Gilmar, em comentário político, ataca o governo e o Exército e ...

Gilmar ataca general na Saúde e ministro da Defesa reage: farda vai

para cima da toga.
 ARTIGO DA SEMANA

Ferroada de Gilmar: Farda vai pra cima da Toga

Vitor Hugo Soares

Haja o que houver, dê no que der, um resultado pode-se garantir desde já, neste furdunço da vez na política nacional: está declarado o conflito da farda contra a toga no País, quaisquer que sejam os panos quentes, e a quantidade de unguento aplicados na ferida, para amenizar os efeitos da ferroada do ministro Gilmar Mendes (STF), ao declarar, durante conferência, que “o Exército poderá ser acusado de associação em um genocídio”. 
A referência pesada sobre o general Eduardo Pazzuello à frente da gestão no Ministério da Saúde, em tempo de amarga pandemia – mais de 75 mil mortos, até esta semana – meteu o magistrado em encrenca das brabas, não só com o governo do capitão, mas principalmente com as corporações militares do Exercito, Marinha e Aeronáutica, (fardados ou de pijama).

Para verificar, basta aplicar a pistola eletrônica, – que substitui o termômetro tradicional, na medição da  temperatura do corpo humano nos shopping e supermercados em dias de Covid-19 –  e ver o grau da infecção política, midiática, jurídica e de caserna, causada pela palavra genocídio, usada pelo magistrado, em sua crítica ao militar da ativa, exercendo função alheia ao seu preparo profissional. Sem estratégia definida, sem projeto e sem rumo, a caminho bastante provável de desastre humano e governamental talvez sem precedente histórico.

 De seu lado, o ministro do STF, “metido a arrochado” (no dizer dos soteropolitanos), não poderia ter dado melhor pretexto corporativo (com algum respaldo inegável no seio da sociedade) para o governo e as forças armadas se juntarem em torno de antiga e evidente vontade comum: fazer a Farda partir para cima da Toga.
A primeira e dura reação de contra-ataque veio de imediato, na segunda-feira, 13, com aval evidente do presidente Jair Bolsonaro  contaminado pelo corona vírus, recolhido em tratamento domiciliar no Alvorada  sob a forma de nota oficial do Ministério da Defesa, respaldada pelos três comandantes militares, em repúdio à declaração de Gilmar Mendes  pego pela extensão da crise que causou e do efeito da nota dos quartéis  em seu repouso europeu em Lisboa. E não iria ficar só nisso, para desassossego do ministro e seus colegas do Supremo.

O turbulento general Augusto Heleno disparou, do Palácio do Planalto, mais um foguete de guerra sobre o ministro da ferroada, ao expressar seu apoio público aos termos da nota assinada pelo titular da Defesa, “general de Exército, Fernando Azevedo, e pelos comandantes das Forças Armadas”. Se não bastasse, o vice-presidente Hamilton Mourão lançou, dia 14, nitroglicerina pura nesta contenda. Falando na TV para o país, foi pra cima, com gana e direto ao ponto: “Se tiver grandeza moral, Gilmar Mendes corrigirá fala sobre Exército em associação com genocídio. Basta retirar a palavra e pedir desculpas”, sugeriu.

Ainda em Portugal, Gilmar ensaiou um recuo estratégico. Se disse surpreso com a forte reação militar à suas palavras (“principalmente Marinha e Aeronáutica, sobre as quais nem falei na minha conferência”) e disse que não pretendeu ofender e sim alertar os militares para a impropriedade da permanência do general Pazzuello à frente da Saúde em momento tão grave. Não retirou a palavra “genocídio”, nem pediu desculpa por nada.
Aí continua morando o perigo da guerra atual da farda contra a toga. A conferir nos próximos e inevitáveis lances do combate.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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