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Postado em 19-08-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 19-08-2020 00:08

Do Jornal do Brasil

MYRNA SILVEIRA BRANDÃO, cadernob@jb.com.br

Macaque in the trees
Programa da Retrospectiva Adhemar Gonzaga, realizada em 1970 na Cinemateca do MAM (Foto: Reprodução)

No próximo dia 26 de agosto, Adhemar Gonzaga faria 119 anos de nascimento. A Cinédia, seu maior legado, completou 90 anos em 15 de março último.

São muitos os motivos para comemorar as datas e homenagear Gonzaga, um dos principais pioneiros do Cinema Brasileiro e fundador desse importante estúdio em 1930 no Bairro de São Cristovão. Em 1954, a Cinédia se transferiu para Jacarepaguá e hoje – em Santa Tereza, na Rua Santa Cristina, 5 – está em plena atividade, graças ao imensurável empenho de Alice Gonzaga, filha de Adhemar.

Responsável por boa parte da produção do nosso cinema, de 1930 a 1950, a Cinédia realizou, entre muitos outros, os clássicos “Lábios Sem Beijos” (primeiro filme ali produzido, com direção de Humberto Mauro), “A Voz do Carnaval”, “Bonequinha de Seda”, “Ganga Bruta”, “Berlim na Batucada”, “Anjo do Lodo”, “O Ébrio”, de Gilda Abreu (maior êxito comercial de toda a história do estúdio) e “Alô Alô Carnaval”.

Este último, graças aos esforços de Alice, foi salvo de uma perda irreparável, já que não tinha mais condições de ser exibido. Antes de ser restaurado, a única cópia existente, em estado muito comprometido, teve uma sessão no Festival do Rio 2000 – no Encontro do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB) numa homenagem aos 70 anos da Cinédia – que provocou lágrimas em muitos espectadores.

As Cantoras do Rádio, com Aurora e Carmem Miranda; Amei, com Francisco Alves; Colombina, com Heloisa Helena ; Não Bebas Tanto Assim, com as Irmãs Pagãs (Elvira e Rosina); e Cadê Mimi, com Mario Reis, são apenas alguns exemplos dos inúmeros sucessos da época que aparecem no filme, emocionando a quem os ouve e vê. Como conceber a perda de um filme assim?

Gonzaga também teve uma participação importante na recuperação de “Limite”, de Mario Peixoto, preservando nove latas de negativo do filme na Cinédia. Em agosto de 1942, Peixoto pediu a retirada dos negativos com muitos agradecimentos a Gonzaga por essa guarda.

A Cinédia também produziu o emblemático “Barro Humano”, um clássico que infelizmente está desaparecido. Único filme mudo dirigido por Gonzaga, esse é um daqueles que se mantêm vivos apenas no imaginário dos estudiosos e amantes do Cinema Brasileiro. Estreou em junho de 1929, no Cinema Império no RJ, ganhou o prêmio de melhor filme do ano em concurso promovido pelo JORNAL DO BRASIL e foi exibido em toda a América do Sul, Portugal e também em Hollywood , sempre com sucesso de crítica e público.

Além de diretor e criador da Cinédia, Gonzaga foi também roteirista, historiador e crítico. Escreveu nas revistas “Palcos” e “Telas” e no “Jornal do Rio”. Em 1926, lançou a “Revista Cinearte” com o apoio de Mário Behring e tendo Gilberto Souto como correspondente em Hollywood.

Com Pedro Lima, Álvaro Rocha, Gilberto Souto e Paulo Vanderley criou um clube de cinema, o Clube do Paredão. Assim se chamava porque era um muro de pedra junto à antiga praia do Flamengo, onde o grupo se reunia para discutir os filmes, após assisti-los.

Em 1970, dirigiu seu último filme – “Salário Mínimo”. Morreu em 1978, com 77 anos. Foi casado com a atriz Didi Vianna, com quem teve a filha Alice.

Incansável guardiã e continuadora de sua obra, Alice é nossa Musa da Preservação. E Gonzaga, o pioneiro que escreveu uma das páginas mais importantes do Cinema Brasileiro, deixando um inestimável legado para a nossa história e memória cultural.

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