Os depósitos de Queiroz a Michelle Bolsonaro: entenda as contradições no caso - BBC News Brasil
 A pergunta segue no ar…

ARTIGO DA SEMANA

Soco: pergunta no ar e o calcanhar de Bolsonaro

Vitor Hugo Soares

 

Segue, flutuando no ar, à espera de resposta concreta e verdadeira, a pergunta que não quer calar, no país e em grande parte do mundo democrático e interessado em Sua Excelência, o Fato e na retidão de princípios e honestidade dos homens públicos em geral e dos governantes em particular: “por que Queiroz depositou R$89 mil na conta bancária de Michelle Bolsonaro, atual primeira dama do Brasil?”, como revelou a revista digital Crusoé, depois de devidas investigações, confirmadas por outros importantes veículos de comunicação, nacionais e estrangeiros.

Não vale (por imprópria, descabida e inaceitável) a reação machista e farofeira do tipo, (“minha vontade é encher sua boca de porrada” como reagiu o presidente da República, Jair Bolsonaro, (nas proximidades da Catedral Metropolitana de Brasília) contra um repórter de O Globo, em serviço, domingo passado. Diante da incômoda questão que começa a transformar-se no “calcanhar de Aquiles” do mandatário, já em evidente campanha para reeleição quando seu atual mandato ainda nem chegou à metade. Pisou na bola como reles peladeiro de fim de semana e “deu bandeira” o capitão, atual ocupante do Palácio do Planalto. Ou não? A conferir.

Uma coisa é certa desde já: não é mais possível negar nem esconder a evidência do “pisando em ovos” exposta publicamente pelo temperamento, de fio desencapado de alta tensão, do dono maior do poder, que escancara de vez o seu ponto mais vulnerável, sintetizado na interrogação viral destes últimos dias de agosto, do ano da pandemia. Repetida, (a pergunta) só no domingo passado, mais de um milhão de vezes nas redes sociais, pelas mais diversas figuras e personalidades (dentre elas celebridades da sociedade, das artes, da cultura, da política e dos negócios.)

Mal (ou bem?) comparando – mesmo em face a fatos novos como o afastamento de Wilson Witzel do governo do Rio nesta sexta-feira -, as reações atuais dão a impressão de caminhar para situação bastante comum na fase de investigação de grandes casos envolvendo corruptos e corruptores – saqueadores do dinheiro público por décadas – durante a operação Lava Jato. Quando os promotores da força-tarefa do MPF e investigadores da PF costumavam repetir uma frase marcante: “a gente puxa uma pena e sai uma galinha inteira”.

Doa em quem doer: o fato é que esta história do dinheiro depositado por Fabrício Queiroz e sua mulher na conta de dona Michelle tem poder explosivo de nitroglicerina pura. Sem as devidas explicações cabais – ou com “respostas” na base de tentativas de ameaças aos que buscam, profissionalmente, jogar focos de luz sobre este caso nebuloso – acaba virando o “ponto fraco de Bolsonaro e que o levará a ser apanhado” (na avaliação do analista de TV e ex-deputado federal Fernando Gabeira, já na segunda-feira, na Globo News). Ou a ponta do iceberg de uma relação financeira obscura, que envolve o clã do presidente da República e o ex-assessor parlamentar ligado a milicianos”, como sugere o jornal espanhol El País, em reportagem analítica sobre o caso, esta semana.

Seja como for, dê no que der, que se reconheça: são razões de sobra para tirar o sono do atual ocupante do Palácio Alvorada e de fazer do presidente Jair Bolsonaro o barril de pólvora ambulante que se viu domingo, quase diante da magnifica catedral, quando um jovem repórter pôs o mandatário de frente à pergunta que não quer calar. Repita se quiser!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h.@uol.com.br

“Primavera”, Carlos Lyra: E por que hoje é sábado, Carlinhos Lyra, na vitrola do BP, para ficar juntinho!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

 

Urgente: Moraes revoga decisão de Toffoli e libera processo de impeachment de Witzel
 
DO SITE O ANTAGONISTA

O ministro Alexandre de Moraes acaba de revogar decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, que travava o andamento do processo de impeachment do governador afastado do Rio Wilson Witzel.

Toffoli havia mandado a Assembleia Legislativa do Rio começar o processo do início. Segundo o presidente do tribunal, a comissão especial do impeachment foi montada por indicação das lideranças partidárias, sem eleição, o que seria inconstitucional.

 Alexandre, no entanto, disse não haver problema no método de convocação. “Basta verificar que não houve irresignação por parte de nenhum dos partidos políticos representados na Assembleia Legislativa”, escreveu, na liminar de hoje à tarde.

“Tratando-se de legítima opção política realizada pela Assembleia Legislativa”, disse o ministro, “fica afastada a possibilidade de ingerência do Poder Judiciário em escolhas eminentemente políticas, dentro das opções constitucionais”.

Witzel foi afastado do cargo hoje por decisão do ministro Benedito Gonçalves, do STJ. Ele foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro, apontado pelo MPF como chefe de uma organização criminosa que desvio recursos da saúde do estado.

ago
29

DO EL PAÍS

Governador se elegeu na onda da ’Jairmania’ e agora acusa o presidente de possível influência em sua queda. Ele aponta que sua saída pode beneficiar investigação contra Flavio Bolsonaro

Wilson Witzel e Bolsonaro no Rio.
Wilson Witzel e Bolsonaro no Rio.MAURO PIMENTEL / AFP
 Carla Jiménez

O ex-juiz e ex-fuzileiro naval Wilson Witzel, agora governador afastado do Rio de Janeiro por 180 dias, teve uma ascensão tão meteórica quanto a sua queda, que culmina com a operação desta sexta-feira que o afasta por suspeitas de corrupção na área de saúde. A investigação atinge até mesmo a primeira-dama, Helena Witzel, “Estou sendo afastado sem nenhuma prova”, garante ele, que se diz perseguido por uma questão pessoal com o presidente Jair Bolsonaro. O histórico de ambos mostra que a inexperiência de Witzel, sua ambição por voos mais altos e a deslealdade com quem lhe permitiu usar seu nome para se eleger formaram a alquimia para a tormenta que o tirou do cargo nesta sexta, 28.

Witzel, de 51 anos, casado e pai de 4 filhos, era um ilustre desconhecido para a maioria dos brasileiros até a véspera da eleição em 2018, e um amador na política. Em meados de setembro, a 20 dias da eleição, ele tinha 2% das intenções de votos. Witzel nunca havia competido por um cargo eletivo, mas achava que tinha o perfil talhado para o momento que o Brasil vivia em 2018, sob a insígnia da ordem ao caos que a Lava Jato havia inaugurado em 2014. Mencionava o então juiz Sergio Moro e o juiz Marcelo Bretas como referências.

O então candidato Jair Bolsonaro liderava as pesquisas presidenciais, e a campanha de Witzel, que já havia tentado outras alianças, viu ali a única chance de avançar na peleja. Foi Flavio Bolsonaro, então candidato a senador, quem articulou a aliança para que Witzel se apoiasse no sobrenome da família na disputa, embora seu pai não tenha endossado publicamente o nome do candidato a governador. Dito e feito, o ex-juiz disparou nas pesquisas e passou para o segundo turno em 7 de outubro com 41% dos votos, o dobro do segundo colocado, Eduardo Paes.

Era o momento exato em que o Brasil comprava a Jairmania, com seu discurso agressivo contra o PT, e contra a bandidagem. Quem se alinhasse ao seu discurso pró-armas, antiesquerda e pela segurança do cidadão de bem tinha fortes chance de ganhar. Witzel foi então carregado pelos aliados e por pitbulls de Bolsonaro em palanques do Rio para se tornar mais conhecido. Em 1º de outubro, estava ao lado dos candidatos a deputado federal e estadual, o ex-policial Daniel Silveira e Rodrigo Amorim, na cidade serrana de Petrópolis. No dia anterior Silveira e Amorim haviam quebrado uma réplica de placa de rua com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco contra “a bagunça socialista”. No ato em Petrópolis, lá estavam eles exibindo a placa rasgada na mão ao lado do candidato Witzel. Em seguida, Silveira apresentou o ex-juiz como “nosso candidato ao Governo do Rio”.

Mesmo sem o aval público de Bolsonaro, Witzel se esforçava para mostrar intimidade com o candidato que estava por cima da carne seca. Contou ao público naquela ocasião que havia jantado com o então candidato a presidente meses antes e manifestado seu interesse em ser governador. “Ele me disse: ‘Olha, eu tenho um parafuso a menos por querer ser presidente da República, mas você querer ser governador do Rio tem menos dois’”, relembrava. Eis que selou a conversa, segundo ele, ao dizer “candidato, sou fuzileiro naval. Missão dada é missão cumprida”, numa corte ostensiva para ganhar sua atenção.

O ex-juiz ganhou o voto das áreas dominadas por milícias por um lado, e dos evangélicos por outro, como candidato do Partido Social Cristão (PSC), presidido pelo Pastor Everaldo, detido nesta sexta (28) na operação contra fraudes na saúde do Rio. Quando eleito, em 28 de outubro com quase 60% dos votos (4,67 milhões), Witzel reafirmou seu compromisso com os ideais bolsonaristas e a gratidão a Flavio. “Quero manifestar gratidão a um jovem senador que, num gesto simbólico, contrariando até mesmo o 01 [o pai, Jair Bolsonaro], me deu a mão e falou ‘salva o Rio de Janeiro, Wilson”. Não deixou de reconhecer o poder do que também foi eleito presidente e de novo “símbolo da mudança que o Brasil estava querendo”, mas garantiu que não pegava carona. “Dei as mãos e fui abraçado por este movimento de renovação”.

Acreditou demais em sua própria leitura e se colocou à altura de um presidenciável antes da hora para fazer frente a alguém que ocupava a presidência da República, tinha a máquina pública a seu favor, e um lastro no mesmo Estado de onde fora eleito sete vezes consecutivas e saíra como o deputado federal mais votado em 2014. Mais ainda, num Estado que já vinha de um cenário de terra arrasada com dois ex-governadores presos. Sergio Cabral e Luiz Fernando Pezão ?este preso enquanto estava em exercício em 2018, liberado apenas um ano depois, desde quando responde a acusações de corrupção em liberdade.

Mas Bolsonaro já havia dado sinal de que estava com os olhos bem abertos para os aliados de última hora de campanha que poderiam se transformar em potenciais adversários. Não deu sua bênção a Witzel durante a campanha eleitoral, assim como não dera ao candidato paulista, João Doria, que chegou a criar o slogan Bolsodoria para se eleger, embora tivesse batido com a cara na porta quando tentou visitar Bolsonaro quando ele estava à frente das pesquisas.

Witzel passou os primeiros meses de Governo deslumbrado com o cargo, dentro do personagem que vendeu durante a campanha. Em novembro, logo depois de ser eleito, avisou que qualquer pessoa com fuzil na rua era alvo de tiro da polícia. “O correto é matar bandido que estiver de fuzil. Vai mirar na cabecinha e fogo! Para não ter erro”, disse. No ano passado, deu amostras de que estava em campanha para 2022 com operações policiais midiáticas e marcando distância de Bolsonaro. Em agosto, seguiu para o local onde um homem havia sido morto por atiradores de elite após fazer de reféns passageiros de um ônibus por várias horas. O governador chegou de helicóptero ao local, a ponte Rio-Niterói, onde o sequestrador havia sido alvejado. Desceu fazendo gestos de celebração como se fosse a final de uma Copa do Mundo, alheio à tensão dos passageiros, da cidade e da própria família do sequestrador morto. Dois dias depois, uma reportagem da revista Época registrava críticas feitas por ele ao presidente. “Bolsonaro anima as redes, e o Brasil não sai do lugar”, disse ele. A distância foi aumentando dia a dia, como o próprio presidente deixou claro.

Em outubro, numa conversa sobre as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e Anderson Silva, Witzel teria contado a Bolsonaro que a investigação teria ido para o Supremo Tribunal porque o porteiro do condomínio do presidente teria citado o seu nome. O assunto ainda não havia chegado à imprensa e Witzel estaria usando a informação com intuito político como pressão velada contra o mandatário. Bolsonaro ficou furioso e acusou Witzel de manipular a polícia civil do Estado. “Acabaram as eleições e ele botou na cabeça que quer ser presidente”, reclamou o presidente em um evento. “Mas também botou na cabeça que quer destruir a reputação da família Bolsonaro”, acusou. O porteiro acabou mudando a versão, e a vida seguiu seu curso.

Mas desde então os dois viviam às turras, e a distância ficou ainda mais marcada durante a pandemia da covid-19. Witzel se uniu aos demais governadores contra a postura anticiência de Bolsonaro e se tornou alvo declarado do presidente. Witzel passou a exibir uma imagem sensível para as vítimas da covid-19 e pregou também o confinamento seguido por governadores numa antítese com o presidente.

Foi justamente durante a gestão da pandemia que seu Governo foi investigado sob a Operação Placebo por corrupção em contratos na área da saúde, incluindo superfaturamento de respiradores e que mirou o governador em maio. As suspeitas fomentaram inclusive um pedido de impeachment do governador aberto na Assembleia Legislativa. Agora, a suspeita é a existência de um amplo esquema de corrupção que envolveria também outras áreas da administração e que teria a participação de membros do Legislativo e do Judiciário, que respinga inclusive no escritório de advocacia da primeira-dama, Helena Witzel. Passou pelo escritório de Helena um contrato no valor de 554.200 reais entre agosto do ano passado e maio deste ano. Parte desse dinheiro teria chegado às contas do governador. As informações vieram a público depois que o ex-secretário de Saúde do Rio, Edmar Santos, firmou delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR). Santos esteve no meio de uma trama que envolveu contratos sem licitação e hospitais de campanha prometidos e não entregues para a gestão da covid-19 no Estado.

Furioso, o governador afastado desmentiu todas as acusações, chamou seu ex-secretário de “canalha” e disse que a investigação contra ele estão tocadas por uma “questão pessoal” e sugeriu investigar a hipótese de influência da família Bolsonaro na condução do caso contra seu Governo. “O presidente Bolsonaro já falou que quer o Rio e já me acusou de perseguir a família dele”, declarou. “Estou incomodando prendendo miliciano?”, indagou. Levantou ainda a hipótese de que sua saída vai beneficiar a investigação sobre o suposto esquema de rachadinha do senador Flavio Bolsonaro. Em dezembro, ele deveria indicar o novo procurador-geral de Justiça do Rio, que deve assumir as investigações que pressionam cada vez mais Flavio e a família.

Witzel ainda chamou a atenção para a subprocuradora da República Lindora Araújo de perseguir outros governadores. Em maio, sete governos estaduais foram alvo da Operação Placebo. Um dia antes da operação contra Witzel naquele mês, a deputada bolsonarista Carla Zambelli já alardeava que haveriam investigações em curso contra governadores. Lindora é responsável pela operação Lava Jato na PGR, e ficou conhecida em junho após tentar acessar arquivos da operação em Curitiba a pedido do procurador Augusto Aras.

Eleito em 2018, beneficiou-se da estampa de juiz em meio ao ibope da Operação Lava Jato. Agora, encara a polícia batendo a sua porta e da sua família e sob a decisão monocrática do ministro Benedito Gonçalves do Superior Tribunal da Justiça. Engole também os risos de Bolsonaro com a sua desgraça. Na saída do Palácio do Planalto, o presidente ironizou: “O Rio está pegando”, disse ele rindo a um apoiador, enquanto Witzel amarga esta derrota política. Sua saída em definitivo parece uma questão de tempo diante da pressão do processo de impeachment em seu encalço.

ago
29
 

 
DO CORREIO BRAZILIENSE
Economia

O Palácio do Planalto está em festa. O presidente Jair Bolsonaro falou logo cedo com os três filhos — Flávio, Carlos e Eduardo — sobre o afastamento do Wilson Witzel do governo do Rio de Janeiro. Não faltaram adjetivos desabonadores entre eles ao se referirem ao inimigo político. Todos foram unânimes: “Witzel já vai tarde”.

Para a família Bolsonaro, com o esfacelamento do grupo político de Witzel, a certeza é de que, a partir de agora, o presidente fará “barba, cabelo e bigode” no Rio de Janeiro. O entendimento do clã é de que o fortalecimento de Bolsonaro no estado já se refletirá nas eleições municipais deste ano.

A família, inclusive, já fala em “arrastão” na eleição de prefeitos aliados no Rio. Pai e filhos acreditam que o esfacelamento de Witzel, acusado de corrupção, sobretudo na área da saúde, cola em Bolsonaro a pecha de que ele está trabalhando firme para acabar com todos os corruptos.

 

É importante ressaltar, porém, que os interesses da família Bolsonaro no Rio vão além da política. Há uma preocupação enorme em assumir o controle das polícias e do Ministério Público locais para tentar conter qualquer avanço sobre Flávio e Carlos, que são acusados de liderarem um esquema de rachadinha e de emprego de funcionários fantasmas.

Bolsonaro deixou claro, no seu entorno, que Witzel é só o primeiro governador a ser retirado do caminho dele. O Planalto já começou contagem regressiva para que outros inimigos políticos comecem a sofrer as consequências do enfrentamento ao presidente.

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Posted on 29-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-08-2020


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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXIII – 6ª- feira 28/08/2020

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Cellus, no portal de humor gráfico A Charge Online

ago
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Posted on 29-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-08-2020
DO CORREIO BRAZILIENSE
 

 
Economia

O vice-presidente Hamilton Mourão tornou-se o maior fiador do ministro da Economia, Paulo Guedes. Nos últimos dias, ele fez um grande trabalho de convencimento junto aos militares que têm assento no Palácio do Planalto e tirou o compromisso deles de que vão parar, por enquanto, de fustigar o chefe da equipe econômica. Guedes ganhou sobrevida.

 

Mourão não tem qualquer ascendência sobre o presidente Jair Bolsonaro, que, inclusive, praticamente o descartou para compor a chapa da reeleição em 2022. Mas o vice é bastante ouvido e respeitado entre os generais que estão no Planalto. Depois de ouvi-lo, mesmo os mais críticos a Guedes, baixaram a guarda.

No processo de reduzir a pressão sobre o ministro da Economia, Mourão reconheceu que é natural que todos, inclusive os militares, estejam preocupados em reativar a economia mais rapidamente, sobretudo por meio de obras públicas. Os militares encabeçam o Pró-Brasil, programa que prioriza investimentos em infraestrutura.

O vice-presidente, no entanto, ressaltou que o momento não é de esvaziar Guedes. Mesmo enfraquecido, ele ainda é um pilar importante para o governo, já que sua presença no Ministério da Economia é visto pelos investidores como um pilar para o ajuste fiscal.

Mourão detalhou que o momento exige união, e os militares não podem ser fonte de tensão. Já bastam os problemas criados pelo presidente e, principalmente, pelos filhos dele, que estão sendo investigados pela Justiça e enfraquecem o discurso do governo de combate à corrupção.

O vice também tem conversado muito com o ministro da Economia, pelo qual tem grande apreço, apesar de reconhecer que, em alguns momentos, Guedes é intransigente e avança o sinal, como fez na coletiva em que expôs as entranhas da briga de ministros por mais gastos e na qual ligou o presidente a um possível impeachment.

A pergunta que se faz no Planalto é: até onde vai a boa vontade dos militares com Guedes? Mais: os fardados não são os únicos a aconselharem Bolsonaro a abrir os cofres para mais obras. Essa tarefa é executada, diariamente, pelos ministros Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Tarcísio Freitas (Infraestrutura). E eles caíram nas graças do presidente

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