Músico Sérgio Ricardo morre aos 88 anos no Rio | Rio de Janeiro | G1

CRÔNICA

Despedida: tentando não chorar

 

Gilson Nogueira

Tento não chorar, ao ler, no meu celular, a notícia da partida de Sérgio Ricardo para a Eternidade. Em estado de estupefação,  o homenageio, aqui, ouvindo, no coração e na alma, as canções que ele fez para mim e para sempre.

E vou deslizando no egoismo poético, serenamente, a saudade daquele dia em que o escutei cantar pela primeira vez. Foi na Baixa do Bonfim, menino! Em casa de Tia Celina! Na Terra da Felicidade. Em uma radiola, seu violão e sua voz transportaram-me para o Infinito, onde ele, agora, está, quebrando e jogando seu violão no espaço da estupidez. Como o fez na histórica resposta aos que não o permitiram interpretar “Beto Bom de Bola”, em festival de música popular brasileira realizado na terra da garoa.

Definitivamente, a partir dalí, se já admirava o gênio, passei a aplaudí-lo mais e mais. Em silêncio, relendo sua história, vejo Sérgio Ricardo vivo. A fatalidade, cruel como nunca, digo e assino, é uma filha da puta! Meu primeiro farol da Bossa Nova, ao lado do conterrâneo, que conversava com o silêncio, partiu. E agora, como será? Indago-me, no vazio, e tenho medo de ser devorado por um vírus que não distingue o que é arte e o que é estupidez. Sérgio deixa uma lacuna no mundo! Deus,

Certamente, Haverá de Plantar, na cabeça daqueles que o vaiaram, no século passado, em um espaço artístico paulistano, a semente da razão que toda e qualquer forma de arte tem. Sigo ouvindo Sérgio em meu querer bem eterno. Ao mesmo tempo, lembrando daquele dia em que fiquei acanhado em saudá-lo no elevador de um hotel do Nordeste. Fui trabalhar recordando a trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do Sol. E escutando, na memória, a voz de Glauber: ” Deus Está Louco para Ouvir Folha de Papel, Serginho!” Viva os Três!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta

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