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 ARTIGO/Ponto de vista
A tragédia da educação baiana 5
Joaci Góes
Ao transcurso de 120 anos do nascimento de Anísio Teixeira!
Concluindo:
5- Se se dispuser a ousar, o Governador do Estado poderá estabelecer como objetivo um padrão de qualidade na educação equiparável ao primário do Japão, o médio da Alemanha e o universitário dos Estados Unidos, consoante o preceito bíblico que diz que alcançamos pontos cada vez mais altos quando nos empenhamos em atingir as estrelas. Ou em linguagem mais corriqueira: avançamos sempre quando tentamos quebrar recordes, como nos Jogos Olímpicos. No caso do ensino fundamental e do superior, fazendo convênios com os Municípios e a União. Ensina-se do modo que se revele mais eficaz, a partir da experiência comprovada dentro e fora do País. Picasso ensinou que “o bom artista copia, e o grande artista rouba ideias”.
6- Afastar a área pedagógica da UNEB do contexto suicida que resultou na confissão de 66% do magistério brasileiro que sua má preparação resultou de seu desempenho ser mais valorizado pela postura ideológica do que pelo aproveitamento acadêmico. Nossos professores, com as exceções de praxe, além de não dominarem o conteúdo do que ensinam, não aprenderam a dar aula. Em lugar disso, vociferam teorias grandiloquentes, proscritas do primeiro mundo. Como resultado, Cláudio de Moura Castro, com o testemunho de João Batista de Oliveira, diz que o exame do SAEB – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica constatou que os alunos que tiveram professores graduados em magistério ou pedagogia obtiveram notas inferiores às dos alunos com mestres de formação superior distinta. Em outras palavras: aprende mais quem estuda com quem não é professor regular. Nem os professores, nem os diretores, nem os secretários de educação respondem pelo mau desempenho dos alunos, das escolas e da educação no Estado. Praticamos o princípio da irresponsabilidade geral, irrestrita e solidária. A sociedade que se dane. Predomina a mentalidade de que não se deve medir o valor do professor pela qualidade do desempenho do seu alunado, na contramão do que se pratica nos países de boa educação.
7- Criar parâmetros meritocráticos de remuneração e promoção dos professores, a partir do crescimento apresentado por suas turmas, segundo o critério da igualdade dialética inaugurado por Aristóteles e aperfeiçoado por Ruy Barbosa: “A regra da igualdade não consiste, senão, em quinhoar, desigualmente, aos desiguais, na medida em que se desigualam…”.
8- Combate severo ao absenteísmo. Em praticamente todos os níveis do ensino público – municipal, estadual e federal -, há um percentual elevado de funcionários da educação, inclusive professores, dedicados a atividades alheias àquelas para as quais foram contratados, caracterizando ominosa e onerosa prática de desvio de função. Sem falar no absenteísmo sistêmico dos enforcamentos e dos prolongamentos de fins de semana. O corporativismo sindical, legitimando vícios, faz o resto, inclusive pela exclusão do absenteísmo como fator condicionante da contratação, remuneração e promoção. Incluídas as leis estaduais e municipais, os professores paulistas, segundo pesquisas, podem se ausentar da sala de aula, por 76 dias em um ano, sem qualquer punição. Se isso acontece em São Paulo, a mais desenvolvida de nossas comunidades, que sobre o tema dispõe de informações confiáveis, imagine-se o que não se passa na Bahia!
9- Realizar PPPs (Parcerias Público-Privadas) transferindo para particulares parte do ensino público, como meio de estabelecer uma saudável competição, como a Lei já permite, tendo como teto de gasto, por aluno, o valor médio atualmente despendido pelo Estado, com a fixação de prêmios pelos ganhos de produtividade.
10- Simplificação do conteúdo curricular: o Mundo condena nosso enciclopédico e ineficaz currículo escolar para “inglês ver.”; aperfeiçoamento continuado do magistério, sobretudo nas regiões mais pobres; melhora do espaço físico para atrair a continuidade dos estudos e ampliação do tempo escolar.
O decurso dos 120 anos de nascimento de Anísio Teixeira, neste 12 de julho pandêmico, é uma excelente data para o Governador Ruy Costa dar o pontapé inicial da recuperação da educação na Bahia, inspirando-se na crença em que cada um dos jovens que frequentam a escola pública possa alcançar as alturas, a ponto de, quem sabe, vir, um dia, a governar o seu Estado.
Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado na edição de quinta-feira, 9, da TB.

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Comentários

Vanderlei on 11 julho, 2020 at 23:57 #

Muito difícil grandes mudanças na área da educação e cultura, tendo em vista que o marxismo educacional e cultural conseguiu hegemonia para todos os lados do Brasil. E é sabido que praticamente nenhuma Universidade fugiu ao marxismo. Tudo foi conduzido exatamente como Antonio Gramsci ensinou. E isto já faz mais de 30 ou mais. A curto prazo é quase impossível mudanças benéficas ao país. Para mudanças, verdadeiras, teremos de ter grandes rupturas com o passado, principalmente e também com a pedagogia de Paulo Freire. Pobre Brasil!


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