DO ESTADÃO. REPRODUZIDO DO ESPAÇO DA AUTORA TEATRAL E CRONISTA, ANINHA FRANCO, NO FACEBOOK.
Coluna - J. R. Guzzo - Estadão
ARTIGO
 
O fosso aumenta
J. R. Guzzo
De todas as tragédias trazidas pela covid-19 ao Brasil uma das mais angustiantes é a devastação que a necessidade de combater o vírus está causando nas escolas. Esqueça um pouco a universidade e os colégios particulares; a calamidade que mais importa é a do ensino básico na rede pública de educação. Estudam ali, hoje, cerca de 50 milhões de crianças e adolescentes. Basicamente, não tiveram aulas em 2020 – e estão simplesmente condenados a perder o ano. É claro que os governos sempre podem assinar um papel fazendo todo mundo passar para o ano seguinte do currículo. Mas é impossível ensinar alguém por decreto.
O que esses 50 milhões de garotos não aprenderam em 2020 não será mais aprendido; a matéria que não foi dada pode ser socada em cima dos alunos, em forma de ensino “condensado”, quando as escolas voltarem a funcionar, mas uma hora perdida é uma hora perdida. Não há como criar o tempo de novo.
Tudo o que esses 50 milhões de jovens não precisam, hoje ou em qualquer época, é perder um ano de escola. São os mais pobres – e, portanto, a imensa maioria – e os que mais precisam adquirir conhecimento para ter alguma oportunidade objetiva de levar uma vida melhor que a dos seus pais. Como observou um editorial recente de O Estado de S. Paulo, citando palavras do secretário-geral da ONU, não há nenhuma esperança de se reduzir as desigualdades sociais, econômicas e culturais sem fornecer educação de qualidade aos jovens – é aí que está “o grande equalizador”. Não há distribuição de dinheiro, ou de casas, ou de “quotas” capaz de substituir o avanço que a educação pode trazer para a condição social de um ser humano; não há “programas sociais”, nem “políticas públicas”, com a potência que uma boa instrução tem para possibilitar o acesso ao trabalho mais bem remunerado, às oportunidades de realização pessoal e ao conjunto de condições que compõem uma existência distante da pobreza.
A perda do ano letivo de 2020 é com certeza uma das piores notícias que a questão social poderia receber no Brasil de hoje. Não há nenhum causador mais efetivo de pobreza, desigualdade, concentração de renda e injustiça do que a falta de instrução que castiga a maioria da população brasileira. Num país em que a atividade econômica está sofrendo como nunca, e continuará a sofrer nos próximos meses, a distância entre os brasileiros vai se tornar maior ainda do que já é. Não apenas os jovens das classes mais modestas sofrem um prejuízo real e imediato. Os alunos das escolas particulares, de um jeito ou de outro, vão acabar aprendendo mais durante este período de desgraça – e o fosso, em vez de diminuir, vai crescer.
Ouve-se falar muito, desde o início da paralisação trazida pela epidemia, da utilização de novos métodos de ensino, baseados no computador, que permitam um ensino a distância mais efetivo; fala-se em “inclusão digital”, “escolas virtuais” e outros portentos. Mas isso tudo, na vida real, tem significados diferentes de acordo com o dinheiro que as pessoas têm no bolso. O “ensino remoto” é uma coisa para a moçada que está em escolas particulares onde se cobram mensalidades de R$ 5 mil, ou por aí. Para a massa dos estudantes da rede pública é completamente outra. As duas realidades não têm praticamente nada a ver entre si. Como ensinar por computador alguém que não tem computador? Como dar aulas pela internet onde não há internet? De novo: está se falando de 50 milhões de alunos. Não há a menor possibilidade de que seja mantida a distância, já muito grande, que os separa dos que estudam na rede particular. Ela vai ficar muito pior, e a conta vai aparecer no futuro.

“Rio”, Quarteto do Rio e Roberto Menescal, sorrio! De tanta beleza!

BOM DIA! BOA SEMANA!!!

(Gilson Nogueira)

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DO CORREIO BRAZILIENSE

O presidente do STF fez o teste para a Covid-19, que apontou negativo. O diagnóstico é de pneumonite alérgica

BL
Bruna Lima
 

 (foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

(foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, foi internado, neste domingo (9/8), após apresentar uma infecção respiratória com quadro de inflamação nos pulmões. Apesar de sintomas semelhantes ao de covid-19, ele realizou o teste, que indicou negativo para a doença.

Toffoli foi diagnosticado com pneumonite alérgica, uma inflamação nos bronquíolos provocada pela inalação de poeira ou substância sensível ao corpo. De acordo com a assessoria de imprensa do STF, o ministro continuará no hospital.

“Embora internado, passa bem e, a princípio, não ficará de licença médica e continuará despachando”, detalha a nota.

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DO SITE O ANTAGONISTA

Em publicação no Facebook, Jair Bolsonaro afirmou neste domingo que a TV Globo festejou ontem (SÁBADO,8) a marca de 100 mil mortes por Covid-19. Sem citar a emissora, o presidente disse que “aquela grande rede de TV que só espalhou o pânico” na população “desestimulou o uso da hidroxicloroquina que, mesmo não tendo ainda comprovação científica, salvou a minha vida”.

“A desinformação mata mais até que o próprio vírus. O tempo e a ciência nos mostrarão que o uso político da Covid por essa TV trouxe-nos mortes que poderiam ter sido evitadas”, disse.

“De forma covarde e desrespeitosa aos 100 mil brasileiros mortos, essa TV festejou essa data no dia de ontem, como uma verdadeira final da Copa do Mundo, culpando o Presidente da República por todos os óbitos.

Ontem, o Jornal Nacional começou a edição com uma crítica direta ao presidente e lembrou algumas das declarações polêmicas de Bolsonaro em relação à doença.

“Primeiro, o presidente menosprezou a doença e a chamou de ‘gripezinha’. Depois, Bolsonaro disse que não era coveiro. Quando os óbitos chegaram a 5 mil, a resposta dele foi: ‘E daí?’”, afirmou William Bonner.

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DO CORREIO BRAZILIENSE

“Quando o ato for publicado no Diário Oficial da União serão tomadas as medidas necessárias”, escreveu em nota enviada à imprensa

AE
Agência Estado
 

 (foto: AFP / EVARISTO SA)

(foto: AFP / EVARISTO SA)

O ex-presidente Michel Temer afirmou estar honrado com o convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro para capitanear a missão humanitária do Brasil no Líbano. “Quando o ato for publicado no Diário Oficial da União serão tomadas as medidas necessárias para viabilizar a tarefa”, disse, em nota à imprensa.

O convite a Temer foi feito na manhã deste domingo por Bolsonaro, durante conferência com outros chefes de Estado para coordenar a ajuda a Beirute. O ex-presidente é filho de libaneses.

“Neste momento difícil, o Brasil não foge à sua responsabilidade”, afirmou Bolsonaro durante a teleconferência, organizada pelo presidente da França, Emmanuel Mácron.

Na última quinta-feira, dia 06, Temer postou mensagem de apoio ao Líbano, em sua conta no Twitter. “Consternado com o gravíssimo incidente ocorrido em Beirute, trago a minha palavra de condolências às famílias das vítimas. Que o espírito de luta e superação dos libaneses, mais uma vez estejam presentes. Força, meu Líbano!”, escreveu.

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Posted on 10-08-2020
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Jorge Braga, NO DIÁRIO

 

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Lar São Vicente de Paulo, que contabiliza 16 das 21 mortes por covid-19 registradas em Alfenas (MG), teve quase 100 idosos infectados no último mês

Lar São Vicente de Paulo, em Alfenas.
Lar São Vicente de Paulo, em Alfenas.
Belo Horizonte09 ago 2020 – 21:15 BRT

Ivone Bueno estava acostumada a superar adversidades. Uma das moradoras mais jovens e irreverentes do Lar São Vicente de Paulo, em Alfenas, no sul de Minas Gerais, ela era portadora de Síndrome de Down e havia deixado para trás um câncer de mama. Porém, aos 54 anos, não resistiu às complicações do coronavírus. A “menina Ivone”, como os amigos a chamavam, foi uma das 16 vítimas do surto da doença no asilo que, em três semanas, registrou 98 idosos infectados. “Passamos por dias tristes e difíceis na casa”, diz Flavia Correa, diretora do Lar. “Vimos o vírus levar pessoas muito amadas.”

Em 24 de junho, a secretaria de saúde de Alfenas realizou testagem da equipe e moradores do asilo, confirmando dois casos positivos para o vírus. Em 8 de julho, já com quatro funcionários afastados do trabalho após manifestarem sintomas, o Lar São Vicente de Paulo contabilizou a primeira morte pela doença, um idoso de 82 anos. No mesmo dia, a promotoria de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério Público determinou que a prefeitura enviasse à casa, em caráter de urgência, pelo menos um médico, além de disponibilizar equipamentos de proteção e a contratação temporária de enfermeiros para substituir funcionários afastados na tentativa de conter o surto.

Ainda assim, a força-tarefa para controlar o avanço da doença esbarrava nas limitações de uma cidade do interior, com 80.000 habitantes, com uma economia baseada na agricultura e na pecuária. Desde o início da pandemia, o asilo suspendeu a visitação de parentes e reforçou medidas de higiene. A instituição filantrópica se mantém com a retenção de parte dos benefícios sociais de moradores e doações da comunidade. Devido ao comprometimento do caixa pela inflação no custo de materiais de proteção como as máscaras faciais, que triplicaram de preço, o Lar só conseguiu fazer uma nova rodada de testes, doados por uma associação local, em 22 de julho. Ao todo, 26 dos 65 funcionários do asilo foram infectados pela doença ao longo do último mês, incluindo a diretora.

“Nem deu tempo de sentir os efeitos da doença”, conta Correa. “Precisei me virar para não deixar os moradores desassistidos durante o afastamento de funcionários. Para mim, o que eu sentia era apenas cansaço e desgaste pela situação.” Além de administrar a casa, ela também trabalha como assistente social no hospital da cidade, onde outros funcionários da instituição prestam serviços. Ela explica que, como muitos idosos saem do asilo para tratamento médico e profissionais de saúde que atendem os moradores precisam circular pelo município, não foi possível identificar o foco da contaminação. A falta de mão de obra tornou o esforço de contenção da covid-19 ainda mais complicado. “Espalhamos anúncios pela cidade e na internet, mas ninguém queria vir trabalhar aqui, por medo de pegar a doença”, afirma a diretora.

Inicialmente, os moradores que apresentaram exames negativos ficaram isolados na casa, enquanto os infectados foram transferidos para a ala restrita de uma clínica que atende pacientes com câncer. Diante do aumento acelerado de casos, o isolamento acabou invertido, e os idosos não contaminados retornaram ao Lar. Em meio ao surto, a instituição ainda teve de responder a questionamentos de moradores da cidade, que criticaram a promoção de um bazar beneficente na área externa da instituição. “Era um espaço isolado dos moradores, que não tinham contato com os funcionários que atendiam no bazar”, explica Correa. “Mas decidimos fechar para evitar ‘falação’.”

O Lar São Vicente de Paulo abriga 117 idosos. Dois deles seguem internados por causa do coronavírus. Por outro lado, 80 são considerados curados da doença. A preocupação agora é fazer com que os outros 20, que escaparam da infecção, permaneçam blindados da pandemia que obrigou Alfenas a adotar medidas mais severas de isolamento social nesta semana. A cidade, que soma mais de 300 casos e 21 óbitos, é a que registra a maior expansão da covid-19 no sul de Minas. Até abril, o município tinha apenas dois diagnósticos confirmados da doença. Nessa época, o governador do Estado, Romeu Zema, defendia que o vírus deveria “viajar um pouco” para que se alcançasse uma suposta imunidade de rebanho.

Ivone Bueno foi uma das vítimas do surto da covid-19 no asilo
Ivone Bueno foi uma das vítimas do surto da covid-19 no asilo

De acordo com a prefeitura de Alfenas, onde a primeira morte por coronavírus aconteceu no início de julho, a secretaria de saúde adotou todas as medidas recomendadas pelo Ministério Público para aplacar o surto no asilo. “Temos segurança do trabalho que foi feito pela nossa equipe. Não houve nenhuma falha na assistência por parte do município”, diz o prefeito Luiz Antonio da Silva (PT). “Uma tragédia, com tantas perdas humanas no mesmo lugar, é algo que ninguém deseja. Nós sofremos com as famílias. É uma grande dificuldade conter a pandemia nos asilos, como aconteceu nos países de primeiro mundo.”

Por abrigar o principal grupo de risco do coronavírus, as casas de repouso classificadas como Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) continuam em alerta ao redor do mundo, sob a sombra de asilos que protagonizaram surtos em outros epicentros globais da doença. Em Kirkland, nos Estados Unidos, 35 idosos da mesma instituição morreram após uma contaminação massiva. Em países da Europa, como Espanha, Itália e França, que contabilizou 20 mortes somente em um abrigo para idosos na região de Vosges, os asilos se tornaram focos com alto índice de letalidade. Na semana passada, o Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação contra a prefeitura de Tupã, no interior paulista, por causa de 14 mortes registradas na Casa Emanuel, interditada depois de registrar 47 moradores infectados.

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