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ARTIGO/PONTO DE VISTA 
 
O ódio político no Brasil e sua expressão corporal 5
Joaci Góes
 
Ao jovem e talentoso amigo Ramon Lisboa!
Sobre o tribunal do Santo Ofício da Inquisição, em 1674, disse o Padre Antônio Vieira, no Memorial a favor dos judeus: “Se no juiz há ódio, por mais justificada que seja a inocência do réu, nunca sua sentença há de ser justa.” Essa magna lição do maior orador sacro de todos os tempos aplica-se às relações humanas em seus múltiplos planos. Os pais que sabem educar nunca aplicam castigos em momentos de raiva, péssima conselheira para orientar na escolha da dosagem certa. Deixam passar o momento tempestuoso para, então, definir a punição adequada e necessária, ainda que com o coração em frangalhos, ao ver marejantes os olhos dos filhinhos amados.
?É farta a comprovação de que em todas as experiências humanas a diversidade constitui fator de enriquecimento, desde que haja a educação necessária para compreender que tanto nas realidades materiais quanto nas espirituais, não há duas coisas iguais no Universo. E quando falamos em educação para a convivência, o fator chave é a tolerância, postura que não depende do grau de instrução, mas do exercício interior e permanente da compreensão de que em matéria de divergência de pontos de vista, a verdade inteira nunca estará de um lado, apenas, de qualquer das partes em confronto. É verdade que há componentes genéticos que predispõem os indivíduos a níveis variados de tolerância. Importa que cada um explore, incessantemente, o conhecimento sobre suas inclinações individuais, trabalhando-as, com determinação e humildade, na busca do autoaperfeiçoamento. A diferença entre os níveis de violência dos povos depende muito mais dessa disposição de espírito coletiva do que de fatores econômicos. É por isso que a Índia pobre e o rico Canadá são menos violentos do que os ricos Estados Unidos. A predisposição genética, portanto, não pode ser tomada como se fora um determinismo psico-biológico, como erradamente alguns supõem.
A história da violência humana corre em paralelo com a história da intolerância, do mesmo modo que a história da prosperidade acompanha o avanço da compreensão do Homem sobre o papel redentor do culto da tolerância, nos planos familiar, societário, acadêmico, comunitário e nacional. A palavra de ordem, chave, para definir a prática da tolerância atende pelo nome de democracia, exercida entre pessoas de uma mesma família, da vizinhança e da comunidade mais ampla de uma cidade, estado, país ou do mundo. Por isso são mais produtivos os grupos plurais, com a participação interativa de homens e mulheres das mais diferentes idades, etnias e procedências geográficas, religiosas ou culturais, sabendo-se que quanto mais diverso o grupo, potencialmente mais rico será, ainda que crescentemente dependente de padrões de tolerância cada vez mais altos.
Meu pai, o velho e bom João Góes, Seu Gozinho, como era conhecido, cursou, apenas, o primário, única opção no ambiente rural do seu tempo, onde não havia escolas de segundo grau. Não obstante, ele foi um mestre da convivência humana, razão pela qual se tornou o melhor juiz de paz de que se tem memória. Tanto que se referia de modo bastante compreensivo a respeito de Lampião que, ao invadir a cidade de Mocambo, hoje Olindina, no dia 1° de agosto de 1932, apossou-se de sua loja, a melhor da praça, e, no melhor estilo Robin Hood, distribuiu tudo que nela havia para gáudio da delirante patuleia ignara, deixando-o sem eira e nem beira, aos 28 anos de idade, com mulher e um filho de oito meses para criar. Foi de meu pai que ouvi os primeiros protestos contra a manutenção das cabeças de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros, expostas à curiosidade pública, no Instituto Nina Rodrigues, no Pelourinho.
?A intolerância é a mãe de toda violência: as guerras e os genocídios ao longo da história, os maiores dos quais ocorreram no Século XX, protagonizados por Hitler, Stalin e Mao Tsé-Tung, em ordem crescente. O patrulhamento ideológico dominante no Brasil de hoje conduz à conduta irracional de desejar-se o colapso da Nação, como meio de derrotar o adversário. Os que assim atuam, independentemente dos seus níveis intelectuais, esquecem de que o bem estar de cada um dos brasileiros depende, em grande medida, da qualidade de vida no País, como um todo.
?É imperioso que deixemos de usar gasolina para apagar incêndios! Se não abdicarmos desta conduta suicida, seremos rebaixados aos olhos da História.
Joaci Góes, escritor, é presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna  da Bahia. Texto publicado nesta quinta-feira, 20, na TB.

“Brisa do ar”, João Donato: Nosso Senhor da Bossa, para abrir a sexta-feira de agosto com a Brisa Do Mar da Bahia, o que não quer a ponte!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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DO CORREIO BRAZILIENSE

Magistrados relembraram práticas que perseguiam opositores do regime durante a ditadura militar no Brasil e ressaltaram as liberdades garantidas pela Constituição

RS
Renato Souza
 

 (foto: José Cruz/Agência Brasil - 6/12/16)

(foto: José Cruz/Agência Brasil – 6/12/16)

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votou, nesta quinta-feira (20), para proibir a produção de qualquer dossiê contra servidores que se opõem ao governo. Pelo entendimento dos magistrados, o Ministério da Justiça deve suspender, de imediato, levantamentos contra integrantes do poder público que fazem parte do grupo “Policiais Antifascismo”.

A relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, que votou na quarta-feira (19), entendeu que a produção do relatório com fins ideológicos e grupos específicos viola direitos fundamentais e resgata práticas da ditadura militar. “O proceder de dossiês, pastas, relatórios, informes, sobre a vida pessoal dos cidadãos sobre suas escolhas não é nova neste país, e não é menos triste termos que voltar a este assunto quando se acreditava que era apenas uma fase mais negra de nossa história”, disse Cármen.

Nesta quinta, ela foi acompanhada por outros cinco ministros. Para Alexandre de Moraes, usar a estrutura do Estado para perseguir opositores representa desvio de finalidade. “A utilização das informações do poder do estado, do sistema brasileiro de inteligência, para separar quem o relatório de Inteligência acha que é a favor ou contra (o governo) e, partir dai, comunicar autoridades. Isso é extremamente perigoso e, a meu ver, há um desvio de finalidade”, destacou.ICIDADE

Para Moraes. o governo estava monitorando servidores sem que eles tivessem praticado qualquer ilicitude. “O que mais me preocupou, o que mais me parece desvio de finalidade, é a tentativa de órgãos de inteligência de tentar planilha as preferências políticas e filosóficas de agentes policiais sem que eles tivessem praticado qualquer atividade ilícita”, completou.

O ministro Luiz Fux, que assim como os demais, recebeu o documento produzido pela pasta da Justiça, disse que não se pode dizer que esse tipo de relatório é uma ação de inteligência do governo. “Comparar processo de inteligência capitaneado pelo ministro Alexandre de Moraes torna esse documento absolutamente inócuo. O que se contém no documento são fatos impassíveis de ser objeto de relatório de inteligência. Dever-se-ia denominar relatório de desinteligência. Para que não serve serviço de inteligência? Exatamente para os fins mencionados, afirmou”

Toffoli isenta Mendonça por dossiê: “Não era algo que ele criou”

 

Em seu voto contra o dossiê elaborado no Ministério da Justiça sobre antifascistas, Dias Toffoli isentou de responsabilidade o atual titular da pasta (e amigo), André Mendonça.

“Registro aqui as menções feitas à atuação absolutamente escorreita e correta do ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça. É necessário registrar, dou o testemunho de 20 anos que conheço esse servido público da maior qualidade. Como presidente do STF, registro a atuação de sua excelência: atuou da maneira mais correta e deu toda a transparência a esse STF.”

Não podemos fazer injustiças com pessoas que dedicam a vida pública ao estado brasileiro de maneira correta. Faço questão de registrar mesmo. Mostrou que não era algo que ele criou. Governos anteriores tinham, ministros da Justiça anteriores tinham”, completou depois.

 

Foto: Alan Santos/PR
O presidente Jair Bolsonaro já está com o discurso na ponta da língua para a comemoração, no domingo (23/08), dos 600 dias de governo e cinco meses de enfrentamento do novo coronavírus. Ele está convencido de que as medidas adotadas pelo governo, tanto na saúde quanto na economia, evitaram que o Brasil sucumbisse à pandemia.

Bolsonaro foi muito bem preparado para rebater todas as críticas de opositores, sobretudo no que se refere à morte de mais de 110 mil pessoas pela covid-19, ao aumento do desemprego — 40 milhões de pessoas procuram trabalho — e à falência de empresas.

 

Veja os pontos sobre os quais o governo — em especial, o presidente — baterá mundo, cientes de que tudo está no caminho certo, a ponto de hoje não ter nenhum candidato capaz de evitar a reeleição de Bolsonaro em 2022. O Blog teve acesso ao documento que será liberado nesta sexta.

Auxílio emergencial: Desde abril, o governo beneficiou mais de 126 milhões de brasileiros de famílias em situação vulnerável, direta e indiretamente. O governo recorre a um estudo da Universidade de São Paulo (USP) para mostrar que o auxílio foi responsável pela retirada de 5,5 milhões de brasileiros da pobreza e por evitar que outras 26,5 milhões  tivessem queda de rendimentos e passassem para a faixa da pobreza.

 

Povos indígenas: O Planalto afirma que destinou R$ 4,7 bilhões para o atendimento de povos e comunidades tradicionais (indígenas, ribeirinhos, quilombolas e ciganos), idosos, pessoas em situação de rua ou em áreas urbanas vulneráveis (Operação Acolhida em Roraima) e pessoas com deficiência.

Reforço na saúde:  Segundo o governo, além de R$ 53,2 bilhões pagos, desde janeiro, a estados e municípios para o atendimento de rotina do Sistema Único de Saúde (SUS), foram repassados R$ 17,9 bilhões adicionais em razão da pandemia. Com isso, foi possível habilitar 12 mil novos leitos de UTI, voltados, exclusivamente, ao atendimento de pacientes da covid-19.

 

Gastos públicos e PIB: Dados do Ministério da Economia mostram que o Brasil tem investido mais do que a média dos países avançados e quase o dobro do que as nações emergentes para combater os efeitos do coronavírus. As medidas brasileiras de combate à Covid-19 representam impacto primário equivalente a 8% do Produto Interno Bruto (PIB). A média dos países avançados é de 6,7% do PIB. Entre os emergentes, a média é de 4,1%. O impacto do enfrentamento à pandemia soma mais de R$ 1,1 trilhão, considerando os gastos direto do Tesouro Nacional, a liberação de crédito e a suspensão e ampliação de prazos para pagamentos, entre outras medidas.

Empregos: O governo afirma que um dos resultados mais visíveis da aplicação dos recursos federais no combate à pandemia está na quantidade de empregos preservados, que somam 16,2
milhões, conforme balanço do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. O Planalto ressalta que o programa ajuda empregados e empregadores a enfrentar os efeitos econômicos da pandemia por intermédio da concessão do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda aos trabalhadores que tiveram jornada reduzida
ou contrato suspenso e, ainda, oferece o pagamento do auxílio emergencial para trabalhadores intermitentes com contrato de trabalho formalizado. Os investimentos para preservação desses empregos somam R$ 24, 4 bilhões.

 

Retomada do crescimento: Para o governo, o plano Pró-Brasil vai acelerar a retomada da economia brasileira no período pós-pandemia, por meio da execução de projetos e ações de
grande impacto na geração de empregos e renda. Além de obras já planejadas ou em andamento, o foco são as medidas de transformação, modernização e desburocratização do Estado que vão melhorar o ambiente de negócios no país e impulsionar a atração de investimentos privados. Em sua carteira, o Pró-Brasil tem mais de 160 leilões e privatizações previstos. Com isso, a estimativa é atrair R$ 1 trilhão de investimentos privados em 10 anos. A carteira completa de projetos do Pró-Brasil será apresentada à sociedade neste mês.

 

O Planalto trata ainda, no documento referente aos 600 dias de governo e de cinco meses de enfrentamento da pandemia, da força da agricultura para a economia, do combate aos crimes ambientais, do governo digital e da Operação #Ninguémficapratrás, que trouxe muitos brasileiros do exterior para o país.

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Posted on 21-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-08-2020
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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXIII – 5ª- feira 20/08/2020

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J. Bosco, NO JORNAL O Liberal (PA)

DO EL PAÍS

Instigado pela missão de conduzir PSG ao título da Champions League, craque brasileiro cai nas graças de torcedores ao fazer do futebol sua principal resposta às críticas

Pela Champions League, PSG, de Neymar, encara o RB Leipzig na semifinal.
Pela Champions League, PSG, de Neymar, encara o RB Leipzig na semifinal.
São Paulo
 

Quando protagonizou a transferência mais cara do futebol mundial ao trocar o Barcelona pelo PSG há três anos, Neymar vislumbrou, além do retorno financeiro, um atalho para alcançar o objetivo de se tornar a liderança técnica de um grande clube europeu e, consequentemente, o melhor jogador do mundo. Mas vieram as lesões, os problemas de relacionamento com companheiros e o despontar meteórico de Mbappé, que, somados aos fracassos do time bilionário na Champions League, acabaram frustrando os planos do craque brasileiro, até então imune a regressões na carreira.

Pela primeira vez à disposição no mata-mata da Liga dos Campeões pela equipe parisiense e em sua melhor forma física, o atacante agora consegue enxergar como realidade o troféu que motivou sua contratação, depois de ser decisivo nos embates contra Borussia Dortmund e Atalanta. Voltou a jogar bem contra o RB Leipzig nesta terça-feira, levando o Paris Saint-Germain a uma final inédita, a uma vitória de conquistar o mais badalado torneio de clubes do planeta. Seria o desfecho triunfal de uma reviravolta que parecia improvável, sobretudo após forçar a volta ao Barcelona e a acusação de estupro —arquivada pelas autoridades por falta de provas— no ano passado.

Obstinado a cumprir a missão em Paris, Neymar deu um giro na condução de sua imagem pública nos últimos meses, fazendo com que a figura do jogador finalmente se sobreponha à de popstar. Mostras de companheirismo, esforço para interagir com colegas e torcedores do clube, discrição em festas e eventos sociais, bom humor e leveza nas entrevistas, “o pai tá online”… A versão adulta do “menino Ney”, embora em fase de amadurecimento, se materializou em campo. Na França, conquistou todos os títulos possíveis da temporada. Na Champions, chamou a responsabilidade e foi a estrela da companhia nos minutos em que Mbappé esteve fora de combate.

Apesar dos desgastes que se acumulam desde a eliminação com a seleção na Copa de 2018, a idolatria do maior jogador brasileiro em atividade não se abalou entre a geração que o viu surgir para o futebol. Pelas redes sociais, vários perfis mudaram a foto do avatar em homenagem a Neymar, que atendeu os apelos e resgatou o corte moicano para o duelo diante da Atalanta. Uma onda que remeteu aos tempos da Neymarmania, cerca de uma década atrás, época em que ele despontava como grande promessa do Santos. A mobilização que o abraça na reta final da Liga dos Campeões representa a geração de torcedores carente de um ídolo nacional.

Aos 28 anos, Neymar ainda não tem uma Copa, tampouco chegou perto de desbancar Messi e Cristiano Ronaldo do reinado de melhor jogador do mundo. Mas já construiu uma carreira respeitável na Europa, com títulos da Champions, Mundial de Clubes e campeonatos francês e espanhol. É o atleta brasileiro com o maior número de gols e assistências na competição europeia, a despeito de lendas como Rivaldo, Romário, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo. Se no tempo deles, a safra dourada entre os anos 90 e 2000, havia craques de sobra na seleção e ao menos uma dezena de brasileiros protagonistas em seus times europeus, o cenário atual é de dependência de Neymar, em quem a torcida que não acompanhou de perto a era dos “R’s” segue depositando todas as fichas para que o Brasil volte a levar uma Bola de Ouro depois de 13 anos de jejum.

Caso tivessem estourado no mesmo período de Neymar, alvo de escrutínio incessante e condenações sumárias dos justiceiros de internet, Ronaldo e Romário provavelmente seriam cancelados bem antes de ganhar uma Copa do Mundo. A velocidade de informação deixou as análises de futebol cada vez mais imediatistas. O craque de hoje se torna o vilão de amanhã. Os que tacharam Neymar de mimado na Copa passada são praticamente os mesmos que o idolatram e torcem por ele como se fosse um time à parte na Liga dos Campeões.

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