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CRÔNICA

                                                 A websérie mais sem graça da quarentena

                                         Janio Ferreira Soares

Leio que nesse isolamento social muita gente aproveitou pra produzir webséries em seus ambientes caseiros, algumas delas mostrando apenas experiências pessoais. Assim, sigo o fluxo e imagino como seria se eu também resolvesse mostrar meu cotidiano nas redes, apesar de sabê-lo um retumbante fracasso diante do marasmo das cenas e do meu total desconhecimento das coisas do streaming (gracias, Google!).

Pois bem, pra começar usaria uma minicâmera no protetor facial pra mostrar detalhes do meu dia a dia pelo ângulo que os vejo, como agora, seis da manhã de quinta-feira, quando aí você poderia assistir ao lento manquitolar de um pato sobre a grama orvalhada só pra me lembrar do milho que não lhe dei, ou os pousos das garças num laguinho próximo ao rio, a propósito, lindamente encoberto por uma rara neblina a lhe conferir ares de um Tâmisa sertanejo.

No próximo bloco já é madrugada de sexta-feira e, no lugar dos delicados e distantes cocoricós, sou despertado por rajadas metálicas semelhantes a britadeiras tentando furar placas de metais, fato que me faz tatear os óculos espremidos entre um controle remoto sem tampa e a capa de Angústia, do mestre Graciliano Ramos, cuja leitura, contradizendo o título, suaviza tensões e me põe de fraldas a babar num berçário de extraordinários parágrafos que jamais escreverei.

Já com a câmera ligada, sigo na ponta dos pés feito um bailarino manco até um basculante próximo, onde, para localizar a origem e a causa do barulho, tenho que subir numa banqueta bamba e dobrar os joelhos num arriscado demi plié, o que finalmente me leva a ver (e a lhe mostrar) o autor dos sincopados golpes.

Com penas pontuadas em amarelo e preto até a altura do penacho vermelho no seu cocuruto, lá está o velho pica-pau bicando o flandre de uma desativada chaminé, coitado, totalmente desorientado depois que os ventos de agosto derrubaram o tronco de um coqueiro morto, há anos servindo de morada não só pra ele, como também pra uma corujinha do mato e uns periquitinhos de velame, cujos filhotes infelizmente não resistiram.

No final do episódio, todo animadão, falo pra câmera: “e aí, gostaram? Na próxima semana você vai curtir a emocionante saga de uma casaca-de-couro fazendo seu ninho com vários tipos de garrancho, além de umas disgramas de umas lagartas que estão acabando com as folhas das minhas caraibeiras. Não deixe de perder!”.

P.S.: 1) Assim como Joca, Jorge Portugal e Jaime Sodré farão falta nas janelinhas deste velho coqueiro que verga, verga, mas não tora.

P.S.: 2) Manchetes de ontem: “PIB prevê forte recessão”.“106 mil mortes por Covid”. “Queiroz depositou 72 mil na conta de Michele Bolsonaro”. “Presidente tem aprovação recorde”.

Não sei se tomo uma taça de cicuta ou uma dose de ozônio no fiofó.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

“Minha”, Francis Hime (instrunental): A Música de Francis Hime e a Letra de Ruy Guerra, de repente, “Minha”, para flutuar, na Eternidade, como uma das grandes obras do Homem! Ouça, em silêncio! A Vida Agradece.

BOM DOMINGO!!!

(Gilson Nogueira)

DO CORREIO BRAZILIENSE

Críticas de Guedes pelos entraves às reformas e o alerta que fez sobre o risco de impeachment de Bolsonaro, caso estoure o teto de gastos, minaram a relação dele com o Planalto. Já se fala na saída do ministro, e o preferido para a vaga é o presidente do BC

VN
Vicente Nunes
LC
Luiz Calcagno
JV
Jorge Vasconcellos
AF
Augusto Fernandes
 

 (foto: Evaristo Sa/AFP - 3/4/20)

(foto: Evaristo Sa/AFP – 3/4/20)

O casamento entre Jair Bolsonaro e Paulo Guedes chegou a uma encruzilhada. Os termos do desentendimento incluem o desejo do presidente da República pela reeleição e o posicionamento do ministro da Economia em defesa do teto de gastos e das reformas estruturantes, em especial, a administrativa.

Apesar de pregar, publicamente, que há uma unidade entre os seus ministros, Bolsonaro considera a demissão de Guedes. A convivência já não é das melhores. O presidente até reconhece que a saída do economista poderia tumultuar o mercado financeiro, mas os efeitos seriam passageiros, pois o substituto receberia a promessa de que os compromissos do governo com o ajuste fiscal serão mantidos. O nome mais citado no Palácio do Planalto como sucessor de Guedes é o do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. “A relação entre o presidente e Guedes esgarçou-se demais. Será muito difícil ele se reconciliar com o Posto Ipiranga”, disse uma fonte ao Correio.

Assessores próximos de Bolsonaro asseguram que o presidente chegou ao limite com o ministro. Nos bastidores, o mandatário não escondeu a insatisfação depois de Guedes levantar suspeitas de estouro do teto de gastos. Segundo o chefe do Executivo, como 2020 é excepcional e todos os limites fiscais foram estourados, o que se quer é usar sobras de recursos do Orçamento para obras, como forma de acelerar a economia, arrasada pela pandemia do novo coronavírus.DE

O desabafo de Guedes, na terça-feira, quando reclamou de “ministros fura-teto” do governo, foi considerado por Bolsonaro e outros membros do alto escalão como totalmente inapropriado. Além de o ministro ter admitido que havia uma debandada na equipe econômica, não agradou ao presidente ouvir de um dos seus principais aliados que ele poderia sofrer um impeachment. Agravou o mal-estar o fato de a declaração ter acontecido ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que não tem uma boa relação com o chefe do Planalto e é quem decide se abre um processo de impedimento contra o presidente.

Futuro

Se o desentendimento entre Bolsonaro e Guedes se prolongar, analistas políticos também veem a possibilidade de o ministro ser demitido, ou então, de ele deixar o governo, levando consigo o discurso de que fez o que pôde. “O grande desafio de Guedes é encontrar uma válvula de escape para que ele saia com a vaidade intocada e seu conhecimento da máquina do governo para suas intenções futuras”, ponderou o analista político Melillo Dinis. Ele destacou que o ministro, como ultraneoliberal, já sente dificuldades em se posicionar, sob pressão de militares e grupos que veem o investimento público em grandes obras como a principal saída para a crise econômica provocada pela covid-19.

“O jogo, hoje, é dilemático. Uma encruzilhada com muitos caminhos. Um é o crescimento da crise até estourar de vez qualquer tipo de controle. Outro é que o auxílio emergencial dá voto. Tem um setor militar e do Centrão que quer fazer obra, dinheiro, liberação de orçamento, emendas parlamentares e jogar o jogo, e ambos culpam Guedes. Se não mudar a realidade, seja do gasto, seja da arrecadação, vai ter muito pouca possibilidade de investimentos”, avaliou.

Cientista político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Geraldo Tadeu Monteiro acredita que Bolsonaro tem mais a perder do que a ganhar com a saída de Guedes. “A carta Paulo Guedes é o peso-pesado da economia. Ele faz intermediação com os setores econômicos mais importantes. Se o presidente perder essa carta, vai ter dificuldade, como está tendo para colocar um ministro da Saúde, e vai ter de colocar alguém que reze na cartilha dos militares, o que pode provocar uma ruptura na base de sustentação.”

Meta da reeleição ganha força

O projeto do presidente Jair Bolsonaro de se reeleger em 2022 ganhou um estímulo importante com a melhora de seus índices de avaliação, apontada pelas últimas pesquisas. Em um momento altamente desfavorável, marcado pelos números trágicos da covid-19 no país, o chefe do governo, contrariando as expectativas, tem conseguido fazer da própria pandemia um cenário para expandir sua popularidade. O pagamento do auxílio emergencial a milhões de brasileiros e outros acenos na área social, por exemplo, foram bem recebidos até em setores refratários ao presidente, em especial nas regiões Norte e Nordeste, cujo eleitorado, historicamente, é mais favorável ao PT e a outros partidos de esquerda.

Com um índice de aprovação de 37%, a melhor avaliação desde a posse presidencial — segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem —, Bolsonaro vai colhendo dividendos de uma agenda bem diferente daquela que ele pregou na campanha eleitoral. Além do auxílio emergencial, o anúncio da criação do programa pró-Brasil, de cunho desenvolvimentista, e do Renda Brasil, uma versão reforçada do Bolsa Família, é outro trunfo eleitoral, defendido pela ala militar do governo. Porém, essa mudança de rumo, de tão abrupta, provocou descontentamento do ministro da Economia, Paulo Guedes.

“As eleições presidenciais ainda estão distantes, e muita coisa pode mudar. Mas, hoje, é inegável que Bolsonaro seria um candidato competitivo. Seus adversários não podem desprezá-lo. A dúvida, agora, é saber qual será a opção do presidente entre o seu projeto de reeleição e a cartilha ortodoxa de Guedes”, avaliou o cientista político André Pereira César, da Hold Assessoria Legislativa.

Na opinião de Ricardo Ismael — professor e pesquisador do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) —, ainda é cedo para fazer prognóstico sobre as eleições de 2022. “Acho que o auxílio emergencial é conjuntural. Então, é importante saber como Bolsonao vai manter a fidelidade desse eleitor de baixa renda. O movimento é favorável, mas não dá para saber se se sustenta”, destacou. “Dois anos é muito tempo. Dá margem, inclusive, para a oposição e o centro comporem novas estratégias. Bolsonaro está seguindo o caminho de Michel Temer (ex-presidente), de se blindar no Congresso, mas o tempo joga contra ele”, destacou.

Presidente recua e defende teto

 (foto: Evaristo Sa/AFP - 3/4/20)

crédito: Evaristo Sa/AFP – 3/4/20

Em publicação nas redes sociais, ontem, o presidente Jair Bolsonaro comentou que a responsabilidade fiscal e o teto de gastos são o “norte” do governo. No texto, acusou a imprensa de ter desvirtuado o que ele disse na live de quinta-feira. Na transmissão, o chefe do Executivo admitiu que houve uma articulação dentro do governo para que o Planalto aproveitasse o chamado orçamento de guerra — medida que flexibilizou os gastos públicos deste ano para garantir mais recursos especificamente para o combate à covid-19 — e investisse em obras públicas. “A ideia de furar o teto de gastos existe, qual é o problema?”, declarou o presidente, na ocasião.

Ontem, contudo, Bolsonaro escreveu: “Quando indagado na live de ontem (quinta) sobre ‘furar’ o teto, comecei dizendo que o ministro Paulo Guedes mandava 99,9% no Orçamento. Tudo, após essa declaração, resumia que, por mais justa que fosse a busca de recursos por parte de ministros finalistas, a responsabilidade fiscal e o respeito à emenda constitucional do ‘teto’ seriam o nosso norte”.

“Vamos trabalhar junto ao Congresso para controlar despesas, com o objetivo de abrir espaço para investimentos e, assim, atravessarmos unidos essa crise. O presidente e seus ministros, sempre focados no absoluto respeito às leis, seguem trabalhando para resgatar econômica, ética e moralmente o Brasil”, frisou.

Educação

Em inauguração de uma escola cívico-militar no Rio de Janeiro, ontem, Bolsonaro afirmou que, antes do seu governo, o país estava na contramão da educação, o que poderia ser comprovado com o resultado da prova do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), ocorrida a cada três anos. Ele ainda comparou o ambiente escolar a um quartel.

“Hoje, nós somos sempre o antepenúltimo, penúltimo ou último lugar entre esses 70 países (participantes do Pisa). Isso não se muda de uma hora para outra. Mas, onde é que tem de começar a mudar? Na escola, já que temos ótimos professores, mas temos de dar meios e autoridade para cumprirem seu trabalho. É quase como um quartel: se não tiver hierarquia e disciplina, ele não cumpre com sua missão”, defendeu.

Bolsonaro ressaltou que o objetivo da escola cívico-militar é que o estudante se torne um profissional, e não apenas um “militante político”. “Aos seus 20, 21, 22, 25 anos, ele seja formado um bom profissional. Vai ser um bom empregado, um bom patrão, um bom liberal, e não apenas, como acontece em parte do Brasil ainda, apenas um militante político”, declarou.

Ele também disse que o governo quer “resgatar os pobres, e não é só através de programa social, que, em grande parte, não resgata. É dando conhecimento”. “Programas sociais são bem-vindos, mas o que liberta o homem e a mulher é o conhecimento.”

Na solenidade, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, entregou a Bolsonaro a Medalha Zenóbio da Costa, a maior honraria concedida pela Guarda Municipal.

Juros baixos

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra, disse que o respeito ao teto de gastos “é decisivo para manter os avanços que conseguimos no lado da política monetária, de conseguirmos trabalhar com juros tão baixos por conta da inflação estar alinhada com a meta”. Ele lembrou que o Brasil “já viu as consequências de não ter um regime fiscal de pé”, quando expandiu os gastos públicos de forma desenfreada e, por conta disso, acabou entrando em um ciclo de queda da atividade econômica e alta da inflação e dos juros. Segundo Serra, até o câmbio pode ficar menos volátil quando o investidor tiver a certeza de que o Brasil vai retomar o ajuste fiscal após a pandemia.

ago
16
Posted on 16-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-08-2020

DO EL PAÍS

O ativismo juvenil e os corredores do ‘establishment’ convergem em uma política ambivalente e dura que completa a chapa presidencial do Partido Democrata dos EUA

 
Washington
Kamala Harris (à esquerda) com sua irmã, numa foto da sua infância.
Kamala Harris (à esquerda) com sua irmã, numa foto da sua infância.AP
  • Stacey Abrams, candidata a governadora da Geórgia, saúda simpatizantes em um ato em Atlanta em 22 de maio

O importante, como quase sempre, estava no “mas”. “Não acho que você seja racista”, disse Kamala Harris ao seu então rival nas acirradas primárias democratas, Joe Biden, justamente o nome que hoje aparece acima do dela na chapa inscrita pelo partido para disputar as eleições presidenciais de 3 de novembro nos EUA. “Não acho que você seja racista, e estou de acordo com você quando defende a importância de encontrar pontos em comum. Mas…”.

Então Harris (Oakland, Califórnia, 1964) recriminou seu rival por ter, semanas antes, se gabado de como, durante sua passagem pelo Capitólio, foi capaz de colaborar com senadores que não pensavam como ele, incluindo alguns que tinham apoiado a segregação racial e se oposto às políticas federais destinadas a promover a integração racial nas escolas, levando crianças negras de ônibus a escolas de bairros brancos. “Havia uma menina pequena na Califórnia que era parte da segunda classe integrada na sua escola pública”, disse-lhe Harris naquele debate que constituiria seu momento culminante nas primárias. “Ia de ônibus todo dia. E aquela menina pequena era eu. Então vou lhe dizer que, neste tema, não pode haver um debate intelectual entre os democratas. Temos que levar a sério. Temos que agir rapidamente”.

Joe Biden e Kamala Harris durante um debate na campanha das primárias do Partido Democrata. Em vídeo, Harris enfrenta Biden em um debate dos candidatos democratas, em junho do ano passado.REUTERS

Claro que Biden não é racista, como a hoje candidata a vice-presidenta reconheceu antes de lançar seu ataque. Mas essa é Kamala Harris. Uma política que não teme o combate direto nem se distrai pesando os possíveis danos colaterais. Uma mulher negra que, para chegar aonde chegou, precisou superar mais obstáculos que a maioria das pessoas que ocupam essas posições. Uma cidadã que, por sua própria experiência pessoal e profissional, tem muito claros os terrenos onde não se pode ceder nem um milímetro.

A história daquela menina de cinco anos, cuja foto passou a adornar camisetas em todo o país imediatamente depois daquele debate, ajuda a entender quem é a política que, a se cumprirem os vaticínios das pesquisas, se tornará a primeira mulher a ser vice-presidenta dos Estados Unidos. Seu pai, Donald Harris, nascido na Jamaica em 1938, foi um estudante brilhante que emigrou para a Califórnia depois de ser admitido na Universidade de Berkeley para estudar Economia, matéria que depois passou a lecionar em Stanford, onde ainda hoje é professor-emérito. Sua mãe, Shyamala Gopalan, a caçula de quatro irmãos numa família do sul da Índia, demonstrava uma paixão pela ciência que seus pais apoiaram, e acabou em Berkeley com um doutorado em Nutrição e Endocrinologia, antes de se tornar pesquisadora do câncer de mama.

Shyamala e Donald se conheceram na universidade, nos círculos de um movimento pelos direitos civis do qual participavam ativamente. Tiveram duas filhas juntos. A mais velha, Kamala, que em sânscrito significa “flor de lótus”, nasceu no mesmo ano em que sua mãe obteve seu doutorado. O ativismo político de esquerda vem de berço para Kamala, que diz se lembrar da paisagem de pernas que via nas manifestações às quais era levada pelos pais quando menina.

A infância de Kamala, conforme recorda em suas memórias, foi “feliz e despreocupada”. De brincadeiras na rua, corridas e curativo nos joelhos. De ir dormir embalada pelo piano de Thelonious Monk, que emanava da nutrida coleção de jazz de seu pai.

A harmonia durou pouco, e seus pais se separaram quando Harris tinha cinco anos. As meninas ficaram com sua mãe em Oakland, cuja comunidade afro-americana supriu a ausência de vínculos familiares. As duas irmãs frequentavam centros comunitários onde, entre brincadeiras, aprendiam sobre a história da luta pelos direitos dos afro-americanos. Nas visitas ao seu pai em Palo Alto, nos fins de semana, Harris conta que outras crianças se recusavam a brincar com elas por serem negras.

Essas experiências infantis contribuíram para a jornada de Kamala Harris do ativismo comunitário ao establishment democrata, onde logo a jovem compreendeu que residia o poder para mudar as coisas. Graduou-se em Economia e Ciências Políticas em Washington, onde viveu sua primeira experiência nos corredores acarpetados da política, trabalhando como assistente de um senador. De volta à Califórnia, obteve seu doutorado em Direito em 1989.

Para uma jovem criada na luta pelos direitos civis, ser promotora não era o emprego mais popular. Mas foi para lá que encaminhou seus passos, numa “decisão muito consciente”, como descreveu muitos anos depois numa entrevista ao The New York Times. “Queria tentar entrar no sistema, onde não teria que pedir permissão para mudar o que precisa ser mudado”, argumentou.

Em sua carreira como promotora, demonstrou a mesma ambição, pragmatismo e flexibilidade ideológica que exibiu neste frenético ano que a levou à chapa democrata. Nesse movimento, acabou enfrentando seu ex-chefe no Ministério Público de San Francisco, o progressista Terence Hallinan. Apresentou uma candidatura para ultrapassá-lo pela direita, convencendo os eleitores de que ser “brando com o crime” não é ser progressista. A campanha baixou ao campo pessoal e não faltaram acusações de corrupção. Uma luta dentro de um partido hegemônico na cidade, da qual Harris saiu vitoriosa e, em 2004, se tornou a primeira promotora distrital negra no Estado.

Em 2008 anunciou sua candidatura à chefia do Ministério Público da Califórnia, que ganharia por um fio. Harris voltava a fazer história, tornando-se na primeira procuradora-geral estadual não branca na Califórnia. Quatro anos depois, casava-se com Doug Emhoff, sócio de um escritório de advocacia e pai de dois filhos. Harris várias vezes descreveu sua exasperação com a tranquilidade com que seu marido, que é branco, se comporta na fila da alfândega nos aeroportos, e recorda quando seguranças das lojas de departamentos perseguiam sua mãe com desconfiança.

Quando Barbara Boxer, senadora pela Califórnia, anunciou sua intenção de encerrar sua carreira de mais de 20 anos na Câmara Alta, Harris foi primeira a declarar sua intenção de ocupar a vaga. Com o apoio sólido do establishment democrata, obteve comodamente esse assento nas eleições de 2016 e prometeu defender os imigrantes das políticas de Trump, que obteve a chave da Casa Branca naquele mesmo pleito. Assim agiu em seus primeiros meses como senadora, com duras intervenções que lhe proporcionaram uma imediata relevância nacional.

Harris não levou nem três anos para anunciar, no fim de janeiro do ano passado, sua própria pré-candidatura presidencial. Foi a primeira aspirante de peso a se lançar à corrida, com um slogan que era um aceno à sua carreira como promotora. “Em nome do povo”, dizia, que é como o promotor costuma se apresentar ao juiz. Tratou de conjugar sua história pessoal de ativismo com sua trajetória profissional de promotora. E exibiu uma ambivalência em alguns temas importantes, que não funcionou em uma eleição primária extremamente politizada.

Kamala Harris durante a apresentação de sua pré-candidatura em Oakland, em janeiro de 2019. Em vídeo, Harris anuncia que desistira da disputa presidencial, em dezembro do ano passado. REUTERS

As mesmas debilidades de sua campanha presidencial, defendem seus partidários, podem agora ser seus trunfos como companheira de chapa de Joe Biden. Uma campanha à qual convém afastar os holofotes de políticas concretas e centrá-los em Donald Trump. A candidata, por sua vez, sabe bem onde está a batalha. E não há batalha grande demais para a menina negra do ônibus.

DO CORREIO BRAZILIENSE

O presidente Putin afirmou que uma primeira vacina “bastante eficaz” foi registrada na Rússia pelo Centro de Pesquisas de Epidemiologia e Microbiologia Nikolai Gamaleya, em Moscou, em associação com o ministério russo da Defesa

AF
Agência France-Presse
 

 (foto: Divulgação/Governo Federal)

(foto: Divulgação/Governo Federal)

Moscou, Rússia – As autoridades russas informaram neste sábado (15) que o país produziu o primeiro lote da vacina contra o coronavírus, anunciada no início da semana pelo presidente Vladimir Putin e que o resto do planeta recebeu com ceticismo.

“O primeiro lote da nova vacina conta o coronavírus foi produzido no Centro de Pesquisas Gamaleya”, anunciou o ministério da Saúde da Rússia em um comunicado, citado pelas agências de notícias do país.

O presidente Putin afirmou na terça-feira que uma primeira vacina “bastante eficaz” foi registrada na Rússia pelo Centro de Pesquisas de Epidemiologia e Microbiologia Nikolai Gamaleya, em Moscou, em associação com o ministério russo da Defesa.

Durante o anúncio, Putin também afirmou que uma de suas filhas foi vacinada com a Sputnik V, nome escolhido para o fármaco, em uma referência ao satélite soviético colocado em órbita em 1957, em plena Guerra Fria.

Cientistas ocidentais, no entanto, expressaram ceticismo. Alguns afirmaram que uma vacina desenvolvida de maneira precipitada pode ser perigosa, pois a fase final dos testes (na qual a eficácia é comprovada com milhares de voluntários) começou esta semana.

O diretor do Centro Gamaleya, Alexander Guinstbourg, afirmou neste sábado à agência TASS que os voluntários que participam na última fase receberiam duas injeções.

O fundo soberano russo envolvido no desenvolvimento da vacina afirmou que a produção industrial começará em setembro e que 20 países já encomendaram mais de um bilhão de doses.

O instituto Gamaleya foi acusado de não respeitar os protocolos habituais com o objetivo de acelerar o processo de fabricação e comercialização da vacina.

Até o momento a Rússia não divulgou um estudo detalhado que permita verificar de maneira independente seus resultados.

Com mais de 917.000 casos oficiais de COVID-19 registrados, a Rússia é o quarto país do mundo mais afetado pela pandemia (em número de contágios), atrás dos Estados Unidos, Brasil e Índia.

O novo coronavírus matou mais de 760.000 pessoas em todo o planeta e mais de 21,2 milhões foram infectadas, segundo balanço mais recente da AFP com base em fontes oficiais.

Diante de um vírus que não dá trégua, a esperança passa por uma vacina.

O governo dos Estados Unidos, que investiu mais de 10 bilhões de dólares em seis projetos de vacinas e assinou contratos que garantem a entrega de centenas de milhões de doses em caso de êxito, prometeu vacinar os americanos de maneira gratuita.

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16
Posted on 16-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-08-2020



 

Zé Dassilva, NO

 

Do Jornal do Brasil

 

O Cristo Redentor foi reaberto para o público neste sábado (15), depois de passar cinco meses fechado por causa da pandemia de covid-19. Sexta-feira (13), o local passou por uma desinfecção para receber os visitantes.

Macaque in the trees
A ação integra o trabalho que os militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira vêm fazendo de forma conjunta no combate, controle e prevenção à covid-19 (Foto: Thomaz Silva/Agência Brasi))

O trabalho começou às 7h, em uma parceria da Arquidiocese do Rio de Janeiro, do Parque Nacional da Tijuca e do Comando Conjunto Leste. Também serão desinfectados o Trem do Corcovado e o Centro de Visitação das Paineiras.

O reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar, destaca que o monumento é um dos locais mais procurados e visitados na cidade e símbolo do Brasil. “O Cristo Redentor, que sempre acolhe todos de maneira especial, merece o nosso melhor, o melhor de nossas instituições para o bem dos nossos visitantes”, diz ele.

A ação integra o trabalho que os militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira vêm fazendo de forma conjunta no combate, controle e prevenção à covid-19 desde o início da pandemia, em março. Já foram feitas mais de 400 desinfecções em locais públicos como: rodoviárias, aeroportos, estações de trens, metrôs e barcas, hospitais e unidades de saúde e asilos.(Com Agência Brasil)

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