DO EL PAÍS

A atual esposa e as duas ex do presidente compõem uma extensa família cujo lema poderia ser “política (ou poder) acima de tudo”. Investigações sobre Queiroz rondam primeira-dama

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o presidente, Jair Bolsonaro, em uma cerimônia no Palácio do Planalto em Brasília.
A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o presidente, Jair Bolsonaro, em uma cerimônia no Palácio do Planalto em Brasília.ADRIANO MACHADO / Reuters

 Naiara Galarraga Gortázar

São Paulo

Embora o núcleo duro do clã Bolsonaro seja claramente masculino, ele também inclui mulheres, as três com quem o presidente compartilhou sua vida, as mães de seus filhos. Por motivos diferentes, elas também são notícia. A atual esposa, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, de 38 anos, protagonizou o fenômeno viral da semana por conta de um dinheiro de origem suspeita que recebeu de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro. A segunda mulher, Ana Cristina Valle, uma advogada de 53 anos, também sob suspeita por esse mesmo caso de desvio de dinheiro público. E a primeira, Rogéria Nantes Nunes Braga, de 65 anos, mãe dos três filhos mais velhos do mandatário, os três políticos profissionais com vários mandatos legislativos nas costas, cogita disputar as próximas eleições municipais por uma vaga na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Juntas, compõem uma árvore genealógica complexa, uma família com vários ramos cujo lema poderia ser “política (ou o poder) acima de tudo”, parafraseando seu lema de Governo, “Brasil a cima de tudo, Deus acima de todos”. Os laços ?incluindo os trabalhistas e políticos? sobrevivem às rupturas sentimentais. Desde que se casou pela primeira vez, em 1978, Jair Bolsonaro nunca chegou a ficar um ano solteiro.

Formou uma dessas famílias cada vez mais comuns, mas que pouco tem a ver com a família clássica apregoada pelas Igrejas evangélicas que tantas alegrias lhe deram em forma de votos. Cinco filhos de três casamentos, exatamente como seu admirado Donald Trump.

Michelle Bolsonaro, em setembro, num evento em Brasília.
Michelle Bolsonaro, em setembro, num evento em Brasília. Alan Santos / PR

A primeira-dama do Brasil é uma mulher discreta quase três décadas mais jovem que o presidente. Evangélica, mãe da única filha de Bolsonaro, Laura ?a menina por quem esse presidente machista baba. Conheceram-se no Congresso quando Michelle era secretária de outro deputado. Às vezes ela participa de algum ato governamental de perfil social ou acompanha seu marido, mas sempre em segundo plano. Raramente fala em público. Foi vista usando máscara antes que fosse obrigatório, nada a ver com ele, sempre relutante. E, assim como ele e vários ministros, acaba de superar o coronavírus sem consequências graves.

Uma ameaça explícita de Bolsonaro a um jornalista se voltou como um bumerangue contra ele na última semana, embora sua esposa é que tenha sido colocada sob os holofotes. No domingo passado, um repórter perguntou ao presidente sobre umas transferências suspeitas de um amigo da família preso por corrupção, e Bolsonaro lhe respondeu com uma frase inadequada para um chefe de Estado, mas que não destoa de seu histórico de grosserias: “Tenho vontade de encher tua boca de porrada”. Nas horas seguintes, mais de um milhão de tuiteiros o bombardearam com a pergunta que o deixou nervoso e ficou sem resposta: “Presidente @JairBolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu 89.000 reais de Fabrício Queiroz?”. Essa quantia foi depositada na conta da primeira-dama, como descobriu a polícia. A pergunta continua sem resposta. Michelle também não abriu a boca.

É um caso complicado, coisa que no Brasil não é incomum. A polícia suspeita que o primogênito do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, administrava com Queiroz, seu faz-tudo, um sistema para ficar fraudulentamente com parte dos salários de assessores de seu gabinete, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. E é aí que aparece a conexão com a segunda esposa de Jair Bolsonaro, a mãe de Renan, o único filho que não está na política. Aos 22 anos, ele estuda direito. Embora tenham se separado há mais de uma década, Ana Cristina Valle ?que não usa o sobrenome de seu ex? colocou parentes como funcionários nos escritórios legislativos de Flávio e de seu irmão Carlos, familiares que agora estão sendo investigados pela polícia por repassar ao chefe parte de seus salários, uma prática conhecida como “rachadinha”.

Jair Bolsonaro, Renan Bolsonaro e Ana Cristina Valle, em uma imagem compartilhada nas redes sociais da ex-esposa.
Jair Bolsonaro, Renan Bolsonaro e Ana Cristina Valle, em uma imagem compartilhada nas redes sociais da ex-esposa. FB CRISTINA BOLSONARO

O Bolsonaro pai tem conseguido manter boas relações com suas ex-esposas. As duas saíram em sua defesa quando a ocasião exigiu e pediram votos para ele. Isso também não causa muita surpresa se olhamos para os Bolsonaro mais como uma marca ou como uma empresa.

O presidente foi militar antes de iniciar uma longa e insignificante carreira de deputado enquanto ia colocando sua prole na política. A jogada funcionou. Tem cada um dos filhos mais velhos colocado em uma casa legislativa. Flávio, 39 anos, é senador, o calcanhar de aquiles de uma família que fez da luta contra a corrupção sua grande bandeira política. Carlos, 37 anos, é vereador no Rio. E Eduardo, de 36, deputado federal. Seu pai os defende com unhas e dentes.

Rogéria Nantes Nunes Braga, primeira esposa de Bolsonaro, com o filho Eduardo.
Rogéria Nantes Nunes Braga, primeira esposa de Bolsonaro, com o filho Eduardo.FB ROGÉRIA BOLSONARO

Dizem que Jair Bolsonaro tem mais instinto que inteligência. O fato é que, depois de um ano e meio no poder, com uma trajetória repleta de escândalos, sua popularidade está mais alta que nunca. Escrúpulos, certamente, não lhe sobram. Quando se separou de Rogéria após uma década de casamento, Bolsonaro fez com que Carlos, então com apenas 17 anos, concorresse contra ela nas eleições municipais, para que não fosse reeleita vereadora. O jovem obteve três vezes mais votos que sua mãe e ficou com a cadeira na Câmara do Rio, que ainda ocupa. Está em seu quinto mandato. Agora Rogéria aspira a reconquistar o cargo no Rio, nas eleições municipais de novembro. Seus planos de concorrer como vice na chapa do prefeito Marcelo Crivella, um pastor evangélico, esfriaram, mas quem sabe, ainda faltam três meses

“The Very Thought”, Tony Bennett e Paul MacCartney (Dueto): Tony e Paul, para começar a semana Bennett!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

DO CORREIO BRAZILIENSE

A atriz revelou que o acidente foi causado pelo mau uso do celular enquanto caminhava. A ex-secretária da Cultura apontou ainda que o aparelho “pode ser uma arma”

IS
Ingrid Soares
 

 (foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

(foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

A atriz e ex-secretária da Cultura Regina Duarte sofreu uma queda nas ruas de São Paulo e precisou passar por cirurgia após quebrar três dentes. “Não tive tempo de amortecer, fui de boca no chão”, contou.

Segundo relato publicado nas redes sociais, a desagradável experiência ocorreu no último dia 13 de agosto, porém ela resolveu expor o assunto na noite de ontem (30/8). Na rede social, a atriz revelou que o acidente foi causado pelo mau uso do celular enquanto caminhava. Regina apontou que o aparelho “pode ser uma arma”.

“O celular pode ser uma arma. Uma distração, um informante de conhecimentos e cultura. O celular pode ser um professor, um fofoqueiro, uma distração, um potencial solucionador e pode ser também uma arma que deve ser mantida para ser usada em espaços de segurança. Quero partilhar com vocês minha desagradável experiência. Eu não levava em conta os perigos a que estamos expostos quando menosprezamos o quão perigoso pode ser um celular, o mau uso dele. Há duas semanas, caminhando rapidamente numa calçada irregular de São Paulo, vinha eu digitando uma mensagem que considerava ‘urgente’ e não me dei conta de uma depressão que existia logo ali à minha frente. Resultado: pisei em falso nela, aterrissei de boca no chão, queixo, nariz, dente. Não tive tempo de amortecer a queda, fui de boca no chão”.

Regina completou ainda que a cirurgia durou uma hora e meia. “Quebrei 3 dentes, muito sangue, a boca cheia de cacos de porcelana, pessoas que viram a queda assustadas querendo me levar prum hospital, eu recusando, estava mesmo bem perto de minha casa, agradeci e fui, no aconchego do lar, avaliar o estrago”.

Ela apontou que ligou para um médico que a atendeu prontamente e lhe aplicou anestesia. Em seguida, foi ao encontro de um cirurgião plástico. “Já com a boca anestesiada segui pro meu cirurgião plástico no Pronto Socorro do Sírio, para uma cirurgia de hora e meia. Foram 16 pontos em 3 camadas do epitélio que fiz questão de assistir, claro que depois de 4 tubos de anestesia e sem sentir 1 pingo de dor”.

Por fim, Regina alertou os seguidores para o tema que caracterizou como “utilidade pública” e disse que de agora em diante, utilizará o aparelho com mais responsabilidade. “Lembrar que, mais uma vez, é imprescindível ficarmos alertas para os perigos do uso equivocado dos celulares. Esses aparelhinhos tiram de nós a capacidade de concentração, nos mantém atrelados a eles atrasando os reflexos e podendo pôr em risco a nossa vida…. De agora em diante só uso o celular com responsabilidade, me protegendo dos perigos que possam me causar. Estou bem, gracias, amo vocês”, concluiu.

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Posted on 31-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-08-2020

DO SITE O ANTAGONISTA

 

“Nada justifica não prorrogar os trabalhos da Lava Jato”
Brasília – Júlio Marcelo de Oliveira é desqualificado como testemunha e ouvido na condição de informante durante o primeiro dia da sessão de julgamento do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público de Contas junto ao TCU, disse neste domingo que “nada justifica não prorrogar os trabalhos da Lava Jato”.

“A esta altura, já deveria ter sido prorrogada”, disse ao comentar uma publicação do procurador Roberson Pozzobon. Em sua postagem, o integrante da Lava Jato reproduziu os números impressionantes da operação em seus seis anos:

 “Nos 6 anos o volume de trabalho na Lava Jato no Paraná aumentou 1.210%, enquanto a força de trabalho cresceu 79%. Nesse momento, em que trabalho e resultados seguem aumentando na Lava Jato, não faz o menor sentido desestruturar a força-tarefa.”

DO CORREIO BRAZILIENSE

Ela lutava, nos últimos anos, contra um câncer no pâncreas e estava internada em São Paulo, mas veio a óbito por causa da doença

CB
Correio Braziliense
 

 (foto: Arquivo pessoal de Milton Neves)

(foto: Arquivo pessoal de Milton Neves)

Morreu na madrugada deste domingo (30/8), aos 65 anos, a esposa do apresentador Milton Neves, Lenice Chame Magnoni Neves. Os dois estavam casados há 42 anos. Ela lutava, nos últimos anos, contra um câncer no pâncreas e estava internada em São Paulo, mas veio a óbito por causa da doença. Lenice Neves recebeu uma emocionante homenagem no clássico paulista desse domingo.

A informação foi confirmada pelo apresentador nas redes sociais. “Último sorriso de minha esposa Lenice Chame Magnoni Neves, mas nesta madrugada o maldito câncer fez mais uma vítima. Foram 10 anos de namoro e 42 de casamento”, lamentou.

O casal tem três filhos e duas netas. “Com ela cuidando sozinha dos meninos enquanto eu mais trabalhava na vida. Hoje, com tanta realização, foi-se o pilar”, escreveu. Ainda não há informações sobre sepultamento e velório.

Lenice era formada em odontologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Palmeirense como o pai, Lenice acompanhava o clube de coração e se orgulhava dos momentos de convívio com alguns dos principais jogadores do clube alviverde, entre eles o goleiro Marcos.

Afastamento

O apresentador anunciou que se afastará do trabalho e não comentará a rodada do final de semana no Campeonato Brasileiro, no blog no portal UOL. Milton Neves também prestou homenagem para a esposa no Instagram e afirmou que Lenice era o “pilar da família”

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Posted on 31-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-08-2020



 

Thiago Lucas, NO

 

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DO EL PAÍS

Setor, que movimenta cerca de 10,8 bilhões de reais por ano, enfrenta situação crítica após cinco meses com os salões de baile vazios. Somente na capital argentina são mais de 200 milongas que fecharam ao mesmo tempo. Campeonato mundial será virtual em 2020

Casal ensaia em sua casa de Buenos Aires para o Campeonato Mundial de Tango 2020.
Casal ensaia em sua casa de Buenos Aires para o Campeonato Mundial de Tango 2020.RONALDO SCHEMIDT / AFP

 Mar Centenera

Buenos Aires

“Mi Buenos Aires querido, cuando yo te vuelva a ver, no habrá más penas ni olvido” (Minha Buenos Aires querida, quando voltar a vê-la, não haverá mais tristezas nem esquecimentos), canta Carlos Gardel num dos tangos mais nostálgicos dedicados à capital argentina. A pandemia da covid-19 impediu que dançarinos do mundo inteiro aterrissassem neste agosto na cidade para competir no Campeonato Mundial de Tango e participar do festival. Pela primeira vez na história, sua presença terá que ser virtual, como também têm sido, desde março, as aulas e os espetáculos de uma dança declarada patrimônio imaterial da humanidade. No silêncio das noites da Buenos Aires sem tango, os trabalhadores levantam a voz contra a precarização do setor e exigem ajuda do Governo, enquanto se unem para sobreviver e planejar o desejado regresso.

“O tango está chorando. Sofre do coração e terá um infarto”, adverte Julio Bassan, presidente da Associação de Organizadores de Milongas —como são conhecidas na Argentina as salas de bailes de tango. Apagaram as luzes em março, e ninguém sabe quando poderão acendê-las de novo. Pelo menos quatro já fecharam as portas. Outras resistem como podem, apoiadas pela comunidade tanguera, que sente saudades do ritual de abraçar o parceiro e se deixar levar pela música na pista até de madrugada.

“O tango representa tudo o que você não deve fazer atualmente. É estar num espaço fechado muito pequeno, com muita gente de vários países, todos muito próximos, abraçando-se, dançando”, diz Rafael Luna, um bailarino venezuelano de 32 anos que chegou pela primeira vez a Buenos Aires em 2011 para competir no campeonato de tango e voltou sempre que foi possível, até que tomou a decisão de se mudar há dois anos. “Buenos Aires é a maior vitrine de tango do mundo. Do mesmo jeito que você pensa em ir a Los Angeles se for ator ou atriz, para os dançarinos de tango o centro do mundo é aqui”, afirma.

O tango movimenta cerca de 2 bilhões de dólares (10,8 bilhões de reais) por ano, segundo Bassan. Somente na capital argentina existem 200 milongas, em sua maioria frequentadas por argentinos e residentes, e 14 casas de tango, destinadas ao turismo. Todas fecharam ao mesmo tempo, em 11 de março. “A única coisa que Buenos Aires tem é cultura. Como pode ser que o Governo não acompanhe?”, critica Bassan. Concordam com ele os dançarinos

Fernanda Grosso e Alejandro Ferreyra, que formam um casal dentro e fora do palco. “O futebol, asado e o tango são os grandes embaixadores de Buenos Aires. O tango atrai o turismo nos 365 dias do ano. Inclusive há pessoas que vêm só para dançar, mas depois, quando voltam, falam também dos vinhos, da carne. E alguns até abrem um lugar de tango em seu país. O Governo não leva isso em conta”, lamenta Grosso.

Com as fronteiras fechadas e os salões vazios, ficou evidente a vulnerabilidade e a precariedade de muitos de seus trabalhadores. “Há casas de tango que pagam formalmente 30% e o resto em dinheiro. Não existem feriados nem domingos, não existem dias livres nem férias remuneradas”, denuncia Bassan. Os dançarinos também não podem ir ao exterior para aumentar os ganhos que obtêm na Argentina.

 Músicos como Diego Benbassat, que toca bandoneón na Orquestra Misteriosa Buenos Aires, foram obrigados a abandonar temporariamente seu ofício para poder pagar as contas. “Desde março nosso trabalho foi totalmente interrompido. Foram suspensos todos os projetos com a orquestra e com uma casa de tango”, afirma Benbassat. Outros profissionais sobrevivem graças a familiares, amigos e subsídios estatais como a Renda Familiar de Emergência.

Ninguém foi poupado do golpe, nem sequer figuras como a bailarina e coreógrafa Mora Godoy. “Estes cinco meses nos devastaram. Sem trabalho e com condições de trabalho difíceis, viu-se o desamparo sofrido por bailarinos, cantores e músicos de tango. É muito preocupante para nós”, diz Godoy, que em 2016 dançou com o então presidente norte-americano Barack Obama durante sua visita a Buenos Aires.

A insatisfação da comunidade tanguera com as autoridades de Buenos Aires explodiu no Festival e Campeonato Mundial de Tango, inaugurado na última quarta-feira. Diversos músicos e dançarinos se negaram a participar em sinal de protesto, ao saberem que alguns colegas tinham recebido a proposta de atuar grátis. O diretor artístico do festival, Gabriel Soria, nega essa acusação, mas admite que “alguns poucos artistas decidiram não participar” e respeita sua decisão.

Dançar de casa

A pandemia dizimou também o Campeonato Mundial. O número de casais participantes caiu de 744 em 2019 para 200 este ano. Em vez do mítico estádio Luna Park, eles se exibem através de um vídeo gravado em suas casas na Argentina, Japão, Colômbia, Suíça, Noruega e Itália.

“Muitos precisaram se adaptar às novas formas de comunicação com os meios tecnológicos”, diz Soria. Luna, Grosso e Ferreyra estão entre eles: conseguiram se manter graças às aulas que dão através do Zoom.

Todos sentem falta dos ensaios, do carinho do público e de voltar a cruzar a porta de uma milonga. Mas consideram que, pelo menos até que haja uma vacina, nada mais será como antes. “Eu dançava com pessoas de todas as partes, e o abraço era algo tão básico quanto respirar. Nem pensava nisso, era algo seguro. No primeiro momento, acredito que haverá uma reavaliação do que significa abraçar. As milongas serão em espaços abertos e teremos dois cenários: casais que irão juntos e só dançarão entre si e kamikazes que não se importarão com nada e mergulharão no tango com tudo”, diz Luna. “Acredito que não haverá meio termo, será branco ou preto. Teremos pessoas assustadas que não vão querer voltar, mas também outras desesperadas que estarão na milonga desde o primeiro dia”, diz Grosso.

Bassan prevê uma reabertura com protocolos, máscaras, álcool em gel e pouca ou nenhuma troca de casal ao longo da noite. Mas considera que a essência se manterá. “O tango é humanidade. Te abraça e não se importa se você é jovem, velho, alto, careca ou se tem essa ou aquela religião. Nunca perderemos o abraço, e por isso sofremos tanto. Porque não podemos nos abraçar.”

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