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Ex-vice-presidente democrata lidera todas as sondagens nacionais, está na frente em todos os Estados-chave e se aproxima de Donald Trump no financiamento

Biden durante ato de campanha na Pensilvânia no dia 9.
Biden durante ato de campanha na Pensilvânia no dia 9.Matt Slocum / AP
Los Angeles

Joe Biden estava fora da disputa eleitoral nos EUA na noite de 22 de fevereiro. Aos 77 anos, sua carreira política tinha terminado para a imprensa naquele dia em que, depois de ser derrotado nas primárias de Iowa e de New Hampshire, ficou em segundo em Nevada, a 26 pontos de Bernie Sanders. Ele subiu ao palco, deu seu sorriso mais profissional e disse a seus seguidores: “A imprensa sempre se apressa em declarar as pessoas mortas. Mas estamos vivos, estamos reagindo e vamos ganhar!”. Uma semana depois, arrasou na Carolina do Sul. Na Superterça, em 3 de março, todos os moderados do Partido Democrata se uniram em torno dele e o transformaram em um candidato inalcançável.

Este fim de semana marca a contagem regressiva de 100 dias para as eleições presidenciais de 3 de novembro nos Estados Unidos. Biden é o candidato in pectore do Partido Democrata. Está pactuando sua agenda com Sanders para não deixar para trás nenhum voto progressista. Mas, além disso, parece estar ampliando sua base para praticamente todos os grupos demográficos, em todos os Estados-chave. Há um mês, Biden está na frente do presidente Donald Trump em todas as pesquisa de abrangência nacional. Esta é a radiografia da campanha quando faltam 14 semanas para uma eleição crucial:

Média de 8,8 pontos de vantagem

Desde 26 de junho foram publicadas 15 pesquisa sobre as preferências em nível nacional nos Estados Unidos, segundo a contagem do portal RealClearPolitics. Biden está na frente em todas. Sua vantagem é, na média, de 8,8 pontos. Na sondagem mais apertada, aparece com 2 pontos de dianteira. Na mais generosa, com 15 (52 a 37). As pesquisas nacionais não são muito úteis para prever a vitória em um país tão grande e com um sistema político tão fragmentado, como se viu em 2016, quando Donald Trump derrotou Hillary Clinton. Mas servem para captar o tom geral da simpatia do país por um ou outro candidato à Casa Branca. Neste momento, a questão é quanta vantagem tem Biden, mas não há dúvida de que ele está na liderança.

Na frente em todos os Estados-chave

Em 3 de novembro não será realizada apenas uma eleição presidencial, serão realizadas 50, uma em cada Estado e cada uma com idiossincrasias e demografias distintas. A definição depende de um punhado de Estados médios, que são os que podem pender para um ou outro lado. Todas as análises coincidem em que os Estados que contam agora são Pensilvânia, Michigan, Wisconsin, Carolina do Norte, Arizona e Flórida. Nos quatro primeiros, Trump venceu de forma surpreendente há pouco mais de três anos e meio, em alguns por uma margem muito estreita. Arizona e Flórida são uma incógnita. Segundo as pesquisas do último mês, Biden está em um bom momento de sua campanha, liderando em todos os Estados-chave.

Apoio de Biden é mais diversificado

O raciocínio por trás da escolha de Joe Biden como candidato democrata era o de que poderia se conectar com todos os grupos demográficos e socioeconômicos do país, algo que outros candidatos do partido não poderiam garantir. As pesquisas lhe dão vantagem em quase todos os grupos analisados. A sondagem NBC/WSJ do dia 15, por exemplo, apontou que o ex-vice-presidente supera Trump amplamente entre os negros (80 a 6), os latinos (67 a 22), os eleitores de 18 a 34 anos (62 a 23), as mulheres (58 a 35) e os eleitores brancos com estudos universitários (53 a 38). Trump leva vantagem entre o total de pesquisados brancos (49 a 42) e de homens (45 a 43). O único grupo em que parece ter ampla influência é o dos brancos sem estudos universitários (57 a 35).

Questões-chave: economia, raça, saúde

Quando começou a campanha, condicionada agora pela pandemia por coronavírus, as pesquisa perguntavam a respeito da economia. Na pergunta sobre quem é melhor para administrá-la, Trump ainda aparece na frente de Biden em algumas pesquisas, mas a margem está diminuindo à medida que se estende a paralisação econômica em meio à emergência de saúde. Em todas as outras questões, Biden inspira mais confiança. Por exemplo, uma sondagem da Universidade Quinnipac (Connecticut) no dia 15 mostrou que os entrevistados confiam mais no democrata do que em Trump para administrar uma crise econômica (57 a 38), para gerir a saúde (58 a 35), para combater a pandemia de Covid-19 (59 a 35) e para dar resposta às desigualdades raciais no país (62 a 30). Os números são consistentes em quase todas as pesquisa.

 Empatia do candidato

Donald Trump não despertava especial simpatia em 2016. Estes últimos anos à frente da Casa Branca não melhoraram essa imagem. No capítulo das qualidades pessoais, o candidato Biden está à frente do mandatário em qualquer variável. As pesquisa revelam que Biden tem mais apoio entre os democratas do que Trump entre os republicanos. Além disso, os eleitores que se definem como independentes também preferem Biden. O democrata ganha em todas as qualidades que se esperam de um candidato a governar a superpotência. Por exemplo, a pesquisa ABC/Washington Post do dia 19 perguntou: quem é mais honesto e confiável; entende melhor os problemas de pessoas como você; tem melhor personalidade e temperamento para a presidência; tem melhor ideia sobre o que os EUA devem representar; representa melhor seus valores pessoais; tem maior probabilidade de unir os americanos, em vez de dividi-los. Biden ganha em todas. Trump só empata (45 a 45) na pergunta sobre quem é um líder mais forte.

Força no financiamento da campanha

A campanha de Biden era minúscula nas primárias democratas, em comparação com o forte movimento de arrecadação de Trump nos últimos anos, nos quais nunca deixou de levantar dinheiro. Isso já não é assim. Biden tinha 88 milhões de dólares (460 milhões de reais) em março, e agora tem 279 milhões de dólares (1,46 bilhão de reais). Trump arrecadou 342 milhões de dólares (1,79 bilhão de reais). A brecha da arrecadação está se fechando. Em junho, a campanha de Biden levantou 63 milhões de dólares (330 milhões de reais), em comparação com 55 milhões de dólares (288 milhões de reais) do republicano. Quanto ao dinheiro disponível em caixa, o último relatório da Comissão de Finanças Eleitorais (FEC), divulgado em 22 de julho, revela que os dois chegam a agosto quase empatados: a campanha de Trump tem 113 milhões de dólares (591 milhões de reais) e a de Biden, 109 milhões de dólares (570 milhões de reais). Além desses totais, existe o dinheiro arrecadado pelos partidos e pelos grupos de grandes doadores anônimos. Biden já somou quase tanto dinheiro quanto Hillary Clinton neste momento da campanha de 2016. Trump, no dobro de tempo, está prestes a alcançar o total de Barack Obama em 2012.

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Comentários

Vanderlei on 27 julho, 2020 at 18:53 #

Será que os Democratas conseguirão vencer as eleições, com propostas que exatamente destroem tudo que o EUA construiu, ao longo de 500 anos e desde a sua independência?


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