ago
09
Posted on 09-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-08-2020
 DO EL PAÍS

Considerado revolucionário pela hierarquia do Vaticano, Casaldáliga era um missionário que encarnava ao vivo o Evangelho, como um bispo a serviço daqueles esquecidos por todos os poderes

Bispo Pedro Casaldáliga cercado de fiéis.
Bispo Pedro Casaldáliga cercado de fiéis.Rai Reis
 Juan Arias
 

“Me chame apenas de Pedro”, disse Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, a um grupo de jornalistas espanhóis que fomos visitá-lo em sua casa despojada. O já mítico bispo sempre considerado revolucionário pela hierarquia do Vaticano, era designado por muitos nomes, como “bispo dos pobres”, “bispo do povo”, “pai dos últimos”. Mas ele gostava de ser chamado de “bispo dos esquecidos”.

E essa foi a obsessão de sua vida, na qual sempre se considerou um missionário que encarnava ao vivo o Evangelho, como um bispo a serviço daqueles que sempre permanecem na sarjeta, esquecidos por todos os poderes, vítimas do capitalismo selvagem.

Ameaçado de morte por fazendeiros que exploravam camponeses pobres, ele dormia com a porta de casa aberta. Seu quarto era minúsculo, com duas camas pequenas, uma livre para que, se alguém sem teto passasse e não tivesse onde dormir, pudesse entrar.

Era visto com receio por todos os poderes, até pela Igreja oficial. Era criticado pelo que chamavam de “excesso de zelo”. Certa vez, foi de ônibus a Brasília para uma reunião da Conferência Episcopal. Levou uma eternidade para chegar lá e os bispos lhe perguntaram por que perder todo aquele tempo. Casaldáliga respondeu: “Perdi o mesmo tempo que meus camponeses perdem para vir vender um saco de milho”.

A autenticidade da vida do bispo sempre foi tão evidente para aqueles com quem lidou e compartilhou seu apostolado, a começar pelos mais humildes, que se hoje fossem a gente comum, como na Igreja primitiva, que declarasse a santidade de uma pessoa, ele teria sido canonizado em vida.

Sua coerência como bispo pobre e despojado até o fim, seu olhar profundo, sua simplicidade natural, sua preocupação e sua luta constante pelos esquecidos da terra, por todos aqueles que sofriam perseguição, pelos sem nome e sem esperança, era o que conquistava a todos os que passavam por ele.

Talvez sua paixão pelos esquecidos também se devesse ao fato de que ele próprio se sentiu muitas vezes abandonado por sua própria Igreja, perdido entre os mais pobres do Brasil pobre.

Casaldáliga foi um símbolo e uma bandeira de luta e paz ao mesmo tempo durante toda a sua vida, sem nunca capitular, nem mesmo nos momentos mais duros, como quando assassinaram um padre que foi confundido com ele.

Houve um momento em que pensou em ir trabalhar na África mais pobre e abandonada. Quando me contou isso, já começava a sofrer os primeiros sintomas da doença de Parkinson:”Agora não posso mais. Não é justo que eu vá lhes dar a minha morte quando não lhes dei a minha vida”.

Não houve uma única causa no Brasil daquelas pessoas esquecidas às quais ele se havia entregado que não tivesse o selo de sua defesa. Para ele os últimos eram sempre os primeiros. Para aqueles que às vezes o censuravam pelo que consideravam um excesso de austeridade, ele os lembrava dos evangelhos nos quais se diz que Jesus era tão pobre que nem casa tinha.

Era crítico do que chamava de “eurocentrismo” da Igreja. “O Terceiro Mundo ainda não se sente em sua casa”, dizia. Contava que a Igreja era condescendente demais com os poderosos. E é verdade que não era bem visto quando assumia posições radicais, por exemplo, com os latifundiários que exploravam os camponeses ou os índios. Uma vez ele se recusou a batizar os filhos de um proprietário de terras considerado um tirano com seus camponeses.

Foi chamado uma vez pelo papa João Paulo II a Roma para prestar contas. Era a primeira vez que saía do Brasil, onde tinha prometido morrer. Nem sequer havia ido à Espanha quando sua mãe morreu. A visita ao papa polonês não foi serena. Lembro que deixou os palácios pontifícios com uma dor visível no rosto. O Papa o havia recriminado por seus “excessos” nas causas que defendia. E Casaldáliga não se dobrou. Recordou ao Papa que ele tinha um compromisso com Pedro, o apóstolo, e não com os emaranhados de poder do Vaticano.

Ele exibia seu amor pela poesia e gostava de escrever em verso. Em um de seus poemas, escreveu: “Eu morrerei de pé como as árvores”. Embora tenha passado os últimos anos em uma cadeira de rodas, a verdade é que Casaldáliga nunca se rendeu. Viveu sempre em pé, firme em suas convicções, proclamando uma Igreja pobre e dos pobres, de todos os oprimidos. Um de seus lemas, escrito em um poema, era o de “fazer do povo submisso um povo impaciente”.

Se Casaldáliga era o bispo dos esquecidos, dos sem-nome, ele também dizia que seu coração “estava cheio de nomes”:

No final do meu caminho me dirão:

E tu, viveste? Amaste?

E eu, sem dizer nada,

abrirei o coração

cheio de nomes.

“Loura ou morena”, Quarteto em Cy:Esta é a primeira e histórica composição do poeta Vinícius de Moraes, segundo relato da neta querida do poeta, Mariana de Moraes. Foi feita aos 15 anos, em 1928, mas Loura ou morena só foi musicada em 1932, por Haroldo Tapajós. Agora, em homenagem aos 40 anos de sua morte, Mariana resgata as histórias por trás dessa e de outras letras e poemas do avô em um curso online de quatro aulas, segundo reportagem no El País. Aqui um belo e delicioso registro, na gravação das baianinhas em CY. Dedicado a todos os pais, vivos ou que já partiram, a começar por meu velho de saudosa memória, Alaôr Soares, que amava a música e a poesia de Vinícius.

BOM DOMINGO DOS PAÍS!!!

(Vitor Hugo Soares)

ago
09

DO CORREIO BRAZILIENSE

O capitão da Polícia Militar da Bahia André Porciúncula é nomeado secretário nacional de Fomento e Incentivo da pasta, e Maurício Waissman assumirá o comando da área de Desenvolvimento Cultural. Ambos usam redes sociais para defender Bolsonaro

ST
Sarah Teófilo
 

 (foto: Sargento Wander PMDF/Divulgação)

(foto: Sargento Wander PMDF/Divulgação)

O governo nomeou o capitão da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) André Porciúncula Alay Esteves para o cargo de secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, da Secretaria Especial de Cultura. Ele é um defensor do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Outro nomeado foi Maurício Noblat Waissman, como secretário nacional de Desenvolvimento Cultural — em portaria assinada pelo ministro da Casa Civil, Braga Netto. Ele já havia integrado a secretaria, como coordenador-geral da Política Nacional de Cultura Viva, em novembro do ano passado, mas foi exonerado em 4 de março, quando a atriz Regina Duarte assumiu a Cultura. Hoje, o comando da pasta é do ator Mário Frias.

No Twitter, Waissman intitula-se “escritor, palestrante, advogado, publicitário, conservador, bolsonarista, cronista de absurdos tragicômicos cotidianos, cristão”. Nas redes sociais, ele é também um grande defensor do chefe do Executivo; do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; e de Olavo de Carvalho, figura que inspira a ala mais ideológica do governo.

Numa publicação feita neste ano, escreveu: “Defender o Bolsonaro e o Olavo é questão de decência. Ninguém pode sofrer tanta acusação como os dois”. Também postou: “Sem o Olavo de Carvalho, hoje estaríamos ainda pondo esperanças no Aécio, no Serra e no Alckmin. Fato. Não ser grato por isso não dá, né?”, numa referência a Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, todos políticos do PSDB.

André Prociúncula, por sua vez, não fica atrás nas críticas. Num blog de cultura, há um texto escrito em maio deste ano e assinado por ele no qual afirma: “No Brasil, qualquer bobalhão com pretensão intelectual logo se fantasia de ser ‘cult’, que é (se é que podemos exprimir significado disso) como um conjunto de comportamentos e trejeitos afetados, cujo sujeito precisa aderir mimeticamente para ser considerado um ‘homem de cultura’ (outra expressão sem qualquer sentido)”. E complementa: “Não à toa, quando falamos da importância de preservarmos a cultura, o típico homem oco de nossa época logo pensa em Caetano, Maria Gadú ou Chico Buarque. Isso deve-se ao lastimável fato de que a cultura fora reduzida a um mero clichê, um estereótipo caricato de algum desses gentlemen vazios. Perdeu-se completamente a noção metafísica da cultura como culto”.

Porciúncula está em um cargo administrativo, lotado no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças. A PM baiana foi pega de surpresa com a nomeação dele, segundo informações da assessoria de comunicação da corporação. Não foi feito, ainda, um pedido de afastamento. A PM não soube informar se ele continuará recebendo o salário do governo estadual, caso se afaste da função para atuar na Secretaria de Cultura. Pela corporação, o rendimento mensal dele é de R$ 12,8 mil. Na nova função, o salário será de R$ 16,9 mil.

ago
09
Posted on 09-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-08-2020

do correio braziliense

Atual ministro da Saúde comentou o número de mortes de brasileiros por covid-19

BL
Bruna Lima
MN
Maíra Nunes
 

 (foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados)

(foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados)

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, lamentou a confirmação de que o Brasil soma mais de 100 mil mortos pela covid-19. “Não se trata de números, planilhas ou estatísticas, mas de vidas perdidas que afetam famílias, amigos e atingem o entorno do convívio social”, disse o militar.

Em nota oficial, o chefe da pasta mais demandada diante da pandemia afirmou que o trabalho de enfrentamento à doença ocorre 24 horas por dia “em parceria com estados e municípios para garantir que não faltem recursos, leitos, medicamentos e apoio às equipes de saúde”.

Além da liberação de recursos, o Ministério da Saúde mudou as estratégias para tentar diminuir as perdas para a doença. Ao invés de postergar a ida a uma unidade de saúde ao sentir os primeiros sintomas, a orientação agora é procurar imediatamente um médico, recorrendo aos postos de saúde. O objetivo é descobrir a infecção no início e conseguir tratar quando o quadro ainda não está avançado.

“A ida ao médico, o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento, com a prescrição do medicamento mais adequado a cada caso, é o que pode sim fazer a diferença”, frisa Pazuello, ressaltando, por fim, que o país ocupa o primeiro lugar no mundo em número de pacientes recuperado. Dos mais de 3 milhões de infectados confirmados, estão curados mais de 2 milhões.

ago
09
Posted on 09-08-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-08-2020


Tri-campeão do IBest
Veja nossas estatísticas
Veja nossas estatísticas

Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXIII – Sábado 08/08/2020

random image
Thiago LucasNA Folha de Pernambuco

DO EL PAÍS

A atriz morreu neste sábado aos 88 anos, dias depois de descobrir um câncer em estágio avançado

A atriz Chica Xavier.
A atriz Chica Xavier.Reprodução/Instagram Luana Xavier
 
São Paulo

Chica Xavier é um símbolo da representatividade negra na arte brasileira que jamais será apagado. A atriz, cujo rosto jamais foi associado a de uma vilã ao longo de décadas na televisão , morreu neste sábado (8), aos 88 anos. Deixou este mundo por conta de um câncer no pulmão que descobriu somente nos últimos dias, ao ser internada em um hospital do Rio de Janeiro com dificuldade para respirar na última quarta-feira. No dia de sua morte, se espalham pelas redes sociais inúmeros depoimentos de atores negros que ela inspirou (e também acolheu) ao longo dos anos.

Francisca Xavier Queiroz de Jesus foi a Dama Negra da peça Orfeu da Conceição, onde encarnou a morte nos palcos de teatro, declamando versos do poetinha Vinícius de Moraes e dançando ao som de atabaques. Na televisão, deu vida à Inácia de Renascer e à Bá de Sinhá Moça. Nascida em Salvador, começou a trabalhar muito jovem, aos 14 anos. Mas foi depois dos 20, já no Rio de Janeiro, que decolou uma longa carreira artística. Foram muitos personagens interpretados em palcos e nas mais variadas telas por mais de 60 anos ? trabalho grande que lhe rendeu, dentre tantas coisas, a publicação de uma biografia e a homenagem no nome de um centro cultural em 2011.

A maior parte da carreira de Chica Xavier foi dedicada à televisão, mas a atriz também publicou escritos nos quais defendia a fé e a religiosidade afro-brasileira. O livro “Chica Xavier canta sua prosa. Cantigas, louvações e rezas para os orixás” foi lançado há mais de 20 anos (em 1999), com ilustrações de sua filha, Izabela d’Oxóssi.

Seja no teatro, na TV ou na escrita, Chica Xavier deixa este mundo exaltada como rainha por muitos de seus colegas e companheiros de jornada. “O céu recebe hoje a nobreza. Entre nós vivia uma nobre, uma rainha elegante, sábia, afetuosa, agregadora, ombro e colo para muitos. Salve a rainha Chica Xavier!”, escreveu a também atriz Taís Araújo.

O ator Lázaro Ramos, também baiano, lembrou que Chica era inspiração para iniciar a carreira artística e exaltou o acolhimento da atriz quando se mudou para o Rio de Janeiro. “Cheguei ao Rio e tive o privilégio de trabalhar com ela e generosamente como fazia com todos ela me acolheu, me passou ensinamentos, me apresentou a sua linda família, e abriu as portas da sua casa para que eu soubesse que ali onde ela era yalorixa era um lugar de fé e acolhimento.Obrigado Dona Chica por inspirar e se doar como se doou. Obrigado pelo amor e talento que nos ofereceu”, disse em sua homenagem

ago
09

  • Arquivos

  • agosto 2020
    S T Q Q S S D
    « jul   set »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930
    31