cinema paradiso e a beleza da sétima arte, do beijo e da amizade
Totó, em Cinema Paradiso.
 
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ARTIGO

 

                           Mil vivas a Morricone e ao bico da ema

                                Janio Ferreira Soares

Em meados dos anos 60 eu tinha mais ou menos a idade de Totó, aquele garotinho que azucrina a vida de Alfredo, projecionista do Cine Paradiso, para que ele lhe dê alguns pedaços das fitas quebradas ou censuradas pelo padre Adelfio, pra depois vê-las através da chama de uma vela, conferindo-lhes enredos que só o olhar infantil pode conceber.

Na época, eu ainda morava em Glória e vibrava quando me sentava no banco traseiro da Rural de seu Daniel antes de partir rumo à vizinha Paulo Afonso, onde, além das novidades eletrônicas da casa de minha querida tia Santinha (uma radiola Phillips cheia de discos de 45 e 78 rotações, uma TV Colorado exibindo fascinantes chuviscos azuis e um imponente telefone preto pra falar com quase ninguém), existiam mais umas três maravilhas na cidade que me fascinavam.

Uma era a Livraria Sedução, onde me abastecia de gibis e revistas que depois seriam lidos sob os tamarineiros da praça de minha aldeia, e as outras eram os Cines Palace e São Francisco, templos sagrados onde conheci Brigittes, Lollobrigidas, Cardinales e, sobretudo, os faroestes italianos com suas empolgantes trilhas sonoras, que até hoje acompanham este velho escriba em seus solitários galopes noturnos.

E é com a língua avermelhada pelo corante do picolé de groselha da Sorveteria Botijinha, que me vejo correndo pra casa depois de assistir – pela segunda ou terceira vez – algum dos faroestes de Sergio Leone (Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito e Era Uma Vez no Oeste), só pra decorar as partes que faltavam de algumas músicas, pra na volta dividi-las com amigos que varavam as madrugadas comigo entre violões e rádios de pilha, todos atentos à fumaça branca que a qualquer momento poderia sair da chaminé da padaria de seu Ulisses, avisando que: “habemus pão quentinho!”.

Acho que não é nenhum exagero dizer que mais da metade do sucesso desses filmes se deve às geniais canções compostas pelo maestro Enio Morricone, cuja recente morte, guardada as devidas distâncias entre o Raso da Catarina e a Piazza Navona, provocou em mim algo semelhante ao que aconteceu com Totó, quando, já adulto, soube da morte de Alfredo.

E aí, num fraternal agradecimento àquele que me mostrou que acordes de flautas, clarins, oboés e ocarinas têm o dom de transformar duelos e cavalgadas em cenas de quase poesia, abri um chianti barato e botei pra rodar a cena final de Cinema Paradiso, aquela em que Totó finalmente assiste aos beijos que ele não pôde ver quando criança, tudo, é claro, sob a genial batuta de Morricone a reger cordas, metais e lágrimas.

Pra terminar, dizem que a ema que bicou Bolsonaro é prima carnal da que gemeu no tronco do juremá. Será um sinal de São Jackson do Pandeiro? Oremos!

Janio Ferreira Soares é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beirada baiana do Rio São Francisco.

“O Canto da Ema”, Jackson do Pandeiro: canto memorável do ritmista maior da música brasileira, que interpreta composição fabulosa do imenso João do Vale . Perfeito acompanhamento musical para a leitura do artigo de Janio, neste domingo de julho, no BP>

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jul
19
Posted on 19-07-2020
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-07-2020

DO CORREIO BRAZILIENSE

Aparentemente, o fogo irrompeu de “três lugares diferentes”, de acordo com o responsável.


AF Agência France-Presse
 
(foto: Sebastien Salom-Gomis/AFP)
(foto: Sebastien Salom-Gomis/AFP)
 
 A Promotoria abriu uma investigação por “incêndio voluntário” após o fogo registrado neste sábado (18/7) dentro da catedral da cidade francesa de Nantes, no oeste do país, que foi controlado, mas causou danos significativos.
 

foi aberta uma investigação por incêndio voluntário”, disse o promotor da República em Nantes, Pierre Sennes.

 

Aparentemente, o fogo irrompeu de “três lugares diferentes”, de acordo com o responsável.

As chamas foram vistas por pessoas que caminhavam perto da catedral no início da manhã.

 

“Os danos estão concentrados no grande órgão, que parece totalmente destruído”, disse o diretor departamental dos bombeiros, o general Laurent Ferlay, que anunciou que o incêndio estava “sob controle”. 

 

Segundo ele, o dano não pode ser comparado ao sofrido pela Catedral de Notre-Dame de Paris, devastada por um incêndio em abril de 2019. 

 

Cerca de cem bombeiros participaram das tarefas de combate ao incêndio.

 

A catedral gótica de Nantes já foi afetada pelas chamas em 1972, quando um incêndio devastou o teto, cuja parte mais antiga data do século XV.

 

A catedral voltou a receber fiéis em 1985, após 13 anos de obras para reparar os danos.

jul
19

Do CadernoB- Jornal do Brasil

 

Dicas do Aquiles

Aquiles Riques Reis

 

 

Elizeth Moreira Cardoso faria cem anos no dia 15 de julho de 2020. Cem anos do dia em que um anjo proclamou aos céus: “Elizeth Cardoso. Enluarada mulher. Divina dama brasileira. Nós somos músicos, você, música. És música pelo sexo. Nasceste mulher para ser a música. Cantaste os sons de canções que, por serem de amor, nunca foram demais”.

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Elizeth Cardoso. Enluarada mulher (Foto: Acervo JB)

Santo o anjo que primeiro saudou Elizeth – não falo aqui do tempo dos mortais, mas sim dos imortais.

Choraste lamentos que senti como meus. Disseste poemas, puxados pelos mais doces “erres”, que embalaram sonhos adolescentes, só meus. Magnífica Elizeth. Que saudosa torrente de paixão, que emoção! Diferente de todas.

Eu tinha dez anos quando ouvi Elizeth pela primeira vez. Foi “Chega de saudade”. Senti que a voz daquela mulher era o palco iluminado. Deixei, então, que se abrisse o teto da minha alma para que salpicasse de estrelas o meu chão. Não, ainda não podia adivinhar que a maior ventura dessa vida poderia ser uma cabrocha, um luar ou um violão.

Ano de 1966. Músico profissional, fui apresentado à música Elizeth Cardoso, pelo Ciro Monteiro. Desde então, acompanhei encantado a espantosa evolução artística da nossa maior música popular. Nossos poucos encontros, naquela época, foram nos bastidores da TV Record em São Paulo, antes do programa “Bossaudade”, comandado por Elizeth e Ciro Monteiro, ou antes do programa do Chico Buarque, Nara Leão, Zimbo Trio e MPB-4, “Pra ver a banda passar”. Surpreendia-me o tratamento gentil, extremamente delicado, dedicado por Elizeth a todos. Mas também, e, especialmente, a nós do MPB-4. Eu achava, hoje tenho certeza, que aquela doçura para com os que a cercavam vinha da segurança de quem não tinha mais nada a provar para ninguém. Isso, num meio onde os egos eram e são enormes, quase infantis, me cativou profundamente. Dava-me uma segurança danada quando Elizeth estava por perto.

Outubro, ano de 1976, Rio de Janeiro. Convite de Carlos Machado, o “Rei da noite”, para que fizéssemos um musical baseado na obra do compositor João de Barro, o Braguinha, na casa noturna Vivará, no Leblon. Elenco: Quarteto em Cy, Lady Hilda, Sidney Magal, Roberto Azevedo, Marina Marcel, Vera Manhães, bailarinas, ritmistas, grande orquestra e… Elizeth Cardoso. “O Rio Amanheceu Cantando”, esse era o nome do musical. A expectativa de todo o elenco era de um sucesso retumbante. Não foi! Mas como foi bom. Só o orgulho, a honra, de dividir o palco com Elizeth Cardoso e todo aquele elenco era mais do que suficiente para garantir semanas imensamente felizes. Pelo menos para mim, que, tão logo chegava ao Vivará, dava religiosamente uma passadinha no camarim da Elizeth, que eu já – vejam a pretensão – sentia como amiga para tomar um conhaque com limão preparado pela fiel “irmã” Lurdes. Aliás, como gostava da Lurdes, a Elizeth. Conversávamos por alguns instantes e eu deixava-a só em sua preparação para transformar-se na música que tanto amávamos.

Aquiles Rique Reis, é músico e integrante do MPB4

DO EL PAÍS

As cisternas, uma política pública que vem sendo descontinuada no Brasil nos últimos anos, são um alento para as famílias do sertão durante a pandemia do coronavírus. Graças a elas, famílias têm água no quintal de casa e algum meio para evitar a fome e garantir a permanência delas no campo em meio às atuais crises sanitária e econômica

Francisco Monteiro e a esposa, Zuleide de Souza.
Francisco Monteiro e a esposa, Zuleide de Souza.Fernanda Siebra
 Beatriz Jucá
Quixeramobim e São Paulo
Mudou a paisagem no sertão. As numerosas antenas parabólicas que antes chamavam a atenção sobre os telhados na beira da estrada agora parecem discretas diante de pomposas estruturas redondas e brancas que quase engolem as fachadas das casas mais simples. Desde que as cisternas, pequenos reservatórios de concreto, começaram a entrar no Orçamento público no Brasil, há 20 anos, 1,3 milhão de famílias de baixa renda que vivem da roça no semiárido passaram a acessar um direito básico: o de ter água pra beber ao lado de casa. Hoje, 343.000 delas têm condições de armazenar água para a produção agrícola. As cisternas foram construídas pelo poder público para que cada casa tivesse seu reservatório e não dependesse de governantes para garantir água. Houve um tempo de extrema miséria em que se trocava água por votos. As cisternas, que aparam a água da chuva dos primeiros meses do ano para que o agricultor consiga atravessar o verão seco, são um alento para milhares de famílias rurais enquanto o Brasil atravessa as graves crises sanitária e econômica pela pandemia do coronavírus. Graças a elas, têm água no quintal para beber e plantar. Um direito básico capaz de afastar a fome e o êxodo que marcam a vida de tantas famílias no sertão brasileiro, castigadas por uma histórica falta de políticas públicas para conviver com a seca.

“Veio a peste, mas neste ano Deus mandou a chuva para encher a cisterna”, celebra o agricultor Francisco Monteiro. A vida da família dele, no sertão central cearense, mudou com a pandemia. A venda dos alimentos que produz nas feiras agroecológicas pelas comunidades vizinhas acabou. Ele ainda tentou vendê-los em feiras online, mas as medidas restritivas da comunidade impuseram que a vizinhança só pode deixar o distrito às segundas e quintas. Como o dia de entrega no mercado online organizado por entidades da sociedade civil é a quarta-feira, ele acabou desistindo. O dinheiro que entra todo mês diminuiu, mas ele comemora que este ano choveu bem e encheu as duas cisternas que tem: uma com água para beber e outra para a produção de frutas e legumes, que segue firme no quintal de casa. Não tem faltado comida à mesa. E nem a família tem precisado deixar o isolamento social para buscar água nos açudes, que foram enfim abastecidos com as chuvas deste ano. “Quem tem cisterna em casa, está escapando bem. Estamos levando na maré mansa porque esse vírus é uma coisa que veio determinado. A gente sabe que as feiras não podem voltar agora. Mas eu continuo com a plantação pequena e tenho o que comer”, diz Monteiro.

Com a crise provocada pela pandemia, o número de pessoas em condições de extrema pobreza deve chegar a 83,4 milhões na América Latina e no Caribe, segundo estima um estudo apresentado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Essas duas entidades clamam para que os países desenvolvam políticas de combate à fome diante da gravidade do problema. No Brasil não estão desenhadas políticas nesse sentido para os pequenos agricultores. O Congresso Nacional ainda discute um plano emergencial para camponeses por conta da pandemia. As cisternas, uma solução que tem amenizado a fome no semiárido brasileiro, não estão garantidas ?apenas autorizadas? no projeto que deve ser votado esta semana. Elas já vinham sob ameaça nos últimos anos. Os recursos para construí-las, reduzidos ano após ano, tiveram a previsão histórica orçamentária mais baixa neste segundo ano de Governo Bolsonaro (de 50,7 milhões de reais). A tecnologia, que mostra a sua relevância também neste momento de pandemia, há anos vem transformando a vida das famílias no semiárido brasileiro.

Cisternas em uma comunidade de Senador Pompeu, no Ceará.
Cisternas em uma comunidade de Senador Pompeu, no Ceará.Fernanda Siebra

Para quem vive ali, parece até milagre ver a seca rachar o chão dos açudes quando a chuva não vem e não precisar migrar em busca de recurso e trabalho pra sobreviver. Seca grande nunca abandonou o sertão brasileiro, o que vinha mudando nos últimos anos era a “maneira de atravessá-la”. “Pra viver aqui nesse clima você tem que ser o gênio da lâmpada. Tem que saber inventar água”, diz o agricultor Francisco Monteiro, enquanto puxa no braço uma corda amarrada em uma espécie de cilindro de metal adaptado por ele para retirar a água que encontrou cinco metros abaixo do chão. Era novembro de 2019, período de seca, quando ele recebeu a reportagem em sua casa. E exibiu orgulhoso o poço —um cano com menos de 30 centímetros de diâmetro— que ele mesmo cavou a cerca de 100 metros da casa onde mora com a esposa Zuleide de Souza. Teve a sorte de ainda encontrar água numa região de reservatórios subterrâneos escassos e ampliar os canteiros onde planta legumes e hortaliças. Mas quando a água da terra colapsa, como já aconteceu tantas vezes, é a cisterna que segura pelo menos parte da lavoura no simbólico be-erre-ó-bró (os meses do ano terminados em bro: setembro, outubro, novembro e dezembro), quando raramente chove.

“Hoje pra mim isso aqui é brincadeira na frente do que já foi”, conta Francisco. Mesmo com o mínimo acesso à água, as altas temperaturas o fizeram perder dois canteiros de coentro no final do ano passado. A produção (de subsistência com a venda do excedente) também caiu. Depois cresceu outra vez com as chuvas deste ano, mas sua comercialização foi paralisada com a pandemia. Ainda assim, ter água na cisterna pra beber e para produzir é um alento tanto na crise quanto nas secas que têm ocorrido em períodos cada vez mais prolongados, num cenário em que o mundo inteiro vive uma emergência climática. “A gente vai se mantendo. Um dia tem mais, no outro menos, mas tem comida na mesa. Teve época aqui que a gente não tinha nem um pedaço de mato pra colocar numa panela. Hoje tem”, diz. Os primeiros meses são de esperança no sertão. É a chuva que cai nas cisternas que anuncia a fartura (ou não) do restante do ano, mas nem sempre foi assim.

A hora de partir

A memória de Francisco o leva ao tempo dos avós, quando a ordem máxima durante grandes secas era migrar pra tentar escapar da fome porque, ali, tanto morria bicho quanto gente. Se o chão pedregoso já não dava legume por falta de chuva numa época em que armazenar não era uma opção, famílias inteiras batiam as portas de casa e saiam a pé pelas estradas em busca de alguma comida e qualquer oportunidade de trabalho. O mato da caatinga virava comida, e o xique-xique assado ou o caldo da raiz de mucunã era o que alimentava as crianças. A fome era tanta que motivava saques a mercados e armazéns nas cidades. Levas e levas de flagelados incomodavam as elites e o Governo, que reagiu com uma política federal de criação de campos de concentração, espaços que mantinham os retirantes sob constante vigília e ofereciam alguma alimentação. Os “currais humanos” existiram no Ceará nas grandes secas entre 1915 e 1932, e eram desfeitos na volta do inverno chuvoso, no início do ano. “Meus bisavós tiveram que se largar no mundo sem saber como ia ser. Foram encurralados em Fortaleza e tratados como bicho, mas conseguiram vencer”, diz Francisco.

As duas gerações seguintes da família, a do pai e do avô, enfrentaram as grandes secas com as frentes de serviço do Governo, as grandes empreitadas de contração de mão de obra para fazer serviços emergenciais em estradas ou açudes. Eram geralmente os homens que deixavam suas casas para trabalhar na construção de estradas e voltavam, a cada 15 dias, com um pouco de comida para alimentar o restante dos parentes. “Eles contavam que era pouco e tinha que fazer dar. O serviço ainda dava pro arroz e pra farinha. Mas, naquela época, não tinha ainda gás nem geladeira, né? A gente não pagava energia porque não tinha luz, então não precisava tanto do dinheiro”, diz Francisco.

jul
19
Posted on 19-07-2020
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A apresentadora chegou a falar nas redes sociais que o pai subestimou a gravidade da doença


Fernanda Lima relatou ter sido cruel acompanhar a evolução da doença em seu pai (foto: Redes sociais)
Fernanda Lima relatou ter sido cruel acompanhar a evolução da doença em seu pai (foto: Redes sociais)

Morreu neste sábado (18/7), aos 84 anos, Cleomar Lima, pai da apresentadora Fernanda Lima, vítima de complicações causadas pelo coronavírus, em Porto Alegre (RS). A informação foi confirmada pela apresentadora, que publicou um texto de despedida nas redes sociais. 

No fim de abril, a atriz contou que ele havia sido infectado pela covid-19 por “teimosia e descrença”. Ela disse que chegou a discutir com o pai por telefone, mas “ninguém segurava ele, que subestimou a gravidade da situação”, confessou a apresentadora. 
 
  •   No texto de despedida publicado neste sábado, Fernanda relatou ter sido “cruel” não poder estar ao lado do pai durante o tratamento contra a doença. “A única vez que consegui deixar minha bebê para pegar um avião e ir te visitar, tu já não estava mais na UTI. Fiquei abraçada em ti ouvindo essa musica do Cartola que tu tanto adorava. Eu chorava vendo teu olhar vago e observava tuas lágrimas escorrerem também. Espero que tenhas ouvido tudo que falei no teu ouvido”, escreveu.
 Fernanda também relembrou o tempo em que o pai era jogador de basquete e disse que Cleomar terá uma despedida restrita, por causa das medidas de segurança contra a covid-19.

“Nesses quase 120 dias internado, tu provou mesmo ter fôlego de atleta. Lutou bravamente contra a covid e depois contra todas as consequências da doença. Hoje será uma despedida íntima, mas prometo que assim que essa pandemia der uma trégua e as pessoas puderem voltar a se abraçar, eu farei um encontro muito lindo, com todos os teus amigos e familiares, pra gente rir bem alto de braços abertos, que nem tu”, escreveu Fernanda no texto emocionado.

Marido de Fernanda Lima, Rodrigo Hilbert também se despediu do sogro com uma homenagem no Instagram. “O amor que eu tinha por esse cara transcendia a relação de genro e sogro. Quando o conheci, achei que ele não tinha gostado muito de mim, que nada, era puro cuidado com a filha”, escreveu o apresentador, que lembrou com carinho do apelido que ganhou de Cleomar.

jul
19
Posted on 19-07-2020
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 Sponholz, No

 

jul
19
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Jogadores negros da seleção de 1950 foram injustamente crucificados após derrota para o Uruguai no Maracanã, mas penduraram as chuteiras como ídolos de seus clubes

Barbosa, goleiro do Expresso da Vitória, marcou época no Vasco.
Barbosa, goleiro do Expresso da Vitória, marcou época no Vasco.
São Paulo

A sentença saiu ainda no fim daquele inesquecível 16 de julho de 1950. “No Brasil, a pena máxima é de 30 anos. Eu paguei a vida inteira por causa de uma derrota”, dizia Moacyr Barbosa, goleiro da seleção brasileira na final da Copa do Mundo disputada há 70 anos, no Maracanã. Eleito por torcedores e boa parte da imprensa como vilão do revés diante do Uruguai, de virada, sobretudo no segundo gol marcado pelo ponta-direita Ghiggia, ele morreu em 2000, aos 79, ainda sob o estigma da condenação pública por um instante que o perseguiu ao longo de décadas.

Barbosa não teve filhos. Mas, ao encontrar Tereza Borba na época em que foi morar em Praia Grande, litoral de São Paulo, ganhou, como ela mesmo define, “uma filha de coração” que hoje luta pela preservação da memória do pai. “Não tinha goleiro que pegasse aquela bola”, diz Tereza, ao destacar a proximidade do disparo de Ghiggia. Depois de transformar seu túmulo no cemitério da cidade em um memorial e conseguir que a prefeitura o reverenciasse com o nome de uma rua, ela se esforça para que Barbosa não seja lembrado somente pelo Maracanazo. “Precisamos virar a página, 50 já ficou pra trás. A verdade é que muita gente nem sabe que meu pai existiu. Temos de lembrá-lo Pelo excelente goleiro que ele foi.”

 

Com a camisa do Vasco, clube que defendeu por mais de 10 anos, Barbosa conquistou seis vezes o Campeonato Carioca, além de ter sido campeão sul-americano com o Expresso da Vitória, em 1948, defendendo um pênalti na final. Ele chegaria à Copa do Mundo como titular absoluto da seleção, credenciado pelo título da Copa América no ano anterior. Nem mesmo a idolatria no Vasco impediu que o goleiro escapasse da crucificação pela perda do primeiro Mundial sediado no país. No Rio, as pessoas o abordavam nas ruas para cobrá-lo sobre a defesa que julgava ser impossível. Jamais esqueceu o dia em que, já aposentado dos gramados, viu uma mulher apontar o dedo em sua direção e exclamar para a filha: “Este é o homem que fez o Brasil inteiro chorar.”

Defenestrado, Barbosa encontrou conforto na amizade que desenvolveu com jogadores uruguaios, carrascos de 50, e na recordação afetiva do Mundial para o país vizinho, onde recebeu homenagem do Governo. Virou amigo de Ghiggia, que se desculpava pelo gol que lhe causou tantos dissabores. “Se eu soubesse, naquele momento, que a culpa cairia em cima de um homem só, não teria feito o gol”, penitenciava-se o ex-atacante do Uruguai, em sinal de respeito ao sofrimento de Barbosa.

Se faltou reconhecimento em vida, a admiração dos vascaínos começa a tomar forma de tributos. Em 2007, numa eleição do jornal O Globo, ele foi escolhido como goleiro da seleção de todos os tempos do Vasco. No ano passado, o clube cruzmaltino, que, em sua galeria de ídolos descreve a culpabilização de Barbosa como “uma das maiores injustiças do futebol mundial”, homenageou seu ex-atleta no Dia do Goleiro, celebrado em 26 de abril. Atualmente, a torcida se mobiliza para que o novo centro de treinamentos da equipe leve o nome de Moacyr Barbosa, em campanha abraçada pela filha. “O Barbosa tem tudo a ver com a história do Vasco”, diz Tereza, remetendo às origens do clube que foi um dos primeiros a aceitar jogadores negros e pobres no país. “Por ser um homem negro e pelo racismo que sofreu ao ser pintado como monstro pela imprensa, é muito simbólico que ele seja um dos maiores ídolos vascaínos.”

Barbosa, no gramado do Maracanã.
Barbosa, no gramado do Maracanã.

Mesmo titular de um clube profissional, em tempos de franca popularização do futebol, Barbosa se sentia discriminado. Dois anos antes da Copa, em viagem da delegação do Vasco a Porto Alegre, tentou cortar o cabelo em uma barbearia, mas foi barrado na porta. “Não atendemos preto”, ouviu do dono do estabelecimento. Não ficou rico com a carreira de jogador. Até se aposentar, precisou trabalhar como funcionário da Superintendência de Desportos do Rio (Suderj) no complexo do mesmo Maracanã que lhe mostrou, da forma mais cruel, a face do racismo encarregada de invisibilizar os méritos de personalidades negras. “Eu descobri que a única maneira de um negro entrar na história do Brasil é como culpado.”

Vilanização na seleção, idolatria nos clubes

Depois da saga de Barbosa, houve quem dissesse —e ainda diga— que negro não serve para ser goleiro. A sombra do Maracanazo inspirou, inclusive, ideias eugenistas na seleção, que cogitou embranquecer o time antes de conquistar seu primeiro título mundial sob a batuta de Garrincha e Pelé. Além de Barbosa, outros dois jogadores negros de 50 foram duramente criticados pela derrota: o lateral-esquerdo João Ferreira, o Bigode, superado por Ghiggia nas jogadas dos gols uruguaios, e o zagueiro Juvenal Amarijo, que teria demorado a fazer a cobertura.

Embora não tenham disputado mais jogos oficiais pela seleção após o Maracanazo, ambos, assim como Barbosa, seguiram trilhando caminhos de sucesso em seus clubes. Em 1952, Bigode, que defendia o Flamengo na época do Mundial, estava de volta ao Fluminense para disputar o torneio internacional da Copa Rio. Reencontrou Ghiggia no embate contra o Peñarol e, dessa vez, deu o troco. Vitória por 3 a 0 da equipe tricolor, que sagraria-se campeã invicta, com Bigode eleito entre os melhores jogadores da competição. Morreu em 2003, aos 81 anos. Na ocasião, o Flu hasteou uma bandeira em memória ao ídolo.

Juvenal também era do Flamengo, mas acabou contratado pelo Palmeiras em 1951. Logo ao chegar ao time paulista, venceu a Copa Rio, equiparada à conquista de um Mundial por dirigentes e torcedores palmeirenses. Em 2001, foi convidado de honra do clube em evento de comemoração dos 50 anos do título. No memorial palestrino, ele é definido como o jogador que “chegou ao Palmeiras para mudar a história e resgatar a honra do povo brasileiro envergando a camisa alviverde, conquistando o Mundial de Clubes contra a Juventus de Turim”. Apesar do reconhecimento, o ex-defensor, até então último titular remanescente da seleção de 50, morreu na miséria aos 86 anos, no interior da Bahia.

Juvenal (segundo da esq. para a dir.), Barbosa e Bigode (os dois últimos da direita) com o time de 1950.
Juvenal (segundo da esq. para a dir.), Barbosa e Bigode (os dois últimos da direita) com o time de 1950.

Herói dos uruguaios, Ghiggia também se ressentia da falta de reverências em seu país. Quando o Brasil voltou a receber uma Copa, em 2014, o autor do gol do bicampeonato celeste era o último sobrevivente do Maracanazo. Sua morte, no ano seguinte, soou como uma provocação do destino: 16 de julho de 2015, exatos 65 anos depois de alcançar a glória máxima na carreira. “Em vez de culpar um ou mais jogadores, os brasileiros deveriam reconhecer nosso mérito. Uma equipe valente que só pensava em triunfar no Maracanã, apesar de todo o favoritismo do Brasil”, cobrava o ex-ponta direita.

Para Barbosa, o clima de oba-oba foi o verdadeiro vilão da seleção brasileira. Jornais cravavam que os donos da casa, que jogavam pelo empate, seriam campeões. Na véspera da final, dirigentes embarcaram na euforia e resolveram tirar os jogadores da concentração na Casa dos Arcos, isolada de toda badalação, para levá-los ao estádio de São Januário, onde autoridades e políticos de vários Estados, como o mineiro e candidato à Presidência, Cristiano Machado, tietaram os craques. Não houve tempo nem para que a delegação almoçasse antes do jogo, tamanha a algazarra na concentração. “Fomos para o estádio com fome e trancados no vestiário do Maracanã como touros. Daí nos soltaram na arena para enfrentar os leões”, contava Barbosa.

Ao contrário de outros ex-jogadores, ele nunca mais recebeu acolhida no ambiente da seleção. Em 1993, quando o Brasil se preparava em Teresópolis para enfrentar o Uruguai, novamente no Maracanã, pelas Eliminatórias da Copa, foi desaconselhado pela comissão técnica a posar para fotos com Taffarel, goleiro titular do time, sob a justificativa de que deveria “preservar sua imagem”. Em 2013, porém, ganhou da CBF uma nota de desagravo no Dia do Goleiro. “Jogar com a camisa 1 nunca foi tarefa fácil. As mais impressionantes defesas ou atuações são imediatamente esquecidas a cada gol sofrido ou lance tido como defensável, como injustamente tentaram atribuir a Barbosa, apontando-o como responsável pela derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950”, diz a nota publicada no site da confederação.

Tereza Borba se recusa a interpretar as deferências pós-morte como reparação histórica. Prefere enaltecer que as lembranças carinhosas do pai são uma justa, ainda que tardia, condecoração ao goleiro que carregou pelo resto da vida o fardo do gol que silenciou 200.000 torcedores no Maracanã. “Ninguém pode ser considerado culpado nem absolvido por crime que não cometeu”, afirma. “Minha luta é para que as pessoas lembrem que, mais do que um grande ser humano, Barbosa sempre será um monumento do Vasco e do futebol brasileiro.

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