Sergio Moro critica Augusto Aras e teme ''revisionismo'' da Lava ...
Moro, o “mocinho”: contra “revisionistas” da Lava Jato na Live do Estadão…
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…e Tyson, o “vilão”: ressurge

surpreendente no El País.

ARTIGO DA SEMANA

Tyson, “vilão”, Moro “mocinho”: boas falas (e a Covid do Presidente)

Vitor Hugo Soares

Mesmo com a notícia da contaminação do presidente da República por Covid-19 – Jair Bolsonaro começou a sentir mal estar sábado, 4 de julho, em Brasília, no almoço comemorativo do Independence Day dos Estados Unidos, na casa do embaixador Todd Chapmann, repleta de convivas dos dois países campeões da pandemia – considero fatos jornalísticos mais relevantes, neste começo de julho, as entrevistas do ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro – em Live do Estadão – e a do peso pesado, Mike Tyson, no El País.

Mas reconheço que a covid presidencial – e o método insólito de tratamento, do principal gestor público do país, com cloroquina e postagens de propaganda política e sanitária nas redes sociais –  conduz o debate da pandemia a novo patamar: mais grave, explosivo e polêmico. 

A escolha decorre de que tanto a conversa do “vilão” Tyson, quanto a do “mocinho” Moro têm conteúdo jornalístico mais plural, amplo, denso e duradouro que o embolado jogo de palavras e imagens do mandatário, a girar em volta de si mesmo, da defesa com palavrões impublicáveis dos malfeitos da família e dos amigos.

A conversa com o “novo Tyson” é conduzida, na Califórnia, pelo repórter Cezar Greif, e bordeja  vida do garoto pobre e negro nascido no Brooklyn(NY) entre crimes e malfeitores, mas vira boxeador campeão, ganha fortunas, perde tudo nas drogas e farras, é condenado por estupro (que ele nega), passa três anos preso e começa direcionar melhor a inteligência, cuidar mais do espírito e domar o temperamento marginal e explosivo, lendo Dostoievisky  .

Revela-se um dos personagens mais polêmicos de seu tempo, que se reergue inovadoramente: Tão capaz de morder e arrancar parte da orelha de um adversário em combate (Evander Hollyfield, hoje seu mais presente e leal amigo ), quanto de ler “Os Irmãos Karamazov” na prisão. E que agora comanda um negócio legal de maconha na Califórnia, e se prepara para retornar ao ringue, enquanto grava podcasts em L.A. Tem mais, muito mais, mas não digo.Leiam  na íntegra, recomendo.

Moro é Moro, já se sabe. Mas o “mocinho” atual da política , que simboliza como ninguém o combate implacável a corruptos e corruptores no País, avança muitos passos, na destravada Live divulgada pelo Estadão, conduzida pela colunista Eliane Cantanhede e o repórter Fausto Macedo. Responde, com opiniões seguras e ousadas, que evidenciam a estratégia e o discurso de novo político na praça, decidido a abrir espaços à sua passagem rumo a novos desafios de participação no debate sobre política e poder, que ele propõe seja “de princípios”, em torno de temas relevantes e de real interesse público, que substitua o engodo atual das falas, propostas e discussões em torno de falsas prioridades e de meros interesses personalistas ou de grupos, cuja perspectiva em geral não vai além do próprio umbigo dos integrantes – políticos, legisladores e governantes.

Faz críticas duras ao que denomina de onda “revisionista” contra a Lava Jato, patente nos ataques atuais contra as forças-tarefa de Curitiba e demais operações de combate à corrupção e ao crime organizado. “Elas (as forças-tarefa) são uma criação brasileira absolutamente necessárias para se ter uma equipe de procuradores e policiais dedicados a investigar esses crimes mais complexos” diz o ex-juiz. E mais não digo. Mas recomendo a íntegra da Live do Estadão. Vale cada minuto da uma hora de dursção.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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