DO EL PAÍS

Procurador era o coordenador do grupo desde seu início, em 2014, e deixou as investigações para cuidar de “questões de saúde em sua família”

O procurador Deltan Dallagnol enquanto ainda era coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato.
O procurador Deltan Dallagnol enquanto ainda era coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato.V. Platonow / Ag. Br.

 Marina Rossi

São Paulo

Num anúncio que pegou o meio jurídico de surpresa, Deltan Dallagnol, coordenador e o o rosto da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, divulgou nesta terça que está deixando a operação. De acordo com vídeo gravado, Dallagnol relata que está se desligando da força-tarefa para se dedicar a “questões de saúde em sua família”. “Há algumas poucas semanas eu e minha esposa identificamos sinais que nos preocuparam em nossa bebezinha”, disse ele, a respeito da filha de 1 ano e dez meses. “É uma decisão que tomo como pai”, avisou ele, lembrando que a Lava Jato “precisa de suporte” dos que apoiam a operação.

Com a saída anunciada, quem assumirá o posto de comandar as investigações do esquema de corrupção na Petrobras é Alessandro José Fernandes de Oliveira, procurador com mais tempo de casa na procuradoria do Paraná a manifestar interesse pelo posto, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná. Dallagnol deve deixar o comando da operação em 15 dias, tempo estipulado para realizar a transição.

No vídeo publicado, Dallagnol diz que é hora de se dedicar a sua família. “Percebemos que ela teve uma série de sinais de regressão em seu desenvolvimento”, afirmou ele, sobre a filha. O procurador também afirmou que seguirá trabalhando como procurador da República, mas deixará de dedicar “horas extras” e “finais de semana” às investigações da operação. E aproveita o vídeo, de três minutos, para deixar um recado: “Se você apoia a Lava Jato, continue a apoiar. A operação vai continuar fazendo o seu trabalho, vai continuar firme, mas decisões que estão sendo tomadas e que serão tomadas em Brasília estão afetando o seu trabalho”.

Dallagnol se refere à ofensiva lançada pelo procurador geral da República, Augusto Aras, contra a força-tarefa, que coloca o futuro da Lava Jato sob incertezas. No mês passado, Aras afirmou que era preciso “corrigir os rumos” para que o “lavajatismo não perdure”. O recado foi duro diante da decisão que Aras precisa tomar até o dia 10 deste mês. É preciso o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) para a renovação da estrutura das forças-tarefas da Lava Jato, tanto de Curitiba, quanto de São Paulo e do Rio de Janeiro. Quem tem o papel de renovar é a PGR, que já o fez por sete vezes seguidas. Mas agora, essa renovação está em xeque.

Nascido em Pato Branco, no Paraná, Dallagnol ficou conhecido no Brasil todo quando tinha apenas 34 anos e personificou o afã nacional pela luta contra a corrupção desde que a Lava Jato começou a atuar, em 2014. As mais de 70 operações eram explicadas a exaustão pelo procurador de rosto jovial com sotaque do sul. Dallagnol seduziu o país com sua obstinação por mostrar resultados e acabou colocando Curitiba no centro do poder. Agora, aos 40, enfrenta um desgaste e a dúvida se a dose do veneno aplicado não passou de um limite que se volta contra ele.

Para além da queda de braço com a PGR, a imagem de Dallagnol foi desgastada com as relevações da série de reportagens Vaza Jato, abertas pelo The Intercept Brasil, que revelou diversas mensagens trocadas nos bastidores entre procuradores da Lava Jato e autoridades, dentre elas o ex-juiz Sergio Moro. Os diálogos e a identificação da comunicação entre Moro e Dallagnol colocou em xeque a imparcialidade da operação.

O procurador voltou a ficar contra as cordas este ano, tendo um de seus processos disciplinares votados no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O processo foi aberto para investigar se houve ou não abuso de poder por parte do procurador no caso conhecido como Power Point de Lula. Na semana passada, depois de ter sido adiado 40 vezes, o julgamento ocorreu e o CNMP votou por arquivar o processo. No entendimento do Conselho, haveria elementos para a abertura de um processo e sanções poderiam ter sido aplicadas, se já não estivessem prescritas.

Dallagnol ainda tem dois processos disciplinares abertos contra ele no Conselho. Um deles investiga se o servidor tentou interferir na disputa pela presidência do Senado por meio de publicações em suas redes sociais contra o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O outro era justamente um pedido de remoção apresentado pela senadora Kátia Abreu (PP-TO). Nele, a senadora argumenta que Dallagnol já foi alvo de 16 reclamações disciplinares no Conselho, deu palestras remuneradas e firmou acordo com a Petrobras para que 2,5 bilhões de reais recuperados fossem destinados a uma fundação da Lava Jato. Ambos os processos estão suspensos e o primeiro, sobre a eleição no Senado, prescreve no próximo dia 10.

Se num primeiro momento, a ânsia de Dallagnol e da força tarefa por promover mudanças no poder ganhou a adesão geral entre políticos, no momento seguinte parecia ter perdido a graça. A derrocada do PT do poder sob as denúncias da Lava Jato foi aplaudida por boa parte do Congresso, mas depois tornou-se um risco quando as operações começaram a avançar para os demais partidos.

A PGR, alinhada com o Governo Bolsonaro, tentou inclusive abrir os dados disponíveis com a Lava Jato. Em junho, Aras enviou a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo a Curitiba para que ela obtivesse todos os arquivos que constavam do banco de dados da força-tarefa. O procurador-geral da República chegou a dizer que em Curitiba havia “uma caixa de segredos” com dados de mais de 38.000 pessoas. O golpe foi duro e a procuradoria do Paraná reagiu, negando o envio dos dados e criticando a atitude. A disputa foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou, por meio do ministro e relator da Lava Jato na corte, Edson Fachin, que os dados ficassem onde estavam.

A exemplo de Moro, que saiu da magistratura e arriscou a vida política ao seguir para o Governo Bolsonaro, o próprio Dallagnol teria cogitado se candidatar, segundo reportagens da Vaza Jato. Sua justificativa sobre os motivos que o tiram da operação agora, porém, são sensíveis o bastante para explicar por que prefere fica longe de um ambiente tóxico em que a política e a justiça se encontram neste momento.

“Tu me acostumbrastes”, Nana Caymmi:Fabulosa interpretação da filha de seu Dorival para uma dessas canções que quanto mais se escuta mais se quer ouvir. E cantar. E dançar, coladinhos, na base do dois pra lá, dois pra cá. Confira!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

set
02
Posted on 02-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-09-2020

DO CORREIO BRAZILIENSE

Além da Promotoria, parlamentares de oposição já anunciaram que vão pedir a abertura de um processo de impeachment e de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar os fatos

AE
Agência Estado
Após a TV Globo revelar que o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), mantém um esquema de cerceamento ao trabalho da imprensa pago com dinheiro público, o Ministério Público (MP) do Rio anunciou que abriu investigação contra o mandatário. Além da Promotoria, parlamentares de oposição já anunciaram que vão pedir a abertura de um processo de impeachment e de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar os fatos.
A reportagem mostrou, na segunda-feira, 31, que a Prefeitura do Rio paga funcionários para fazer “plantões” nas portas de hospitais e impedir o trabalho de equipes de televisão. Quando os repórteres começam a gravar entrevistas com pessoas que reclamam das condições da saúde municipal, os “guardiões do Crivella”, como é denominado o grupo desses servidores no WhatsApp, interrompem as gravações com gritos de “Globo lixo” ou de referência ao bolsonarismo, por exemplo.
A bancada do PSOL na Câmara Municipal vai apresentar na tarde desta terça-feira, dia 1º, um pedido de impeachment, conforme anunciou o vereador Tarcísio Motta. O partido vê crime de responsabilidade no ato do prefeito, que participava do grupo e dava incentivo aos servidores.
Já Teresa Bergher, do Cidadania, vai pedir a abertura de uma CPI e a exoneração do servidor Marcos Paulo de Oliveira Luciano, espécie de operador dos “Guardiões”. Ele ganha mais de R$ 10 mil por mês dos cofres públicos para gerenciar o esquema de ataques à imprensa.
“O prefeito, que vive alegando falta de dinheiro para gerir a cidade, que está abandonada, utiliza recursos públicos para pagar uma milícia de defensores de sua péssima gestão. Paga mais de R$ 3 mil para jagunços ameaçarem jornalistas e constrangerem pacientes que vão buscar atendimento nos hospitais do município”, diz a vereadora. “O funcionário que está por trás dessa milícia tem quer exonerado imediatamente, junto com todo o grupo. É caso de prisão de toda esta milícia. O prefeito deveria gastar este dinheiro com profissionais de Saúde. Uma vergonha. O Rio não merece isso.”
Os pedidos de medidas contra Crivella, que vai tentar a reeleição em novembro, não se limitam à Câmara Municipal. Deputado federal e ex-adversário do prefeito na eleição de 2016, quando ficou em terceiro lugar, Pedro Paulo (DEM-RJ) afirmou que vai entrar com ação popular para apuração dos gastos com os servidores, além de apresentar os indícios de irregularidades nos âmbitos administrativo e criminal ao MP.
“O prefeito está usando dinheiro público, pagando salários e contratando militantes e cabos eleitorais para constranger os cidadãos e impedir o trabalho dos jornalistas. Além de ser uma atitude antidemocrática, é uma tentativa de escamotear a realidade. Um exemplo de truculência, em vez dar explicações e melhorar os serviços. Isso é gravíssimo”, aponta o parlamentar, que é um dos principais aliados do ex-prefeito Eduardo Paes, o líder nas pesquisas para a eleição deste ano.
No MP, a investigação foi aberta pela Subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Criminais e de Direitos Humanos, com apoio do Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (Gaocrim).
Procurada pela TV Globo, a Prefeitura do Rio não negou a existência dos “Guardiões”. Disse que a iniciativa era uma forma de combater o que considera “fake news” sobre as condições da saúde no município.

set
02
Posted on 02-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-09-2020

 

Em time que está ganhando não se mexe, diz substituto de Deltan
 

O novo coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Alessandro Oliveira, disse ao Estadão que buscará a continuidade do trabalho desenvolvido desde 2014 no Paraná por Deltan Dallagnol, a quem vai substituir.

“Em time que está ganhando não se mexe”, afirmou Oliveira, acrescentando que vai trabalhar para que a força-tarefa não acabe.

O pedido de prorrogação dos trabalhos por mais um ano está nas mãos de Augusto Aras, que tem até o dia 10 para decidir.

Integrante do grupo de trabalho da Lava Jato na PGR, o procurador negou que seja aliado de Aras ou da subprocuradora-geral Lindôra Araújo, que até esta terça-feira, 1º, era sua chefe.

“Sou aliado da promoção de justiça, da independência funcional, daquilo que seja o melhor para o Ministério Público e para o Brasil.”

Televisão

DO CORREIO BRAZILIENSE

A participação da apresentadora no ‘Encontro’ ficará suspensa por tempo indeterminado, como anunciou Fátima Bernardes

CB
Correio Braziliense
postado em 01/09/2020 11:17 / atualizado em 01/09/2020 11:18
 

 (foto: Instagram/Reprodução)

(foto: Instagram/Reprodução)

Ana Maria Braga foi diagnosticada com pneumonia no último fim de semana. Em repouso recomendado pelo médico, ela está afastada do programa Encontro com Fátima Bernardes, onde tem apresentado receitas desde a retomada da atração.

No programa de segunda-feira (31/8), Fátima Bernardes fez o anúncio de que a participação de Ana Maria Braga está suspensa por tempo indeterminado: “Hoje não teremos a Ana e o Louro José aqui, ao vivo. Ela está em casa, de repouso. Essa é uma recomendação médica para ela se recuperar de uma pneumonia, que foi descoberta no sábado. Nesse período da pandemia, a gente sabe que os cuidados devem ser redobrados”, disse a apresentadora.

Em outro momento, ela aproveitou para mandar boas energias para a colega. “Ana, que você se recupere logo, volte logo! Mas fique bem. A gente vai cuidando aqui do que pode”, comentou.

set
02
Posted on 02-09-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-09-2020



 

Sponholz, NO

 

DO EL PAÍS

Revista satírica afirma, às vésperas do julgamento pelos atentados que custaram a vida de vários membros da publicação, que não se deixará “dobrar” pelos jihadistas

Os irmãos Kouachi atiram em um policial antes de entrar na redação do ‘Charlie Hebdo’ em 7 de janeiro de 2015, em Paris. JORDI MIR / AFP
Os irmãos Kouachi atiram em um policial antes de entrar na redação do ‘Charlie Hebdo’ em 7 de janeiro de 2015, em Paris. JORDI MIR / AFPJORDI MIR / AFP

 Silvia Ayuso

Paris

Estão, outra vez, todas. Na véspera do início do julgamento pelos ataques extremistas que atingiram sua redação há cinco anos, o Charlie Hebdo voltou a publicar charges de Maomé que tornaram a revista satírica francesa um alvo fatal dos islamistas em 7 de janeiro de 2015. “Tudo isso [em referência aos ataques], para isso”, diz a manchete, que reproduz as tristemente famosas charges que o Charlie publicou em 2006 em solidariedade ao jornal dinamarquês Jyllands-Posten, ameaçado por ser o primeiro a imprimir desenhos do profeta muçulmano.

“Nunca descansaremos. Nunca renunciaremos”, afirma nas páginas internas o atual diretor do Charlie Hebdo, Riss, que ficou gravemente ferido no atentado à redação realizado pelos irmãos Chérif e Said Kouachi em 7 de janeiro de 2015. No ataque morreram ícones da revista satírica como seu diretor, Charb, e os cartunistas históricos Cabu, Tignous e Wolinski. No total, 12 pessoas morreram naquele primeiro atentado, oito delas membros ou colaboradores do Charlie Hebdo. Um dia depois, um cúmplice dos Kouachi, Amedy Coulibaly, assassinou um policial nos arredores de Paris para acabar assaltando, no dia 9 de janeiro, o supermercado judaico da capital Hyper Cacher, onde matou outras quatro pessoas antes de ser abatido.

Além dos 12 desenhos iniciais do jornal dinamarquês, o Charlie Hebdo reproduz em sua edição digital – que já está disponível em seu site antes da edição impressa, que chegará às bancas nesta quarta-feira, coincidindo com o início do processo – a capa do número original de 8 de fevereiro de 2006 feita por uma das vítimas dos Kouachi, Cabu, e que mostra Maomé cobrindo os olhos com as mãos horrorizado e dizendo: “É duro ser amado por idiotas”.

Na edição imediatamente posterior aos atentados, em 14 de janeiro de 2015, sob a manchete “Tudo está perdoado”, o Charlie Hebdo voltou a publicar na capa um desenho de Maomé, desta vez chorando e carregando o cartaz “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), o lema solidário que percorreu o planeta depois do massacre na revista.

“Desde janeiro de 2015 nos pedem repetidamente para publicar outras charges de Maomé. Sempre recusamos, não porque seja proibido, porque a lei nos permite, mas porque era necessário um bom motivo para isso, uma razão que fizesse sentido e que contribuísse com algo para o debate”, explica a redação do Charlie sobre a decisão agora tomada.

“Reproduzir estas caricaturas nesta semana da abertura do julgamento dos atentados de janeiro de 2015 nos pareceu indispensável”, acrescenta a publicação no “número especial” dedicado aos três dias de atentados que abriram um trágico 2015 que acabaria com outra onda de ataques terroristas em Paris, em 13 de novembro, que deixaram mais 130 mortos. As charges, explica o Charlie Hebdo, são “provas” do que aconteceu e era necessário recuperá-las porque “desde 2006 já se passaram 14 anos e os jovens franceses que nasceram desde então serão testemunhas de um processo que não compreenderão, pois estes desenhos nunca mais foram publicados. Por isso, é um dever de informação publicar novamente estes documentos que têm um valor histórico tanto histórico quanto penal”.

Capa da última edição do ‘Charlie Hebdo’.
Capa da última edição do ‘Charlie Hebdo’.– / EFE

O presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), Mohammed Moussaoui, pediu na terça-feira que se “ignorem” as charges do profeta – o Islã proíbe sua representação, em alguns países muçulmanos ridicularizá-lo ou insultá-lo é inclusive punível com a pena de morte – e que em vez disso se pense nas vítimas do terrorismo. “A liberdade de fazer charges e a liberdade de que não se goste delas estão garantidas e nada justifica a violência”, tuitou Moussaoui. “Aprendemos a ignorá-las e pedimos que essa atitude seja mantida em qualquer circunstância”, acrescentou em declarações à Agência France Presse.

Como adiantou a revista em suas redes sociais, o novo número traz também uma nova pesquisa sobre a liberdade de expressão. O julgamento que começa nesta quarta-feira em Paris e vai até novembro é considerado, em grande parte, um processo em que será analisado o estado da liberdade de expressão e o direito à blasfêmia protegido por lei na França, mas que com o ataque jihadista ao Charlie sofreu um golpe do qual o país ainda não se recuperou.

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