paulo) apenas na expectativa (de duvidosa concretude, considerando os próprios termos do anteprojeto que trata da UNAC) de uma decisão da cúpula da instituição fazer com que este caso deixasse de ser de sua atribuição”, afirmam os procuradores.

A atitude da procuradora deixou a percepção à força-tarefa que ela “estava movida pelo intento central de reduzir drasticamente seu acervo, seja alegando que parte dele teria sido distribuída irregularmente, seja pedindo para que novas investigações não fossem conduzidas”.

 Baixas da Lava-Jato

A saída dos procuradores ocorre em meio a reveses da Lava-Jato bandeirante em investigações que miram o senador José Serra (PSDB). Na semana passada, o ministro Gilmar Mendes ampliou liminar concedida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, e suspendeu a ação penal que mira o tucano por suposta lavagem de propinas pagas pela Odebrecht.

A denúncia contra o tucano havia sido aceita em julho pelo Diego Paes Moreira, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, uma hora depois de Toffoli suspender “toda a investigação” contra Serra. Por “cautela”, o magistrado decidiu suspender a ação penal até novo entendimento do STF sobre o caso – Gilmar ampliou a medida, aplicando o entendimento que a liminar deve alcançar as investigações em vigor e também a ação penal.

“Ao fim e ao cabo, a Força-Tarefa ainda tinha muito a produzir, em frentes de investigação de enorme importância, envolvendo, por exemplo, corrupção em grandes obras (como em diversas linhas do Metrô de SP e nos trechos Sul e Norte do Rodoanel), setores do sistema financeiro e milionários esquemas de lavagem de dinheiro, tanto no Brasil quanto no exterior”, apontam os procuradores.

Deixam a Lava-Jato São Paulo:

• Guilherme Rocha Göpfert: a partir de 08/09/2020

• Thiago Lacerda Nobre: a partir de 08/09/2020

• Paloma Alves Ramos: a partir de 11/09/2020

• Janice Agostinho Barreto Ascari: a partir de 30/09/2020

• Marília Soares Ferreira Iftim: a partir de 30/09/2020

• Paulo Sérgio Ferreira Filho: a partir de 30/09/2020

• Yuri Corrêa da Luz: a partir de 30/09/2020

Defesa de Serra

Após a deflagração da Paralelo 23, em julho, o senador José Serra lamentou o que chamou de “espetacularização” da operação da PF e negou ter recebido caixa dois.

“É ilegal, abusiva e acintosa a atuação dos órgãos de investigação no presente caso, ao tratar de fatos antigos, para gerar investigações sigilosas e desconhecidas do Senador e de sua Defesa e nas quais ele nunca teve a oportunidade de ser ouvido”, afirmaram os advogados Sepúlveda Pertence e Flávia Rahal, que defendem o tucano.

MPF

Procurado, o Conselho Superior do Ministério Público Federal ainda não se manifestou.

set
04

 

Fachin mantém em Curitiba caso de planilha com suposta propina para Maia e Alcolumbre
 

O ministro Luiz Edson Fachin negou pedido para avocar para o Supremo o processo sobre uma planilha que descreve doações da Odebrecht e do Grupo Petrópolis a políticos, entre eles Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre.

Fachin negou pedido do empresário Roberto Luís Ramos Fontes Lopes, um dos alvos do processo, para suspender a ação e enviar os autos ao STF. Ele reclamava que a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba não poderia ter recebido uma denúncia contra ele porque autoridades com prerrogativa de foro foram citadas no caso.

 Mas o ministro considerou que não há urgência que justifique a concessão do pedido. Na decisão de hoje, Fachin disse que o STF já se declarou incompetente para julgar esse caso e enviou os autos para a Justiça Eleitoral do Distrito Federal.

set
04
 

Ministério da Economia

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
ublicado em Economia

A expressão “sangue azul”, muito usada no governo de Dilma Rousseff para se referir à elite do funcionalismo, está mais viva do que nunca na administração de Jair Bolsonaro. A proposta de reforma administrativa encaminhada nesta quinta-feira (03/09) ao Congresso mantém privilégios para as chamadas carreiras de Estado.

Pelo projeto, os “sangue azul” estão blindados do corte de salários e de jornada e terão a estabilidade intocada, inclusive em futuros concursos. A lista inclui auditores fiscais, policiais federais, funcionários do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), advogados da União e diplomatas. A lista oficial ainda não foi divulgada.

Segundo o Ministério da Economia, “a vedação da redução de remuneração e jornada para os cargos típicos de Estado está mantida na proposta”. Antes mesmo de o ministério reforçar isso, o Palácio do Planalto já havia informado representantes dos “sangue azul” que eles seriam preservados na reforma.

 

Carreirão será o mais afetado pela reforma

 

A reforma atingirá, sobretudo, o chamado carreirão, que representa 80% dos servidores federais. São, principalmente, professores e funcionários da saúde. Eles, no entanto, têm pouca representatividade no Congresso. Portanto, o lobby é fraco.

 

No Palácio do Planalto, a justificativa é de que o governo precisa proteger as carreiras de Estado, que são estratégicas para o país. Na Esplanada dos Ministérios, porém, o pensamento é o de que o governo deveria priorizar justamente profissionais da saúde e da educação.

 

A proteção dos “sangue azul” foi uma das exigências do presidente Bolsonaro. Ele não quer problemas com as carreiras ligadas às áreas de segurança, que se encaixam, em sua maioria, entre os cargos típicos de Estado.

 

Além do apoio do Planalto, os “sangue azul” têm forte representatividade no Congresso. São eles que bancam todo o trabalho feito nos bastidores junto a parlamentares para barrar ou fazer andar projetos de interesse deles.

 

CadernoB

Macaque in the trees
Atriz Cate Blanchett, presidente do júri do Festival de Cinema de Veneza de 2020, posa para foto na cerimônia de abertura (Foto: Reuters/Yara Nardi)

Os chefes dos principais festivais de cinema da Europa se reuniram para a abertura do Festival Internacional de Cinema de Veneza nessa quarta-feira para dar uma demonstração de solidariedade a uma indústria que foi atingida duramente pela pandemia de coronavírus.

O diretor do Festival de Cannes, o maior do mundo, e suas contrapartes dos festivais de Berlim, Roterdã, San Sebastián, Locarno, Karlovy Vary e Londres viajaram a Veneza para o primeiro evento internacional do tipo a acontecer desde que a crise de saúde praticamente congelou o mundo do cinema.

“Não é por nós, tudo que estamos fazendo e estamos tentando fazer… é pelo trabalho, é pelos filmes, é pelos diretores”, disse o chefe de Cannes, Thierry Frémaux, cujo próprio festival não pode acontecer tal como planejado no primeiro semestre.

“Durante nossa conversa de março, todos nós sentimos a grande solidão dos artistas, que também se perguntaram o que aconteceria. Tanta filmagem interrompida, muitos lançamentos foram cancelados, e a simples ideia de que o festival poderia prosseguir com os cinemas fechados… lhes fez algum bem.”

A atriz australiana Cate Blanchett, que preside o júri que concede os prêmios de Veneza neste ano, disse que também quis demonstrar apoio aos cineastas que tiveram que completar seus filmes em circunstâncias desafiadoras.

“É tão bom que haja tantos chefes de festivais do mundo todo vindo apoiar Veneza e percebendo que, na verdade, isso é… apoiar várias facetas diferentes da mesma indústria”, disse ela.

Como os casos de coronavírus voltaram a aumentar na Itália e em outras partes, um protocolo de segurança rígido foi adotado, inclusive o uso de máscaras para assistir filmes.(Com agência Reuters)

set
04
Posted on 04-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-09-2020


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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXIII – 5ª- feira 03/09/2020

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Zé Dassilva, no Diário Catarinense

set
04

CBF iguala percentual de premiação e, finalmente, contrata mulheres para chefiar a modalidade feminina após sofrer pressão por respaldar apenas homens em cargos de comando

Duda e Aline são apresentadas pela CBF.
Duda e Aline são apresentadas pela CBF.Divulgação
 
São Paulo

Depois de uma Copa do Mundo que expôs não só a popularização do futebol feminino, como também as queixas das atletas por valorização e igualdade, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu, enfim, atender a um antigo pleito das jogadoras. Nesta quarta-feira, o presidente da entidade, Rogério Caboclo, anunciou de forma oficial a equiparação financeira entre homens e mulheres convocados para a seleção. Além disso, a confederação apresentou duas executivas para liderar a modalidade, a fim de sobrepor um contestado ciclo de gestão masculina.

As jogadoras ganham a mesma coisa que os jogadores durante as convocações. Aquilo que eles recebem por convocação diária, as mulheres também recebem”, disse Caboclo, explicando a nova política que vigora desde março. “Não haverá mais diferença de gênero em relação à remuneração entre homens e mulheres.” Embora o valor das diárias e de premiação em competições como a Olimpíada tenha sido equiparado ao da seleção masculina, as jogadoras ainda seguirão em desvantagem nas gratificações por desempenho em Copas do Mundo, que mantêm a proporção do montante destinado pela FIFA.

Para as seleções femininas participantes do Mundial, a entidade máxima do futebol dobrou a premiação total na última edição da Copa, de 15 para 30 milhões de dólares. Porém, somente a seleção masculina vencedora do torneio embolsa 38 dos 400 milhões de dólares repartidos entre os homens. “O futebol continua ainda mais longe da meta da igualdade para todos os jogadores de Copa do Mundo, independentemente do gênero”, criticou a Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro) na época do anúncio do aumento da premiação para as mulheres. A medida da CBF, portanto, garante a mesma porcentagem do prêmio financeiro às jogadoras, não a igualdade de valores.

Ainda assim, a decisão foi celebrada por atletas e personalidades do futebol feminino. “É um momento histórico. Demorou, mas aconteceu da melhor forma possível”, diz a ex-jogadora Alline Calandrini, recordando que, na ocasião em que defendeu a seleção brasileira pela primeira vez, em 2006, a diária paga pela CBF era de apenas 25 reais. O último valor antes da equiparação abrangia uma quantia 10 vezes maior. Entretanto, representava metade do que é embolsado pelos jogadores da seleção masculina em partidas no Brasil. A defasagem de remuneração motivou deserções como a da atacante Cristiane, que, em 2017, chegou a anunciar que não defenderia mais a seleção feminina e cobrou equidade da CBF. Ela mudou de ideia, disputou a Copa no ano passado e, aos 35 anos, segue com o grupo.

Tanto quanto a equiparação, atletas também comemoram as contratações de Duda Luizelli, para a coordenação das seleções femininas, e de Aline Pellegrino, que, no cargo de coordenadora de competições femininas, se torna a única mulher a integrar a diretoria da CBF. “Espero que eu seja um elo entre clubes, atletas, federações e a confederação, porque a gente está dentro da hierarquia desse processo. Venho com o objetivo na mediação entre eles, pelo desenvolvimento do futebol feminino no Brasil”, afirmou Pellegrino, que até então comandava departamento semelhante na Federação Paulista de Futebol (FPF), durante sua apresentação. “Duas mulheres no comando do futebol feminino brasileiro. Duas pessoas que sabem muito bem como fazer. Estamos sonhando com um futuro que dessa vez, sim, conseguimos enxergar”, elogiou Calandrini.

A reivindicação por mais espaço para as mulheres no comando do futebol feminino é antiga, mas se intensificou nos últimos anos, inclusive na gestão de Caboclo. Ao assumiu oficialmente a presidência da CBF, em abril de 2019, o cartola foi o responsável por bancar a permanência do técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, e a do médico Marco Aurélio Cunha no cargo de coordenador de seleções, apesar dos maus resultados apresentados em campo. A presença de Cunha no alto escalão da modalidade era a mais questionada, já que, antes de assumir o posto, o dirigente jamais havia se envolvido com a gestão de equipes femininas.

Sua maior ambição sempre foi se tornar presidente do São Paulo, clube do qual é conselheiro e nome influente nos bastidores. Em 2016, Cunha se licenciou do cargo na CBF por quatro meses para virar diretor temporário de seu time do coração. Na volta, causou discórdia ao bater de frente com Emily Lima, primeira mulher a treinar a seleção feminina, que ele não hesitou em demitir após 10 meses na função. A contratação da sueca Pia Sundhage para o lugar de Vadão, um ano atrás, tornou a permanência do dirigente ainda mais constrangedora, já que Cunha manifestava a predileção por um treinador brasileiro no comando da equipe.

No início de junho, a CBF informou a saída do dirigente, que teria sido sacramentada “em comum acordo”. Apesar das pressões por mais atenção e suporte às seleções femininas, inclusive por parte de Marta, maior craque da modalidade, a confederação demorou três meses para anunciar a sucessora no cargo. Por todo o descaso histórico com as mulheres, o circuito do futebol feminino, embora festeje a virada de postura iniciada por Caboclo, agora se concentra em reivindicar autonomia e respaldo da CBF para que as novas executivas continuem pavimentando o caminho, ainda distante, rumo à igualdade de gênero no esporte.

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