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Postado em 18-08-2020
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-08-2020 00:54

DO CORREIO BRAZILIENSE

O ministro da Economia admitiu que nem sempre é possível estar à vontade nesse cargo, mas garantiu manter uma boa relação com Bolsonaro

MB
Marina Barbosa
 

 (foto: Evaristo Sá/AFP)

(foto: Evaristo Sá/AFP)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, garantiu nesta segunda-feira (17/08) que continua ainda mantém uma relação de confiança com o presidente Jair Bolsonaro. Em meio aos embates sobre a manutenção do teto de gastos e à debandada do Ministério da Economia, Guedes admitiu, contudo, que nem sempre é confortável chefiar a equipe econômica e sugeriu que algum recurso deve ser liberado para os “ministros fura-teto”.

Guedes foi questionado sobre sua permanência no governo após duas longas reuniões com Bolsonaro. E garantiu: “Existe muita confiança do presidente em mim e existe muita confiança minha no presidente”. “Estamos há dois anos e meio convivendo e eu não tive ainda nenhum ato que me indicasse, que me sugerisse que eu não devesse confiar no presidente. E acho que, da mesma forma, eu não faltei em nenhum momento na confiança que ele depositou em mim”, emendou.

Para dar um exemplo dessa confiança, Guedes lembrou que “nos momentos decisivos, que já aconteceram duas ou três vezes” o presidente Bolsonaro apoiou a sua agenda liberal e de ajuste fiscal. “Nos momentos decisivos, ele me apoiou. Aconteceu agora, dois meses atrás. Houve o veto, porque não poderia deixar o dinheiro da crise virar aumento de salário”, comentou Guedes, referindo-se ao projeto que congelou os salários do funcionalismo público até 2021 em meio à pandemia.

Ele admitiu, contudo, que nem sempre é confortável ser o ministro da Economia. “À vontade nesse cargo, eu acho difícil você encontrar alguém que vai estar sempre à vontade nesse cargo. É um cargo difícil”, disparou Guedes aos jornalistas.

Prova disso é que, nem se passaram dois meses do último momento decisivo, e Guedes já se vê em mais uma situação desse tipo, devido às discussões sobre o teto de gastos. Mas ele garantiu que Bolsonaro “está absolutamente comprometido” com o teto de gastos. Segundo o ministro, Bolsonaro entende que os gastos extraordinariamente elevados necessários ao combate da covid-19 não deveriam ser gastos permanentes para que o “pesadelo” de desequilíbrio fiscal, inflação elevada e juros altos não volte a assombrar o Brasil.

Guedes também admitiu, contudo, que “é natural” que alguns ministros queiram levar parte dos recursos do grande orçamento que foi construído para a pandemia para obras das suas áreas de atuação. “É natural que alguns ministros queiram avançar naqueles recursos e é natural que outro ministro, no caso eu, avise que não podemos furar o teto”, frisou.

O ministro reconheceu, por sua vez, que os “ministros fura-teto” podem ganhar algum recurso para essas obras de infraestrutura. Segundo Guedes, o governo está estudando uma forma de remanejar parte dos recursos do Orçamento de Guerra que não foram usados na pandemia para algumas obras. Afinal, Bolsonaro também tem interesse de fazer obras como “levar água para o Nordeste”.

Segundo Guedes, sobraram cerca de R$ 15 bilhões de duas medidas provisórias editadas na pandemia. É o suficiente para cobrir os R$ 5 bilhões que ministros como Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) pedem para obras de infraestrutura. “Vai haver remanejamento de recurso. O que está acontecendo agora é remanejamento de recurso. Estamos vendo o que pode ser remanejado dentro do Orçamento”, admitiu Guedes.

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